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2. Les structures sociales

2.1. L’approche durkheimienne

No modelo que estamos propondo, é o traço-EPP de uma sonda, em Q, que promove o movimento do DP quantificado para a posição de [Spec, QP]. O fato de o quantificador estar em uma posição pré ou pós-nominal não altera o significado isolado deste elemento, mas, de acordo com a nossa hipótese, os conjuntos [Q DP] e [DP Q] remetem a diferentes significados. Como já foi dito antes, enquanto a ordem “Todos os alunos” é default, e favorecida em contextos out of the blue, a ordem “Os alunos todos” parece ser favorecida em contextos nos quais se indica referencialidade ou resumitividade. Com o intuito de ilustrar essa idéia de referencialidade e resumitividade, tomemos o exemplo a seguir, extraído de um jornal brasileiro online, no qual observamos a transcrição de um discurso falado:

(63) “Apenas seis meses depois do início do escândalo do caixa dois, o PT teve de entregar ontem sua contabilidade oficial para uma devassa da Receita Federal, que foi à sede nacional do partido em São Paulo. Os dirigentes receberam os auditores e entregaram a contabilidade de 2001. A Receita está investigando as contas de 2000 a 2004, e o próprio PT atribuiu a investigação à crise política. Para complicar ainda mais a situação do partido, os funcionários paralisaram o trabalho por estarem com os salários atrasados. É a primeira greve de funcionários em 25 anos de história do partido, que sempre apoiou greves no serviço público e no setor privado e condenava com veemência as empresas que não pagavam a seus trabalhadores. Segundo o tesoureiro petista, Paulo Ferreira, os documentos contábeis referentes aos outros anos estão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e serão encaminhados à Receita.

— Em razão dos episódios todos, a Receita decidiu por fazer uma análise das contas. Mas o procedimento deveria ser feito com os outros partidos também, por uma questão de isonomia — afirmou Ferreira.”

(http://oglobo.globo.com , em 03/12/05)

Isto é, a ordem [DP Q] somente é licenciada em casos como o ilustrado acima, em que se parece saber exatamente a que “episódios” o falante está se referindo (noção de “referência”), por estes terem sido mencionados previamente, e em que o falante faz uma espécie de resumo dos acontecimentos, agregando-os no “todos” pós-nominal (noção de resumitividade). O tipo de exemplo acima sinaliza as duas noções simultaneamente. É crucial notar que esse tipo de DP não ocorre jamais em contextos do tipo out of the blue, nos quais não caberia resumir ou fazer referência a algo.Em nosso

modelo, portanto, o traço-EPP, responsável pelo movimento do DP, justifica-se a partir do momento em que se nota essa diferença de interpretação. Estamos falando, mais especificamente, de duas situações: de um lado, uma situação de foco largo, correpondendo aos contextos do tipo out of the blue, e de outro, uma situação de foco no quantificador, correspondendo a foco estreito, que remete à leitura massiva, resumitiva, do quantificador.83 Continua um mistério, contudo, o porquê de a configuração sem movimento, [Q DP], ser capaz de codificar ambas as leituras, questão que adiamos para uma análise futura. De todo modo, é impossível o uso da sentença em negrito em (63) em um contexto no qual não se saiba exatamente a que episódios estamos nos referindo, e esse é um ponto crucial para o modelo que estamos propondo nesta tese.84

Já havíamos mencionado, brevemente, neste capítulo, o papel do escopo nos dois tipos de configuração. Em nota de rodapé, argumentamos, com base em um comentário de Cilene Rodrigues (c.p.), que, quando o DP se move, modificam-se as relações de escopo, e, portanto, é de se esperar uma nova interpretação para a projeção nominal em questão. Desenvolvendo um pouco mais a questão, mas, ainda em um nível intuitivo, diremos que o efeito de escopo decorrente do movimento do DP, determinado pelo traço-EPP em Q, tem justamente a ver com o que temos defendido até aqui em relação ao contraste out of the blue e referencial / resumitivo. Cabe lembrar aqui a possibilidade, apontada em Chomsky (2001), de o traço-EPP poder assumir esse papel de codificador de uma propriedade interpretativa. Na configuração [Q DP], é o quantificador que tem escopo sobre o DP, e este último se encontra sob forte influência da qualidade quantificacional daquele. Aqui, o efeito da quantificação é mais forte do que qualquer efeito de referenciação ou resumo.85 De acordo com a intuição de Ana Paula Gomes (c.p.), estamos pressupondo que, nesse caso, “todos” quantifica cada parte do DP à sua direita, hipótese que, a nosso ver, está diretamente relacionada à nossa hipótese de a

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Não é objetivo da tese refinar os tipos de foco no PB. Para um estudo mais aprofundado da questão, remetemos o leitor à análise em Pilati (2006), na qual a autora considera, particularmente, situações de oposição entre uma leitura não-marcada, e uma leitura de foco em um elemento à direita, no caso, o sujeito pós-verbal.

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Acrisio Pires (c.p.) concorda com essa observação, mas nota que nos casos com pronomes a distinção é muito menos clara, talvez em função de os pronomes caracterizarem informação já mencionada ou conhecida anteriormente.

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Durante a fase de finalização da tese, tomamos conhecimento da análise em Bernstein (2001), na qual a autora aborda o foco em elementos do tipo quantificadores (indefinidos, como alcuno, do italiano, e aucun, do francês, correspondendo a “algum”, no português), demonstrativos, possessivos, e elementos que ela chama de reinforcers (“reforçadores”), em línguas românicas: el libro este, un libro mio (do espanhol, “o livro este”, “um livro meu”), sans bénéfice aucun, senza beneficio alcuno (“sem benefício algum”, do francês e do italiano, respectivamente). A autora analisa esses dados em termos de uma leitura de foco no elemento à direita, em oposição à leitura não-marcada da outra ordem disponível.

interpretação associada a essa configuração ser mais genérica, não-resumitiva e não- referencial. Por outro lado, na configuração [DP Q], a situação se inverte, e, nesse caso, é o DP que tem o escopo sobre o quantificador. A qualidade quantificacional deste último é enfraquecida pela qualidade referencial daquele, e sua função passa a ser a de um mero “agrupador”. Ainda de acordo com a intuição de Ana Paula Gomes, “todos”, nesse tipo de configuração, ao invés de estar quantificando cada uma das partes individuais do DP, estaria quantificando o grupo de indivíduos denotados – o grupo de alunos, o grupo dos episódios etc. Mantemos, contudo, essa última discussão em um nível intuitivo, deixando para pesquisa posterior determinar que mecanismos formais levariam a essas distinções.