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L’application REDI est-elle correctement utilisée?

3 Module de travail 2: recensement des bugs et résolution des problèmes

3.3 L’application REDI est-elle correctement utilisée?

Irmãos idosos, a vida religiosa consagrada é, necessariamente, uma vida solitária. Alguns deles se sentiram mais à vontade para expressar sua visão a respeito deste assunto; outros foram lacônicos, tentando desviar-se do tema.

A geração acima dos 80 anos não trouxe esta questão de forma explícita, mas é possível percebê-la nas falas. Os Irmãos fizeram referências à falta que sentem de conviver com os pares, de conversar mais, de estar junto aos alunos, como fizeram em outras etapas da vida. Novamente, a percepção é diversa. Há traços de personalidade que favorecem a solidão, como expressa o Ir. Bonius: “Talvez seja uma dificuldade grande para convívio, porque não tenho muita intimidade assim com muitas pessoas. Sou um pouco isolado. Então fico lendo no meu quarto.” Nesta perspectiva, a solidão não é percebida como um problema. Comportamento reservado, portanto, não pode ser confundido com solidão. O contato com pessoas de locais onde o Irmão viveu também preenche espaços, como diz o Ir. Hipólito: “Sou bem recebido, todos gostam de mim, eu nunca tive problemas de convivência, não. (...) Eu fico na minha. Agora, eu respeito os outros, faço um agrado a um, faço um agrado a outro, né? Porque eu sei que sou Irmão do meu irmão.” As observações e comentários dos Irmãos, na coleta de fotos, foram

reveladores a respeito das relações afetivas construídas com as pessoas retratadas. Os nomes, datas e acontecimentos foram lembrados de forma que explicitou a experiência emocional que representaram.

Importante destacar que essa postura de satisfação afetiva não é regra: os Irmãos que cultivaram relações de reciprocidade ao longo da vida as terão presentes na terceira idade. Mas, como alerta o Ir. Adorátor,

[para] quem não se fez, não se cultivou, deve ser muito duro [viver a velhice]. É a mesma coisa de um pai que nunca foi um bom pai, nunca foi um bom marido e, chega a velhice, os filhos não querem conversa, a mulher distante, é uma velhice infeliz. Por isso que eu acho que o casamento e a vida religiosa são vocações de amor e têm muita semelhança quanto a fidelidade, quanto a uma série de coisas que é preciso perceber.

Para os Irmãos que vivem nas comunidades de idosos, a necessidade de convivência é mais acentuada, especialmente se estiveram, ao longo da vida, em contato direto com crianças e jovens. E outros acolhem o novo ritmo de vida como uma mudança bem-vinda: podem se dedicar mais a atividades que lhes parecem satisfatórias, como leitura, oração e música, mas para as quais faltava tempo, em outras etapas da vida. Assim, o tempo de convivência são os momentos comunitários: orações, refeições, sala de televisão... No resto do tempo, a solidão é cultivada intencionalmente e como espaço de alimentar a vida espiritual.

Os Irmãos na casa dos 70 anos expressam de forma mais clara o incômodo da solidão, talvez porque a dinâmica institucional, ao favorecer sua presença em espaços extrainstitucionais, tenha tornado a convivência com grupos diversos um elemento rotineiro e que, consequentemente, faria falta, nesta etapa da vida. Perguntado se a vida religiosa consagrada é solitária, o Ir. Sébastien-Camille respondeu: “Eu acho que é. Quer dizer, não é e sendo.” O Ir. Claude-Régis ajuda a entender esse paradoxo:

Há um lado da solidão que é benéfico, isto é, eu me acostumar à vida por opção. Existe uma outra solidão, e isso é triste, quando o idoso se sente abandonado, ele tem a sensação de abandono, de falta de presença, de cuidado. Isso pode ser real ou pode ser imaginário. Às vezes as pessoas estão do lado, cuidando, querendo o bem, manifestando carinho, e a pessoa não assume, não quer, então sofre com essa solidão.

Ou seja, há a convivência com várias pessoas, mas nem sempre isso se traduz, para o Irmão idoso, em gratificação afetiva. A mesma percepção pode ser

reconhecida em outros idosos que, por exemplo, convivem com filhos e netos, mas se sentem solitários porque algum deles não está tão presente quanto desejariam. Assim como o bem-estar e autoeficácia, o sentimento de solidão é, predominantemente, uma percepção subjetiva.

O Ir. João Alexandre acrescenta outro elemento:

Por erro de formação, os Irmãos idosos de hoje foram formados pra serem professores, e não pra serem religiosos, certo? Então, quando eles ficam idosos e não podem ser professores, muitos deles ficam frustrados. Alguns ficam até ríspidos, secos, porque estão fora do seu ambiente.

A solidão, nesta perspectiva, estaria relacionada ao afastamento do Irmão idoso dos espaços que sempre ocupou, ao longo da vida. É semelhante à solidão do idoso que se aposentou e, agora, não encontra lugar na nova condição de vida. Se há o suporte dos grupos sociais com os quais sempre conviveu, a solidão será minimizada. Ou, se não estabeleceu redes de relacionamento em outras épocas, pode ser que a velhice se abra como etapa de vida em que o idoso descobre possibilidades até então inexploradas.

Curiosamente, a geração dos 60 anos destacou mais a solidão da vida religiosa consagrada. O Ir. Adorátor faz uma distinção interessante: “Muitas vezes eu me sinto um homem solitário. Não é solidão, porque solidão leva a ser solidário. Solitário.” E afirma que, como religioso, é necessário “saber viver essa dimensão de ser solitário. Tem horas que eu sinto como homem, como pessoa, eu sinto isso. Mas eu sei muito bem sublimar isso aí de tal forma que eu também não busco outros tipos de compensação”. O Ir. Marcien relaciona a solidão ao ritmo da vida institucional: “Eu me afastei da minha família, por causa das viagens, e quando vou em casa, eu não conheço meus sobrinhos, eles não me conhecem. Isso não é culpa de congregação, é culpa da gente. Tem uns que vão [visitar a família], eu não vou há três anos.” Ele relaciona também essa solidão à formação que reprimia a criação de laços afetivos: “É necessário viver sem se prender. [...] De que adianta se prender, se você não [se] fixa [em] nada?”

Outro aspecto da solidão trazido por essa geração se refere a questões afetivo-sexuais. O Ir. Adorátor admite: “Sinto a vontade de amar e ser amado. Sinto profundamente [...] a minha afetividade e a minha sexualidade.” O Ir. Auxent

relaciona essa necessidade a determinadas circunstâncias que acentuam a carência afetiva:

Já tive alguns momentos, sobretudo em [nome da cidade], de solidão. Em [outra cidade] não foi preciso, a comunidade deu suporte. [...] Os momentos de stress foram momentos em que eu tive aquela busca, [desejo de encontrar] uma pessoa [...] que gosta de mim, que me aceita do jeito que sou. Então, todos os momentos fortes da minha vida, foi também um lado onde essa dimensão física foi mais forte.

A necessidade de afeto, assim, é acentuada como forma de lidar com pressões externas – o que também não é exclusividade da vida religiosa consagrada. Outra característica da contemporaneidade, e que também afeta os Irmãos, é apontada pelo Ir. Marcien: no mundo moderno, que endeusa a juventude, as possibilidades de relacionamento afetivo se estreitam após os 40 anos: “Os idosos não querem falar com idosos, querem falar com mais novos. Você vê nos meios de comunicação, nos sites [...]: ‘Não, eu queria falar com uma pessoa mais nova’. [...] O velho já tá velho, não tem mais sentido, não tem mais nada pra dar.” Ele se refere, implicitamente, à solidão dos que não têm um/a companheiro/a, que navegam por sites de relacionamento e veem pouca probabilidade de encontrar alguém para suprir sua necessidade de afeto, na medida do seu desejo pessoal.

Outra relação trazida pelos Irmãos idosos é entre a solidão e os espaços de poder. De fato, os Irmãos que estão em determinadas funções enfatizaram o sentimento de solidão. Para eles, as exigências dos cargos de poder, como o sigilo em determinadas situações e as decisões sobre o destino dos confrades, favorecem o isolamento do Irmão. O Ir. Claude-Régis diz que “todas as nossas grandes decisões são solitárias”. Para ele, se o Irmão se apega ao cargo e não constrói relações com seus pares e outras pessoas, é mais provável a vivência solitária da velhice, pois “vão caindo atributos, potencialidades, poder, cargos, serviço, visibilidade, tudo isso vai desaparecendo”. Na sua visão, o caminho para lidar com estas perdas é a espiritualidade, porque “o amor de Deus é o mesmo. O amor aos irmãos, ele é recíproco. A gente ama um ao outro, numa troca, a comunidade ensina isso. Então, o Irmão que viveu bem na comunidade vai sofrer menos.”.

A vida religiosa consagrada, como uma instituição de organização hierárquica, é também lugar em que as relações de poder trazem consequências para as relações interpessoais. Morano (2007, p. 54) alerta para a necessidade de

considerar, analisar e cuidar do “jogo de relações que se cria em cada comunidade, de um modo sempre único e singular”, que pode se traduzir em uma patologia coletiva em que a pessoa é substituída pela autoridade. Logo, quem se prende a funções institucionais e se deixa envolver pelo solipsismo do poder tende a estender a solidão do cargo para as outras áreas da vida, no tempo presente e posterior. O Ir. João Alexandre considera que “o poder é uma m...!” Ao mesmo tempo, indica o caminho para fugir dessa armadilha: “Ele [o poder] só não é isso [uma m...] se ele for colocado como serviço. [...] já tive muito poder, [como] diretor [...] Mestre de Noviços, aliás, um professor tem poder. E se ele não colocar a serviço, ele não faz nem o que o Criador fez, nem o que Cristo fez, nem o que Champagnat fez.” Poder-serviço é, na concepção religiosa, aquele que foge à tentação de oprimir e é utilizado com a finalidade de gerar o bem para as pessoas.

O Ir. Adorátor alerta que o poder é sempre arbitrário. E admite: “todas as vezes que eu dei uma de poder, eu fiz mal ao outro, fiz mal a mim mesmo e neguei o Projeto de Deus.” Referindo-se a um outro Irmão idoso, que “já se isolou”, Ir. Ambroise pondera: “É a tal história, se preparou do jeito que foi na juventude”. Este é um Irmão considerado “difícil e autoritário” durante toda a sua vida. De gênio forte e temperamento difícil, baseou suas relações no exercício da autoridade e do poder. Ou seja, se quem está nesses espaços se deixa contaminar pela tentação de controlar a vida de outrem e, intencionalmente ou não, lhes causa mal, provavelmente provocará o afastamento das outras pessoas – e, consequentemente, maior sentimento de solidão. Uma vez que a dinâmica institucional é organizada de forma hierárquica, os riscos de isolamento e solidão são maiores para quem se deixa seduzir pela estrutura institucional ou se identifica tanto com ela que deixa de cultivar outras dimensões vitais.