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8.  ACTIVITÉ ENGAGÉE, EXPÉRIENCES CONVOQUÉES ET  ESPACES D’ACTIVITÉ ÉMERGENTS DANS LES DISCOURS ESPACES D’ACTIVITÉ ÉMERGENTS DANS LES DISCOURS

8.2  L’analyse des discours d’expérience sur l’écriture du dossier

Vasco Noronha Vieira1 Tânia Manuel Casimiro2 Vanessa Filipe3 Cleia Detry4

RESUMO

Durante a intervenção arqueológica levada a cabo no Largo da Atafona, na Mouraria, local onde seria colocada uma ilha ecológica, foram encontrados diversos vestígios arqueológicos, balizáveis desde a Idade Média ao século XX. Sobre um pavimento possível de datar dos inícios século XIX, foram reconhecidas evidências que podem ser relacionadas com o que restou de uma oficina de produção de botões em osso.

Ali foram recuperados diversos vestígios da cadeia produtiva, desde a matéria-prima a ossos recortados, placas e lascas com marcas de corte circular associados a alguns exemplos de produtos já acabados, de diferentes dimensões. A produção artesanal de botões em osso durante o século XIX é uma realidade bem documentada em diversos países. O seu reconhecimento num contexto arqueológico oitocentista em Portugal é, no entanto, uma novidade. É assim ob- jectivo deste trabalho demonstrar o tipo de produção aqui identificada e a tipologia dos objectos produzidos relacio- nando-os com a sua utilização no quotidiano dos lisboetas durante o século XIX, reflectindo sobre as características económicas, sociais e ideológicas de quem os utilizava.

Palavras-chave: botões em osso; oficina; manufactura; século XIX.

ABSTRACT

During the archaeological excavation of the Largo da Atafona, in Mouraria, a site where a recycling bin was to be loca- ted, several evidence of human occupation from the Middle Ages to the 20th century were found. An early 19th century floor was covered with the remains of a workshop dedicated to the production of bone buttons.

Based on the evidence it is possible to reconstruct the chaine operatoire of this workshop from raw material to finished products with several chopped bones and object used to work on the bone.

The traditional production of bone buttons in the 19th century is already well known in other European countries, howe- ver its recognition in a 19th century Portuguese archaeological context is a novelty. This paper aims to reveal the type of objects found in this site and relate them to the daily use of buttons in 19th century Lisbon and in what way these small items, which were manipulated every day, reflect the ideas and the ways of the population at that time.

Key-words: bone buttons; workshop; manufacture; 19th century.

1 Instituto de Arqueologia e Paleociências (IAP) da Universidade Nova de Lisboa (UNL).

2 Instituto de História Contemporânea (IHC) e Instituto de Arqueologia e Paleociências (IAP) da Universidade Nova de Lisboa (UNL). 3 Cota 80.86.

INTRODUÇÃO

Os trabalhos arqueológicos no local onde haveria de ser ins- talada uma ilha ecológica no Largo da Atafona, Mouraria, es- teve ao encargo da empresa Cota 80.86 entre Janeiro e Abril de 2018. Durante a escavação daquele local, e como seria expectável, foram encontrados diversos níveis de ocupação, possíveis de datar entre o século XX e o século XII, onde se destaca um conjunto de 23 silos de armazenamento com uma diacronia entre os séculos XII e XV, assim como uma atafona manual do século XIV, e vestígios do edificado existente no local entre os séculos XVII e meados do século XX, com diver- sos momentos de remodelação ao longo dos séculos (Fig. 1).

Sobre um pavimento pertencente a este edifício, com cronologia atribuível aos inícios do século XIX, com base na cultura material ali identificada, foram reconhecidos diversos vestígios que podem ser relacionados com o que restou de uma oficina de produção de botões em osso, muito provavelmente desactivada devido a um incêndio no edifício que a albergava.

CONTEXTO

No local intervencionado, foram detectados os vestigios de um quarteirão habitacional que ali existiu desde o século XVII até aos anos 40 do século XX, altura em que foi demolido para se dar lugar à construção do Mercado do Chão do Loureiro, que veio substituir a Praça da Figueira, entretanto desmantelada.

Apesar de bastante afectados não só pelo processo de destruição dessa altura, mas igualmente pelas remodelações efectua- das no Largo da Atafona já no século XXI, ainda foram identificados alguns vestigios desse edificado, já ao nível de alicerces e pavimentos, nomeadamente na área Nor- te da zona intervencionada. Ali foi identi- ficado um depósito sedimentar de matriz argilosa e tonalidade vermelha, compac- to, que parece corresponder a um nível de piso, possivelmente o interior de uma casa. A compactação do solo e os restos de carvões e madeira queimada sugerem que possa ter sido abandonado aquando de um incêndio. A própria rubefação da ar- gila evidencia ser resultado dessa acção (Fig. 2). Sobre este provável pavimento, encontrava-se um depósito sedimentar castanho, mais arenoso, de onde foi recolhido uma grande quantidade de vestígios de um espaço onde se trabalhava material osteológico, desde ossos completos e fragmentados de animais, e outros, já segmentados. Grande parte apresentava marcas de corte, lascas e fragmentos cuidadosamente cortados, alguns botões, e muitos fragmentos de ossos contendo os negativos de onde foram cortados botões. Alguns ainda apresentando mesmo os botões incrustados ou quebrados. Também feitos em osso foram recolhidos o que acredita- mos serem furadores.

Fig. 1 Mapa da cidade com localização do Largo da Atafona.

colhidos elementos de botões sob o caneiro e dentro do enchimento da vala do muro. A área total ocupada por estes níveis da oficina não foi possível determinar, mas desenvolvia-se aparentemente até um dos alicerces de um prédio, e supostamente encostando a ele, ou seja, o alicerce será de construção anterior.

A datação deste contexto de oficina foi obtida através dos materiais cerâmicos. Ainda que em pouca quantidade aque- les revelam, tal como tem sido reconhecido em diversos contextos arqueológicos de inícios do século XIX, da cidade de Lisboa e arredores, uma conjugação de cerâmicas ainda produzidas de forma tradicional, tais como as cerâmicas de pastas vermelhas e faiança, associadas a importações inglesas, já de cariz industrial. Ainda que a Real Fábrica de Louça ao Rato estivesse já em plena laboração nesta altura não foram reconhecidas produções neste contexto.

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