1.4 De la théorie à la pratique
2.1.1 L’agent, évolution de l’objet ?
A Análise Textual dos Discursos, elaborada pelo linguista francês J.-Michel Adam, é uma abordagem teórica e metodológica que se insere no campo
da Linguística Textual e tem como objetivo, segundo o próprio autor, pensar o texto e o discurso em novas categorias. Adam articula sua posposta de linguística textual e análise de discurso sobre essas “novas bases” e “situa decididamente a linguística textual no quadro mais amplo da análise do discurso” (2008a, p. 24). A Análise Textual dos Discursos (doravante ATD) propõe-se constituir como alternativa para atender à demanda por propostas concretas para a análise de textos. Uma teoria do texto e suas relações com o domínio mais vasto do discurso se oferecem como um novo quadro e uma indispensável coerência para as diferentes ciências da linguagem. Essa abordagem se justifica, segundo o autor, pela necessidade de uma teoria do texto que, relacionada a outros domínios discursivos, venha descrevê-lo em toda a sua complexidade. Assim, ao propor uma reflexão epistemológica e uma teoria de conjunto, ele argumenta que
O texto é, certamente, um objeto empírico tão complexo que sua descrição poderia justificar o recurso a diferentes teorias, mas é de uma teoria desse objeto e de suas relações com o domínio mais vasto do discurso em geral que temos necessidade, para dar aos empréstimos eventuais de conceitos das diferentes ciências da linguagem, um novo quadro e uma indispensável coerência (2008a, p. 25).
Nessa perspectiva, Adam (2008a) define as bases da ATD, com a proposta de delinear uma alternativa para a explicação de texto tradicional e a análise estilística. Com efeito, ele substitui o termo “análise textual” por “análise textual dos discursos”. Assim, segundo entendimento de Passeggi et all (2010), muitas das afirmações de Adam referentes à Linguística Textual caracterizam, na
verdade, sua proposta de Análise Textual dos Discursos, e é dessa forma que os autores as utilizam e que também nós as retomamos aqui. Embora Adam (2011a) se proponha a situar a ATD sobre novas bases, não conseguimos perceber muitos avanços em relação ao que já era desenvolvido na obra de 1999, principalmente, no que concerne aos estudos da representação discursiva. O que sobressai na obra de 2008a (2011a) é a vasta análise de textos, o que está em correspondência com a sua proposta de assentar-se sobre a análise de textos concretos.
Adam (2008a) entende que a linguística textual é uma das disciplinas da análise do discurso e que ambas se desenvolveram independentemente uma da outra. Assim, propõe articular uma linguística textual desvencilhada da gramática de texto e uma análise de discurso emancipada da análise de discurso francesa. Sua proposta tem como base uma reflexão epistemológica e uma teoria de conjunto sobre a análise de textos. Situando a linguística textual no quadro mais amplo da análise do discurso, o autor postula, ao mesmo tempo, “[...] uma separação e uma complementariedade das tarefas e dos objetos da linguística textual e da análise de discurso [...]” (ADAM, 2008a, p. 43). Para o autor, a LT é um subdomínio de outros domínios, da ciência e do discurso. Quanto à ATD, ele a define como “[...] um relacionamento da análise textual advinda da linguística textual para aplicá-la à análise do discurso.” (comunicação verbal13). Nessa perspectiva, A LT é concebida
como teoria geral e a ATD como estudo do texto singular; ou seja, o texto é o objeto da ATD. A figura seguinte sintetiza a proposta de Adam para a ATD.
13 ADAM, J.-Michel. Conferência proferida no II Simpósio internacional de Análise textual dos
Figura 1 – A linguística Textual: ciência integrada? (ADAM, 2010)14
A ATD surge, assim, como um relacionamento da análise textual, oriunda da linguística textual, que é aplicada na análise do discurso. Adam insere a ATD no âmbito da LT e, com base na concepção de Coseriu (2007) de linguística de texto como linguística do sentido, reivindica-lhe o status de “[...] uma teoria da produção co(n)textual de sentido, que deve fundar-se na análise de textos concretos.” (2008a, p. 23).
Com a expressão “co(n)textual”, Adam põe em destaque a importância do cotexto e do contexto para a interpretação de qualquer texto. Para ele, a interpretação de enunciados isolados tem que se apoiar na reconstrução de enunciados à esquerda e/ou à direita (cotexto), bem como na operação de contextualização, a qual consiste em imaginar uma situação de enunciação que torne possível o enunciado considerado. Daí a opção pelo termo “co(n)texto)”.
Adam (2008a) concebe o contexto como uma realidade, ao mesmo tempo histórica e cognitiva, que se relaciona à memória intertextual. Essa realidade é construída pelo próprio texto, pois “Todo texto constrói, de forma mais ou menos explícita seu contexto de enunciação.” (op.cit. p. 56). O autor postula que os textos só se tornam interpretáveis quando se recorre a um co(n)texto. O contexto entra na construção do sentido dos enunciados. Com efeito, todo enunciado, por mais breve ou complexo que seja, tem sempre necessidade de um co(n)texto. Isso remete à interpretação do autor de que um texto só se torna possível a partir da (re)definição- esquematização da situação de enunciação ou de seu contexto. A coerência textual resulta da articulação do texto com o contexto sociopragmático da interação. Ou seja, nesse entendimento, o julgamento da coerência resulta da dimensão discursiva global do texto.
Em relação à textualidade, Adam (2008a, p. 25) propõe que esta seja definida “[...] como conjunto de operações que levam um sujeito a considerar, na produção e/ ou na leitura/ audição, que uma sucessão de enunciados forma um todo significante”. Dessa forma, a ATD questiona as próprias fronteiras da textualidade (peritextualidade) e a ideia de um exterior (contexto) que se oporia ao seu interior (fechamento estrutural).
Convém destacar que o contexto assume papel fundamental para a ATD. Concebido como uma realidade construída pelo texto, o contexto não é um dado preestabelecido, estável, mas um procedimento definido/ (re)construído pela análise, do qual o destinatário vai produzir as informações necessárias para interpretar o enunciado. Trata-se de “[...] mobilizar saberes muito diversos, fazer hipóteses, raciocinar, construindo um contexto que não é um dado preestabelecido e estável.” (Cf. MAINGUENEAU, 2008, p. 20). O contexto entra, pois, na construção do sentido dos enunciados, como postulado por Adam (2008), os quais só são interpretáveis graças à recorrência à operação de contextualização. Isso leva Maingueneau (op. cit.) a afirmar que não podemos falar do sentido de um enunciado fora de contexto.