L’appropriation locale des quatre initiatives : une comparaison au sein de l’espace marseillais
3.1. Marseille : sa MDE, son COTEF, ses PRIDES et ses CLEE
3.1.2. Une maison de l’emploi pour « fédérer »
3.1.2.4. L’aboutissement : trois ans et six mois plus tard
O termo ‘turismo’8 invoca, em termos de senso comum, a ideia de férias e de viagens. No
entanto, a par dos conceitos de lazer e recreação, também o conceito de turismo carece de uma definição universalmente aceite, facto realçado por numerosos autores (Cooper et al., 2001: 42; Costa, 1996: 7; Shaw e Williams, 2002: 6; Hall e Page, 2002: 3; Holloway, 2002: 1; Bull, 1995: 1). Há pelo menos consenso quanto à origem da palavra9, que remonta à época da grand tour, quando as famílias abastadas inglesas enviavam os jovens de sexo masculino em circuito pelo continente como forma de completar a sua educação (Leiper, 1979: 391), embora a “explosão da mobilidade”, como lhe chama Gunn (1997: 47), que esteve na origem do turismo moderno, tenha tido lugar apenas no século passado (ver Capítulo 3, ponto 3.4.1.).
É comum, na língua inglesa, utilizarem-se as expressões ‘viagens e turismo’ quer isoladamente, quer em conjunto, para descrever três conceitos principais: o movimento de pessoas; um sector da economia ou uma indústria; um sistema mais alargado de relações recíprocas entre pessoas, as suas necessidades de viajar para fora das suas comunidades e os serviços que procuram responder a essas necessidades pela oferta de produtos (Chadwick, 1994: 65).
8 Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (Houaiss e Villar, 2002c: 3611), a origem etimológica da
palavra ‘turismo’ deriva do inglês ‘tourism’, cuja raiz se encontra em ‘tour’ (registada desde 1643), com o significado de “viagem de recreio, excursão”.
9 Segundo Leiper (1979: 391), as raízes da palavra ‘tour’ encontram-se no termo grego de um instrumento utilizado
para descrever um círculo, reflectindo essa característica essencial do turismo de circuito, de viagem circular, com retorno ao ponto de partida.
Com efeito, se Cohen (citado por Turley, 1997: 12) em 1974, se lhe referia como “um conceito vago”; não obstante a sua crescente importância económica (abordada no Capítulo 3) e o aumento do interesse sobre o fenómeno no mundo académico, o turismo ainda se mantém alvo de controvérsia em termos conceptuais e objecto de múltiplas definições e perspectivas de estudo. Costa (1996: 7-16) faz uma revisão detalhada da evolução, âmbito e natureza do conceito em questão para concluir que “ninguém pode afirmar com certeza onde começa e acaba o turismo”10.
Entre as múltiplas definições que abundam na literatura, Leiper (1979) identifica três diferentes abordagens do turismo: do ponto de vista económico, do ponto de vista técnico e duma perspectiva holística. Hall e Page (2002: 68-70) seguem a classificação de Burkart e Medlik (1981), mais inteligível do que a proposta por Leiper, distinguindo entre definições de turismo conceptuais e técnicas. As primeiras estabelecem a matriz teórica para a investigação em turismo, identificando as suas características essenciais e distinguindo este de outros fenómenos com ele relacionados. As definições técnicas ou operacionais, directamente relacionadas com a recolha e pesquisa de dados, têm evoluído à medida que os investigadores desenvolvem e modificam instrumentos com propósitos legais e de medição. Por exemplo, a análise económica do turismo exige uma definição técnica da questão e dos seus componentes como confirma Bull (1995: 1), porque como explica o Australian Bureau of Statistics (Framework for Australian Tourism Statistics, 2003), “antes de tentar medir estatisticamente o turismo é necessário defini-lo”.
Que o turismo envolve uma deslocação é geralmente aceite mas, mesmo no âmbito das chamadas definições técnicas, há outras questões em que não há concordância, como as tentativas de definir turismo com base na distância percorrida, duração da estada ou na motivação da viagem (Chadwick, 1994: 66-67; Holloway, 2002: 1-2). Nesse sentido, a definição da Organização Mundial de Turismo (OMT) é bastante lata por forma a ultrapassar o mais possível estas dissonâncias:
“o turismo compreende as actividades de pessoas que viajam e permanecem em lugares fora do seu ambiente habitual, por não mais do que um ano consecutivo, em lazer, negócios ou com outros propósitos não relacionados com o exercício de uma actividade remunerada no lugar visitado” (OMT, 2000).
Esta definição, que incluiu o turismo internacional bem como o doméstico, mantém-se inalterada desde 1993, quando ratificada pela Comissão Estatística das Nações Unidas, na sequência de uma Conferência Intergovernamental em Otava, no Canadá, em 1991. Todavia, é de tal maneira abrangente que levanta sérias críticas a Holloway (2002: 2-3), designadamente pela imprecisão das actividades referidas: “podia ser igualmente aplicada a alguém envolvido em assaltos”.
10
Da definição da OMT decorre a necessidade de definir aqueles “que viajam”; e, desde logo, se depara com mais uma contradição: “o turismo refere-se a todas as actividades de visitantes, incluindo quer turistas (visitantes que pernoitam no local visitado) quer excursionistas” (OMT, 2000). Por conseguinte, no âmbito do turismo cabem não só as actividades dos ‘turistas’ propriamente ditos, mas de todos os visitantes, questão que se aprofunda no Capítulo 3, ponto 3.2.1.
Esta definição tem ainda claros propósitos operacionais, referindo-se apenas às actividades desenvolvidas pelos visitantes, de certo modo, omitindo o complexo de actividades produtoras de bens e serviços criadas para os servir directa e indirectamente e cuja existência permanece depois da sua partida ou na sua ausência.
A este propósito, outra questão que divide os académicos é classificar ou não o Turismo como uma indústria (como documenta Murphy, 1985: 9-10). Se Smith (1988: 181) categoricamente afirma que “o turismo é uma indústria”, Gunn (2002: 9), rejeita claramente este argumento: “o turismo não é uma indústria; é constituído por muitas actividades bem como por empresas”. Na mesma linha, Bull (1995: 1) defende que “o turismo não é nem um fenómeno nem um simples conjunto de indústrias. É uma actividade humana que abrange comportamento humano, utilização de recursos, e interacção com outras pessoas, economias e ambientes”. Mas como admite o Australian Bureau of Statistics (Framework for Australian Tourism Statistics, 2003), de facto, o turismo é geralmente considerado e referido como uma indústria11; no entanto, não o pode ser no sentido tradicional. Estas são classificadas de acordo com os bens e serviços que produzem. Todavia, no caso do turismo, o elemento delimitador não é o tipo de mercadoria produzida; é antes o tipo de consumidor: a oferta de qualquer produto a um visitante é uma actividade turística enquanto que a oferta do mesmo produto a um não-visitante já não constitui actividade turística.
Cooper et al. (2001: 41-43) classificam as muitas definições de ‘turismo’ se baseadas na procura ou na oferta. A actual definição da OMT, atrás mencionada, é claramente centrada na procura turística, mas não são despiciendas as definições baseadas na oferta já que ao definir o turismo como uma actividade, se pode quantificar o seu valor real em termos económicos e estabelecer comparações e inter-relações com outros sectores. Por outro lado, embora Cooper et al. (2001: 43) reconheçam que não está tão desenvolvida quanto as definições baseadas na procura e que o sector está atrasado no reconhecimento da sua importância, entendem que a perspectiva pelo lado da oferta fornece uma estrutura conceptual importante para o estudo e a pesquisa do turismo.
11 A definição do turismo como ‘indústria’ esbarra ainda com a controvérsia patente noutros argumentos para além
dos referidos neste parágrafo: por um lado, considerar a “indústria turística” como o conjunto de empresas que fornecem bens e serviços aos consumidores turísticos deixa de fora aqueles recursos “sem preço e insusceptíveis de comercialização” (Kastenholz, 1997: 25), bem como as actividades dos turistas quando estes não se envolvem em transacções comerciais durante a visita, por exemplo, a familiares e amigos (Leiper, 2003: 30). Por outro lado, a própria aplicação do termo “industry” ao conjunto de empresas que constituem a oferta turística é discutível por estas não pertencerem ao sector secundário, não produzindo bens físicos, embora cada vez mais se aponte a dificuldade de destrinça entre ‘indústria’ e ‘serviços’ (Kastenholz, 1997: 25). Com benefício, “industry” pode ser traduzido para português pelo termo ‘sector’ (veja-se, por exemplo, Porter, 1999b).
Um dos problema que se coloca é de, em termos de contabilidade nacional, como vimos, ser considerada a perspectiva da procura: é o estatuto de visitante que determina se a actividade é ou não turística.
É exemplo de uma definição baseada na oferta a sugerida por Smith (1988: 183): “o turismo é o agregado de todos os negócios que directamente fornecem bens ou serviços para tornar possível actividades de lazer, prazer e negócios fora do ambiente doméstico”. Segundo Smith (1988), esta definição “operacional”, decorre de uma perspectiva “industrial” do turismo e procura ser credível e consistente na sua delimitação, embora reconheça que as definições baseadas na procura mantenham a sua utilidade no âmbito académico, industrial e político. Em sua defesa, argumenta que definir o turismo em termos da motivação ou de outras características dos viajantes seria como definir os profissionais de saúde através da descrição de uma pessoa doente (Smith, 1988: 189).
Também a perspectiva da Conta Satélite do Turismo (OMT, 1999), projecto desenvolvido a partir de 1995, e que se baseia na definição da Organização Mundial de Turismo já apresentada (pág. 15), resulta numa abordagem pelo lado da oferta. Assume-se a especificidade, já referida acima, de que o turismo, ao contrário das outras actividades, é definido pela situação particular do consumidor se encontrar fora do seu ambiente habitual. Desse ponto de vista, a análise parte do consumo dos visitantes, mas segue para as actividades que lhes fornecem os bens e serviços. Criada com o principal objectivo de medir os impactos económicos da actividade turística, a Conta Satélite do Turismo (CST) é um instrumento estatístico que padroniza conceitos, classificações e definições, permitindo a recolha de dados rigorosos e comparáveis com outros sectores de actividade ou entre países ou grupos de países. Na nomenclatura da CST, incluídos nos Produtos
Turísticos Característicos, encontram-se os Serviços Culturais e a Recreação e Outros Produtos de Entretenimento, categorias onde se integra a oferta de atracções.
A estrutura conceptual do projecto PITER (Programa Integrado Turístico de Natureza Estruturante) do Parque Nacional Peneda-Gerês, elaborado por Castro e Portela (1999), é outro exemplo, este a nível nacional, de uma perspectiva semelhante: o sector do turismo na região é claramente definido com base na oferta.
No que respeita às definições conceptuais, a afirmação lapidar de Cohen (1974, citado por Mathieson e Wall, 1982: 10) de que há tantas definições de turismo quantos os estudos sobre o fenómeno aplica-se com particular propriedade. Isto porque “as definições mudam de acordo com o seu objectivo e contexto” (Hall e Page, 2002: 3), facto que estes autores parecem aceitar como natural, tendo por base as diferentes perspectivas a partir das quais se pode estudar o fenómeno turístico. Já Cooper et al. (2001: 41-42) atribuem à falta de maturidade científica do turismo o facto de “terem sido criadas definições para contemplar necessidades e situações específicas”. Também nesta linha, Smith (1988: 182) já tinha atribuído a esta situação a falta de credibilidade do
sector junto de governos e analistas bem como a displicência da indústria pelos argumentos da comunidade académica, embora reconhecendo (Smith, 1988: 180) que os diversos agentes “devem aceitar a miríade de definições e compreender e respeitar as razões dessas diferenças”. Neste contexto, Hall e Page (2002: 4) advogam a necessidade de uma abordagem holística do turismo. Assim, procurar-se-á dar particular relevo às definições que privilegiam semelhante perspectiva, procurando rever algumas das mais frequentemente citadas na literatura, em detrimento de outras de cariz estritamente económico ou sociopsicológico. Parece, porém, inescapável que as múltiplas interpretações do conceito de ‘turismo’ sejam em parte influenciadas pelas diversas perspectivas (geográfica, económica, política, sociológica entre outras) dos cientistas sociais (Hall e Page, 2002: 68), bem como pela abordagem concreta de estudo (Costa, 1996: 12).
A par com Murphy (1985: 9), que definiu turismo a partir do seu community approach, salientando as relações entre turistas e comunidades locais; também a definição de Jafari (1977, citado por Costa, 1996: 12) sugere uma abordagem específica, de circunscrição intelectual do campo da investigação em turismo, que definiu como “o estudo do homem fora do seu habitat usual, da indústria que responde às suas necessidades, e dos impactos que tanto ele quanto a indústria têm no ambiente sociocultural, económico, e físico do receptor”. Mathieson e Wall (1982: 1), por sua vez, definem turismo como “o movimento temporário de pessoas para destinos fora dos seus locais normais de trabalho e residência, as actividades realizadas durante a sua estada nesses destinos e os equipamentos criados para satisfazer as suas necessidades”. Embora esta definição de Mathieson e Wall ultrapasse claramente uma leitura meramente económica do turismo, pode criticar-se quer por ser um pouco vaga, quer por ignorar as relações que se estabelecem entre os diversos elementos referidos.
Segundo McIntosh et al. (1995: 10), “o turismo pode ser definido como a soma dos fenómenos e das relações que surgem da interacção entre turistas, agentes da oferta, governos das áreas receptoras e comunidades receptoras no processo de atrair e receber esses turistas e outros visitantes”. Nesta definição sobressaem os diversos agentes envolvidos e as mútuas interacções que se estabelecem bem como são englobados expressamente todos os visitantes. Reflecte uma clara perspectiva holística e poder-se-á criticar apenas porque, de todo o modo, é suficientemente vaga para abarcar todos os fenómenos e actividades abrangidos pelo turismo e não delimita com clareza os seus limites e fronteiras.
Murphy (1985: 9) alerta para a necessidade de um sistema para passar do nível conceptual para a realidade. Foi exactamente de um modelo de sistema de turismo de onde partiu Leiper (1979) para definir turismo12. O sistema proposto baseia-se em três componentes principais: turistas, elementos geográficos e indústria turística.
12 De acordo com Leiper (2003: 31), posteriormente, Leiper e também Mill reviram a sua opinião, considerando que
Figura 2.1 І O Modelo de Sistema de Turismo de Leiper
Assim, chegou à seguinte definição de turismo: “o sistema envolvendo as deslocações discricionárias e a estada temporária de pessoas fora do seu lugar habitual de residência por uma ou mais noites, exceptuando viagens realizadas com o propósito principal de obter uma remuneração nos locais visitados ou de passagem. Os elementos do sistema são turistas, áreas geradoras, áreas de trânsito, áreas de destino, e uma indústria turística. Estes cinco elementos estão interligados espacial e funcionalmente. Tendo as características dum sistema aberto, a organização dos cinco elementos operacionaliza-se dentro de ambientes mais amplos: físico, cultural, social, económico, político, tecnológico com os quais estes interagem” (Leiper, 1979: 403- 04).
Para Cooper et al. (2001: 40), cada um dos restantes modelos alternativos de sistema turístico “tende a revelar os elementos básicos de Leiper”. Em seu entender, as principais vantagens do modelo residem na sua aplicabilidade geral e simplicidade, incorporando uma visão interdisciplinar e ressaltando o facto de todos os elementos estarem relacionados e interagindo entre si.
Outra abordagem sistémica do turismo é a de Gunn: “seja como for denominado ou descrito, o turismo não é apenas constituído por hotéis, companhias aéreas ou pela chamada ‘indústria turística’ mas é antes um sistema de grandes componentes ligadas entre si numa relação íntima e interdependente” (Gunn e Var, 2002: 35). O seu “sistema funcional do turismo” é composto por duas forças principais: a procura e a oferta, em que esta última integra as atracções, promoção, informação, transportes e serviços (Gunn e Var, 2002: 33-71). Ao contrário do sistema aberto de
conjuntos de elementos [sistemas] que podem ser úteis para estudar o turismo”. O autor (Leiper, 2003: 32) defende que “todas as perspectivas de definição de ‘turismo’ são úteis desde que logicamente aplicadas”.
OS AMBIENTES MAIS VASTOS: FÍSICO, CULTURAL, SOCIAL, ECONÓMICO, POLÍTICO, TECNOLÓGICO ÁREAS GERADORAS TURÍSTICAS TURISTAS DE PARTIDA TURISTAS DE REGRESSO ÁREAS DE TRÂNSITO TURISTAS DE CHEGADA E EM ESTADA ÁREAS- DESTINO TURÍSTICAS Fonte: Leiper (1979: 404)
Leiper, este modelo não se refere ao meio envolvente e isola elementos, em certa medida, coincidentes.
A literatura regista muitas outras propostas de modelos do sistema turístico: Cuervo (1967, citado por Leiper, 2003: 31), Mill e Morrison (1985), Jafari (1989, citado por Gunn e Var, 2002: 9), Pearce (1995), Witt e Moutinho (1994), McIntosh et al. (1995). A perspectiva sistémica, segundo Gunn e Var (2002: 9), tem os seguintes elementos-chave:
• o turismo não é uma disciplina, mas antes um campo multidisciplinar13;
• o turismo é gerado por duas grandes forças – procura e oferta;
• no âmbito da procura, há diversidade de interesses e capacidades;
• dentro da oferta, há todos os desenvolvimentos físicos e programáticos necessários para servir os turistas;
• o turismo inclui muitas dimensões geográficas, económicas, ambientais, sociais e políticas;
• o turismo não é uma indústria; é constituído por muitas entidades bem como empresas.
Pelo anteriormente exposto, os argumentos que Gunn e Var reclamam decorrerem da perspectiva sistémica não são consensuais.
No entender de Costa (1996: 13), a controvérsia à volta das diferentes definições resulta, em grande parte, da complexidade do sector turístico: “o turismo assenta numa amálgama de produtos e num imbróglio de participantes”. Leiper (1979: 391) chama igualmente a atenção para a diversidade de agentes envolvidos (sector privado, sector público, académicos) e suas diferentes perspectivas. Por outro lado, a natureza e características dos produtos turísticos14 (diferentes dos bens físicos ou de consumo pelo valor único de muitos recursos turísticos; pelas características de intangibilidade, pericibilidade, inseparabilidade e variabilidade comuns aos serviços; pela grande exposição e dependência de variáveis incontroláveis de ordem natural, política, social; pela sua utilização em simultâneo por turistas e não turistas) constituem outro factor explicativo, segundo Costa (1996: 14), das divergências entre autores. Para Cooper et al. (2001: 41-2), o facto de não haver acordo sobre a definição de turismo resulta da sua complexidade, mas, como já foi referido atrás, também é indicativo da sua imaturidade como campo de estudo15. E, como alerta ainda
13
Para Jennings (2001: 4-5), a natureza problemática do turismo centra-se em saber se este é um campo de estudo multidisciplinar ou interdisciplinar. Aquela autora cita diferentes posições, defendendo a par com Leiper (1989), Janesick (1994) e Weaver e Oppermann (2000) uma perspectiva interdisciplinar. Em sua opinião, o turismo encontra-se num estádio de transição de campo de estudo multidisciplinar para uma disciplina autónoma de natureza interdisciplinar.
14 Esta questão será abordada mais detalhadamente no Capítulo 3, ponto 3.3.2.
15 Com efeito, Jennings (2001: 4-5) sustenta que o turismo só agora está a emergir como disciplina de pleno direito,
e embora tenha já desenvolvido conceitos teóricos próprios, mantém-se o desafio de evoluir para além de uma investigação substancialmente descritiva e aplicada, no sentido de maior rigor e sofisticação académica.
Costa (1996: 15), esta “confusão” entre académicos sobre o que é afinal o turismo contribuiu largamente não só para a fragmentação da sua teoria como também da sua prática.