1 Hˆ otes ou services virtuels
2.2 IPsec et VPN
A Lei de Promoção do Desenvolvimento Tecnológico de 1972 deu amparo à criação de vários tipos de organizações privadas de pesquisa indus- trial, tais como os centros de P&D na indústria, centros de pesquisa tecnológi- ca industrial e centros de pesquisa em clusters.
Em 2004, existiam 10.117 centros de P&D na indústria (hoje ultrapas- sam 12 mil) e 67 centros de pesquisa tecnológica industrial para promover pro- jetos cooperativos de P&D. Em 2002, foi criado o "Industrial Research Cluster
Support Program", iniciado pelo MOST (Ministry of Science and Technology),
para apoiar institutos de pesquisa de pequenas e médias empresas em 23 clusters, com o objetivo de identificar e desenvolver, em conjunto, tecnologias- chave comuns a todas as empresas.
A preocupação com a criação de centros locais de pesquisa para atendimento às pequenas empresas - em alguns casos, às médias - é comum na Ásia49. Vale mencionar o exemplo do Japão, em que um dos instrumentos 48 National Institute of Standards and Technology (NIST).
mais importantes na área tecnológica para as PMEs são os Kohsetsushi, cria- dos para atuar em clusters industriais. Eles estão presentes em clusters de diferentes tipos de indústria e territórios. São centros tecnológicos públicos que oferecem pesquisas, testes e ensaios, treinamento e aconselhamento para empresas com menos de 300 empregados. Para muitos autores, os Kohsetsushi desempenharam e continuam a desempenhar papel importantíssi- mo na modernização das PMEs50.
Outro esforço do governo coreano para promover P&D em pequenas empresas que merece registro foi a criação, em 1979, do Small and Medium Industry Promotion Corporation (SMIPC), uma organização autônoma não lucra- tiva, com o objetivo de implementar vários programas que visam promover as pequenas e médias empresas industriais (PMI)51 e que continua ativo até hoje. São os seguintes os programas tocados pelo SMIPC:
• O Automation Program fornece informação, promove treinamento e concede financiamento para PMIs que desejam automatizar a produção.
• O Cooperative Program objetiva aproximar as PMIs que atuam nas mesmas linhas de negócio para compartilhar complexos industriais, infra-estrutura ou tecnologia.
• O Business Settlement Program promove a implementação de parques tec- nológicos para PMIs.
• O Business Start-Up and Incubation Program Business desenvolve a capaci- tação tecnológica no início das atividades das empresas.
• O Rural Industry Development Program foi implementado para dar mais equi- líbrio ao desenvolvimento regional, por meio de financiamento para empresas que se estabelecem em regiões rurais.
• O Computerization Program oferece financiamento para a aquisição de sis- temas e desenvolvimento de softwares universais e redes de computadores. • O Extension Service Program ajuda as PMI a resolver problemas de gerencia-
mento e tecnológicos.
• O Training Program oferece treinamento nas áreas de gerenciamento e tec- nologia.
• O Information Service Program fornece informações de diversas fontes sobre PMI.
50 Sobre o papel dos Kohsetsushi no desenvolvimento das PME no Japão, ver: Hideki Yamawaki, "The Evolution and Structure of Industrial Cluster in Japan", in Small Business Economics, Spring
Netherlands, 2002; e Philip Shapira, "Modernizing small manufacturers in Japan: The role of local public technology centers", in The Journal of Technology Transfer, Spring Netherlands, 1992.
51 "Best Practices for SMEs in APEC". Coordinating Agency: Small and Medium Enterprises
• O International Cooperation Program promove a cooperação internacional nas áreas de transferência de tecnologia e investimento.
2.4. Observações Gerais
O cenário internacional é preocupante. O Brasil perdeu posições relati- vas importantes. É o último dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), tendo sido ultrapassado, e muito, pela China e Índia em investimentos em P&D. Não bas- tasse isso, se a visão sobre o seu futuro corresponder à que as multinacionais mencionaram em pesquisa da UNCTAD - gráfico 2 - o Brasil perderá ainda mais.
Considerando o que este capítulo mostrou, sem a pretensão de esgo- tar os pontos abordados, algumas conclusões podem ser apontadas:
• Há uma grande diferença entre os países que mais investem em P&D e os que menos investem (entre os quais, o Brasil): enquanto os primeiros investem muito em pesquisa (P), os demais investem, quando investem, em desenvolvimento (D).
• Outra grande diferença é que os países que mais investem, investem em P&D nos setores de alta-tecnologia consideravelmente; nunca menos de 40% do total.
• Para competir minimamente com a China e com a Índia é necessário reduzir custos de pesquisas, a começar pelos custos com mão-de-obra (pesquisadores). Incentivos fiscais e subvenção, entre outros instrumentos, são importantíssimos. No caso brasileiro, um aspecto a mais terá de ser con- siderado na redução desses custos: a valorização do real frente a outras moedas, que tem encarecido muito a mão-de-obra nacional (a relação câm- bio/salário tornou-se desfavorável nos últimos dois anos). Valeria a pena apro- fundar a discussão desse ponto.
• A atração dos investimentos das multinacionais em P&D depende da existên- cia de instrumentos adequados, como os citados no item anterior. Porém, talvez seja mais importante criar um ambiente favorável - que não deve ser visto pelo seu ângulo mais simplista, de que as empresas multinacionais poderão usufruir os mesmos benefícios das empresas nacionais. É preciso mais que ter um IPA, por exemplo. As multinacionais conhecem as deficiên- cias de cada país nas áreas em que atuam, principalmente quando estão pre- sentes no país há muito tempo. Sabem quando existe compromisso efetivo com P&D, se esta é de fato uma prioridade além do discurso dos governos. • Pelas mesmas razões, embora com chances maiores de acontecer, o out-
sourcing das multinacionais encontrará dificuldades para ser uma alternativa
com muitos projetos em países como o Brasil. Se acontecer, ficará restrita a casos isolados em determinados setores.
• Sobre as pequenas e médias empresas, os países que menos investem em P&D são os que menos têm projetos adequados a elas. Entre os países que mais investem uma experiência bem sucedida são os centros de prestação de serviços tecnológicos a empresas situadas em clusters. A idéia é atender o conjunto. São exemplos desse foco, embora com escopos de atuação dife- rentes: no Japão, os Kohsetsushi; nos EUA, os MEP; e na União Européia, os "Innovation Relay Centre Network". Ainda não há nada semelhante no Brasil. Alguns desses programas também apóiam P&D nas pequenas empresas, merecendo destaque o "Industrial Research Cluster Support Program" da Coréia, que apóia institutos de pesquisa de pequenas e médias empresas em 23 clusters, com o objetivo de identificar e desenvolver, em conjunto, tecnolo- gias-chave comuns a todas as empresas.
• São comuns nos países que mais investem em P&D programas de apoio financeiro direto às pequenas e médias empresas, com recursos não-reem- bolsáveis. O trabalho detalhou um pouco mais os projetos da União Européia, dos EUA e da Inglaterra. No Brasil, essas empresas poderão vir a se benefi- ciar da subvenção prevista na Lei de Inovação. Seria importante, para aprovação de projetos dessas empresas, explicitar os tipos de projetos que mereceriam recursos subvencionados.
Porém, há um ponto que antecede todos esses, sem o qual qualquer país dificilmente será competitivo em P&D: é necessário que a P&D faça parte de um projeto de longo prazo e que o Estado seja minimamente organizado para a sua consecução. Esta é com certeza a principal fragilidade brasileira, e uma importante diferença entre o país e, por exemplo, a Coréia.