7. PROGRAMME EVALUATION
7.2. Investigation
Cada homem aprende a sê-lo em sociedade e a vida em sociedade não é nada fácil, pois a todo o momento precisamos do outro para sobreviver. A verdadeira existência do homem como ser social e dotado de conhecimento está nesta relação social, a qual faz parte os símbolos que representam a cultura do homem bem como a cultura do outro.
O indivíduo passa a ter acesso a essa cultura no momento do seu nascimento, quando ele sai de um estágio simbolicamente único e seu e passa para outro totalmente desconhecido. Inicialmente, o recém-nascido tem contato com a cultura familiar, onde é amamentado, depois passa a ter contato com os outros integrantes do grupo e seus costumes. Quando o mesmo atinge a idade escolar, passa a ter uma amplitude maior a respeito da sua cultura e do outro, nesse momento entra a escola. É a escola que possibilita o contato com outros símbolos, os quais fazem parte a sociedade como as suas regras, os costumes, as crenças, o conhecimento e a possibilidade de aprender de forma sistematizada.
É mediante a educação que o homem se torna capaz de entender e ampliar o conhecimento sobre sua cultura de modo a transformar a sua forma de viver bem como construir novos saberes a serem transmitidos para as próximas gerações. Esse movimento entre educação e cultura decorre do fato de ambas possuírem uma lógica dialética na qual as relações sociais e culturais vão direcionando as políticas educacionais para as novas formas de ensinar e aprender, enquanto a cultura vai margeando essas aprendizagens e rememorando outras.
A aprendizagem resulta em um processo complexo diversificado, altamente condicionado por fatores externos e internos, os quais estão relacionados a situações do cotidiano sociocultural do aluno, família, trabalho, amigos, vida cultural e vida educacional do aluno.
Além das condições externas, Puentes, Aquino e Borges (2010) consideram que temos que observar as condições internas como: qual o tempo que o aluno deve dedicar para desenvolver uma tarefa? O que fala a neurologia a respeito desse aspecto? Quais os objetivos de determinada atividade? Qual o sistema de conteúdos? Qual o método, a atividade e estratégias de aprendizagem, a organização do ambiente, a avaliação e os referencias
Capítulo 2 Durcelina E. P. Arruda 84 utilizados, ou seja, o professor precisa conhecer esses tempos para que possa contribuir para a aprendizagem de seus alunos.
Tanto na educação presencial quanto a distância estas questões são próximas, pois o aluno que se pretende ensinar possui características cognitivas semelhantes, o que muda é a mediação pelas tecnologias e a distância entre os sujeitos do processo de ensino e aprendizagem.
Haja vista que dos cinco professores pesquisados, todos afirmam que o planejamento da disciplina, a organização didático-pedagógica e outros aspectos próprios da aula não se modificaram a partir dos trabalhos desenvolvidos em uma ou outra modalidade de ensino. Na verdade, todos os professores afirmam integrar características de sua didática em ambas as modalidades e demonstram que os aspectos comunicacionais passam a ser a preocupação com quem trabalha na EaD, devido à distância entre alunos e professores.
Além das dimensões organizacionais indicadas por Puentes, Aquino e Borges (2010), há outra pertinente para a prática pedagógica do professor: como criar dispositivos didáticos que possibilitam ao aluno aprender, a produzir algo novo, no campo da aprendizagem? Para os próprios autores, a aprendizagem pode ser entendida como uma função biológica desenvolvida nos seres vivos de certa complexidade que implica produzir mudanças no organismo para responder futuras interações com o ambiente, e isto exige disposição do professor para contribuir com essa situação.
A aprendizagem pode ser definida ainda como toda atividade cujo resultado é a formação de novos conhecimentos, habilidades e hábitos naquele que a executa, ou a aquisição de novas qualidades nos que já possuam. O vínculo interno que existe entre a atividade e os novos conhecimentos e habilidades residem no fato de que durante o processo da atividade as ações com os objetos os fenômenos formam as representações.
A importância dessa afirmação reside na necessidade de se utilizar os instrumentos tecnológicos com competência até mesmo para que se possa falar em sociedade contemporânea com propriedade. No âmbito da educação, tal pesquisa não visa saber se a forma como o docente universitário lida com a EaD responde (ou não) às especificidades próprias desta modalidade de educação, mas se suas práticas estão ou não se modificando e se existem relações entre estas práticas e as já consolidadas por este mesmo professor na educação presencial.
Capítulo 2 Durcelina E. P. Arruda 85 Temos conhecimentos, do tempo em que trabalhamos com esses professores na produção de seu material didático, que os mesmos encontram grande dificuldade na elaboração de atividades, definição de textos on-line e localização de autores que possam de fato contribuir para sua disciplina, diante disso, voltaremos a abordar essa temática no capitulo 3 com maiores detalhes.
Dessa forma, podemos inferir que aprender é reproduzir reflexos positivos do real, pois não se reproduz nem se cria a realidade a partir do nada, nem somente no campo da ideia. Por isto, uma das funções da aula é a relação do indivíduo com o objeto da aprendizagem, e essa relação que possibilita ao aluno ver sentido no que faz. Assim, os sentidos e o conhecimento decorrem do significado que damos ao diálogo com o outro, independente se estamos falando de modalidades de ensino diferentes, mesmo porque estamos falando de educação de modo geral.
Para Simons et al (2007, p. 5-6), a compreensão da aprendizagem deve ocorrer durante toda a vida e se estende em múltiplos espaços, tempos e formas, além de estar vinculado às experiências vitais e às necessidades dos indivíduos em seu contexto histórico- cultural concreto. Ou seja, na aprendizagem, temos continuamente a dialética entre o histórico-social e o individual pessoal, que são processos ativos de reconstrução da cultura e de descobrimento de sentido pessoal, pois aprender supõe o trânsito do externo para o interno nas palavras de Vigotsky “do interpsicológico ao intrapsicológico”. (Simons et al 2007, p. 5- 6),
Ou seja, o processo de aprendizagem possui um caráter tanto intelectual quanto emocional. Nele se constroem os conhecimentos, destrezas e capacidades e se desenvolve a inteligência, mas de maneira inseparável. Este processo é a fonte de enriquecimento afetivo, devido ao fato de o sujeito ser o próprio instrumento de aprendizagem.
Sendo assim, consideramos que a aprendizagem humana é como um processo dialético existente entre o aluno e o conteúdo que são construídos ao longo da existência humana, perpassando no campo social, no campo cultural e escolar em que o aluno irá tendo contato com sujeitos, signos diversos que vão enriquecendo o seu arcabouço cultural, social de maneira natural, enquanto que na escola esse processo ocorre de maneira sistematizada.
De maneira a compreender estes desafios, necessidades, leituras e interpretações das práticas, buscamos, no próximo capítulo, discutir, à luz dos referenciais teóricos, os dados
Capítulo 2 Durcelina E. P. Arruda 86 obtidos nas respostas dadas pelos professores. Procuramos discutir também todas as questões que fizeram parte do formulário, no intuito de compreender o problema ora proposto: quais os elementos constitutivos das práticas pedagógicas dos professores universitários que atuam no curso de Pedagogia presencial e a distância?
Capítulo 3