6. IDENTIFYING AND ADDRESSING HAZARDS
6.3. Hazard identification
6.3.2. Hazard identification for specific locations or work activities
Ao abordar a temática formação do docente universitário é preciso compreender a trajetória histórica da educação superior no Brasil. Neste capítulo pretendemos discutir esta trajetória, no intuito de analisar e compreender os principais momentos vividos no âmbito da educação superior e, dessa forma, entender como se dá a formação de professores universitários em uma perspectiva de modalidades presencial e a distância que se configura na educação brasileira.
Para Morhy (2003, p. 34), a universidade chegou ao Brasil com um grande atraso, pois até 1900 eram poucas as iniciativas de educação superior no país. Segundo Teixeira (1999) o Brasil constitui uma exceção na América Latina. Enquanto a Espanha espalhou universidades pelas suas colônias – eram 26 ou 27 ao tempo da independência –, Portugal, fora dos colégios reais dos jesuítas, nos deixou limitados às universidades da metrópole em Coimbra e Évora. (TEIXEIRA, 1999 p. 29).
Conforme afirma Mendonça (2000), a institucionalização da universidade no Brasil se dá entre os anos de 1920 e 1940, com a criação da Universidade do Rio de Janeiro em 1920. Em 1931, com a Reforma Francisco Campos (então Ministro da Educação do governo
Capítulo 2 Durcelina E. P. Arruda 55 de Getúlio Vargas), é criado o Estatuto das Universidades Brasileiras, que proporciona uma grande inovação ao apresentar a possibilidade (e não obrigatoriedade) de incluir entre as escolas que iriam compor a universidade uma Faculdade de Educação, Ciências e Letras. Tratava-se de uma instituição híbrida, que deveria se constituir, por um lado, em um órgão de alta cultura ou de ciência pura e desinteressada, e, por outro, em uma Faculdade de Educação, destinada a formar professores especialmente para o ensino normal e secundário (MENDONÇA, 2000, p. 138).
O recrudescimento do regime militar fez com que, ao longo das décadas de 1960 e 1970, as discussões sobre o papel da Faculdade de Educação na formação de professores ficassem pulverizadas, devido aos movimentos de repressão vividos nas universidades no período. Somente ao final da década de 1970, com a abertura política, as discussões tomaram novo fôlego e as Faculdades de Educação acabaram por se consolidar como espaços de formação de professores da educação básica e do ensino superior.
Segundo Saviani (2005), os grandes investimentos na Educação no país começaram a ser realizados a partir da década de 1980, recebendo seu maior impulso nos anos 1990 e 2000 com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB 9394/96) e com o crescimento econômico experimentado pelo Brasil. De acordo com Morosini, nesse período não só a formação de professores, mas todo o ensino superior do Brasil passou por um amplo processo de expansão, que estava diretamente relacionado às transformações mundiais em níveis políticos, tecnológicos e de produção:
A expansão do ensino superior no país se deu numa primeira fase em que as Instituições de Ensino Superior se expandiram no interior, ou seja, fora dos grandes centros bem como aumento de vagas nas capitais. Isso ocorreu, atendendo a pressão de comunidades pela abertura de novos cursos e oportunidades de frequência em cursos noturnos. No fim da década de 1980, numa segunda fase, a expansão se estende para a pós-graduação, tanto no sentido lato senso, como em Mestrado e Doutorado bem como pós-doutorado. A mediação repousa especialmente nas exigências do sistema econômico e nas pressões de grupos da sociedade civil. Estava em gestação a expansão na perspectiva da educação continuada. No ano de 1995 até 2002, numa terceira fase em que a educação continuada é consolidada atendendo diferentes faixas etárias. As políticas privilegiam a expansão dos cursos de Graduação e do sistema de pós-graduação. A medida da expansão é oriunda das exigências de mercado, das pressões da sociedade do conhecimento num mundo internacionalizado e, especialmente, dos novos interlocutores (MOROSINI, 2006, p. 9).
Capítulo 2 Durcelina E. P. Arruda 56 A terceira fase desse processo de expansão do ensino superior ocorreu ao longo da década de 2000 e pode ser verificada na tabela 6, que sintetiza os últimos dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa Educacionais (INEP) de 2010 e demonstra um crescimento significativo no número de instituições universitárias nos setores público e privado.
Gráfico 1: Evolução do número de instituições de educação superior – Brasil 2000-2009
Fonte: Censo da Educação Superior/MEC
O crescimento do número de instituições no ensino superior acabou por forçar a ampliação de um campo de formação marcadamente voltado para a docência universitária: os Programas de Pós Graduação em nível de Mestrado e Doutorado no Brasil. O país passou de 1.551 Programas de Pós Graduação em Nível de Mestrado e Doutorado credenciados pela CAPES em 2001 para 2.718 em 2009, o que mostra um crescimento de quase 90% em um período de apenas oito anos. Outro dado que mostra o crescimento nesta área é que em 2001 havia cerca de 30 mil docentes atuando nos cursos de Pós Graduação e este número saltou para 57 mil em 2009.
Quanto ao número de discentes matriculados em Programas de Pós-Graduação, a tabela 3 demonstra a magnitude do crescimento da formação de professores universitários no Brasil.
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Tabela 3: Quantidade de matrículas na Pós Graduação – período de 2001 e 2009
Fonte: Datacapes, 2009.
A década de 2000 trouxe ainda outro fenômeno de crescimento da educação superior: a oferta de cursos na modalidade a distância, conforme será visto no Gráfico 2. Juntamente com este crescimento, algumas questões aparecem como pertinentes para a compreensão deste fenômeno: quais são as políticas públicas de formação de professores universitários para atuarem em cursos a distância? Existem parâmetros de qualidade, cursos de formação inicial ou mesmo indicativos da preocupação política quanto a situação de crescimento da EaD em que o Brasil se encontra?
Enquanto que em 2001 apenas 0,2% (cerca de 3 mil alunos) cursavam seus estudos na modalidade a distância, dos mais de 3 milhões de estudantes oficialmente matriculados no ensino superior, em 2009 esse índice subiu para 14,1% dos 6 milhões de estudantes universitários. Com isso, houve um aumento de quase novecentos mil alunos, conforme pode ser observado no Gráfico 2.
Gráfico 2: Crescimento da Educação Superior - 2001-2009
Fonte: Censo da Educação Superior/MEC/IN 1009.
Ano Mestrado Matriculado Mestrado Titulado Doutorado Matriculado Doutorado Titulado Mestrado Profissional Matriculado Mestrado Profissional Titulado Total Matriculado Total Titulado 2001 62.353 19.651 35.134 6.040 2.956 362 100.443 26.053 2009 93.016 35.686 57.917 11.368 10.135 3.102 161.068 50.156
Capítulo 2 Durcelina E. P. Arruda 58 Em relação ao número de matriculas nas duas modalidades, é possível compreender que a ampliação da EaD se dá, principalmente, pela oferta de cursos de formação de professores (licenciaturas). Isto significa que, enquanto na educação presencial 71% dos cursos são de bacharelado, na EaD as licenciaturas ocupam 50% das vagas, conforme se pode observar no gráfico 3.
Gráfico 3: Distribuição dos alunos por tipo e nível da oferta do curso.
Fonte: Censo da Educação Superior/MEC/Inep/Deed (2009).
Outra questão pertinente, de acordo com dados do INEP (2010), é que a média de idade dos alunos da EaD é de 34 anos, enquanto que na Educação presencial é de 26. Além disso, 66% dos alunos são casados, a maior parte responsável financeiramente pelo sustento da família. Já na educação presencial, estes números caem para 34% e aproximadamente 30%, respectivamente.
Observa-se nos três gráficos analisados que tem ocorrido uma mudança na educação superior de modo geral e, em particular, no perfil dos alunos desse nível de ensino. Diante disso, é preciso pensar em formas de orientar o professor no planejamento de sua prática pedagógica para atender às novas exigências em ambas as modalidades de educação. Tal
Capítulo 2 Durcelina E. P. Arruda 59 situação leva a pensar na importância da formação desse profissional para atuar em ambas as modalidades de ensino.
Vimos anteriormente que o ensino universitário no Brasil no final do século XX cresceu sobremaneira, devido à ênfase na ciência e na tecnologia, o que transformou rapidamente os usos e os costumes da sociedade. “Dentre as conquistas tecnológicas, destacam-se os transportes rápidos, a automação e a comunicação eletrônica. Aviões, rádio, televisão, fax, satélites e a rede da internet subvertem o espaço e o tempo, aproximando os povos e alterando a maneira de pensar e trabalhar” (ARANHA 2006, p. 357). Além disso, vivemos em uma sociedade que privilegia a imagem e a rapidez, como se tudo estivesse ao alcance de um apertar de botões.
Essa sensação de rapidez ocorre devido ao fato dos signos verbal e escrito cederem lugar ao simulacro, sendo que imagens espetacularizam a vida, na medida em que simulam o real com formas hiper-reais, convertendo as pessoas em espectadores de um show permanente. “A universalização da imagem não se restringe ao mundo do lazer e do entretenimento, mas deu origem a outra maneira de pensar, distante do saber tradicional, em que as informações eram canalizadas, sobretudo pela transmissão oral e escrita” (ARANHA 2006, p. 358).
Não restam dúvidas de que os acontecimentos do final do século XX provocaram mudanças em nossas vidas, costumes e modo de ver o mundo, as quais nos provocaram entusiasmo e, ao mesmo tempo, perplexidade e desorientação, sobretudo em pais e professores. Isto ocorreu porque antes eram eles os grandes detentores do saber, e hoje com as novas tecnologias e com o acesso a computadores crianças, jovens e adultos acessam a rede de computadores e recebem um emaranhado de informações sobre o assunto de seu interesse, ou esclarecimento de uma dúvida que ficou com a explicação da professora sobre determinado conteúdo. Tal situação muitas vezes nos leva a tentar compreender qual seria o papel do professor universitário nesta era da informação.
O entendimento sobre o papel do professor na universidade do século XXI é precedido pela definição do conceito de universidade, sua função na sociedade e os modelos de docência disseminados por ela.
A universidade consiste em um espaço composto por alunos, professores, salas de aulas com carteiras, laboratórios para o desenvolvimento de atividades práticas, biblioteca,
Capítulo 2 Durcelina E. P. Arruda 60 coordenação de cursos, gestores acadêmicos, funcionários entre outros. Nestes espaços, todos trabalham objetivando o propósito de possibilitar a troca de experiências no intuito de favorecer o desenvolvimento intelectual humano, científico e tecnológico, de modo que os mesmos tenham competência para atuar no campo profissional e uma postura crítica em relação a sua maneira de agir, de forma a enfrentar os desafios e impasses do cotidiano.
Além de toda essa organização estrutural e humana, a universidade desenvolve um papel importante na sociedade que é o de construção e desenvolvimento de pesquisas de alto nível científico, a partir do trabalho de docentes pesquisadores.
Esta dimensão teórica compreende a universidade como instituição responsável por garantir o investimento em pesquisas que integrem o desenvolvimento científico-tecnológico e o desenvolvimento humano, de modo a priorizar a formação de sujeitos críticos, com postura ética, bem como com capacidade para trabalhar em equipe de modo a ser solidário uns com os outros possibilitando a troca de experiências e conhecimentos, tanto no meio acadêmico quanto, até mesmo, nos projetos de extensão voltados para a comunidade.
No entanto, para que isso ocorra é preciso que a universidade conte com professores preparados para desempenharem o seu papel, como ministrar uma boa aula, estabelecer estratégias didático-pedagógicas, as quais possibilitem ao aluno compreender o conteúdo de modo eficaz. Caso isso não ocorra, o professor universitário acaba se tornando um divulgador de novos conhecimentos e tecnologias.
Nesta perspectiva, consideramos como modelo de docência universitária aquele que se volta para a formação do profissional professor, tanto no campo da pesquisa quanto no campo da didática, pois é a partir do domínio desses dois campos que o profissional encontra condições de formar o aluno de maneira crítica e criativa.