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~ Attitudes: Government Regulation

PUBUC PROCESSAND INVOLVEMENT

D. INVDLVED CANADIANS

Orkut

Passemos a observar as palavras mais usadas no português escrito culto, no português falado culto e no nosso internetês, para estabelecermos algumas comparações. O quadro a seguir

traz um ranking de frequências da escrita no Orkut ladeado pelos itens mais frequentes do português culto. É importante lembrar que utilizamos informações sobre a fala e da escrita cultas ofere- cidas pelo Banco de Português já citado.

ESCRITA CULTA ESCRITA ORKUT FALA CULTA

FREQUÊNCIA BANCO DE

PORTUGUÊS ESCRITO5 FREQUÊNCIA CORPUSGERAL DO ORKUT FREQUÊNCIA BANCO DEPORTUGUÊS FALADO

Nº Palavra Freq. % 1 DE 1.537.460 4,42 2 A 1.082.233 3,11 3 O 1.026.380 2,95 4 E 726.548 2,09 5 QUE 667.850 1,92 6 DO 609.521 1,75 7 DA 545.271 1,57 8 EM 443.567 1,28 9 PARA 353.847 1,02 10 NO 308.932 0,89 Nº Palavra Freq. % 1 E 13.930 2,52 2 QUE 11.537 2,08 3 EU 10.619 1,92 4 A 10.173 1,84 5 DE 9.950 1,80 6 Q 9.028 1,63 7 TE 8.937 1,61 8 O 8.396 1,52 9 É 7.855 1,42 10 VC 6.347 1,15 Nº Palavra Freq. % 1 E 113.061 3,73 2 QUE 108.883 3,59 3 A 77.882 2,57 4 É 75.609 2,49 5 O 71.329 2,35 6 DE 66.922 2,21 7 NÉ 64.870 2,14 8 NÃO 62.445 2,06 9 EU 55.733 1,84 10 F 45.235 1,49

Quadro 2: Palavras mais empregadas no português escrito, no português fala- do e no internetês

No Quadro 2, as setas tentam explicitar a relação existente entre o internetês e a língua falada, senão vejamos: o DE é a palavra mais usada na escrita, mas na fala está em sexto lugar e no internetês, em quinto. O mesmo ocorre com as palavras A e O, que alteraram posição. Há uma aproximação muito clara entre a frequência das duas palavras mais usadas na fala e no internetês, diríamos até que seriam as mesmas se não houvesse duas ma- neiras de representar o QUE no Orkut, tornando esse conector o item lexical mais empregado. O português é uma língua associativa, o QUE (representado pelas formas QUE e Q) confirma

5 O Banco de Português é um corpus monitor do português do Brasil, criado e mantido pelo projeto DIRECT da PUC/SP. Disponível em: <http://lael.pucsp.br/ corpora/>. Acesso em: 12 maio 2007.

isso assim como o E na fala e o DE na escrita indicados pelos dados do Banco de Português.

Ao observarmos as palavras mais frequentes em corpora de fala, escrita e internetês, notamos haver uma junção entre fala e escrita nesse último, com características de oralidade muito marcantes. Vejamos algumas especificidades e exemplos de oralização depreendidos do nosso corpus:

1) Presença de marcadores conversacionais Putz ciencias sociais..eh dmais

Nossa q mundo pekeno!! numa comunidade e ambos conehcemos a Tica!!

2) Presença de muitos períodos curtos e simples

mais de 10 anos devendo....eu?!?!?!rsrsrsr...ta d+...veja bem, minha vida agora e só trabalho... estudo.. trabalho....nem encontro mais direito c as pessoas...tô na maior correria, aff!!!saudades, viu:)

3) Emprego de léxico coloquial

o que anda aprontando??????

e surplus eh bom pra caralho neh!

4) Uso de frases truncadas

biruta foi massa... foi eu e a pri.. e uma galerrraa lá da bio.. e um povo que era migo do povo.. foi massa viu.. muita putaria.. a bruna foi tb.... e a gente depois encontrou a mon com o felipe...

5) Pouca densidade informacional e tu quer que eu fale o que?! Oo

foi legalzim! só isso a dizer, quem pode ter nova é alguem que seja solteira e pá! :P ;*

As características acima se referem às escolhas léxico- sintáticas dos gêneros orais visíveis no internetês. Observemos agora alguns outros contrapontos entre nossos dados e indicativos da bibliografia que trata sobre a relação escrita/fala. Shepherd (1984), por exemplo, estabeleceu um quadro com as principais diferenças entre fala e escrita. Apresentamos o seu quadro origi- nal, ao qual adicionamos uma coluna para o nosso internetês do Orkut. Fica evidente uma mescla de características da escrita e da fala. Vejamos:

Escrita Fala Internetês-Orkut

1. A qualidade abstrata é intensificada pelo deslocamento do tempo.

2. Torna-se um registro permanente do acontecimento, um artefato documentário da história. 3. O formato visual é de convenção, etiqueta, de acordo com estilo e função. 4. Tende ao formal e conservador; menos inclinado a mudar. 5. O que recebe a mensagem está ausente.

6. Não recíproca, nenhuma resposta imediata.

7. O escritor tem duplo papel; o leitor é uma presença psicológica. 8. O receptor é um leitor; ler requer esforço.

9. Conhecimento pressuposto. Tem que se fazer explícito.

10. Redundância de natureza sintática – semântica deliberadamente adicionada com finalidade de clarificação.

11. É possível a monitoração parar, reler riscar, reescrever.

12. Ritmo vagaroso.

13. Convenções de sintaxe, ortografia, coesão e coerência.

1. É tempo real-“agora”.

2. Vem e vai; é efêmera e transitória.

3. É não visual (exceto com espectógrafos).

4. Inclui modas, coloquialismos, gíria. 5. O que recebe a mensagem está presente, usa uma variedade de características paralinguisticas como feedback. 6. Consciência constante de uma “audiência”.

7. Papel “simples” em interação face a face.

8. O receptor é um ouvinte, menor esforço necessário.

9. De um certo modo. Não necessário – pode ser verificado concomitantemente.

10. Repetição, refraseamento, pausas, marcadores de atenção.

11. Monitoração através de feedback da audiência.

12. Ritmo variado.

13. Menos controladas, produção oral e desenvolvimento simultâneos.

1.O produtor do texto deixa a impressão de estar escrevendo como se estivesse em tempo real- “agora”.

2. Torna-se um registro permanente. É efêmero quando on-line. 3. Tem formato visual. 4. Inclui mudanças, modas, coloquialismos, gírias. 5. O receptor da mensagem não está presente, sem resposta imediata (menos quando on-line). 6. Possibilidade de resposta imediata ou a curto prazo. 7. Leitor é presença psicológica ou “visual a distância” com webcam. 8. Requer esforço do receptor para lê-la. 9. Pode ser verificado quando on-line. 10. Repetições, marcadores extralinguísticos gráficos (maiúsculas indicando gritos, riso, choro e uso de

emoticons).

11. Não há monitoração para reelaborar após a mensagem enviada. 12. Ritmo acelerado. 13. Pouco controladas, pensamento e escrita desenvolvidos simultaneamente.

Quadro 3: Diferenças entre fala e escrita Fonte: Shepherd (1984)

O Quadro 3 evidencia a mistura entre fala e escrita que ocor- re no Orkut, confirmando tratar-se de um código escrito oralizado. Quando falamos, na maioria das vezes, somos descuidados com as normas gramaticais, e isso aparece na escrita orkutiana. Se- gundo Shepherd (1984, p. 158), a unidade natural da escrita é o parágrafo, enquanto na fala é a frase ou oração “às vezes atada de forma bem solta”. Na escrita oralizada que examinamos, a frase tende também a diminuir, constituindo-se, muitas vezes, de apenas uma ou duas palavras.

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