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~ Attitudes: Government Regulation

PUBUC PROCESSAND INVOLVEMENT

E. CLUSTER ANALYSIS

Tendo em vista a preocupação de como a Escola agir diante do internetês, sugerimos que essa modalidade de uso de língua possa ser vista pelos educadores como algo positivo, como um atestado vivo da transformação da língua que reflete a transfor- mação do homem. Trata-se de um código de comunicação que se adapta a uma dada situação, tal como tantos outros códigos. E, com base nisso, entendemos que é perfeitamente válido despertar a percepção dos estudantes de língua portuguesa sobre a diversi- dade de usos da língua falada e escrita e sobre as diferentes situ- ações de comunicação relacionadas a esses usos.

O foco, enfim, é a da utilização da escrita na internet e no Orkut nas aulas de língua portuguesa sem o ranço do banimento sem qualquer chance de aproveitamento. Trazemos, a seguir, al- gumas situações-quadro para o professor, e a partir delas, segue- se a proposição de algumas atividades para os alunos:

Situação-quadro (1):

Diferenças entre fala e escrita. Como a interação entre internautas se faz por uma escrita que mostra traços de fala, na maioria das vezes há muitas palavras repetidas, falta de conjunções ou de ou- tros recursos para fazer a ligação entre as ideias, frases incomple- tas, enfim, é uma comunicação que se faz de uma forma mais espontânea, descuidada até. Isso ocorre porque na fala se pode responder em seguida e esclarecer o que não ficou claro, e na internet também quando se estiver on-line. Na escrita tradicional, o leitor vai ler bem depois da produção feita, o que exige de quem escreve maior cuidado, maior clareza para transmitir com precisão e fideli- dade o pensamento.

Atividade (1): Reescritura de depoimentos e recados de acordo com o padrão culto/usual do português. Tais textos podem ser forneci- dos pelo professor ou coletados pelos próprios estudantes. Discus- são sobre semelhanças e diferenças entre fala e escrita e sobre dificuldades de entendimento da escrita no Orkut para diferentes tipos de leitores/falantes.

Situação-quadro (2):

Refletir com os alunos sobre a adequação dos tipos de texto aos diferentes contextos sociais (um recurso interessante é trazer jor- nais tradicionais e jornais populares do tipo tablóide, como tam- bém trechos de textos de autores consagrados da literatura brasileira do século XIX e crônicas de jornal)

Atividade (2): Transpor para a linguagem culta (com pontuação, acentuação, concordâncias, etc.) o que o aluno achar que o autor da frase quis dizer ao se comunicar no Orkut conforme os materiais abaixo:

Um grande xeirão pra vc.

Vc eh Mtuuu Gatu, Mas Tenhu Namo! boi na linha aki tb amiguinhoooo!!!! ae pateta, fds muito show heim. puta tempo eim!!!!

qse q eu vim aki pirar o kbçote hen... qlq coisa da o tok

xD...Ow meeu....fuui mimi taava cansadonaaa...* voltai um dia pra gente zuar porra

Pow vc ta sumido hem!! To cum xodad!! fala ae troxa blz maluco

comenta eu aee... pliiix ...eh mto bom irritar ela ao cubo e a iiii loko so na boa rsrsrsrs

Situação-quadro (3):

Na língua escrita as regras foram convencionadas, isto é, em deter- minado tempo passou-se a usar uma escrita em detrimento de ou- tra. Antigamente se escrevia COUSA e hoje o correto é COISA. No

internetês começam a ser convencionados determinados usos, que passam a ser repetidos pelos outros usuários da mesma maneira. Atividade (3): Com base na observação de certos grupos de pala- vras retiradas da internet, o aluno é solicitado a depreender quais são as regras vigentes. Observando, então, a escrita “diferente” das

palavras, deve poder criar uma regra para cada grupo (para algu- mas palavras do internetês foram indicadas as formas da língua padrão entre parênteses):

Grupo 1: tah, neh, eh, jah, bah, soh, pah, deixah Regra:...

Grupo 2: naum, taum, consideraçaum, feijaum, eraum (eram), vaum (vão), anaum (anão) Regra:...

Grupo 3: sab, pod, nunk, unik Regra:...

Grupo 4: kim pokim, dakele, loka Regra:...

Grupo 5: mi (me), nu(no), dus (dos), ti (te), cum (com), tudu (tudo), pur (por), issu (isso) Regra:... Grupo 6: d (de), t(te), c(ce, você), c (se) Regra:...

Grupo 7: mtooo, feituuuuu, carinhuuuuu, amoooo Regra:...

Grupo 8: prcbr (perceber), esqc (esquece), gnt (gente), rpz (rapaz), tbm (também) Regra:...

Situação-quadro (4):

A internet traz inegáveis benefícios às pessoas, mas também alguns problemas, muitas vezes decorrentes da falta de precaução de seus usuários. Sugere-se que o professor faça um debate em aula sobre possíveis “perigos” do Orkut: empolgadas, muitas pessoas expõem aspectos da vida pessoal que podem ser acessados por qualquer outro participante, provocando uma verdadeira “evasão de privaci- dade”6. Discutir o que é adequado expor na rede, como se prevenir, que exemplos de problemas conhecem, etc. Será uma oportunidade de refletir sobre os riscos que podem advir da capacidade pouco crítica dos adolescente ao exporem suas vidas em público de um modo muito intenso.

6 Ao contrário da “invasão de privacidade”, em que alguém acessa e utiliza sem autorização informações da vida particular de outra pessoa, “evasão de priva- cidade” é a exposição detalhada da vida pessoal na rede mundial de computa- dores pelo próprio usuário. Segundo Komesu (2005), podemos chamar essa exposição voluntária de “publicização de si”.

Atividade (5): Solicitar que os alunos organizem por escrito as ideias debatidas, produzindo um texto autocrítico. O encaminha- mento poderia iniciar com os alunos indicando pontos positivos e negativos da internet e do Orkut. Um aluno ou o próprio professor anotaria no quadro as ideias levantadas pela turma. Solicitar a indicação de exemplos de problemas que conhecem, que digam o que sabem sobre a legislação relacionada ao uso da internet e onde buscariam apoio caso necessitassem (o professor pode falar da ONG SaferNet7). Finalmente, sugerimos que o professor distribua o texto Problemas de segurança e privacidade no Orkut8e solicitar que exponham por escrito suas ideias após o que foi discutido e lido.

Algumas considerações a partir das

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