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B, BIOTECHNOLOGY APPLICATIONS
Professores, especialmente os de Língua Portuguesa, não deveriam ignorar esse novo jeito de usar a língua. Conforme vi- mos, há como utilizá-lo como um aliado para o objetivo de levar os alunos ao conhecimento da norma culta e de outras normas do português. Afinal, o próprio Ministério da Educação favorece uma abordagem atual da comunicação. Os PCN, por exemplo, enca- ram e tratam a linguagem como algo vivo, em constante evolu- ção e inserida nas práticas sociais. Destacam também o fato de que o domínio da língua tem estreita relação com a possibilidade de plena participação social, já que é por meio da língua que o homem se comunica, tem acesso à informação, mostra e defende 7A SaferNet Brasil é uma organização não governamental, que reúne cientistas da computação, professores, pesquisadores e bacharéis em Direito para defen- der e promover os Direitos Humanos na Sociedade da Informação no Brasil. Através da Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos, operada em parceria com o Ministério Público Federal, oferece um serviço anônimo de recebimento, processamento, encaminhamento e acompanhamento on-line de denúncias sobre qualquer crime ou violação aos Direitos Humanos praticados através da internet. Disponível em: <http://www.safernet.org.br>.
8Disponível em: <www.hsbc.com.br/1/2/portal/pt/footer/seguranca/artigos/ orkut-problemas> Acesso em: 12 nov. 2007.
seus pontos de vista, partilha ou constrói visões de mundo, isto é, produz conhecimento.
Ora, as práticas sociais cada vez mais se utilizam da grande rede. Claro que não devemos fazer apologia do internetês, basta- ria colocá-lo no seu devido lugar: uma variante dialetal9 de escri-
ta oralizada utilizada principalmente pelos jovens para se comunicar na internet. Para os demais contextos, deve ficar claro que a língua escrita oficial é a que impera, é que deve ser estuda- da e empregada – e misturar códigos cria embaraços facilmente percebidos. Mostrar tais embaraços pode inclusive render algu- mas atividades de ensino bem divertidas. A partir do exame do internetês e das variantes cultas da escrita, pode vir a saber que a grafia é o único componente da língua regulamentado por lei (sua última alteração ocorreu pelo Decreto nº 6.586, de 29/09/ 2008, o nosso último Acordo Ortográfico10). Então devem os pro-
fessores esclarecer que “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”, como popularmente se fala. A língua na sua norma culta é a que deve ser estudada por ser aquela aceitável em todas as situações, ser fator de coesão, integração e ascensão social. Quem não se expressa de acordo com essa norma não é bem visto, é discriminado. Já o internetês deve ser entendido como
9 Aqui lembramos o que seja dialeto. No caso do internetês, corresponde a socioleto, assim definido em Houaiss, Villar e Franco (2001): SOCIOLETO /é/ s.m. (sXX) sling cada uma das variedades de uma língua us. pelos grupos de indivíduos que, tendo características sociais em comum (p.ex., a profissão, os passatempos, a geração, etc.), usam termos técnicos, ou gírias, ou fraseados que os distinguem dos demais falantes na sua comunidade; dialeto social, variante diastrática
10 A propósito do Novo Acordo Ortográfico de 2009, sugerimos a obra de
Moreira, Smith e Bocchese (2009), que traz questões para além da escrita e abriga concordâncias e discordâncias sobre o que foi firmado. Nessa obra, o trabalho de Flores e Finatto (2009) traz uma aplicação de técnicas de pesquisa da LC para mensurar o impacto das alterações de grafia em corpora de textos jornalísticos brasileiros e lusitanos.
um dialeto social, um socioleto, a forma mais adequada para o uso pelos jovens na apressada comunicação da internet.
O que a escola pode fazer é aproveitar a presença da língua da grande rede, já conhecida e empregada pela maioria dos alu- nos, e utilizá-la como um instrumento para se refletir sobre a heterogeneidade da língua em suas diferentes modalidades e situações de comunicação. Não se espera ver o miguxês, tampouco o internetês nas redações escolares e em outras produções em que a norma culta é o indicado. Como já dissemos, cada coisa tem o seu lugar e a sua hora. A função do professor é ajudar o aluno a dar-se conta de que ele é um poliglota dentro da própria língua.
Os jovens devem reconhecer na escola a existência das vári- as formas de expressão e entender que a língua em sua norma culta é, em princípio, a forma reconhecida, consagrada e compar- tilhada por todos. Aqui podemos repetir Dacanal (2006), para quem a língua é instrumento de poder e quem a domina bem tem me- lhores condições de dominar os outros. Qual poder adquiriria uma pessoa que dominasse bem apenas o internetês?
Conclusões
Como em tudo na vida, é preciso conhecer algo para poder compreender suas feições, funções, potencialidades e limites. Foi o que nossa pesquisa pretendeu fazer, vendo, afinal, o que é o internetês e, observando-o, sugerir seu aproveitamento na Esco- la..
Percebemos claramente que o internetês é uma forma de adaptação da escrita, necessária aos tempos modernos. Escrever teclando no computador, especialmente on-line, induziu a inova- ções, principalmente pela velocidade que se precisa dar àquilo que se transmite por escrito. Surgiu, então, uma escrita particu-
lar e específica: o chamado internetês ou PT-SMS11, que engloba
características das duas modalidades de usos da linguagem: o código escrito e o código oral. Temos, portanto, um novo código, escrito e oralizado, registro híbrido de fala e escrita. Constitui-se num continuum que vai da total informalidade e transgressão de normas ortográficas até a linguagem formal.
O internetês no Orkut é uma variação dialetal escrita, com características próprias, tal como se dá com todo dialeto. Em vista disso tudo e da nossa observação empírica, resta-nos acei- tar o internetês como um legítimo uso da língua, algo a ser mais estudado e não temido ou abominado. Pelo que pudemos consta- tar em nossa pesquisa, a escola que cumprir sua missão de tra- balhar bem a norma padrão, centrando atividades em leitura e produção de textos, terá menos problemas com a interferência da escrita internetiana. Pelo menos por enquanto. Nada nos assegu- ra que alguns casos, que algumas palavras venham a ter oficia- lizada a sua forma de escrita simplificada para atender à praticidade da comunicação. Afinal, não esqueçamos de que você já foi Vossa Mercê. Hoje, via satélite e wireless, no Orkut, MSN, e- mail e em blogs, é aceitável, então, pela rapidez dos contatos, que haja várias novas modificações, interferências e alterações na comunicação. São transformações inerentes ao constante fazimento da língua e não defeitos congênitos.
A Escola precisa estar atenta às adaptações da língua aos novos tempos, levando reflexões para os alunos sobre a comuni- cação existente nos variados níveis e meios de linguagem. Enfim, múltiplas ações pedagógicas podem servir-se da escrita da internet para motivar e cativar o aluno para estudar a língua materna, 11PT-SMS é a sigla formada por PT (indicação universal de português) e SMS, acrônimo de Short Message Service (Serviço de Mensagens Curtas), um serviço disponível em telefones celulares digitais para o envio de mensagens com até 255 caracteres. No Brasil, utiliza-se torpedo como sinônimo de SMS. O primeiro SMS foi criado em 1992.
estudo esse muitas vezes detestado nas aulas de Português. Esse desagrado ocorre porque, infelizmente, muitas vezes as aulas estão transformadas simplesmente em aulas de uma gramática usada no século XIX sem que nada seja dito daquele tempo para os alunos e sem que nada atual seja com ela contrastado.
Referências
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