Foram retidos o plano nacional de Turismo, 1985-1988, um estudo da direcção- -Geral de Turismo de 2002 e o penT, plano estratégico nacional de Turismo, 2006-2015.
o plano nacional de Turismo, 1985-1988, distingue, em função de clientelas e do grau de intervenção médica: termalismo estritamente médico, com justificação científica; termalismo de prevenção e recuperação, associado à educação sanitária e à medicina do trabalho; paratermalismo ou turismo de saúde, aliado à necessidade de repouso e recuperação dos desequilíbrios psicofisiológicos.
no estudo da direcção-Geral de Turismo (2002, pp. 55-64), no capítulo refe- rente aos produtos turísticos, distinguem-se os produtos estratégicos, os novos produtos e os outros; nestes outros figuram, numa mesma rubrica, «talassoterapia, fitness e termalismo».
segundo a dGT, destaca-se para as duas últimas décadas, «a emergência de uma procura das estâncias termais, já não tanto de curistas, em sentido restrito, mas de cidadãos à procura de estadas de relaxamento, a quem os eventuais benefícios dos tratamentos termais não deixam de interessar»; «procura fragilizada pela própria degradação das condições da oferta – grande presença de idosos, sobretudo perten- centes a estratos socioeconómicos mais desfavorecidos, que penaliza concessioná- rias e curistas»; a «existência de um novo potencial de procura», nos termos de «mer- cado promissor»; um «novo dinamismo destas áreas», «útil também para os curistas clássicos, pela melhoria das instalações dos balneários termais e das infra-estruturas e equipamentos anexos».
no penT, plano estratégico nacional de Turismo, 2006-2015, são eleitos 10 produtos, em função das tendências de consumo mundiais, potencial a longo prazo e interesse estratégico, cinco deles tradicionais e cinco outros inovadores, sempre
na base da qualidade e excelência: atractividade, potencial da procura nos nossos principais mercados e relevância para o desenvolvimento do país, e a privilegiar pelo futuro piqTur. entre os produtos inovadores figura o turismo de saúde e bem-estar (Health & Wellness Tourism), a par do turismo residencial, gastronomia e vinhos, turismo de natureza e turismo náutico, aquele aliás simbolizado por massagens de pedras quentes.
Como motivação principal deste segmento do mercado turístico, releva-se o recuperar do bem-estar físico e psíquico, através da realização de tratamentos em centros especializados. são distinguidos três subtipos: o turismo de saúde, na base de tratamento específico para a cura de uma doença, a que corresponde cerca de 20% do mercado; o bem-estar geral, pela procura do equilíbrio e da harmonia mental, emocional, física e espiritual, a que cabem 60% do mercado; e por fim, o bem-estar específico, traduzido na procura de bem-estar físico e psíquico através de um tratamento específico, também com 20% do mercado.
paralelamente, avalia-se a procura primária de viagens internacionais de saúde e Bem-estar na europa em 3 milhões de viagens de turismo (87% com duração de 4 ou mais noites), o que equivale apenas a cerca de 1,2% do total das suas viagens de lazer, se bem que com taxas de crescimento muito fortes nos primeiros anos deste século e com perspectivas de crescimento anual entre 5-10%, podendo duplicar em 10 anos. acresce uma procura secundária, como componente complementar, por parte de turistas que viajam por outras motivações, estimada em 7 milhões de viagens, que justifica o desenvolvimento de ofertas atractivas em diferentes destinos turísticos. acresce também o facto do gasto médio destes turistas ser superior, pelos tratamentos terapêuticos ou pelos outros serviços especializados, muito diversos e de custos não menos diversos.
em termos de mercado emissor de viagens internacionais de turismo de saúde e bem-estar ressalta a alemanha, com quase 64%, seguida de longe pela escandi- návia (quase 7%), espanha (3%), reino unido (2,7%), itália (2,1%) e França (apenas 0,6%). a posição da alemanha explica-se indirectamente pela realização de trata- mentos termais preventivos dentro do seu sistema de segurança social, indutora de práticas e hábitos que se prolongam para lá das fronteiras do próprio país.
na procura de turismo da saúde e bem-estar dos europeus predominam todavia as viagens domésticas, seguidas de longe pelas que decorrem noutros destinos europeus (90%): muitos alemães distribuem-se então pela áustria, suíça, itália, espanha e também pela vizinha república Checa; muitos ingleses fazem-no por espanha, França, suíça, itália; muitos holandeses, por espanha, suíça, França, áustria, alemanha; muitos italianos, pela França, suíça, áustria; muitos franceses, pelas vizinhas espanha e suíça. a Tunísia e marrocos são destinos muito procura- dos por franceses e a Turquia, por alemães e holandeses. destinos distantes como as Caraíbas motivam viagens de turismo de saúde e bem-estar de um número signi- ficativo de espanhóis, franceses, italianos e britânicos, assim como a Tailândia entre alemães, britânicos, holandeses.
parecem influenciar os fluxos:
• a distância entre origens e destinos, com destaque para a proximidade e as relações históricas e culturais;
• a diversidade, diferenciação, especificidade, singularidade, exclusividade, qualidade e segurança, inovação e sofisticação das ofertas ao nível de trata- mentos e de técnicas, ao encontro das necessidades e motivações dos diferentes segmentos da procura;
• o prestígio dos seus profissionais e respectivas qualificações e especiali- zações técnicas;
• o prestígio das marcas internacionais dos produtos cosméticos com que trabalham e das cadeias em que se integram;
• a existência de wellness destinations com suficiente concentração de massa crítica (quantidade e variedade da oferta) e imagem de notoriedade sedi- mentada, suporte de promoção e marketing: grande diversidade de banhos, massagens, tratamentos, incluindo cuidados estéticos e técnicas orientais, que assegurem experiências tidas como únicas;
• a atractividade turística dos destinos, pelos cenários de enquadramento, natural, social e edificado, pela qualidade e originalidade da hotelaria, dos balneários, dos centros lúdico-termais, pelas ofertas complementares de lazer e entretenimento, pelas suas ambiências;
• os preços, não apenas dos tratamentos relaxantes, estéticos e preventivos, mas também dos de cura, incluindo intervenções cirúrgicas.