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312 DES INTERVENTIONS MULTIPLES QUI DEPASSENT LE CADRE DE LA SPHERE RELIGIEUSE

31-L’EGLISE DE VENDEE

312 DES INTERVENTIONS MULTIPLES QUI DEPASSENT LE CADRE DE LA SPHERE RELIGIEUSE

O aparecimento de efeitos colaterais atribuídos ao uso de medicamentos à base de própolis passou a ser observado a partir do momento que seu consumo apresentou considerável aumento (BURDOCK, 1998). A própolis consiste principalmente de exsudatos de diferentes plantas, mas ocasionalmente as abelhas podem coletar substâncias perigosas como, por exemplo, asfalto, ferro, zinco, cobre, magnésio e chumbo (MATSUNO, 1994;

da própolis podem ocorrer durante a extração e manipulação pelos apicultores e, ainda, pelo processo final de manufatura utilizado na indústria (MENEZES et al., 1997). Aliado a isso, os solventes utilizados na preparação dos extratos podem influenciar na toxicidade. O etanol produz um efeito irritante no tecido da mucosa oral (CESCHEL et al., 2002).

Burdock (1998) relata não ter encontrado estudos de toxicidade em função da falta de padronização da própolis, mas descreve os trabalhos de Arvouet-Grand et al. (1993) e Hrytsenko et al. (1977), onde se estabelece que a dose oral DL50 do extrato é de 7340 mg/kg

e de 2050 mg/kg, respectivamente. Esta disparidade é mais caracterizada pela DL100 de 2750

mg/kg, estabelecida pelo último trabalho. A própolis é considerada uma droga segura em baixas doses, mas efeitos adversos são comuns nas doses maiores de 15 g/dia (CASTALDO; CAPASSO, 2002).

Ghisalberti (1979) relata que na própolis da Rússia os extratos etéreos não apresentaram toxicidade aguda em camundongos na dose de 350 mg/kg e que a dose DL50 só

ocorre após 19 horas para ambos os extratos alcoólico e etéreo, na dose de 700 mg/kg. Relata, ainda, que a dose subcutânea tolerada em gatos foi de 100 mg/kg do extrato etéreo. Resultados semelhantes são observados por Dobrowolski et al. (1991), que administraram 700 mg/kg de extrato alcoólico de própolis em camundongos machos e fêmeas. O extrato foi bem tolerado pelos animais por mais de 48 horas. Park et al. (1996) encontraram resultados semelhantes com administração oral de 2000 mg/kg de um extrato etanólico de própolis coreana em camundongos. Burdock (1998) avalia que extratos e drogas chegam à dose de 40.000 mg/kg (em caso de ratos) para extratos de drogas contendo flavonóides, que são as substâncias majoritárias da própolis, o que seria previsível já que estas são substâncias que apresentam baixa toxicidade. Cita o exemplo da pinocembrina um dos marcadores da maioria das própolis estudadas, que apresenta dose tóxica na ordem de 1000 mg/kg .

Foram preparadas suspensões a partir dos extratos etanólicos de própolis brasileira e chinesa. Estas foram testadas e após duas semanas da administração de dose de 2230 a 4000 mg/mL em camundongo não foram detectadas mortes, aumento de peso anormal e não foram encontradas anormalidades na necropsia (BURDOCK, 1998).

Além disso, foram executados uma série de experimentos usando um extrato alcoólico de própolis administrado na água de beber em ratos e camundongos (BURDOCK, 1998). Animais controle receberam água e álcool. Nos dois primeiros experimentos, ratos Wistar receberam dose de 1875 mg/kg/dia durante 30 dias ou 2470 mg/kg/dia durante 60 dias. Em comparação com cada respectivo controle não ocorreram alterações exacerbadas na aparência

com camundongos, trataram os animais na água de beber com consumo previsto de 4600 mg/kg/dia durante 90 dias. Amostras de sangue foram coletadas dos animais para a avaliação da glicemia, uréia e colesterol. Como nos estudos dos ratos, não apareceram diferenças clínicas ou alterações na urina ou no peso corporal ou casos de mortalidade. Houve acréscimo na média dos valores obtidos para uréia para o grupo com extrato e controle do álcool, na faixa de 1,5 e 3,3 vezes com relação aos valores de controle (água). Dois outros experimentos foram conduzidos em camundongos administrando-se 6 mg/mL de própolis, com um consumo de água correspondente 1400 mg/kg/dia durante 14 e 90 dias, respectivamente. Em doses baixas não houve diferenças nos valores de uréia entre nenhum grupo. Não ocorreram modificações histomorfológicas. Os autores atribuem o aumento de uréia a altas doses do álcool e não à própolis. A dose de 1400 mg/kg/dia é considerada dose de nível não efetivo.

Segundo Burdock (1998), se a dose de nível não efetivo em ratos de 1400 mg/kg/dia for aplicada em seres humanos, um fator de segurança de 1000 deve ser empregado para compensar uma falta de estudos de toxicidade crônica. Dessa maneira, uma dose segura em humanos deve ser de 1,4 mg/kg/dia ou aproximadamente 70 mg/dia.

Ikeno et al. (1991) avaliaram os efeitos do extrato alcoólico de própolis sobre a carcinogênese em ratos, na dose de 1mg/mL na água de beber durante 63 dias. Nenhum animal morreu ou resultados de toxicidade de própolis foram relatados e os pesos foram comparados com dos animais controle, não apresentando diferenças entre os animais controles e os tratados com própolis com relação à glicose e à atividade da amilase no soro, pâncreas, glândula parótida ou fígado. Complementando, Reis et al. (2000) realizaram um estudo da toxicidade de um extrato etanólico de própolis em fase de tratamento subcrônico. Não houve diferença significativa nos parâmetros hematológicos, bioquímicos e histopatológicos analisados entre o grupo tratado com o extrato e o grupo controle, sugerindo que na dose eficaz (650 mg/kg) não ocorre a presença de efeitos tóxicos que possam comprometer a utilização do extrato.

A opinião atual é a de que a utilização de preparações padronizadas de própolis é segura e menos tóxica que muitos medicamentos sintéticos (CASTALDO; CAPASSO, 2002).

Existem muitos estudos relacionando a utilização da própolis em várias áreas da Odontologia (Cariologia, Cirurgia Oral, Endodontia e Periodontia) (AL-SHAHER et al., 2004; LEITÃO et al., 2004; MANARA et al., 1999; MARTIN; PILEGGI, 2004; SABIR et al., 2005; SANTOS et al., 1999; SILVA; ALMEIDA; SOUSA, 2004). No entanto, progressos recentes têm sido obtidos principalmente no estudo e desenvolvimento de preparações para a prevenção e o tratamento de doenças periodontais e para a manutenção de um periodonto saudável. A capacidade de cura da própolis em periodontites, como também o impedimento da formação de biofilme e do desenvolvimento de gengivites, foi relatada (MARCUCCI, 1995; UZEL et al., 2005).

Extratos hidroalcoólicos de própolis de várias regiões do Brasil (MG, SP, MS, PR e RS) e compostos isolados apresentaram a capacidade de inibir a atividade da glicosiltransferase, do crescimento de Streptococcus mutans e da formação e aderência de biofilme (HAYACIBARA et al., 2005; KOO et al., 2000; 2002; PARK et al., 1998b). Além disso, Duarte et al. (2006) observaram que o extrato hidroalcoólico de uma amostra de própolis livre de flavonóides apresentou efeito biológico frente ao Streptococcus mutans e foi capaz de inibir a atividade da glicosiltransferase, sugerindo que as propriedades desse extrato estariam relacionadas ao seu alto conteúdo de ácidos graxos.

Dessa maneira, a utilização da própolis como adjuvante no tratamento periodontal foi sugerida por Gebara (1999). Estudos in vitro e in vivo foram realizados para avaliar a ação antimicrobiana da própolis sobre microorganismos periodontopatogênicos e organismos oportunistas. Os resultados do estudo in vitro demonstraram a ação da própolis sobre todos os organismos testados. Os estudos in vivo, revelaram que a própolis aplicada através de procedimentos de irrigação da bolsa periodontal, mostrou-se efetiva na diminuição do total de bactérias viáveis, dos níveis de Porphyromonas gingivalis e dos sítios positivos para leveduras, não levando à seleção de organismos oportunistas. Ocorreu também uma diminuição da profundidade clínica de sondagem após seis meses dos procedimentos de irrigação.

Na seqüência, foi investigada a ação de um extrato etanólico de própolis como adjuvante no tratamento periodontal em vinte pacientes adultos com periodontite. Estes receberam instruções de higiene oral, sendo escolhidos em cada um três dentes não adjacente com profundidade de bolsa de cinco milímetros. Um dos dentes foi irrigado com uma solução

em quatro semanas e se manteve pelas 24 semanas. A proporção de sítios com presença detectável de fungos diminuiu com o tratamento com extrato de própolis na quarta e sexta semana. O uso de própolis não selecionou organismos oportunistas tais como Estafilococos coagulase positiva e Pseudomonas sp. Concluiu-se que o extrato de própolis foi efetivo, in vivo, no tratamento periodontal (GEBARA, 2001; 2003).

Os efeitos antimicrobianos de diferentes extratos hidroalcoólicos de própolis frente a Actinomicetans actinomycetecomitans, Fusobacterium sp. e ao grupo Bacterioides fragilis foram avaliados por SANTOS et al. (1999). Os resultados demonstraram que os extratos possuíam propriedades inibitórias in vitro frente aos microorganismos testados.

O valor clínico da própolis no tratamento de doenças periodontais também foi demonstrado por SANTOS et al. (2002a). Eles estudaram o perfil de susceptibilidade de 17 cepas de P. intermedia e P. nigrescens, isoladas de pacientes com periodontites, e de três cepas de referência frente a seis antimicrobianos, prescritos na odontologia no Brasil e a própolis. Os agentes antimicrobianos testados foram tetraciclina, penicilina, clindamicina, eritromicina, metronidazol, meropenem e seis extratos hidroalcoólicos de própolis brasileira. As cepas de referência P. gingivalis e P. intermedia foram utilizadas na determinação da concentração bactericida mínima e para o ensaio de tempo de morte para os extratos de própolis. Todas as cepas foram susceptíveis à penicilina, eritromicina, meropenem, metronidazol e 95% delas foram susceptíveis à tetraciclina. Trinta e seis por cento das cepas de P. intermedia e P. nigrescens testadas foram resistentes à clindamicina. Para a própolis, todas as cepas foram susceptíveis e os valores de concentração inibitória mínima foram de 64 a 256 µg/mL. Para as cepas de referência, a concentração bactericida mínima foi de 256 µg/mL e a morte foi observada dentro de 3 horas de incubação para P. gingivalis e dentro de 6 horas para P. intermedia. Também foi avaliada a atividade do extrato etanólico e de frações da própolis frente a outras bactérias causadoras de doenças periodontais (A. actinomycetemcomitans, F. nucleatum, Fusobacterium necrophorum, P. gingivalis, P. intermedia, Eubacterium lentum e Peptostreptococcus anaerobius) (SANTOS et al., 2002b). Verificou-se que todas as bactérias ensaiadas foram susceptíveis ao extrato de própolis e às frações. Contudo, nenhuma das frações foi mais ativa que o extrato, sugerindo que a atividade

possui atividade antimicrobiana frente a cepas bacterianas de P. intermedia, F. nucleatum, Clostridium perfringens e Actinomyces israelii.

Outros estudos investigaram a atividade da própolis frente a patógenos orais. Koo et al. (2000) estudaram a atividade antimicrobiana de extratos etanólicos de própolis frente a Staphylococcus aureus, Enterococcus faecalis, C. albicans, Streptococcus mutans, Streptococcus sobrinus, Streptococcus cricetus, Actinomyces naeslundii, Actnomyces viscosus, P. gingivalis, P. endodontalis e Prevotella denticola. Observaram que o extrato de própolis inibiu todos os microorganismos testados, demonstrando uma zona inibitória maior para Actinomyces sp. e, ainda, inibiu a aderência celular e a formação de glucano insolúvel em água.

A investigação de extratos de própolis de diferentes origens demonstrou atividade antimicrobiana frente a várias espécies de Cândida. AZEVEDO et al. (1999) determinaram a diluição máxima inibitória (DMI) do extrato etanólico de própolis 10% e do digluconato de clorexidina 0,12% frente a cepas de Candida sp isoladas da cavidade oral de seres humanos com e sem lesões. A maioria das cepas foi sensível aos dois anti-sépticos, sendo o DMI para o extrato de própolis 1:20 e de 1:160 para a clorexidina. Kujumgiev et al. (1999), trabalhando com amostras de própolis de diferentes regiões do mundo, avaliou a atividade de extratos alcoólicos 10% (p/V) frente à C. albicans. Todos os extratos exibiram atividade frente ao microrganismo. Trabalhando com extratos etanólicos de própolis brasileira. Sforcin et al. (2001) também observaram que C. albicans e C. tropicalis foram sensíveis a baixas concentrações dos mesmos, sendo que a primeira espécie apresentou uma sensibilidade maior. Ota et al. (2001), estudaram a atividade de extratos etanólicos de própolis brasileira frente a 75 cepas de Candida, sendo vinte cepas de C. albicans, vinte de C. tropicalis, vinte de C. krusei e quinze de C. guilliermondii. Os fungos demonstraram sensibilidade aos extratos testados com a seguinte ordem de sensibilidade: C. albicans > C. tropicalis > C. krusei > C. guilliermondii. As atividades antimicrobianas frente à C. albicans de extratos etanólicos de própolis brasileira e da Turquia também foram confirmadas por Sawaya et al. (2002) e Kartal et al. (2003), respectivamente. Também foi demonstrada a atividade de extratos etanólicos e glicólicos de própolis da Turquia e Sigma® frente a C.albicans, C. parapsilosis e C. krusei em baixas concentrações, as quais não foram citotóxicas a fibroblastos gengivais. Resultados semelhantes também foram obtidos com estes extratos para P. gingivalis, P. intermedia, Campylobacter rectus e F. nucleatum (SONMEZ et al., 2005).

aeruginosa e Escherichia coli, dentre outras (AGA et al., 1994; BOSIO et al., 2000; FERNANDES-JÚNIOR et al., 2001, 2006; KARTAL et al., 2003; KOSALEC et al., 2005; KROL et al., 1993; LU; CHEN; CHOU, 2005; MENEZES et al., 1997; MIORIN et al., 2003; MORENO et al., 2000; ORSI et al., 2005; TOSI et al., 1996).