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U NE INTERVENTION EN INTERACTION AVEC D ’ AUTRES ACTEURS

Para a obtenção de dados que validassem o nosso projeto foram delineadas um conjunto de ferramentas de obtenção de dados que passam pela construção de quatro Fichas de Avaliação e 3 Inquéritos (um por questionário e dois por entrevista) que passamos a apresentar.

II.III.1  –  Fichas  de  avaliação    

A avaliação é um instrumento expressivo para a orientação do processo educacional. Por meio de uma ação contextualizada e recíproca, verifica-se o cumprimento da aprendizagem pelo aluno. Simultaneamente a avaliação fornece uma orientação do trabalho para o professor. Swanwick diz-nos que “os professores devem ser críticos, sensíveis e articulados” (2003, pág. 84). Luckesi esclarece que a avaliação é pensada como um juízo de valor, ou seja, “uma afirmação qualitativa sobre um dado objeto, a partir de critérios pré-estabelecidos” (2005, pág. 33).

Assim, quanto mais próximos possíveis os elementos avaliados se encontram dos ideais estabelecidos, mais precisa será a avaliação. Neste sentido, e para uma maior consciencialização do progresso dos alunos e da utilidade pedagógica do nosso projeto – a aplicação da Fraseologia (ATC) no contexto da disciplina de Formação Musical - foram estabelecidas metas avaliativas continuadas.

Por outro lado, para um melhor controlo do estudo e do processo de assimilação cognitiva por parte dos alunos, optamos pela seguinte forma avaliativa: realização de uma avaliação contínua paralela a cada um dos três conteúdos programáticos em aplicação e estudo: o Motivo, a Frase e o Período Musical. Estes momentos foram acompanhados de Fichas de Avaliação estruturadas com os seguintes objetivos.

1ª  Avaliação  -­‐‑  O  Motivo  Musical  

A primeira avaliação decorreu dos conteúdos descerrados aos alunos numa sessão de três aulas decorridas no período de 7 de Janeiro a 4 de Fevereiro. Incidiu assim sobre o Motivo Musical (ver Quadro 6 – Calendário de aulas). As aulas, direcionadas para a definição e construção do Motivo Musical como elemento constitutivo de uma ideia musical, foram relacionadas com os conteúdos da linguagem verbal (palavra / mote), agora elaborados a partir do conceito próprio da Sintaxe Musical. Este conceito propôs a construção rítmico melódica de pequenos Motivos onde o ritmo e a palavra foram os elementos essenciais. Substitui-se o estudo dos intervalos ditados “arbitrariamente”, por Motivos constitutivos de frases sem um objetivo claro e definido (ou seja no uso de meras cédulas rítmico melódicas encadeadas). Estas células, passíveis de variadas mutações, potenciaram a aquisição de conhecimentos vários. Assim a proposta de avaliação constituiu-se de um exercício constituído de várias variantes rítmico melódicas onde o aluno pôde anotar a terminologia relativa aos seus procedimentos de variação segundo os modelos propostos, num estudo e práticas de base rítmico melódica. (Ver Anexo III – Fichas de Avaliação (1ª avaliação)).

2ª  Avaliação  -­‐‑  A  Frase  Musical  

A segunda avaliação foi desenvolvida a partir da construção motívica, baseada na silabação como verbalização temática. Esta etapa constituiu conteúdo inicial ao estudo proposto. Neste sentido, e depois da consciencialização dos modelos motívicos por comparação verbal - tético (no tempo forte) e protético (anacrúsico) -, partiu-se para a concretização da escrita comparativa em carateres musicais. Concluída a abstração da realização do Motivo para a escrita musical, esta desenvolveu-se na sua modificação por

variação dos seus elementos base. Dentro destas variantes, as propostas foram no sentido da realização de uma Frase Musical, baseando-se num Motivo pré-estabelecido O propósito pedagógico inerente tem o seu princípio base na observação da retenção auditiva, na audição e na estruturação de um objeto musical (contexto de partitura). A componente de avaliação é fundamentada na canção tradicionalmente conhecida “Parabéns a Você” (ou “Happy birthday to you”). Esta avaliação teve como princípio pedagógico a interligação dos elementos fraseológicos Motivo e Frase Musical, a sua perceção auditiva e posterior escrita musical. Neste contexto foi dado um exemplo de partitura da canção. Os conteúdos em avaliação inserem-se no contexto da determinação do seu ritmo verbal - para o motivo, e no da melodia contextual - para a frase musical; a canção induzindo, no nosso entender, o objetivo. (Ver Anexo III – Fichas de avaliação (2ª avaliação)).

3ª  Avaliação  –  Antecedente  do  Período  Musical  e  Cadência.  

A terceira avaliação consistiu na realização prática e escrita de um exercício musical que permitiu aos alunos, e ao investigador, verificarem da ocorrência de uma melhor e mais eficaz aquisição dos conteúdos veiculados. A consciencialização da teoria só é suscitável de ser entendida quando praticada. Para Schoenberg (2003) e Goetschius (1943), com os quais concordamos, o aluno consciente e inteligente é aquele que se encontra capacitado de uma informação minimamente dominada, dela retirando uma equação de uso. Esta avaliação primária de observação, direcionou-se na capacidade da observação dupla, isto é: determinar a capacidade de observação dos alunos nos dois elementos propostos à análise em forma de simples composição – O Período e a Cadência. Nesta avaliação, decorrida em sala de aula, os elementos da atividade foram recolhidos, digitalizados, e posteriormente avaliados. A aula centralizou-se na construção de uma Frase Musical direcionando-se para a construção de uma Frase em forma de antecedente do período. (Ver Anexos III – Fichas de avaliação (3ª avaliação)). 4ª  Avaliação  -­‐‑  Consequente  do  Período  Musical  e  Cadência  conclusiva.  

A quarta avaliação é de fato a mais importante porque reflete todo o projeto construído nos seus conteúdos e objetivos de investigação. A estrutura desta quarta avaliação é a sinopse de todo um estudo planeado para atender aos conteúdos e objetivos delineados e pretendidos no projeto e que atendem também os objectivos educacionais. O ensinar música, musicalmente, e o aplicar os elementos estruturais da Fraseologia em domínios onde a criatividade possa motivar e melhorar a capacidade cognitiva e musical dos alunos nas diversas fases do estudo dos conteúdos da disciplina de Formação Musical, tornou-se motivador não só para os alunos, como para o investigador.

Swanwick diz-nos que “qualquer modelo de avaliação para ser confiável precisa de ter em conta duas grandezas: O que os alunos estão fazendo, e o que os alunos estão aprendendo” (Swanwick, 2003, pág. 94). Esta afirmação fortalece, e confirma, as nossas propostas de atividade disciplinar, motivando e desenvolvendo a consciência de grupo, a prática musical, a consciência coletiva e a realização avaliativa. Esta avaliação é estruturada em duas secções: primeiro - a teoria; segundo - a prática na construção. (Ver Anexo III – Fichas de avaliação (4ª avaliação)).

II.III.2  -­‐‑  Questionário  aos  Alunos  

O inquérito por questionário foi o modelo escolhido para uma abordagem direta de observação do interesse participativo dos alunos e da sua motivação neste nosso projeto. Pelo carácter preciso e formal da sua estruturação mostra-se, no nosso entender, uma

ferramenta adaptável à recolha de informação direta no campo de trabalho (Quivy & Campenhoudt, 2005). O questionário foi elaborado em seis partes. Nestas pretendeu-se recolher informação significativa sobre a construção e implementação deste nosso projeto, bem como da sua utilidade prática. No nosso entender, saber a opinião dos alunos é importante para percebermos a sua opinião e sensibilidade, e daí se formarem conclusões quanto à prática e objetividade do mesmo.

A  estruturação  do  inquérito.  

A primeira parte tenta saber da importância do estudo da Fraseologia (ATC), se o mesmo foi considerado útil, motivador ou informativo. Na segunda parte procura-se saber qual das etapas do estudo foi mais significativa para complemento das atividades propostas na disciplina de Formação Musical. No terceiro ponto pretende-se saber das práticas em sala de aula. O quarto questiona a qualidade, ou não, do material de apoio veiculado. No quinto questiona-se a qualidade do estudo, e no sexto, tentamos perceber das melhorias que a implantação do estudo poderia sofrer ao ser implementado novamente. (Ver Anexo V – Inquérito aos Alunos).

II.III.3  -­‐‑  Entrevistas  aos  Professores    

A entrevista semiestruturada pelas possibilidades variadas que detém e a flexibilidade que apresenta mostrou-se, no nosso entender, o modelo mais adequado. Ao contrário do inquérito por questionário, os métodos de entrevista caraterizam-se por um contato direto entre o investigador e os seus interlocutores, dando-lhes a possibilidade de exprimirem as suas perceções e interpretações (Quivy & Campenhoudt, 2005).

A  estruturação  das  entrevistas  

O guião das entrevias vinculou duas temáticas em seis sessões às quais os interlocutores tiveram a possibilidade de dissertar abertamente. A primeira temática, de âmbito geral, abordou questões relativas às páticas pedagógicas e educacionais conduzidas na disciplina de Formação Musical, a nível não só local como nacional, bem como da participação e interesse dos alunos pela disciplina de Formação Musical. Como segunda temática, a entrevista direcionou-se para a relação e interação que se pode construir entre a Fraseologia e a Formação Musical. Uma primeira questão abordou as analogias que se podem construir entre Fraseologia (ATC) e a Formação Musical. Numa segunda, e mais extensa questão, indagamos sobre de que forma a Fraseologia e a Formação Musical podem contribuir para uma melhor compreensão e motivação dos alunos no estudo e entendimento dos elementos construtivos da aprendizagem musical. Por último a questão que se pôs abordou a concordância sobre o facto de a Fraseologia poder vir a ser introduzida como conteúdo nos programas didáticos da disciplina de Formação Musical. (Ver Anexo VI – Entrevistas aos Professores).