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Les interactions thermostabilisantes

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4.2 Identification des interactions méso- et thermostabilisantes L’objectif de cette deuxième partie, n’est plus de considérer et d’étudier un type

4.2.1 Les interactions thermostabilisantes

a coerência da sua teoria ética assenta justamente na interpretação da realidade como é veiculada pelo seu labor metafísico, concluiremos que em Plotino estamos antes de tudo o mais perante um dispositivo intelectual radicularmente constituído por uma racionalidade profundamente curvada, rumo ao sentido de uma religiosidade definida nos seus termos próprios e à satisfação necessária dos princípios que invoca.

Dado o argumento programático anotado, é importante sublinhar que este estudo se ocupará fundamentalmente de uma busca pelo que de filosófico existe em Plotino, quando ao mesmo tempo se evidenciarem os matizes religiosos que fundamentam todo o seu sentido. Se o trabalho plotiniano é principalmente o ofício de uma racionalidade incarnada e desenvolvida ao abrigo de pressupostos e de um determinado enquadramento religioso, este trabalho tem como principal móbil esclarecer a questão do dever do bem no Homem, dada a tecitura total do dispositivo metafísico-religioso que se edifica na totalidade da perspectiva estatuída na Plotini Opera.

O esqueleto argumentativo que explicitámos e que desenvolveremos no decurso deste trabalho difere do que até hoje, tanto no panorama nacional como internacional, se tem desenvolvido. Na senda da reflexão em torno da Filosofia Antiga, o estado da arte, uma aproximação deste género é no mínimo rara; o leitor da literatura filosófica especializada em Plotino depara-se quase sempre com o género de abordagens que atrás enunciámos – entre a sobrevalorização do seu misticismo ou, inversamente, a sua demissão – e dos quais nos afastamos pelos motivos que referimos. A alternativa que propomos tenta compensar esta falta no panorama internacional; o seu motivo principal é o da novidade mediada pela recondução, é o da necessidade que reconhecemos como premente por um trabalho diacrónico de percepção filosófica e por um cultivo simultâneo da inteligência liberta para a racionalidade clara que é hoje urgente. Plotino é nesta tese visto sem preconceitos: este trabalho não é, como atrás dissemos, historiográfico, ou fundamentalmente de matiz histórico. Não pretende caracterizar ou descrever as circunstâncias contingentes intelectuais ou mundanas que presidiram à eclosão da obra plotiniana; pensar, a título de exemplo, a questão da história do Uno em Plotino e da sua genealogia própria era em si mesmo motivo bastante para um trabalho em tudo semelhante a este; no entanto o que aqui nos traz é antes um trabalho de escalpelização da anatomia geral metafísica e ética do nosso autor, perscrutando as suas decisões, avaliando-as fundamentalmente e questionando-as enquanto soluções de trabalho, dado o panorama geral dos novos resultados recentemente vindos a lume no que diz respeito à Filosofia da Cognição, da Antropologia da Religião e da Psicologia Evolutiva. O que preside à postulação de um princípio como o Uno, numa sistemática explicativa da realidade como a de Plotino? E que necessidades preenchem os princípios inteligíveis do Intelecto e da Alma nos principais eixos da teoria metafísica e ética deste filósofo? Que subentendem estes objectos intelectuais, tal qual foram postulados por Plotino? Questionando os fundamentos das decisões metafísicas, éticas e no fundo, como veremos, religiosas de Plotino, esta meditação desenvolve-se numa estrutura clássica de investigação:

a) Numa brevíssima e primeira parte, ofereceremos uma tradução do tratado VI.7 [38] Enéada de

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b) A segunda fase desta investigação, mais negativa e crítica, ocupar-se-á de um comentário

minucioso do texto em questão, praticamente palavra a palavra, levando tanto quanto possível e de forma transversal em linha de conta a totalidade da obra plotiniana;

c) A terceira parte da dissertação é definitivamente o lugar mais positivo desta pesquisa: ao

comentário crítico que antecede esta fase, sucede uma proposta positiva de interpretação relativamente aos objectos intelectuais que articulam o dispositivo metafísico geral de Plotino, postos anteriormente em evidência e devidamente ponderados face ao panorama contemporâneo de investigação.

d) Seguir-se-á finalmente o espaço para uma conclusão que pretende responder à questão por nós

já salientada do dever do Bem; sublinhando a profunda relação que existe entre Metafísica e Ética, tratamos de concretizar a tese de que não é possível tratar com rigor científico Plotino sem lhe reconhecer uma faceta religiosa que ultrapassa em muito o seu famoso misticismo. O elemento religioso determina a ontologia de Plotino, e por conseguinte define de igual modo os traços gerais da sua ética.

Este trabalho não tem como objectivo esclarecer as articulações e a coerência própria do interior geral do edifício plotiniano – e dada esta principal razão, como dissemos, não opta por uma discussão alargada da sua história –, antes procurando investigar e questionar a racionalidade das escolhas que geneticamente compõem, incorporam e se desenvolvem no tratado de que nos ocupamos. A questão «Porque acreditava Plotino em X?» é evidentemente diferente da interrogação «É X verdade?» O que nos move precisamente neste trabalho é, pelas razões que atrás aduzimos, não uma tentativa de falsificação das teorias metafísicas e éticas de Plotino – que como paralelamente veremos não são até, na sua grande maioria, falsificáveis – mas um adentramento esclarecedor das razões fundamentais genéticas que levaram este autor a responder de determinado modo aos problemas que herdou. É certamente verdade que nenhuma tese ou argumento da Filosofia da Religião, pelo menos tal qual aqui a levamos a cabo, pode refutar em absoluto a crença religiosa que, como mostraremos, atravessa transversalmente este autor, mas veremos, com os argumentos que introduziremos, que o tipo de especulação levada a cabo neste autor, identificando rigorosamente as fontes religiosas de onde o in nuce da sua metafísica e ética se originam, não só tem um fundamento religioso, como é passível de ser desafiado. A questão não está tanto em determinar uma suposta incoerência interior da especulação de Plotino – tanto mais que uma atitude deste género nos parece impossível face ao problema das contradições evidentes entre os diversos tratados cronologicamente afastados –, visto que a perspectiva que assim lançamos não pretende alegar uma hipotética hiper- impessoalidade ética, uma inumanidade ou até um sobre-intelectualismo da expressão prática plotiniana face a um Inteligível pelo menos aparentemente sobranceiro perante a materialidade. Esta investigação pretende inquirir os fundamentos destas decisões, investigar o porquê e o sentido profundo das escolhas e das opções explicativas de Plotino.

Em suma: se os trabalhos que até aqui a bibliografia secundária tem produzido ou são descrições minuciosas do pensamento de Plotino, ou são a recondução teórica dos seus conceitos a artefactos culturais produzidos anterior ou posteriormente construídos por outros autores, esta investigação pretende, ao invés, explicar Plotino. O título do presente estudo diz: «Metafísica, Ética e Religião em Plotino» – mas podia sem dúvida, e à semelhança do que aliás sucedeu com as obras de Daniel Dennett e de Pascal Boyer que já referimos, intitular-se «Plotinus Explained» ou «Plotino Explicado».

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volume de trabalhos da maturidade de Plotino, o PWS TO PLHQOS TWN IDEWN UPESTH KAI PERI TAGAQOU é sem dúvida um dos textos intelectual e espiritualmente mais poderosos das Enéadas56.

Nele são abordadas, transversalmente recapituladas e numa radical profundidade, as temáticas que principalmente nos interessam, como é o caso da Metafísica e da Ética, devidamente entretecidas numa lógica visceralmente religiosa e da qual a seu tempo, neste estudo, daremos devida conta.

Uma outra ordem de justificação desta nossa abordagem e deste preciso objecto de estudo em particular prende-se com a interrogação da pertinência das questões que levanta: «Porque é que afinal o facto religioso na metafísica e na ética de Plotino, a verificar-se, é um elemento relevante e carente de uma explicação?» Não poderá ser mero acaso? E ainda que não seja, não se poderia arriscar uma resposta à pergunta com uma nova interrogação que esvaziasse o problema, do género: «E porque não?» A resposta ao campo problemático que se estabelece passa por atestar a pertinência da abordagem que introduzimos. A explicação de conceitos sobrenaturais estrutura-se nesta tese juntamente com um programa de investigação e justificação de um fenómeno universal humano: a crença em entidades sobrenaturalistas. Universalmente presente, este fenómeno da crença numa agência sobrenatural do mundo nas suas várias dimensões justifica a sua emergência associada ao domínio da Filosofia Antiga tardia, justamente porque não cremos que haja maneira mais rigorosa de a escrutinar. Os avanços a fazer na área da hermenêutica contida na coerência dos edifícios filosóficos não podem por natureza própria, pelas suas inerentes condições de possibilidade, fazer uso dos materiais que utilizaremos neste estudo. A explicação da evidência para Plotino quanto a uma necessidade de postular uma SE fundadora e garante da realidade, além do legado histórico de que certamente deriva, e que recapitula através do médio-platonismo uma herança platónica e aristotélica profundamente alterada, constitui uma resposta plenamente avaliável do ponto de vista da Ciência Cognitiva da Religião (CCR). Nesta perspectiva, poderemos ver como os princípios mais primordiais que a racionalidade plotiniana invoca ou, como veremos, pressupõe na maior parte das vezes acriticamente na totalidade da sua especulação – tanto no seu espectro metafísico como no trabalho ético que se justapõe à estruturação ontológica do pensamento deste autor – resultam de um trabalho sobre as categorias ontológicas mais básicas produzidas no cérebro humano e da sistemática violação das expectativas que organicamente lhes estão associadas. Esta representação religiosa do mundo, argumentaremos, serve de fundamento último para a postulação do sustentáculo metafísico do edifício filosófico de Plotino e por conseguinte para a constituição total deste artefacto reflexivo intelectual vivo, orgânico e interiormente comprometido com os seus próprios pressupostos na leitura do mundo. A activação de sistemas de inferência mental nos conceitos recriados por Plotino permitirá perceber com rigor e em profundidade a razão das suas escolhas e principalmente o horizonte e sentido que qualquer abordagem, a nosso ver, não alcançou. A construção do artefacto especulativo metafísico de Plotino, com as suas relações abstractas entre categorias ontológicas, bem como com a activação de sistemas de inferência contraditórios e a pressão cognitiva57 para uma correcção contínua, neste caso preciso, teológico-filosófica, constitui-se

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N.B.: É também a opinião de A. H. Armstrong em Plotinus; vide: (Armstrong, Plotinus 1988, 78).

57 J. L. Barret, Antropomorphism, intentional agents and conceptualizing God, PhD infelizmente não publicado até à data; (Cornell University: New York). Agradecemos ao autor a consulta do documento que felizmente nos proporcionou. Para o que aqui referimos importa também tomar em linha de conta: (Barret, Exploring the natural foundations of religion 2000); (Batson 1993); (Dennett e Weiner 1991); (Durham 1991); (Gopnik e Meltzoff 1997); (Guthrie 1993) (Lawson e McCauley 1990); (Lumsden e Wilson 1981); (Pinker 1997); (Sperber 1985); (Sperber, Rethinking symbolism 1975);

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numa determinada arquitectura mental que constrange e implica decisões posteriores no domínio da ética e da política. A religião enquanto sistema cultural natural, numa abordagem antropológica tal qual a apresentamos para uma discussão aprofundada do espaço da Ética em Plotino, traz consigo também questões que não são inócuas; as implicações deste naturalismo transversal aplicado ao recapitular das lições já dadas por especialistas da Psicologia Moral – por exemplo com António Damásio e o seu famoso Descartes' Error: Emotion, Reason, and the Human Brain (1994) e o célebre

Good Natured (1996) de Frans de Waal – pretendem produzir uma explicação para a construção

plotiniana de uma dialéctica hierarquicamente organizada no interior das disposições práticas ou puramente mentais da virtude rumo à introspecção contemplativa, face ao contexto de interesses, entretecido entre o próprio e o seu espaço de acção.

As razões para uma ambígua depreciação do mundo por parte de Plotino, bem como o menosprezo da virtude convencionalmente mundana, serão neste estudo objecto de investigação profunda. Aglutinado ao problema da religiosidade de Plotino, veremos como o horizonte de sentido da idealidade moral se constitui no eixo do cultivo das mesmas inferências que possibilitam e propulsionam a construção da sistemática metafísica do autor. Argumentaremos que o sistema moral instituído por Plotino, além de profundamente comprometido com o seu trabalho metafísico, está firmado em mecanismos psicológicos que regulam a construção geral do seu edifício filosófico. Metafísica e Ética estão visceralmente co-implicadas numa religiosidade transversal e que promove a interpenetração quase invisível e constante dos principais termos e teses plotinianas, que apenas se deixam entrever com clareza, argumentamos, mediante a análise meticulosa do próprio texto de Plotino, como avançámos já, vertical e sinteticamente observado – isto é, principalmente analisado sem preconceitos e muito menos à luz de enquadramentos teóricos e perspectivas normativas advenientes de qualquer legado que não seja o de um ponto de vista genuinamente evolucionista da cultura, e, especificamente, do que dela também deriva, do pensamento habitualmente designado por filosófico.

Em suma, esta tese representa um programa que se apresenta concentrado nos argumentos plotinianos que pretende escrutinar, mas é sem dúvida também expressão viva do ponto de vista que defenderemos. Ao contrário de no texto se tentar encontrar apenas razões genealógicas de ordem conceptual para os fundamentos da metafísica e da ética plotiniana, ao contrário também de uma mera tentativa de descrições detalhadas acerca de uma coerência geral mais unitária ou mais evolucionista do caminho especulativo de Plotino, o que no actual estudo se busca é, em resumo, nada mais nada menos que as razões metametafísicas e metaéticas, as razões cognitivas que ditaram o modo e a forma de todas as grandes decisões que levaram Plotino à postulação das entidades ontológicas e dos factos éticos avançados no seu trabalho. Em suma, a tese deste trabalho é: o facto de nesta reflexão se referirem soluções metametafísicas para as decisões metafísicas de Plotino, o facto de se referirem igualmente razões metaéticas para o que de ético se postula na obra plotiniana, implica que se defina rigorosamente o espaço onde as decisões ocorrem.

(Sperber, Explaining culture: A naturalistic approach 1996); (Tomasello 1993); (Turner 1996); (Turner e Fauconnier, Conceptual integration and formal expression 1995); (Walker 1992); (Ward 1994). Também axial para a perspectiva que essencialmente lançamos no presente estudo é a colossal obra de Brian Boyd, On The Origins of Stories – Evolution,

Cognition and Fiction (B. Boyd 2009). Duas obras também essenciais para perceber o ponto de partida deste trabalho são

o trabalho recentemente desenvolvido por Michael Shermer, no seu The Believing Brain: From Ghosts and Gods to Politics

and Conspiracies – How we construct beliefs and reinforce them as truths (Shermer 2011) e, directamente instalada na

área da Ciência Cognitiva aplicada à moralidade, a obra de Patricia Churchland Braintrust: What Neuroscience Tells us

about Morality (Churchland 2011) é obrigatória para compreender em profundidade a perspectiva e o ponto de vista de

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religiosidade que não se subsume apenas às suas manifestações mais óbvias ritualistas e folclóricas – mas que está sub-repticiamente presente, que constitui os conceitos mais básicos e todas as suas questões fundamentais desde o cerne da especulação plotiniana às suas extremidades mais ocultas.

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T

EXTO E

T

RADUÇÃO

–T

RATADO

38(VI,7)–

COMO A MULTIDÃO DAS FORMAS VEIO A EXISTIR E

SOBRE O BEM

PLOTINO

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1. Quando deus, ou um dos deuses, enviou as almas para nascerem, colocou no rosto os olhos

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