Partie 1 : Contexte et préalables
II. Les préalables
1. Intégration dans le conseil
A partir da análise textual das imagens, foi possível constatar que as prá- ticas de produção das emissoras tensionaram, de três formas diferentes, as principais convenções profissionais (jornalismo e entretenimento) durante as suas transmissões. A convenção drama, um dos vértices do modelo triangular de representação proposto por Whannel (1995), foi retirada do contexto desta análise, uma vez que o objeto da pesquisa se restringiu à exibição de uma atleta e desconsiderou o contexto completo da competição.
A emissora SporTV elaborou uma transmissão apoiada nos valores jor- nalísticos, regulada pelo modelo de transmissão descrito por Whannel (1995), para transmitir o evento esportivo, em que o arranjo das imagens expõe um ponto de vista central, fundamentado na estética do real, sem manipular os recursos visuais televisivos e com um enquadramento abrangente da ginasta e sua ação esportiva.
A TDN propôs uma transmissão em que os valores do infoentreteni- mento revelaram-se equilibrados, mas divergente do modelo de Whannel (1995), com um ponto de vista centralizado. A emissora utilizou-se, na transmissão es- portiva, de múltiplos pontos de vista, localizados acima e no nível do tablado, de acordo com a movimentação da atleta pelo espaço capturado pela disposição das suas cinco câmeras. Os pontos de vista acima do nível da área de competi- ção exibiam o ambiente e localizavam a atleta espacialmente. Os pontos de vista na linha do tablado ofereciam uma perspectiva aproximada dos movimentos, mas sem intensificar a ação, com planos fechados e ritmo de corte acelerado. As mudanças de tomadas acompanhavam a apresentação da atleta, equilibrando os valores ideológicos da objetividade e da neutralidade com o da “boa televisão”.
A HRT ofereceu uma exibição televisiva da ginástica artística alinhada aos valores do entretenimento, uma vez que a emissora construiu sua transmis- são em múltiplos pontos de vista, localizados principalmente no nível do tablado, próximos às ações esportivas, e manipulou a proporção das imagens em conjun- to com o ritmo de corte, ressaltando e intensificando a ação esportiva durante a apresentação da ginasta.
As diferentes construções da transmissão esportiva observadas neste estudo foram previstas por Whannel (1995), em consequência das inovações ofe- recidas pelo desenvolvimento da tecnologia, que promoveriam graus de reestru-
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A transmissão televisiva da ginástica artística produzida por diferentes emissorasturação nas convenções visuais televisivas. Algo semelhante ao que Dayan e Katz (1994) afirmaram sobre as transmissões “ao vivo”, em que uma construção do evento esportivo permanece leal à realidade, apesar das diferentes formas de se contá-lo. Neste caso, observaram-se dois modos narrativos distintos: um modelo de transmissão centralizado em uma câmera; e o outro, uma proposta elaborada com múltiplas câmeras seguindo as ações da atleta.
Esses produtos televisivos, construídos pelas emissoras, tensionaram uma combinação entre convenções televisivas destinadas ao jornalismo e ao entrete- nimento, configuradas em três gradações: transmissão com acentuadas conven- ções jornalísticas; transmissão equilibrada entre valores jornalísticos e de entre- tenimento; e transmissão com acentuadas convenções de entretenimento.
Essa pluralidade no modo de representar uma transmissão televisiva es- portiva suscita discordâncias entre os pesquisadores desde os primeiros estu- dos sobre o esporte na TV. Williams (2004) sugere que o processamento das ações esportivas pela televisão, com seus close-ups detalhados e sua variedade de perspectiva, permite que as coberturas esportivas nos proporcionem um novo entusiasmo e uma nova sensação de imediatismo das ações físicas e, até mesmo, outra experiência visual, de tipo distinto8, de forma que o autor contesta que o uso desses elementos pela televisão tenha sido o meio e a causa do esporte espe- táculo, pois se trata de uma simplificação de um fenômeno mais complexo.
Whannel (1995) advoga em favor de um equilíbrio entre as convenções de jornalismo, entretenimento e drama para a transmissão esportiva. Já Newcomb (1974) argumenta que o processo de mediação de um evento esportivo realizado pela televisão deve ser supostamente real, de forma que a função da transmissão é crucial para uma ação estruturante e realística da mensagem.
Portanto, as emissoras de TV analisadas apresentaram modificações tanto no modo narrativo do esporte na TV quanto no modo de representação que a transmissão esportiva produz em relação à natureza do evento esportivo em si, apesar das exigências da entidade esportiva.
Considerações
O motivo principal da transmissão televisiva direta e “ao vivo” é transpor o desempenho da atleta em imagens e, para isso, as emissoras precisam ter à sua disposição recursos técnicos e operacionais adequados para construir um texto visual coerente. Por isso, ao analisar momentos como esses, é possível observar a intencionalidade das emissoras ao construir a transmissão, pois há uma organização prévia de como serão as transmissões, a fim de evitar falhas técnicas ou erros humanos.
8. Tradução de: “At
the same time, some of the best television coverage of sport, with its detailed close-ups and its variety of perspectives, has given us a new excitement and immediacy in watching physical action, and even a new visual experience of a distinct kind.” (WILLIAMS, 2004, p.65).
Volume 18 – Edição 1 - 1o Semestre de 2018
Tatiana Zuardi Ushinohama, Letícia Passos Affini e Marco Roxo
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Dessa forma, os equipamentos são posicionados em torno do espaço de competição e a operacionalização humana tem alguns segundos para transpor o momento em imagens, significativas e entrelaçadas. No modelo de transmissão proposto na década de 90, há restritos recursos, o que limitava as possibilidades de operacionalização, dificultando a criação de diferentes nuances nas transmissões.
Atualmente, houve uma profusão de recursos técnicos devido, principal- mente, às normas de transmissão televisiva definidas pela FIG, que oportuni- zaram numerosas possibilidades de operacionalização e, com isso, diferentes modos de representação esportiva na TV. Agora, fica mais adequado discutir a intencionalidade das emissoras em produzir transmissões com perspectivas di- ferentes, uma vez que se observou, nesta pesquisa, que uma mesma apresentação pode ser transmitida com diferentes enfoques, elaborados entre uma combina- ção de valores jornalísticos e de entretenimento.
Referências
CASETI, F; CHIO, F. Análisis de la television: instrumentos, métodos y práti- cas de investigación. Barcelona: Paidos, 1999.
DAYAN, D.; KATZ, E. Media events: the live broadcasting of history. Cambrid- ge: Harvard University Press, 1994.
DUARTE, E. Ainda alguns apontamentos iniciais. In: JOST, F. Compreender a
Televisão. Porto Alegre: Sulina, 2007.
JOST, F. Compreender a Televisão. Porto Alegre: Sulina, 2007.
NEWCOMB, H. TV: the most popular art. New York: Anchor Book, 1974. SCANNELL, P. Television and the meaning of live. Cambridge: Polity Press, 2014. SOLVOLL, M. Football on television: how has coverage of the Cup Finals in Norway changed from 1961 to 1995? Media, Culture & Society, London, v.38, nº 2, 141–158, 2016.
WILLIAMS, R. Television: technology and cultural form. London: Taylor & Francis e-Library, 2004.
WHANNEL, G. Fields in vision: television sport and cultural transformation. London: Routledge, 1995.
C
om o desinteresse dos meios de comunicação tradicionais pela cobertu- ra dos Jogos Paralímpicos, o Twitter configurou-se como um importante espaço de visibilidade e reconhecimento dos atletas paralímpicos. Este artigo tem como objetivo identificar que tipos de reconhecimento foram expressos a esses atores na rede social, durante os Jogos Paralímpicos Rio 2016. Para isso, analisamos o conteúdo de 1.238 (n=1.238) postagens feitas pela conta do Co- mitê Paralímpico Brasileiro (@cpboficial) durante o evento à luz da discussão sobre teoria do reconhecimento feita por Nancy Fraser e Axel Honneth. Ao final, identifi- camos três tipos de reconhecimento: Institucional; Esportivo e Afetivo/Ideológico.Palavras-chave: Twitter; Atletas Paralímpicos; Jogos Paralímpicos; Teoria do
Reconhecimento.