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5.1 Installation et pr´ eparation des essais de plan inclin´ e
Teilhard foi mandado para Nova York para lá morrer em condições de verdadeiro exílio, depois de uma vida cheia de amargura pela dificuldade cada vez maior de fazer conhecer os seus escritos. O seu problema era de consciência, o de um cientista que, havendo descoberto a verdade, trata de levá- las para o terreno religioso a fim de iluminar os crentes honestamente desejosos de conhecer mais além da fé, para ficarem convencidos.
Sem dúvida que vivemos num momento de transição evolutivo no qual a ciência avança vertiginosamente no conhecimento, transpondo as portas do mistério. Com isto muda a velha forma mental pela qual o modo tradicional de apresentar as verdades de fé as torna de difícil aceitação. Em Teilhard, o drama é duplo: o de ter de admitir, em consciência, mesmo que não ortodoxas, as novas verdades que lhe apareceram e das quais estava convencido; e o de dever fazê-las conhecidas de todos os que tinham necessidades delas para sair da dúvida, da falta de fé, da insatisfação em que se encontra a mente moderna perante problemas insolúveis ou não resolvidos com clareza convincente. O drama foi devido à sufocação destes dois santos impulsos, sofrido em nome do bem, quando o bem é progresso, é da lei de Deus.
Muitos não querem cansar-se, pensar, arriscar-se, preferindo permanecer seguros nas concepções tradicionais. Na própria preguiça, então, considera-se elemento perturbador quem parece rebelde à velha ordem porque tem sede de luz, quer conhecer e fazer conhecer, subir e fazer subir, porque arde uma contínua tensão espiritual que incomoda os que dormem quietos numa aquiescência passiva, que chamam fé e ortodoxia. A muitos não interessa um maior conhecimento e a conquista da verdade, mas sim o grupo humano de que cada um faz parte, o seu poder terreno, o seu engrandecimento pela conquista de prosélitos. Entretanto não há nada na vida que não se baseie na luta, o que leva cada grupo humano a tomar uma posição de defesa, de encastelar-se no sectarismo, intransigência, dogmatismo, qualidades necessárias para poderem resistir e sobreviver. O problema não é de religiões, mas de tipo biológico, porque esta é a lei da vida no seu atual grau de evolução.
Para além e para cima do universo físico, Teilhard viu, movido mais pela razão do que pela fé, o universo psíquico, isto é, o universo numa nova dimensão, a do espírito, que é o terreno supersensível das religiões. O cosmo para ele é um organismo funcionando e em evolução, orientado no sentido de fazer surgir e desenvolver a inteligência. Com isto ele realiza uma espiritualização da matéria e da ciência, estendendo assim ao infinito o terreno das religiões e fazendo delas um problema de interesse universal. Eis então que estas, em vez de fecharem neste caso as portas como perante um inimigo, deveriam abri-las para conseguir a sua imensa expansão. O problema para o cientista crente não é tanto o de compreender tudo isto, para ele evidente, mas o de fazer os outros compreender assim como para o evoluído o problema maior foi e será sempre o de fazer avançar os involuídos.
Como Santo Agostinho resumiu Platão e S. Tomás resumiu Aristóteles, cada um deles, formulando o Cristianismo segundo a linguagem do seu tempo, assim é de esperar que as religiões admitam igualmente em seu favor, que Teilhard formule as mesmas verdades, segundo a linguagem racional-científica de nosso tempo. Ele sentia a necessidade de realizar um exame crítico do pensamento teológico para atualizar-se perante as conquistas da ciência que o deixavam ficar para trás, enquanto as religiões, encaminhando-se para Deus, deviam estar logicamente na vanguarda, em vez se serem as últimas a chegar, arrastadas, a seu pesar, pelo progresso do pensamento laico. Estando em contato com Deus, em Quem se inspiram, as religiões deveriam ser as primeiras a compreender a verdade e não as últimas. E quem sente, como Teilhard, tais exigências, sente também o dever de falar, oferecendo a sua contribuição. E se as religiões não entendem e resistem, ele a oferece à humanidade, que hoje dela tem necessidade, para poder progredir, mesmo que as religiões não queiram interessar- se por tais problemas.
Teilhard costumava dizer: “se não escrevesse, sei que atraiçoaria”. Procuremos explicar o caso com duas imagens. Ofereceram a um homem uma semente preciosa para que plantasse no seu vaso, mas aquela semente não agradava àquele vaso porque era diversa das outras que continha, e deste modo a atirou num campo. No vaso aquela semente poderia crescer defendida, mas em terreno limitado que a teria impedido de desenvolver-se. Ali teria permanecido como idéia fechada num ambiente restrito, sem poder expandir-se. No campo, pelo contrário, a semente pôde desenvolver-se livremente, até tornar-se uma grande árvore, o que dentro do vaso não podia acontecer. Foi portanto um bem para a semente ter sido lançada para fora. A idéia que ela representava só assim podia tornar-se, e de fato se tornou, universal. Eis o que acontece quando um
grupo humano de idéias restritas rejeita uma idéia fecunda, capaz de novos desenvolvimentos.
Outra imagem. Dois galos fechados numa gaiola estavam se bicando com o fim de se destruírem um ao outro, cada um pensando: se venço, serei dono da capoeira. E não percebiam que os levavam ao mercado, e que pouco depois acabariam os dois na panela. Assim se comporta as religiões rivais enquanto se avizinha o cilindro compressor do comunismo ateu, que se prepara para nivelá-las todas na mesma liquidação.
Que fazer? Este é o grau de evolução da humanidade atual, e explicar não serve para nada. O nível de unificação hoje alcançado não vai mais além da família e de grupos particulares, sejam religiosos, econômicos ou políticos, mas sempre limitados em função de determinados interesses comuns. Grupos mais vastos, nacionais ou raciais, estão apenas em formação. Cada unificação na terra não chega a alcançar senão o grau de partido ou castelo fechado, armado e em luta contra os vizinhos, eles também em estado de guerra para não serem destruídos, que é aquilo que cada um deles quereria fazer do outro para seu triunfo. Enquanto a humanidade não superar esta fase de sua evolução, deverá ficar submetida às leis de tal plano biológico inferior. O evoluído que trate de elevá-la a um nível superior, para funcionar com outras leis e segundo uma outra compreensão da vida. Em semelhante mundo ele será sempre um intruso, um solitário, um condenado, como foi Teilhard de Chardin.
Tal biótipo, justamente devido à sua posição avançada encontra-se fora dos grupos, porque o seu fim não é a defesa de nenhum deles dentro do qual se encontraria encerrado, mas sim o progresso da humanidade. O indivíduo, então, perante ao grupo, pode escolher dois caminhos, segundo a sua própria natureza: o da liberdade ou da obediência, no primeiro caso pode conseguir o seu ideal segundo a sua consciência, entregar-se na busca da verdade, pensar e falar livremente, cumprir a sua missão. Ele se encontra, porém, isolado. Não tendo declarado sua adesão a nenhum grupo, não depende de ninguém, mas tampouco recebe, da sua adesão e obediência, a defesa que necessita para viver trabalhando pelo seu ideal. Se ele não se une aos fins de algum outro, ninguém está disposto a fazer-lhe gratuitamente o trabalho de protegê-lo. São estas as leis da vida no plano humano, e é necessário ter a honestidade de reconhecê-las e declará-las tais quais são. Se esse indivíduo não pagar com sua submissão o seu pão, qualquer atividade intelectual lhe será impedida pela necessidade de ter, ele próprio, de lutar pela existência.
No segundo caso não haverá esta necessidade e se gozará da vantagem de uma proteção que garante a vida e a tranqüilidade para trabalhar. Mas pensamento e atividade ficarão submetidos ao qual se pertence. Deve-se por isso pensar e trabalhar no interesse do grupo que, por fornecer o pão, tem o direito de exigir obediência espiritual e física. Quem dá e protege o faz por si próprio e portanto tende a escravizar. Quem recebe deve dar em troca obediência. Isto porque ao trabalho espiritual é dado o valor zero no mercado das coisas humanas, de modo que a liberdade de pensamento e atividade correspondente é coisa permitida apenas, a quem possua independência econômica.
Observando porém as coisas do lado oposto, vemos que o grupo não é culpado de tudo. Este, por sua vez, está empenhado na luta pela sua existência, e por isso deve fazer dos seus membros os seus soldados para manterem a sua unidade, defendendo-a dos assaltos exteriores. A ele não interessa a evolução, mas apenas o mais urgente: a sobrevivência. A isto ele é constrangido pelas condições da vida terrestre. O evoluído, pelo contrario, antecipa a evolução e, em vez de conservar e consolidar as posições, tende a fazê-la avançar. Por esta
oposição de intenções, ele é temido e combatido como um perigo. Ele não representa a conservação mas sim a arriscada aventura do progresso, que é precisamente aquilo que os imaturos, acomodados na sua preguiça, não querem. O reformador, desejando implantar uma ordem nova, sacode as bases do castelo no qual o grupo se aninha, leva desordem às suas filas, fato do qual os inimigos estão prontos a se aproveitar. É necessário compreender que a vida é um estado de guerra pela sobrevivência. Urge, portanto, como primeira coisa, a defesa e, só depois como luxo de ricos, é admitida a evolução. Tais tentativas de avançar são deslocações perigosas, dissipação de forças em tentativas que debilitam o grupo e são consideradas saltos na escuridão. Quem os provoca deve, portanto, ser eliminado.
Perante o idealista atraído pelo céu, está a dura realidade da vida. Não é lícito esquecer, nem por um minuto, que se trata de uma luta desesperada. Para quem é especializado nessa luta e não sabe fazer outra coisa, poderá parecer que não é verdade. Mas para o idealista dotado de outras qualidades e dedicado a outros trabalhos, o problema é bem diverso. Ele quereria desesperadamente gritar: na Terra não há lugar para o ideal. A humanidade deveria ajudar estes indivíduos que trabalham pelo seu progresso. Mas com que a humanidade se importa? Ela tem outras coisas para fazer. Deve pensar em matar e destruir tudo com guerras, em enriquecer, e gozar a vida.
O problema que o caso de Teilhard nos fez recordar, é principalmente de biologia e interessa a humanidade, porque constitui o problema de evolução da vida. O ideal, antecipação da evolução, realiza-se na Terra através de diversos tipos de instrumentos. Não interessa condenar a ninguém, mas conhecer a técnica desta realização. Assim, de um lado temos os mártires do ideal, do outro os administradores e usufrutuários do ideal. Os primeiros, pouquíssimos, trabalham pela conquista de posições mais avançadas; os segundos, a maioria, ocupam-se em conservá-las, utilizando-as para si. Neste processo que vai desde o sacrifício do mártir à mecânica burocrática e ao parasitismo, o impulso do iniciador se desfaz, se cansa, se esgota, afundando-se no lodo humano, túmulo do ideal.
A massa, que forma o corpo da humanidade, é constituída por homens do segundo tipo. E eles lutam contra os do primeiro para reduzi-los ao seu nível. O inovador, por sua própria natureza e pela posição na qual esta o coloca já fixou o seu destino de incompreensão, isolamento e perseguição. Ele terá de trabalhar em condições difíceis, porque não segue os interesses imediatos do grupo, aqueles que os componentes melhor vêem e sentem, e não os interesses superiores e longínquos, que não vêem e por isso não entendem. Para poder trabalhar em paz ele deveria concordar com o grupo, mas então teria que renunciar à sua iniciativa, à independência espiritual, ao seu ideal. O drama existe por que o mundo não quer ser incomodado e assim afasta os indivíduos que tratam de o fazer progredir. Este é o drama de Teilhard de Chardin. É fácil constatar historicamente que a humanidade, antes de santificar, dá-se o gosto de sacrificar: trabalho nada espiritual da parte de quem o executa, mas que indubitavelmente faz parte da técnica da santificação. Isto nos é demonstrado em nosso tempo pelo caso do Padre Pio de Pietralcina (Itália).
O que deve fazer então o indivíduo? Como se deverá resolver o caso, e como o resolveu Teilhard? Se o mundo não quer ser salvo, o indivíduo, no entanto, deverá salvar-se a si mesmo. Para compreendermos, devemos referir-nos à moral positiva contida nas leis da vida. Primeiro de tudo, por que razão a autoridade possui o direito de condenar? Tê-lo-ia, se correspondesse a um critério da justiça. Mas não corresponde quando a condenação do que hoje se considera prejudicial fica contraditada pela aprovação de amanhã, quando o
mesmo fato acaba sendo considerado vantajoso. Este dizer e desdizer, à mercê das circunstâncias e das mudanças de opinião dos indivíduos que julgam, tem muito de provisório, incoerente e irresponsável, e não está de acordo com um tribunal de justiça. Será honesto aprovar somente uma idéia nova quando todos a aceitaram, e para defendê-la não representa mais nenhum risco ideológico? Assim se chega sem perigo algum de enganar-se, mas é deprimente ser o último a chegar, arrastado pelos outros, a quem se deixa a responsabilidade das novas afirmações, a fadiga da pesquisa, a incerteza da tentativa, exceto o apropriar-se dos resultados quando tudo leva ao êxito.
Quem é imparcial, porém, justifica tudo isto. A vida se baseia na luta; o grupo tem necessidade de defesa para sobreviver. Ele luta contra as coisas novas para a sua conservação, e nelas vê uma tentativa de destruição do passado sobre o qual se baseia a sua existência. Trata-se, portanto, de um caso de legítima defesa contra um perigo, u’a ameaça de morte. O direito de julgar e condenar se baseia nos fatos: 1) a posição do grupo perante o indivíduo é a do mais forte. Na Terra basta isto para conferir o direito de estabelecer qual é a lei e, portanto, o de julgar. O grupo é mais forte porque é maioria perante o indivíduo que está isolado, em minoria, e quem como tal, é mais débil, não tem direitos. 2) A necessidade em que o grupo se encontra de defender-se para sua conservação e o sagrado direito de todos à vida.
E o indivíduo? Por que ele é minoria, por que não possui o poder que provém do número, porque está só? Para ele não haverá justiça, possibilidade de trabalhar para realizar o ideal, e assim fazer progredir a vida? O drama consiste no seguinte conflito: de um lado tal indivíduo, por intuição e raciocínio, compreende a importância e a verdade das suas novas afirmações, e, sendo honesto, sente que deve comunicá-las aos seus próprios semelhantes, para seu futuro progresso, ele viu e não pôde fazer outra coisa senão enunciar a nova verdade; do lado oposto a autoridade encarregada da defesa dos interesses do grupo, preocupada pela sua conservação e pela conservação do grupo, mais do que pela pesquisa da verdade, quer ficar fiel às coisas velhas nas quais baseia a sua posição, e assim rejeita e condena cada novidade.
Os fins são opostos. O do reformador é o progresso, o do grupo e da autoridade que o dirige é continuar a viver com a menor fadiga e riscos possíveis. Em virtude disto, é lógico que a autoridade imponha silêncio ao inovador. Assim o proíbem de falar, publicar, impedem-no de pensar e de compreender, como defender a verdade da qual está convencido. Então as duas partes em conflito transformam-se em dois inimigos em luta, cada um com boas razões para agir à sua maneira. O inovador atenta contra a tranqüilidade e segurança do grupo, que assim se defende. A autoridade atenta contra a liberdade do espírito, quer dentro dele para deter ou torcer o pensamento, paralisando as mais nobres funções do ser. Isto não é senão um aspecto da luta entre o evoluído, que quer fazer progredir o mundo, e o involuído que não se quer deixar redimir com este progresso.
Isto é contra Deus e pode ser feito em nome de Deus. Isto é sufocação espiritual, é negação de ascensão, mas a autoridade pode fazê-lo porque é o mais forte e assim tem razão contra o indivíduo, que, isolado, é mais débil. Por isso ele deve submeter-se, apesar de lutar por um fim muito mais alto do que aquele pelo qual luta a autoridade. Todavia trata-se de duas funções, ambas necessárias, uma perante os homens por necessidade terrena, outra perante Deus por necessidade do ideal. Disto se deduz que, se a autoridade, do seu ponto de vista, tem o direito de condenar, o condenado, do seu ponto de vista, tem o dever moral, perante Deus e a sua consciência, de não renegar o seu pensamento e de
continuar a sua obra. Foi exatamente assim que agiu Teilhard. Mais acima quisemos simplesmente encontrar e expor as razões que justificam a sua conduta, para nos convencermos de que se trata de um bom exemplo. Baseamo-nos na observação das leis biológicas do grupo, que são verdadeiras para cada grupo, portanto também para o religioso.
Teilhard obedeceu à autoridade, sofrendo em silêncio, mas sem nunca renunciar às suas idéias. Às almas simples do povo ele não ofereceu o escândalo da desobediência, que estamos mais dispostos a imitar, o exemplo que a tantos oferece a oportunidade de sentir-se autorizados a seguir o caminho do mal. Para o homem do ideal, lançado em direção ao futuro, isto é martírio, mas a ignorância humana assim o exige. Ele o sabe e aceita. A posteridade depois julgará com outros critérios, e a autoridade tem tempo de entender e inverter o seu juízo.
É
assim que hoje se vai reabilitando para ir utilizando o que pode ser útil e aceitar o que já não se pode deixar de admitir. Assim se vai desenterrando o condenado ao silêncio, com cautelosas sondagens da opinião pública, para ver até onde será possível atualizar-se sem perigo.Aqui estamos só como observadores imparciais do fenômeno, para nos explicar o seu funcionamento. Havia também um outro lado de Teilhard. Ele comia o pão da Ordem religiosa de que fazia parte e à qual estava moralmente comprometido de ficar fiel. Sendo honesto, sentia o dever de não se rebelar contra a família a que passara a pertencer, que o havia criado e agora o protegia no seu seio. Obrigações práticas de dar e haver, pequena contabilidade terrena, que no entanto os honestos têm em conta, porque receber sem dar em troca é explorar. Mas nem todos têm um sentido tão perfeito de honestidade. Outros, feridos no orgulho, revoltam-se abertamente para satisfazer a própria reação pessoal. Passam então para outro grupo no qual, conservando o mesmo espírito sectário, continuam lutando contra o grupo que primeiramente os hospedara. Então se trata de um homem de partido que, esteja de um lado ou do outro, permanece sempre igual, sem sair da sua velha forma mental.
Que aconteceu então no espírito do inovador honesto, que não obstante respeita a autoridade? Quais são os seus direitos, as suas compensações? Para ele existe o caminho da paciência, do trabalho, do martírio, caminho que é também o da sua santificação. Observemo-lo. Ele pode servir de exemplo e guia a quem se encontre em semelhantes situações.
Lemos no volume : O Jesuíta Proibido de G. Vigorelli: “Não está ainda escrita a história secreta da “redução ao silêncio” de Teilhard de Chardin. Dos dois interlocutores um está sempre ausente; e, mesmo quando se faz presente, castiga, mas não entra no diálogo; a mão, a cada vez que castiga, se esconde (....). drama sumamente cruel que durou mais de quarenta anos, mais ardente porque ficou coberto pelas cinzas”.
O seu confrade Padre Pierre Leroy, no seu livro Pierre
Teilhard de Chardin tel que je l’ai connu, testemunha: “Incompreendido e condenado ao silêncio, sofre de angústias, que algumas vezes o aniquilam (. . . .). com paciência suportava uma prova que esmagaria os corações mais fortes. Quantas vezes, na intimidade dos nossos encontros, o havíamos visto abatido (. . . .). Sofria de crises de angústia, que mais tarde deveriam tornar-se mais agudas (. . . .). Tinha crises de choro que o destroçavam.
Continua Vigorelli: “(. . . .) além do silencio foi-lhe imposto o exílio (. . . .). morria de dor por aquele exílio prolongado. Suplicou muitas vezes aos superiores um regresso, ainda que breve, à Europa, à França (. . . .), as