LISTE DES FIGURES ET TABLEAUX
PLASTIES ABDOMINALES LOCALISÉES
B. Schéma de la cicatrice transversale basse et repérage de l’ancien
I. Examen pré-opératoire
II.2. Installation et préparation per opératoire (Figure 28)
Tendo em vista a peculiaridade do segmento pesquisado, enquanto uma juventude eminentemente rural, procedemos a uma revisão bibliográfica em torno da categoria, a fim de suscitar elementos que temsurgido nas pesquisas em torno da temática. Consideramos isso contributivo na contextualização de nosso objeto de estudo: o SOME.
Dentre os trabalhos levantados, destacamos, por sua representatividade dentro do universo pesquisado, os trabalhos de Weisheimer (2005) e Sposito (2009). O trabalho de Weisheimer identificou a migração e a invisibilidade como aspectos mais notórios nas produções acadêmicas sobre juventude rural no período de 1990 a 2004. No que se refere à questão da migração, o autor chama a atenção para o fato de que os processos migratórios respondem pelo esvaziamento e pela masculinização da população rural.
Os indicadores demográficos do IBGE têm sido utilizados para demonstrar a transformação social que vem ocorrendo no Brasil nos últimos cinqüenta anos. Em 1950, a população residente em zonas rurais correspondia a 63,8% da população total brasileira. Já no ano de 2000, essa proporção havia caído para 18,8% do total da população do país. É importante perceber que, na década de 1950, o contingente que mais migrou correspondia à faixa dos 30 aos 39 anos de idade. Já nos anos 1990, ocorreu um deslocamento populacional principalmente na faixa etária de 20 a 24 anos (ABRAMOVAY e CAMARANO32, 1999, apud WEISHEIMER, 2005, p.
7).
32 ABRAMOVAY, Ricardo; CAMARANO, Ana Amélia. Êxodo rural, envelhecimento e masculinização no Brasil:panorama dos últimos 50 anos. Texto para discussão nº. 621. Riode Janeiro: Ipea, 1999.
Weisheimer aponta a falta de novas oportunidades de trabalho e renda como uma das causas desses deslocamentos que, por seu turno, tem como alguns de seus efeitos “o envelhecimento da população rural, quebra dos mecanismos de hereditariedade e concentração da terra.” (2005, p. 3)
Além do predomínio juvenil, Weisheimer também destaca a participação feminina como outra característica importante desse movimento: “As mulheres migram mais que os homens, representando 52% do total da migração jovem.” (2005, p. 8). Os dados apontam, portanto, para um predomínio juvenil e feminino no processo migratório rural urbano.
Nesse ínterim, é pertinente considerar uma ponderação apresentada em documento intitulado “Carta Proposta da Juventude Trabalhadora Rural”, de março de 2015, oriundo de um “processo de debate e mobilização desenvolvido pela juventude trabalhadora rural brasileira, por meio da realização, em 2014, de 5 Festivais da Juventude Rural das regiões centro-oeste, nordeste, norte, sul e sudeste”. (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – CONTAG, 2015). Ao tratar da questão migratória, o referido documento apresenta o seguinte posicionamento:
Quando se fala da juventude rural, nas universidades, institutos de pesquisa, governos, emerge uma associação, quase que imediata, entre ela e as questões da migração campo-cidade.
A juventude trabalhadora rural organizada no Movimento Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais (MSTTR) entende a migração juvenil como fenômeno complexo, que está fortemente condicionada aos aspectos sociais, econômicos e culturais estruturantes. É preciso entender o êxodo rural não como escolha individual e privada, mas, articulado ao conjunto de oportunidades concretas vivenciadas pela juventude trabalhadora rural, no que se refere ao acesso a direitos e ao exercício pleno da sua cidadania. Sobretudo, é preciso entender o movimento migratório na sua relação com a configuração fundiária do Brasil, marcada pela concentração de terras nas mãos do agronegócio. (CONTAG, 2015, p. 2)
Certamente não nos cabe, no presente momento, aprofundar esta discussão. Consideramos, entretanto, pertinente mencioná-la e levá-la em consideração na contextualização do objeto da pesquisa para a devida problematização na análise dos dados vindos de campo na sequência do trabalho.
Já com relação ao outro aspecto identificado por Weisheimer, a questão da invisibilidade, o autor assim a define:
A “situação de invisibilidade” a que está sujeito esse segmento da população se configura numa das expressões mais cruéis de exclusão social, uma vez que dessa forma esses jovens não se tornam sujeitos de direitos sociais e alvos de políticas públicas, inviabilizando o rompimento da própria condição de exclusão. Nesse contexto, a juventude rural aparece como um setor extremamente fragilizado de nossa sociedade. Enquanto eles permanecerem invisíveis ao meio acadêmico e ao
sistema político, não sendo socialmente reconhecidos como sujeitos de direitos, dificilmente serão incluídos na agenda governamental. (2005, p. 8)
O trabalho de Sposito (2009), por sua vez, consiste também em um estado da arte realizado em torno da temática no período de 1999 a 2006, e nos diz que “um primeiro alerta diz respeito ao caráter eminentemente urbano da produção discente sobre juventude. Do total de trabalhos (1427) somente 52 (menos de 4%) trataram de jovens do mundo rural e apenas sete (0,5%) dedicaram-se aos jovens indígenas”. (p. 23). A autora nos diz que todos os eixos temáticos relacionados a essa produção têm como elemento comum a condição juvenil urbana, sobretudo de grandes regiões metropolitanas, investigada a partir de enfoques diversos.
A predominância de investigações sobre a vida de jovens em grandes metrópoles pode induzir a generalizações apressadas sobre a juventude brasileira, se não forem levadas em conta as condições de vida das pequenas e médias cidades e das zonas rurais. Há uma nascente produção sobre os jovens e o mundo rural que precisa ser ainda mais incentivada. Os poucos estudos existentes são reveladores das múltiplas temporalidades que articulam as relações sociais em nossa sociedade, das imbricadas relações de complementaridade e das tensões existentes entre cidade e campo, muito vezes obscurecidas por uma ótica excessivamente urbana. (2009, p. 25)
Parece-nos, assim, que este achado de Sposito corrobora com a questão da invisibilidade apontada por Weisheimer. Também neste caso não cabe um aprofundamento neste momento, tendo em vista o foco da investigação. Todavia, é também importante tê-lo em conta, uma vez que se constitui como um aspecto característico identificado no âmbito das discussões relacionadas à juventude rural.
CAPÍTULO IV – O QUE REFLETE E O QUE "SOME"? A ÓTICA DOS EGRESSOS