Chapter 6. Installing Red Hat Enterprise Linux on AMD64 and Intel 64 Systems
6.1. Installation Mode Options
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Na década de 40, nos Estados Unidos, surgem centros de pesquisas interdisciplinares, onde aqueles profissionais que transitavam em áreas distintas encontram um espaço de aglutinação e de estudo para os temas mais latentes, entre eles a Saúde e a Comunicação. Pelo menos é o que sugere ROGERS (1994), que salienta que esses centros de pesquisas interdisciplinares servem como importantes mecanismos de organização através dos quais os problemas de saúde da vida real podem ser aproximados nas maneiras que superam as limitações intelectuais de toda a única disciplina. Esses centros atraem financiamentos e têm a função de instaurar uma relação entre a academia e seu ambiente. Segundo ROGERS (1994), a idéia original para tais centros de pesquisa veio de Paul F. Lazarsfeld, sociólogo vienense que foi um dos fundadores da pesquisa de comunicação de massa:
O escritório de Pesquisa de Rádio de Lazarsfeld na Universidade de Columbia (em 1944 renomeado Bureau Pesquisas Sociais Aplicadas) serviu como modelo para todos os centros de pesquisas da atualidade sediados em universidades (embora a maioria não se tenha dado conta disso) e foi um modelo direto para o Instituto de Pesquisas em Comunicação na Universidade de Illinois, fundado por Wilbur Schramm em 1947 como a primeira unidade a conceder um título de doutor no recente campo de estudos da Comunicação.[tradução nossa]
A década de 50 foi o início de um período em que a Comunicação como campo de estudo apresentou sua maior alta, em grande parte motivada novamente pelo trabalho de Wilbur Schramm. Segundo ROGERS (1994), a partir daí a área ganhou fôlego, construiu conhecimento que mais tarde desembocou da área da Saúde, contribuindo para importantes estudos interdisciplinares:
O estudo da Comunicação foi a maior inovação na educação superior americana no século passado. Nos anos 50, desde que Wilbur Schramm instituiu a primeira unidade universitária intitulada "comunicação", ou nos 35 anos desde que o crescimento do campo realmente deslanchou, aproximadamente 1.700 departamentos de comunicação têm sido estabelecidos. A cada ano, cerca de 50 mil títulos de bacharel em comunicação são concedidos, o que representa 5% de 1 milhão de certificados emitidos pelas universidades americanas. [tradução nossa]
Avançando para o ano de 1971, a criação do Stanford Heart Disease Prevention Program (SHDPP) é apontada por ROGERS (1994) como a data em que o campo da Comunicação para a Saúde detonou um processo de crescimento sem volta nessa área de pesquisa. O autor lembra que, embora pesquisadores da academia tenham se engajado em aplicar suas experiências na promoção da saúde e prevenção de doenças por muitos anos, o campo da Comunicação para a Saúde começou a decolar e ser reconhecido e ter interpretação intelectual coerente somente na década de 70.
Embora alguns sinais sejam arbitrários, considero o lançamento do Stanford Heart Disease Prevention Program (SHDPP) [Programa de Prevenção em Doenças do Coração de Standford] em 1971 como o marco mais importante do início da Comunicação para a Saúde. O SHDPP começou quando cardiologistas como o Dr. Jack Farquahar colaborou com pesquisadores de comunicação como o Dr. Nathan Maccoby, também da Universidade de Stanford, a executar uma intervenção baseada na comunidade para a promoção em saúde que evoluiu para o desenho de um campo experimental de estudo. [tradução nossa]
O próprio ROGERS (1994) ressalta que a Standford University foi um dos primeiros centros de pesquisa em Comunicação para a Saúde – em função do SHDDP citado anteriormente – mas que outras instituições também se juntaram ao time. Cita a University of Maryland, University of Minnesota, University of Kentucky, Michigan State University, Emerson College e a University of South Florida, entre tantas outras que freqüentemente se destacam entre os líderes em pesquisa na área.
Segundo o autor, cada uma dessas universidades tem um ou mais membros com interesses específicos em Comunicação para a Saúde, um ou mais cursos oferecidos nesta especialidade – geralmente denominados Comunicação e Saúde, Campanhas de Comunicação ou Evolução das Campanhas de Promoção em Saúde – às vezes baseadas em projetos financiados ou não.
ROGERS salienta que geralmente a pesquisa é dirigida por intermédio de centros ou institutos interdisciplinares em que profissionais da Comunicação colaboram com psicólogos, sociólogos, educadores de saúde, profissionais de saúde pública e professores de medicina. ROGERS (1994) aproveita para citar algumas parcerias:
Um exemplo de unidade interdisciplinar é o Centro de Pesquisas em Prevenção da Universidade de Kentucky. Outras unidades bem conhecidas são o Instituto de Promoção em Saúde e Prevenção de Doenças da Universidade da Carolina do Sul (University of Southern California's Institute for Health Promotion and Disease Prevention Research); o Centro de Pesquisas em Prevenção de Doenças de Standford (The Stanford Center for Research in Disease Prevention) e o Center for Communication Programs/Population Communication Services, na Escola de Higiene e Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins. Alguns de nós na comunicação da saúde, que trabalhamos nas nossas próprias universidades, somos agregados no The Center on Alcoholism, Substance Abuse, and Addictions (CASAA).[tradução nossa]
Continuando a destacar o papel da América do Norte como um local de origem dos precursores em pesquisa da área da Comunicação para Saúde, chamamos a atenção para um evento ocorrido em 1974, no Canadá, país que tem se sobressaído por sua política de seguridade social no campo da saúde pública. De acordo com CARBO (2001), trata-se do primeiro país que acolhe este enfoque e que o faz público em 1974 através do Informe
Lalonde em que se propõe o trabalho no campo da saúde, a partir de uma perspectiva social.
O Informe Lalonde teve esse nome em homenagem ao político canadense Marck Lalonde que mostrou no documento uma visão diferente de saúde ampla e positiva, que reunia quatro elementos antes dispersos: biologia humana, meio ambiente, estilos de vida e organização dos serviços de saúde. Segundo BETANCOURT (2001, p. 501) “(...) A promoção da saúde se
converte assim em um fazer transdisciplinar cujo campo científico e prático é o desenvolvimento”.
MALO (1995, p. 32) destaca outros organismos conhecidos – UNESCO e OPS/OMS – que investiram na área da Comunicação para a Saúde. O autor ressalta que:
(...) a UNESCO e a OPS/OMS estabeleceram um programa conjunto de cooperação com o objetivo de apoiar os países da região em desenvolvimento de suas políticas de comunicação para a promoção da saúde. Sugerem algumas linhas para o desenvolvimento dessas políticas, entre elas:
1 - O Estado reconhece o papel fundamental da comunicação social para alcançar as metas determinadas de saúde;
2 – Considera-se a comunicação social como uma estratégia que inclui não só a provisão de informação mas também os elementos de educação, persuasão, mobilização da opinião pública, participação social e promoção de audiências críticas;
3 – O Estado fomenta a capacitação de comunicadores em saúde. [tradução nossa]
Tendo 1978 como referência, AGUILAR (1999, p. 144) lembra que a USAID também teve participação na área da pesquisa em Comunicação para a Saúde. Segundo o autor:
Essa série de projetos [para desenvolver uma metodologia eficiente para viabilizar as já mencionadas mudanças de comportamento em grandes grupos de pessoas] começou com o Mass Media and Health Practices Project (MMHP/Projeto sobre os meios de comunicação e os comportamentos de saúde), em 1978, quando USAID instituiu a Academia para o Desenvolvimento Educativo (AED).[tradução nossa]
Referindo-se aos anos 80, ROGERS (1994) acentua que naquela década dois acontecimentos contribuíram para que a parceria Comunicação-Saúde ganhasse outro interesse acadêmico. Um, as campanhas de combate às drogas nos Estados Unidos e outro, o fantasma da Aids que começou a pairar no mundo.
No primeiro caso, a partir de duas campanhas bem-sucedidas na Califórnia, promovidas pelo SHDPP (Stanford Heart Disease Prevention Program), duas comunidades receberam informações que contribuíram para ações preventivas contra riscos cardíacos e tabagismo, ambas baseadas em teorias de aprendizado social e marketing social. As campanhas foram mais tarde ampliadas e aplicadas no combate às drogas e ao consumo de tabaco nos Estados de Minnesota e Long Island.
Já o alto custo da saúde e o surgimento da AIDS, transformada em epidemia da década de 80, fizeram com que a Comunicação fosse pensada como processo de combate, conforme pontua ROGERS (1994):
Com o advento da guerra do governo federal contra as drogas nos anos 80, fundos em larga escala tornaram-se disponíveis para programas de prevenção de abuso de drogas e pesquisas sobre seus efeitos. Mais tarde, como o percentual geral do produto nacional gasto nos custos na atenção à saúde aumentou (atualmente são mais de 11%), interesses da busca da saúde preventiva dispararam. Para atender a essa demanda de profissionais de Comunicação para a Saúde, escolas e departamentos de Comunicação começaram a treinar estudantes na especialidade emergente de Comunicação para a Saúde. O advento da epidemia de AIDS na década de 80, uma doença para a qual ainda não há cura, deu um impulso tremendo na prevenção e também na Comunicação para Saúde.(…) Mais do que qualquer outra enfermidade, a AIDS vem mostrando a importância da prevenção e ainda há pouca coisa mais que pode ser feita para diminuir o avanço da epidemia.[tradução nossa]