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B.3- Etudes de l’adsorption du composé {Fe(bpac)[Pt(CN) 4 ]}

B.3.4. Insertion in situ lors de la cristallisation du polymère

Como se pode notar nas ideias sobre currículo dos autores escolhidos para a discussão sobre o tema, os três autores têm uma visão que se apoia nos pressupostos políticos da Educação, suas causas e consequências. Dessa maneira, uma vez que os três autores concebem um olhar político sobre o currículo, podemos afirmar que estes autores admitem a escola como espaço de disputas pelo poder.

Tomaz Tadeu da Silva (2013), ao estudar as teorias do currículo, também evidencia o teor político existente nas relações sociais presentes na formação curricular. Para ele, o currículo é fundamental para a manutenção das estratégias ideológicas por trás do que se propõe como conhecimento disponibilizado para a sociedade, e que esse conhecimento influencia inclusive na relação das diferentes classes, ditando os papéis sociais de cada indivíduo. Para ele,

depois das teorias críticas e pós-críticas, não podemos mais olhar para o currículo com a mesma inocência de antes. O currículo tem significados que vão muito além daqueles aos quais as teorias tradicionais nos confirmam. O currículo é lugar, espaço, território. O currículo é relação de poder (SILVA, 2013, p.150).

Para Apple (2006), ao discutir a noção de poder, a escola é um espaço onde se reproduz a ideologia dominante, onde classes, raças ou gêneros exercem poder uma sobre as outras e apresentam sua visão de mundo de forma que essa visão seja naturalizada em detrimento da concepção das classes menos favorecidas. Dessa forma, estabelecido o conhecimento da classe dominante como o oficial e relegadas às outras formas de conhecimento a periferia, os conhecimentos das fatias sociais subalternas passam a ser considerados descartáveis e denominados saberes populares ou folclore. Com esse quadro, a escola, disseminadora desse consenso dominante, ajuda a manter esse lugar de dominação política. Apple defende, nessa direção, a premissa da

ideologia como alicerce do jogo político. Ao observar que “as formas políticas e econômicas”

desequilíbrio cultural (e econômico), Apple assume a ideia da existência do teor político e ideológico reproduzido na esfera escolar (APPLE, 2006, p. 75).

Esse processo ideológico e de controle social por meio do currículo está também na sutileza daquilo que Apple denomina currículo oculto. Para o autor, o currículo oculto está relacionado a uma ética voltada ao desempenho e ao mercado de trabalho, tendo por base os valores daqueles que propõem aquilo que deve ser assumido como parâmetros de ensino. Esses valores, usados de forma implícita, corroboram eficazmente para a transmissão de ideologias que, apesar de não declaradas como objetivos ou metas no trabalho educacional, estão normalmente presentes e privilegiam os valores das classes dominantes. Nesse sentido, a política se faz também presente, pois perpassa, de maneira sutil, a distribuição social e a dinâmica do poder.

Tanto Arroyo quanto Oliveira concordam com Apple em relação ao teor político dos currículos escolares e, por consequência, a ideia de imposição da ideologia das classes dominantes presentes nos currículos. A análise dos estudiosos sobre o tema no Brasil é bastante contemporânea e reflete uma ideia emancipatória sobre o currículo, pois enxergam, na escola brasileira, um espaço onde o novo formato social vem tentando superar essa imposição política das classes dominantes.

Oliveira enxerga no currículo um espaço ideológico em que as classes menos favorecidas podem se emancipar a partir da legitimação de sua cultura como forma de conhecimento válido, e, assim como Arroyo, vê nas disputas políticas pelo currículo uma superação dos momentos em que esses currículos – impostos antes por políticas que se apoiavam somente em ideias elitistas – se encontram em tensões que, se não forem saudáveis, são, pelo menos, um sinal de resistência política exercida pelas classes antes subalternizadas nos espaços ideológicos10. Dessa maneira, ao admitir o currículo como algo dinâmico, esses autores dão ares de grande importância da influência dos sujeitos desse atual cenário escolar na confecção cotidiana dos currículos praticados, e essa proposta de currículo voltado para os sujeitos da Educação – de maneira geral, no Ensino Básico e mais especificamente na EJA – no Brasil, tem o cerne de suas proposições no embate ideológico que se estabelece entre as classes, tema recorrente na proposta desses autores. Nesse sentido, o estudo do currículo como processo cotidiano vai de encontro à “ideia, ainda dominante, de que este se resume ao espaço do senso comum e da regulação” (OLIVEIRA, 2009, p. 5). Arroyo e Oliveira veem esse espaço de embate ideológico como um divisor de águas que supera, ainda que a passos lentos, a hegemonia que sempre ditou, a partir dos currículos, aquilo que deveria ser aprendido nas escolas.

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Não pretendemos, aqui, uma longa discussão sociológica sobre a presença cultural das massas hoje (pelo menos, minimamente) legitimadas no contexto nacional. Tendo como referências Arroyo e Oliveira, acreditamos também nessa mudança, ainda que se tenha consciência que as mudanças são cadenciadas. Mas não podemos, aqui, desconsiderar a abertura política e por consequência educacional que, nos últimos anos, se apresentou para classes sociais antes marginalizadas no Brasil, diminuindo as diferenças sociais e o abismo existente entre as classes no que tange às oportunidades pela Educação.

Para Arroyo (2011, p. 13), o currículo tem grande importância política e “um indicador é a quantidade de diretrizes curriculares para a Educação Básica”. Além disso, sua importância estratégica na centralidade política se faz notar também na ênfase que é dada às avaliações propostas pelos governos. Assim, o autor admite que o conservadorismo presente nesses processos muito mais colabora para a manutenção das competências privilegiadas há tempos e de nada corrobora para o fim do controle hegemônico.

Quando Arroyo fala das tensões escolares em relação ao currículo e às avaliações propostas sobre aquilo que se ensina nas escolas do país, esse espaço passa a ser não somente um espaço de disputa interna, mas também da política externa. Para ele, o currículo não é somente um espaço de tensões sociopolíticas nacionais, mas também mundiais.

O currículo internacionalizado vem se tornando comum, principalmente sob a égide de políticas multilaterais, como é fato a presença marcante das imposições de contrapartida delegadas por instituições financeiras como o Banco Mundial.11 Além de uma tendência com base na regulamentação nacional a partir das diretrizes curriculares nacionais, há, também, certa influência internacional na confecção dos currículos onde pode ser observado “um currículo não só nacional, mas internacional, único, avaliado em parâmetros únicos” (ARROYO, 2011, p. 16). Se, por um lado, o fato dos currículos mundializados poderem se configurar como uma conquista – pois são definidos por uma grade onde pessoas do mundo todo possam ter acesso a saberes comuns –, existem também sérios problemas em relação a esse processo. Uma questão comum que pode ser observada é a constante presença de avaliações muito mais condescendentes com os propósitos com os números que se esperam atingir do que com o processo de ensino e aprendizagem vivido pelo aluno. Os investidores multilaterais, nessa direção, se preocupam muito mais com números no mercado do que com o conhecimento disponibilizado às massas. E, nesse sentido, menos ainda com os saberes das classes menos favorecidas.

Acredita-se, assim, que o currículo deveria se configurar como uma importante via da democratização das propostas de ensino nas escolas. Mas as políticas vigentes, principalmente a injeção de capital proporcionada por entidades financeiras multimilionárias, influenciam de maneira direta nas propostas educacionais nos países periféricos. No caso do Brasil, não é diferente, sobretudo por ter um histórico de subalternização e subdesenvolvimento, os agentes multilaterais responsáveis por impor suas concepções de Educação e imprimindo uma filosofia de ensino baseada nos seus ideais políticos, que, de praxe, são oriundos do neoliberalismo, conseguem chegar às salas de aula por meio de conteúdos que devem ser ensinados aos estudantes brasileiros. Nesse âmbito, Arroyo, Oliveira e Apple compactuam da ideia de que os currículos são permeados por

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Para maiores detalhes sobre as políticas e financiamentos educacionais no mundo, ver Haddad et al., Banco Mundial,

ideologias de grupos dominantes, onde se observa, em Arroyo, esse processo de dominação ideológica num sistema macro.

Em relação ao neoliberalismo e suas filosofias, Arroyo defende a ideia de que os simpatizantes dessa corrente procuram proporcionar à população periférica um lugar de subserviência social dentro dos espaços educacionais. Assim como Apple, Arroyo parece buscar o entendimento das relações existentes entre Educação e estrutura econômica; associação do conhecimento e poder.

Nessa direção, acreditamos, a partir das referências aqui discutidas, na importância que a Educação tem de proporcionar aos estudantes noções sobre seus direitos, sobre cidadania e suas vertentes, que de certo modo, são usurpadas por aqueles que detinham (e por muitas vezes ainda detêm) a hegemonia do conhecimento. Essa hegemonia não serve somente para legitimar a maior importância da cultura de uma classe sobre a outra, mas também para auxiliar na manutenção do poder nas mãos de uma pequena fatia social.

Dessa maneira, ao estudarmos o currículo como importante escopo para a Educação, devemos assumi-lo como um espaço de embates ideológicos, onde, se, de um lado, se configura uma nova ordem nacional dentro da Educação, do outro, ainda existe o controle das elites representadas pelo neoliberalismo dos órgãos financiadores da Educação no mundo e por aqueles que defendem a Educação como negócio. Nessa direção, há também que ser considerados alguns resquícios dessa Educação voltada para o capital que ainda tem raízes até mesmo para muitos que acreditam que lutam pela democratização da escola. Entendemos aqui, também, que esse teor político ao qual se referem os teóricos acima discutidos e a dita hegemonia não se configura apenas de classe. Elas, hegemonia e política, são muitas vezes baseadas em preceitos racistas, machistas, homofóbicos, sexistas. Por isso, a importância de enxergar o currículo como lugar de conflito, em especial, nos estudos relacionados à educação de pessoas jovens e adultas.