PREFECTURE DE L'AUDE
DES INFRASTRUCTURES DE TRANSPORT TERRESTRE SUR LA COMMUNE DE COUIZA
3.1 Breve Histórico da Geometria gráfica
As bases da geometria gráfica remontam do século XVIII, com a sistematização das representações de objetos tridimensionais em planos de projeções, na forma bidimensional (Vistas Ortogonais), desenvolvida por Gaspard Monge (1746 - 1818), onde o princípio é a projeção de elementos geométricos tridimensionais em planos projetantes e perpendiculares entre si e que se sobrepõem (Épura) criando as relações entre as projeções dos elementos nestes planos.
O objetivo inicial dessa disciplina era o desenvolvimento de armamentos militares e, posteriormente, foi bastante difundida em faculdades de Engenharia e nos cursos de desenho industrial.
Seu estudo compreende a aplicação em questões práticas, de situações reais, tais como cálculo de declividades para telhados, rampas, estruturas elétricas, seção e interseção de objetos, cálculo da verdadeira grandeza de faces e de retas, bem como a planificação de elementos, a representação de superfícies topográficas, estudos de sombras, entre outros, podendo, também, ser estudado apenas com os
Fig. 3.1 | diagrama esquemático, em perspectiva, exemplificando as projeções de um objeto tridimensional nos planos de projeção de acordo com os vários pontos de vista do observador.
Fonte: http://clubedegeometria.blogspot.com.br/2008/01/ gaspard-monge.html
elementos básicos do desenho: o ponto, a reta e o plano, e suas relações entre si e no espaço tridimensional.
3.2 A Geometria Gráfica nos currículos
A introdução da disciplina de desenho nos currículos das escolas brasileiras se deu com a criação dos Liceus em 1836, escolas que preparavam os alunos para o ingresso na universidade. Neste mesmo período, houve a inserção da disciplina de
desenho linear nas escolas secundárias e de geometria teórica e prática, na escola
Nacional do Rio de Janeiro, para aspirantes ao magistério. Algumas disciplinas de desenho, como geometria descritiva, geometria topográfica e desenho de máquinas, fizeram parte da Escola de Arquitetos Medidores, para a formação de engenheiros civis. Várias outras disciplinas de desenho foram inseridas no ensino das escolas públicas de ensino fundamental e normal.
A proposta do ensino de desenho nos mais variados cursos, aqui no Brasil, ao longo da história educacional, foi de civilizar a população, tornado-a apta para o trabalho na industrialização do país, impulsionados pela revolução industrial, amplamente desenvolvida nos países europeus.
Neste período, o desenho era matéria fundamental nos cursos de Desenho Industrial (hoje, cursos de design), associando as teorias das ciências matemáticas às técnicas artísticas. Atualmente, observa-se a desvalorização da disciplina de desenho nos cursos escolares, principalmente no que se refere aos cursos de nível fundamental e secundário.
Rui Barbosa, político baiano de grande prestígio e relevância no cenário brasileiro, no período da República Velha, atuou na reforma do ensino no final do século XIX. Ele defendia a inserção da disciplina de desenho nos currículos escolares, como um dos fatores essenciais para o desenvolvimento intelectual da população e tecnológico do país. Segundo ele, num de seus escritos intitulado “O desenho e a arte industrial” (1941):
O desenho não é o produto de fantasia ociosa, mas o estudado fruto da observação acumulada. Sem observação, sem experiência, não há desenho. Ele tem a sua coordenação científica; tem a sua classificação necessariamente serial. Esterilizareis todos os vossos esforços, se vos não submeterdes à sucessão normal das suas fases. Que vale debuxar as formas complexas da criação, se não conheceis as formas típicas, os elementos geométricos de toda a beleza? Desenhar a perspectiva, se não
tendes a inteligência clara e prática das suas leis? O modelo em relevo, antes de adestrados na reprodução do modelo plano? A figura, antes de versados na ornamentação vegetal? A cópia servil da estampa, em vez da interpretação estilizada dos objetos presentes? Que presta cultivardes a prática, sem possuir inteligentemente os princípios que regem a distribuição da forma e da cor, ou a adaptação delas aos infinitos recursos que nos subministra a natureza nessas duas direções? (BARBOSA, 1941:17) Porém, o descaso com as disciplinas de desenho de representação, no âmbito escolar, contribui diretamente com a má qualidade das produções literárias de artefatos educacionais, como os livros didáticos. É fato notório que, se não existe interesse na ampliação e disseminação das práticas do desenho descritivo, a atualização dos conteúdos, inseridos no material didático utilizado pelos alunos e docentes das disciplinas de desenho, também não terá relevância para este contexto.
3.3 A geometria gráfica como Linguagem Gráfica Esquemática
O primeiro momento em que uma gravura foi utilizada com objetivo educativo, segundo Febvre & Martin (1992:391), data de 1543, quando Versalio publicou De
humani corporis fabrica libri septe, na Oficina de Oporim, Basiléia, onde
representava diversas faces da anatomia humana.
Fig. 3.2 | Páginas do livro de Versalio. As gravuras serviam como apoio para os
estudos de anatomia humana em 1543. Fonte: http://www.lavoro-
casa.com/2009/03/ladyvalkan-report-il-ruolo-dell%E2%80%99artista-nella- societa%E2%80%99-del-nulla/
Durante todo processo de desenvolvimento das informações visuais, os métodos educacionais se apropriaram de novas linguagens não-verbais para complementar o sentido da linguagem verbal e auxiliar na compreensão das disciplinas. Nesse contexto, surge a definição e diferenciação das linguagens como Linguagem Gráfica Verbal, Linguagem Gráfica Pictórica e Linguagem Gráfica Esquemática, segundo os estudos de Michael Twyman, em 1979.
A Linguagem Gráfica Esquemática trabalha com a ideia de representação de símbolos monossêmicos, ou seja, que possuem significado único, de modo que sua interpretação deve, a priori, ser imediata e precisa.
Seguindo o mesmo raciocínio, a geometria gráfica trabalha com códigos semânticos, os quais possuem um significado específico para a sua aplicação prática, pois, é necessário que o indivíduo que estuda tal conteúdo compreenda os códigos e, consequentemente, saiba onde e como aplicá-los.
Um exemplo prático, no qual podemos citar, é o uso da linha tracejada. O estudioso da área deve, a princípio, estar a par da simbologia utilizada na geometria gráfica e do seu respectivo significado. Ao identificar visualmente este elemento, deve saber imediatamente qual a sua função, dentro do contexto estudado, que pode ser o de representar arestas “invisíveis”, ou seja, aquelas arestas que existem, mas que em determinada representação, encontra-se atrás de outro elemento gráfico.
Quando falamos de esquemas gráficos em livros de geometria gráfica, o ideal é que, na maioria das vezes, o texto impresso venha acompanhado de um gráfico esquemático, corroborando, por exemplo, com a resolução de determinada questão descrita no livro. Obviamente, este gráfico deve ser sempre representado de forma que demonstre clareza e coerência com o texto relativo ao mesmo.
3.4 O livro de Geometria gráfica
O livro, em geral, é um artefato que “organiza e apresenta várias informações em uma embalagem, seja compilando títulos relacionados, aplicando uma ordem sequencial ou combinando informações aleatórias, os livros tornam-se a soma de suas partes” (AMBROSE & HARRIS, 2009:11).
Na Geometria Gráfica, o livro utilizado no ensino possui, em geral, um conteúdo que abrange os conceitos do desenho geométrico, geometria descritiva, sistemas de representações e perspectivas, não necessariamente juntos, num mesmo volume.
De acordo com Carvalho (1959:2), “o desenho geométrico é a própria geometria aplicada, a resolução gráfica de problemas matemáticos, que se dilatam às vezes até a esfera da mecânica, mas traduzindo sempre formas existentes na natureza”. A Geometria Descritiva é a representação bidimensional de objetos tridimensionais, através da qual podemos extrair informações dos elementos como ângulos, verdadeiras grandezas, afastamentos, etc., enquanto que as Perspectivas caracterizam-se pela representação detalhada de objetos em ângulos de visão que procuram simular a visão humana, através de várias técnicas.
Quanto à apresentação desses livros, não existem leis que normatizem a elaboração e produção deste artefato, nesta área. Neste sentido, o curso de Licenciatura em Expressão Gráfica, da UFPE, desenvolveu uma Ficha de Avaliação
de Livros Didáticos de Desenho Geométrico para o Ensino Fundamental, com base
no PNLD para livros de matemática, conforme Anexo 1. O objetivo é de identificar e qualificar os exemplares usados nas disciplinas relacionados à geometria gráfica. Porém, os livros são avaliados de forma empírica, sem os devidos conhecimentos científicos, específicos do design informacional.
De um modo geral, a geometria gráfica abrange todos os conteúdos relativos à geometria bidimensional e tridimensional e tudo que tem relação com a expressão gráfica, que seja aplicada e desenvolvida por meios técnicos próprios. Por esta razão, este documento não possui um método avaliativo específico para os livros didáticos de geometria gráfica utilizados nos diversos níveis de ensino, sejam eles fundamental, médio ou superior.
3.5 Considerações preliminares
Neste capítulo vimos o histórico do desenvolvimento da geometria gráfica e sua importância nas diversas áreas profissionais. Visualizamos a introdução das disciplinas de desenho nas escolas, bem como a sua exclusão na maioria dos
currículos escolares, tornando mais difícil a produção de novos exemplares de livros relativos à geometria gráfica.
Com todos os aspectos descritos, esperamos esclarecer algumas questões que perduram a respeito da ausência de novos exemplares de livros, voltados para o ensino da geometria gráfica, principalmente no que se refere ao ensino de graduação. Esperamos, também, colaborar de alguma forma, para que outros docentes e pesquisadores se emprenhem neste intento de reformulação dos aspectos dos livros em questão.