5. The Mood-Behavior Model
5.3. Informational mood impact
A dimensão técnica do acesso refere-se a integralidade da atenção, acolhimento, vínculo, competência/habilidade, autonomia, projeto terapêutico compartilhado - equipe e usuário e qualidade da atenção (ASSIS; JESUS, 2012).
Muitos participantes destacaram a provisão de serviços de saúde que respondam às necessidades dos usuários de maneira segura, resolutiva e em tempo oportuno como fatores relevantes para o acesso. Nesse contexto, à partir das falas emergiu a categoria qualificação da atenção, que engloba as estratégias facilitadoras do acesso: institucionalização de educação para a saúde, por impactar no desenvolvimento de competências para atuação profissional; garantia da resolubilidade da atenção, percebida pelos participantes como uma estratégia facilitadora do acesso, condição a ser aplicada a todos os níveis de atenção, além do comprometimento, perfil profissional e estabelecimento de vínculo, conforme apresentado na Figura 24:
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Figura 24 - Estratégias que levam a qualificação da atenção:
A institucionalização da educação para a saúde foi considerada estratégia facilitadora do acesso por trazer implicações positivas para a resolubilidade dos serviços e, consequentemente, no acesso em saúde.
Incorporar o ensino e o aprendizado aos serviços de saúde consiste em um dos enfoques da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde, prática em que o foco central é a experiência dos trabalhadores, utilizando a realidade de cada serviço (HETTI et al., 2013).
Outra estratégia para aprimoramento profissional é a educação continuada, que atua para rever e recuperar conhecimentos e habilidades, além de acompanhar as mudanças trazidas pelo progresso científico tecnológico (BATISTA; GONÇALVES, 2011).
Garantir a implementação e execução de ações voltadas ao desenvolvimento e aprimoramento profissional para atuação no SUS, em todos os níveis de atenção, colabora com o desenvolvimento dessa estratégia:
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Figura 25 - Ação para a institucionalização da educação para a saúde:
“O AME está fazendo capacitação para os médicos da atenção básica.”RM1-2
“A gente vem tentando ampliar cada vez mais a oferta em atendimento de
Clínico e a capacitação desses profissionais, para garantir
acompanhamento, tornar a Atenção Básica resolutiva.”GM9-1
“O SAMU está investindo bastante em capacitação das equipes, que multiplicam a formação. O município capacita todas as unidades, não só aqui o pronto atendimento, mas as unidades básicas de saúde também”. GM5-1
Embora o comprometimento, perfil do profissional e estabelecimento de vínculo tenha sido citado como estratégia que qualifica a atenção e potencializam o acesso, a análise das falas, nessa tese, não traz elementos objetivos para inferir sobre como conseguir tais profissionais. Não se identificou na percepção dos participantes, proposições que indiquem como fazer para garantir profissionais comprometidos e com perfil desejável, fato que, no contexto dos dados das entrevistas dos participantes leva ao estabelecimento de vínculo.
O vínculo pode possibilitar a ampliação dos laços relacionais, desenvolvendo afetos e potencializando o processo terapêutico (ASSIS et al., 2015). O resgate da relação interpessoal entre profissional e usuários dos serviços também é um aspecto que qualifica a atenção, devendo ser tratado como um foco de
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atuação para a gestão.
Por isso, o estabelecimento de vínculo é percebido como uma estratégia facilitadora do acesso e tem relação estreita com a disponibilidade do profissional em se comprometer com a atenção. Dentre os participantes, há um único relato inferindo que ter um profissional “nascido no município” possa ser um fator que corrobore com o desenvolvimento de vínculo. As consequências do não estabelecimento de vinculo com os serviços de AB têm implicações negativas para os usuários e também para o sistema de saúde, inclusive no que se refere ao acesso.
Mesmo entendendo que ter esses profissionais seja um grande diferencial, não há uma ação específica para atingir a estratégia conforme nas anteriores.
“O perfil do médico da estratégia de saúde da família faz toda diferença. Eu tenho privilégio de ter médicos que tem perfil adequado”. GM13-1 “Temos um médico com formação de cardiologia, ele atua como clínico e ele é um bom parceiro nessa parte”. GM7-1
“Tenho um pouco de sorte porque tem um médico que é nascido aqui. Ele faz um bom trabalho de acompanhamento, de prevenção e de triagem. Porque ele é daqui, entendeu?! Então tem um vínculo com a população”.
GM4-1
A análise da resolubilidade é um tema multifacetado, que envolve aspectos relativos à demanda, às tecnologias dos serviços de saúde, à existência de um sistema de referência e contrarreferência integrado, à acessibilidade dos serviços, capacitação do capital humano, adesão ao tratamento, aspectos sócio- econômicos e também às expectativas do usuário (TURRINI; LEBRAO; CESAR, 2008).
A resolubilidade envolve aspectos que se relacionam não apenas com a organização da atenção, mas também com a conduta profissional e as relações estabelecidas entre equipe de saúde e usuário (ASSIS et al., 2015).
De acordo com a visão dos participantes, a garantia da resolubilidade da atenção também é estratégia facilitadora do acesso. A garantia de
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acompanhamento pela atenção básica, eficiência do serviço de média complexidade ambulatorial, tempo de resposta do serviço de atendimento pré-hospitalar e especialização do atendimento hospitalar foram considerados elementos qualificadores da atenção, com implicações positivas no acesso dos usuários. Assim, considera-se que ter serviços que atendam as necessidades de saúde na perspectiva da integralidade seja a ação necessária para o desenvolvimento da estratégia:
Figura 26 - Ação para a garantia da resolubilidade da atenção:
“O acompanhamento da estratégia da família é muito bem assistido, é raio X se precisar, eletrocardiograma, tudo é feito por aqui, então ele é bem assistido aqui ” RM12-2
“O que tem de facilidade hoje é uma resposta bem rápida quanto aos encaminhamentos do SAMU”. GM5-1
“Tem um AME que funciona”. GM6-1
“A rapidez da emergência cardiológica é muito grande. Tem um setor específico.” RM10-2
Ter acesso aos serviços não significa apenas obter uma porta de entrada a rede básica ou hospitalar, mas também ter atendimento integral as suas necessidades de saúde, isto sim, um evento transformador da realidade. Só o acesso com qualidade possibilita melhoria na vida das pessoas, considerando-se
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que ao obter acesso aos serviços, elas teriam demandas e necessidades atendidas (ASSIS et al., 2015).