Chapitre II Description et optimisation des paramètres d’influence sur les performances de la technique VMAT
II.1.2 Influence du collimateur multi-lames
A comunidade dos Arturos constitui um agrupamento familiar de negros que habitam um espaço de 6,5 hectares de terra na região suburbana da cidade de Contagem, próximo a Belo Horizonte no Estado de Minas Gerais.
Os fundadores da Comunidade são Arthur Camilo Silvério e Carmelinda Maria da Silva, elos primeiros da grande família. O nome Arturos vem do pai Arthur, marcando esta formação familiar através da descendência direta, Arturos por serem filhos, netos e bisnetos de Arthur. Essa ancestralidade é mantida e transmitida entre as gerações dos Arturos. Segundo Hebe Mattos (2005-2006) os nomes próprios que se repetem em cada geração, ou se transformam em sobrenomes, na família como linhagem, na referência do nome como pertencimento à comunidade, ocorreram em muitas comunidades de senzala no Brasil oitocentista.
Arthur Camilo é filho de Camilo Silvério. De acordo com informações esparsas e incertas, Camilo Silvério teria chegado a Minas Gerais como escravizado, ao que tudo indica no terceiro quartel do século XIX. Casou-se com Felisbina Rita Cândida, de quem não há informação alguma; nem mesmo se ela era forra ou livre à época do casamento. Desta união nasceram alguns filhos. As informações mais precisas
57 são sobre Arthur Camilo, que viria mais tarde a formar seu agrupamento familiar, no qual tem origem a Comunidade dos Arturos.
Em meio a escassa documentação que faz referência ao surgimento da Comunidade, há algumas hipóteses que apresentam a formação da comunidade em torno de um nobre negro, que ao comprar sua alforria, dirigiu-se a Contagem acompanhado de um grupo de negros alforriados. Estabelceu-se onde hoje estão os Arturos como se ali fosse, desde então, um “quilombo legalizado” no qual outros negros fugidos de fazendas na região podiam se integrar à comunidade, recebendo guarida e trabalho (Gomes & Pereira, 2000). Esta hipótese não se confirma nos relatos da comunidade sobre sua própria formação e nem na maioria dos trabalhos escritos sobre a comunidade por diferentes pesquisadores.
Outras fontes indicam a origem familiar pela “transcrição da certidão de pagamento, extraída dos autos de arrolamento dos bens deixados por Camilo Silvério da Silva e Felisbina Rita Cândida”, passada a seus herdeiros, entre os quais se encontrava Arthur Camilo Silvério. Segundo Núbia Gomes & Edimilson Pereira (2000):
Consta no documento que os 6,5 hectares “de terras e campo de cultura, situados mais ou menos no lugar denominado ‘Domingos Pereira’, em Contagem” foram adquiridos “por título particular datado de 2 de novembro de 1888”. Prossegue o documento: “Conforme consta da citada certidão passada pelo escrivão do 2º ofício desta comarca, J. A. Filho, em 25 de março de 1952”. (Gomes & Pereira, 2000, p.165)
Por meio da pesquisa feita por estes autores, dos documentos levantados, assim como da lembrança dos filhos, narrando suas histórias e fazendo a reconstituição dos lugares em que Arthur Camilo viveu, quando constituiu família, na mata do Curiangu (Fazenda do Macuco), região situada entre Caracóis, Esmeralda e Betim, seguindo depois para Domingos Pereira, em Contagem, é que se torna possível constatar a origem familiar da Comunidade.
Não consta também nos registros que Camilo Silvério tenha sido um “nobre negro” que depois de alforriar-se tivesse acolhido outros companheiros, formando um “quilombo legalizado”. Nas informações colhidas até o momento não há a indicação da comunidade dos Arturos como repetição da história de “Xico Rei” (Gomes & Pereira, 2000).
58 Neste sentido, o que prevaleceu e está sendo também levado em consideração é a lembrança dos próprios membros sobre a formação da comunidade, assim como dados revelados em registros no cartório colhidos por outros pesquisadores, que demonstram em documentação a origem das terras. Para Núbia Gomes & Edmilson Pereira (2000), a comunidade baseou-se na organização familiar, com a passagem do patrimônio material, cultural e religioso de uma geração para outra. A oralidade e a memória se apresentam então como um forte elemento de transmissão dos ensinamentos deixados pelos fundadores da comunidade, marcando a continuidade das tradições entre as gerações.
A comunidade segue pautada nos ensinamentos dos pais, ancorados pela religião e pela tradição do Congado que é transmitida entre as diferentes gerações.
É importante ressaltar o Congado, pois esta tradição é vivenciada o ano inteiro, não somente nas duas grandes festas da comunidade, que são: a festa da Abolição que acontece em maio, quando há a rememoração e reinterpretação da Abolição da escravatura e a de outubro, quando é comemorado o aniversário de Nossa Senhora do Rosário. Durante praticamente o ano inteiro, aos domingos, o Congado dos Arturos vai nas festas de outras guardas e Irmandades, retribuindo a visita recebida em sua festa. Somente no período entre dezembro e abril é que não se dança o Congado, retornando após a quaresma no sábado de aleluia. Com esta vivência aos domingos e com os preparativos dos festejos do Congado que começam meses antes, há toda uma vivência desta tradição no cotidiano da comunidade.
As crianças cantam músicas de congado, batem latas imitando os grandes tambores, fazendo o seu cortejo, as mulheres e homens nos seus afazeres diários domésticos muitas vezes cantam, falam sobre isso. Até mesmo nas entrevistas o Congado, mesmo sem ser mencionado, aparecia na conversa, como algo que guia a comunidade, “alimenta” a família dos Arturos, com a fé em Nossa Senhora do Rosário, para que haja a continuidade do que foi transmitido pelo pai Arthur e a mãe Carmelinda, embora esta seja pouco lembrada como referência pela comunidade, figurando nos cânticos principalmente como guia e fortalecedora do espírito familiar.
Há outros festejos que ocorrem na comunidade, como a Folia de Reis que acontece entre dezembro e janeiro, em que se rememoram a jornada dos três Reis Magos; a festa do João do Mato, que é interna, para festejar a colheita do milho, no
59 entanto, já não ocorre há alguns anos. O Candombe para abrir o Congado, o Batuque e festejos de aniversários, casamentos, batizados, que acontecem durante o ano todo, sempre muito alegres, são acompanhados de muita música e dança.
É desta maneira que os Arturos seguem os ensinamentos transmitidos entre as gerações, na tradição que fortalece e direciona o grupo familiar, enfrentando os desafios cotidianos de uma comunidade negra inserida no espaço urbano.