CHAPITRE 3 LES OUTILS DE MESURE DE LA MOBILITÉ
3. LES VARIABLES ET LES INDICATEURS
3.2. Les indicateurs nationaux
O uso da Internet requer dos indivíduos uma aplicação gradual de recursos cognitivos e intelectuais (BRANDTWEINER; KERSCHBAUM; DONAT, 2008; VAN DEURSEN; VAN DIJK, 2010; VAN DIJK, 2005), incluindo crenças, avaliações, percepções, ou simplesmente atitudes, que um indivíduo tem em relação a essa tecnologia. Para categorizar e medir atitudes em relação à Internet foi possível identificar na revisão sistemática realizada frameworks e instrumentos de mensuração.
Conceitualmente, do que se evidenciou, é possível entender que esse construto representa a avaliação individual de um indivíduo em relação ao uso da Internet (HO; KUO; LIN, 2012), manifestando-se por meio de avaliações, sentimentos ou sensações comportamentais individuais (dimensão afetiva) e crenças (dimensão cognitiva) em relação ao uso dessa tecnologia (DONAT; BRANDTWEINER; KERSCHBAUM, 2009; MORSE et al., 2011). Além disso, foi possível perceber que atitudes podem variar e influenciar o uso da Internet de acordo com atividades, habilidades, comportamentos e experiências de um indivíduo com essa tecnologia (ZHANG, 2007).
Em termos de dimensão cognitiva, atitudes em relação à Internet, de uma forma geral, podem incluir crenças sobre o uso dessa tecnologia, como a percepção sobre utilidade, facilidade, autoeficácia, ou controle comportamental. Já em termos de dimensão afetiva, atitudes em relação à Internet podem incluir sentimentos, como ansiedade, divertimento, aversão, conforto, interesse, satisfação, insegurança, otimismo, pessimismo. Para estudar esses fatores, foi possível identificar na literatura o uso de escalas de medição com abordagens generalistas (MORSE et al., 2011; TSAI; LIN; TSAI, 2001; ZHANG, 2007); associadas a frameworks específicos (CHOU et al., 2009;
86 CHOU; WU; CHEN, 2011); ou derivadas de avaliação semântica (BRANDTWEINER; DONAT; KERSCHBAUM, 2010; CASTAÑEDA; RODRÍGUEZ; LUQUE, 2009; DONAT; BRANDTWEINER; KERSCHBAUM, 2009).
Estudos generalistas buscam medir, predominantemente, atitudes em relação à Internet utilizando-se de escalas de concordância do tipo Likert. Nessas escalas, é possível observar itens que incluem aspectos cognitivos, afetivos e comportamentais conjuntamente. Tsai, Lin e Tsai (2001), por exemplo, desenvolveram uma escala com base em avaliações sobre utilidade (percepções sobre os impactos positivos da Internet em relação a indivíduos e a sociedade), afeição (sentimentos e ansiedade em relação ao uso da Internet), controle comportamental (crença sobre a capacidade de uso da Internet de forma independente) e comportamento (atividades e frequência de uso da Internet). Seguindo essa proposição, outros estudos passaram a investigar esses aspectos atitudinais em relação a telefone celular, computadores e Internet (REES; NOYES, 2007), e também autoeficácia (PENG; TSAI; WU, 2006; WU; TSAI, 2006).
Zhang (2007) apresentou uma proposta de escala para estudar atitudes com base em percepções sobre utilidade (percepção de vantagens ou benefícios ao utilizar a Internet), apreciação (percepção sobre gostar ou aprecia usar a Internet), ansiedade (desconforto ou falta de familiaridade em relação ao uso da Internet) e autoeficácia (crença sobre a capacidade de ter habilidades necessárias para usar ou procurar informações na Internet), com base em dois estudos anteriormente realizados (ZHANG, 2002, 2005). Zhang (2005) evidenciou, por exemplo, que as avaliações individuais sobre diversão, ansiedade e autoeficácia contribuíram para a percepção de utilidade sobre o uso da Internet; e que utilidade, diversão e autoeficácia influenciaram o nível de ansiedade (ZHANG, 2005). Seguindo essa proposta, Ho, Kuo e Lin (2012) verificaram que a qualidade de um website mediou totalmente o efeito da influência de atitudes sobre comportamentos de busca na Internet.
Outra escala identificada na literatura foi proposta por Morse et al. (2011). Esses autores desenvolveram uma métrica com base em três estudos com estudantes universitários nos Estados Unidos. Com base nisso, chegaram a uma estrutura fatorial com três fatores: uso geral da Internet, atitudes negativas e facilitação de tarefas. A primeira dimensão reflete o gosto e a apreciação sobre uso da Internet de uma maneira geral, o que se aproxima do que Zhang (2007) propôs como apreciação e Tsai, Lin e Tsai (2001) como afeição. A segunda dimensão consiste de sentimentos sobre desconforto, preferências, desconfiança e inseguranças em relação ao uso da Internet, o
87 que se aproxima da proposição de ansiedade de Zhang (2007). Por fim, em termos de facilitação de tarefas, há uma aproximação em relação à perspectiva de utilidade e capacidade da Internet de facilitar a vida cotidiana. As dimensões atitudes negativas e de facilitação de tarefas sugerem uma dicotomia na percepção individual em relação ao uso dessa tecnologia, podendo representar dois aspectos de avaliação oposta comparativamente entre eles.
Outros estudos incluem evidências similares, contudo se utilizam de frameworks específicos em torno da percepção sobre os papeis que a Internet pode desempenhar na vida das pessoas ou se utilizam de construtos do modelo de aceitação da tecnologia (TAM). Em relação à primeira perspectiva, Chou et al. (2009) estudaram atitudes em relação à Internet com estudantes de ensino fundamental em Taiwan por meio da aplicação do modelo 5T, em que dividem atitudes em relação a essa tecnologia em torno de cinco dimensões: ferramenta (tarefas que podem ser desempenhadas na Internet), brinquedo (apreciação e lazer), telefone (comunicação), território (local para autoexpressão e autoconstrução) e tesouro de informação (disponibilidade de informações). Mais recentemente, Chou, Wu e Chen (2011) adicionaram a dimensão troca (associada a atividades comerciais) com estudantes universitários em Taiwan, estabelecendo o framework 6T.
Estes dois últimos modelos contemplam percepções individuais sobre a Internet em torno das dimensões cognitivas e afetivas. Por exemplo, em termos de ferramenta, os indivíduos expressam sua avaliação sobre o uso dessa tecnologia concernente à utilidade percebida para realização de tarefas. Com relação à dimensão brinquedo, a avaliação ocorre sobre a Internet enquanto instrumento de divertimento e capacidade de entretenimento. Concernente a telefone, avalia-se a Internet como mediadora do estabelecimento e manutenção de comunicação entre as pessoas. Em termos de território, tenta-se identificar as percepções sobre a Internet como local de expressão individual (e.g. emoções). Com relação ao fator tesouro da informação, a avaliação ocorre em torno do caráter informacional da Internet, como facilitadora no processo educacional e de progresso na sociedade. Por fim, a dimensão troca inclui as percepções sobre as possibilidades de realização de transações na Internet (CHOU et al., 2009; CHOU; WU; CHEN, 2011). O modelo 5T e 6T guardam semelhanças com os demais, pois reúnem as avaliações sobre a Internet em torno de aspectos já apresentados, sobretudo se consideradas as dimensões ferramenta, telefone, tesouro da informação e
88 troca, que podem ser representadas por utilidade ou facilitadora de tarefas; brinquedo e território, que podem ser associados à apreciação ou afeição.
Em termos de modelo TAM6, Porter e Donthu (2006) buscaram desenvolver uma versão ampliada da proposição original, incluindo questões avaliativas sobre barreiras de acesso, em complemento aos construtos clássicos de utilidade e facilidade percebida de uso da Internet (representando elementos cognitivos). Porter e Donthu (2006) também incluíram itens para medir o fator afetivo (denominando-o como atitude em relação ao uso da Internet) e tomaram esse aspecto como consequente da utilidade, facilidade e das barreiras de acesso. Shih (2004) também se utilizou do TAM, todavia incluiu a necessidade de informação como determinante da utilidade e facilidade na formação de atitudes em relação à Internet. O modelo TAM toma como premissa que crenças sobre utilidade e facilidade de uso influenciam atitudes e adoção de TICs (DAVIS, 1989). Em comum com as demais proposições verificadas, está o fato de também incluir avaliações em torno de construtos que medem o grau em que um indivíduo percebe uma tecnologia como capaz de melhorar seu desempenho (originalmente, no contexto profissional); e o grau em que utilizar um sistema de informação seria livre de esforço (DAVIS, 1989).
Outra abordagem para o estudo de atitudes em relação à Internet decorre da utilização de escala de diferencial semântico7 para identificar as percepções dos indivíduos sobre essa tecnologia (BRANDTWEINER; DONAT; KERSCHBAUM, 2010; CASTAÑEDA; RODRÍGUEZ; LUQUE, 2009). Nesse tipo de escala, os respondentes avaliam a Internet comparativamente em relação a uma série de atributos de uso (e.g. boa versus ruim; difícil versus fácil; segura versus insegura, etc.). Uma das vantagens desse método seria, segundo Donat, Brandtweiner e Kerschbaum (2009), a possibilidade de comparação entre comportamento e atitude perante o objeto estudado. Ou seja, seria possível verificar, por exemplo, se indivíduos que percebem a Internet de forma mais positiva estariam mais propensos ou utilizariam mais efetivamente essa tecnologia.
6 É preciso ressaltar que o modelo TAM foi originalmente concebido no contexto de estudo de uso
compulsório de um sistema de informação. Com o tempo, passou a ser utilizado para diversos outros tipos de tecnologia. Como foge ao escopo desta tese entrar nessa discussão, recomendamos o trabalho de Lee, Kozar e Larsen (2003), que apresenta maior detalhamento sobre a utilização deste modelo.
7 Escalas de diferencial semântico têm como objetivo mensurar significados psicológicos atitudinais ou de
um objeto por meio de adjetivos bipolares, baseando-se na proposição de que há diversas dimensões de significado conotativo (sugeridos ou implícitos) a serem avaliadas (COOPER; SCHINDLER, 2003).
89 Em termos de resultados, o estudo de Donat, Brandtweiner e Kerschbaum (2009) sugeriu, por exemplo, no âmbito de uma dimensão cognitiva, dois fatores alinhados aos demais modelos apresentados: utilidade e dificuldade. Quando comparadas às percepções de usuários e não usuários da Internet na amostra do estudo, os autores evidenciaram que o primeiro grupo avaliou de forma mais positiva a Internet quanto à utilidade e o segundo grupo tendeu para o fator dificuldade. Comparando o aspecto afetivo de atitudes, Donat, Brandtweiner e Kerschbaum (2009) também evidenciaram que houve um relacionamento positivo entre ser usuário de Internet (em contrapartida a não usuários) e ter uma percepção mais positiva sobre o uso dessa tecnologia.
Em resumo, agregamos no Quadro 4 o conjunto de propostas que têm servido como parâmetro no estudo sobre atitudes em relação à Internet. No tópico seguinte, apresentamos evidências verificadas na literatura sobre antecedentes desse construto.
Atitude Fatores / autores
Afetiva
Apreciação (HO; KUO; LIN, 2012; ZHANG, 2002, 2005, 2007) Avaliação geral (MORSE et al., 2011)
Afeição (DONAT; BRANDTWEINER; KERSCHBAUM, 2009; PENG; TSAI; WU, 2006; TSAI; LIN; TSAI, 2001; WU; TSAI, 2006) Brinquedo (CHOU et al., 2009; CHOU; WU; CHEN, 2011)
Território (CHOU et al., 2009; CHOU; WU; CHEN, 2011) Ansiedade (ZHANG, 2002, 2005, 2007)
Atitudes negativas (MORSE et al., 2011)
Cognitiva
Utilidade (DONAT; BRANDTWEINER; KERSCHBAUM, 2009; HO; KUO; LIN, 2012; PENG; TSAI; WU, 2006; TSAI; LIN; TSAI, 2001; WU; TSAI, 2006; ZHANG, 2002, 2005, 2007)
Utilidade percebida (LEE; TAN; HAMEED, 2005; RAMÓN- JERÓNIMO; PERAL-PERAL; ARENAS-GAITÁN, 2013; SHIH, 2004)
Dificuldade (DONAT; BRANDTWEINER; KERSCHBAUM, 2009) Facilitação de tarefas (MORSE et al., 2011)
Controle comportamental (TSAI; LIN; TSAI, 2001)
Autoeficácia (PENG; TSAI; WU, 2006; WU; TSAI, 2006; ZHANG, 2002, 2005, 2007)
Facilidade percebida (LEE; TAN; HAMEED, 2005; RAMÓN- JERÓNIMO; PERAL-PERAL; ARENAS-GAITÁN, 2013; SHIH, 2004)
Ferramenta (CHOU et al., 2009; CHOU; WU; CHEN, 2011) Telefone (CHOU et al., 2009; CHOU; WU; CHEN, 2011)
Tesouro da Informação (CHOU et al., 2009; CHOU; WU; CHEN, 2011)
Quadro 4 – Fatores atitudinais em relação à Internet Fonte: Elaboração própria.
3.1.4.1 Antecedentes de atitudes em relação à Internet
Sobre fatores que influenciam atitudes em relação à Internet, do que foi evidenciado na revisão sistemática realizada, verifica-se que as pesquisas, predominantemente, estudam
90 como variáveis sociodemográficas, experiência e frequência de uso influenciam a percepção sobre os diversos fatores em relação à utilização dessa tecnologia.
Tsai, Lin e Tsai (2001), por exemplo, em estudo realizado com estudantes secundaristas em Twain, com base nos fatores utilidade, afeição, controle comportamental percebido e comportamento, não evidenciaram diferenças em termos de utilidade em termos de gênero na amostra de estudo. Homens, contudo, expressaram sentimentos mais positivos, menor ansiedade e maior confiança no uso da Internet. Os indivíduos com mais experiência de uso dessa tecnologia também tiveram afeição mais favorável em relação à Internet (TSAI; LIN; TSAI, 2001). Wu e Tsai (2006) também se utilizaram dos fatores de Tsai, Lin e Tsai (2001) para estudar atitudes e autoeficácia com relação à Internet em amostra com estudantes universitários em Taiwan. Wu e Tsai (2006) verificaram que homens (em termos de controle comportamental e autoeficácia), estudantes com maior uso diário da Internet (concernente a autoeficácia) e pós- graduandos expressaram atitudes mais positivas (afeição).
Peng, Tsai e Wu (2006), com base nos mesmos fatores e estudo realizado com estudantes universitários em Twain, evidenciaram que, na amostra estudada, os respondentes expressaram atitudes positivas (homens mais do que mulheres) com relação à Internet, autoeficácia adequada e entenderam a Internet como uma ferramenta funcional. Ainda no âmbito desses fatores, Rees e Noyes (2007) estudaram diferenças de gênero no uso e atitudes em relação a telefone celular, computadores e Internet com jovens ingleses (15 e 16 anos). Os autores evidenciaram que mulheres expressaram atitudes menos favoráveis e maior ansiedade em relação ao uso da Internet.
Zhang (2002) comparou atitudes entre trabalhadores e estudantes universitários norte-americanos com base em uma survey; e utilizou como parâmetro de estudo as dimensões divertimento, utilidade, ansiedade e autoeficácia. De acordo com o autor, trabalhadores, de uma forma geral, expressaram atitudes mais positivas do que estudantes universitários. Todavia, comparando os dois grupos separadamente, Zhang (2002) verificou que estudantes do sexo feminino e trabalhadores do sexo masculino expressaram atitudes mais positivas. Zhang (2005) estudou o uso da Internet por trabalhadores de uma empresa de telecomunicações nos Estados Unidos com base nas dimensões de Zhang (2002). O autor evidenciou diferenças em termos de utilidade e ansiedade em termos de nível de escolaridade, sexo e idade. Ou seja, maior nível de escolaridade, homens e indivíduos mais jovens expressaram atitudes mais positivas em relação ao uso da Internet (ZHANG, 2005).
91 Com base no modelo 5T, Chou et al.(2009), em estudo com estudantes entre 10 e 12 anos em Taiwan, identificaram que eles perceberam a Internet como uma ferramenta útil, principalmente para trabalhos acadêmicos e vida cotidiana; e reconheceram o papel de território (autoexpressão e construção). Já Chou, Wu e Chen (2011), utilizando-se do modelo 6T (ampliação do 5T) em estudo com estudantes universitários em Taiwan, evidenciaram que os fatores mais influentes para esse público foram ferramenta e brinquedo; seguidos de tesouro de informação, território e troca; o menos importante foi telefone. De acordo com os autores, homens (em relação a brinquedo e telefone) e pós-graduandos (em termos de ferramenta, informação e troca) expressaram atitudes mais positivas.
No âmbito do modelo TAM, Porter e Donthu (2006) evidenciaram, em amostra com consumidores norte-americanos, que idade, nível de escolaridade, renda e raça influenciaram crenças sobre a Internet. Utilidade e facilidade de uso influenciaram as percepções dos indivíduos relação à Internet. Shih (2004) também teve objetivo semelhante, em estudo com trabalhadores em Taiwan. Contudo, o autor incluiu a necessidade de informação como determinante da utilidade e facilidade na formação de atitudes em relação à Internet. Ramón-Jerónimo, Peral-Peral e Arenas-Gaitán (2013), em estudo realizado na Espanha com indivíduos com mais de 50 anos de idade, evidenciaram diferenças entre homens e mulheres em relação à percepção de facilidade de uso da Internet. Homens apresentaram maior percepção de facilidade decorrente do nível de divertimento percebido em relação ao uso dessa tecnologia (RAMÓN- JERÓNIMO; PERAL-PERAL; ARENAS-GAITÁN, 2013).
Comparando o aspecto afetivo de atitudes, Donat, Brandtweiner e Kerschbaum (2009) evidenciaram que houve um relacionamento positivo entre ser usuário de Internet (em contrapartida a não usuários); ter nível de educação formal; e atitudes mais positivas em relação a essa tecnologia. Com relação à idade, tanto na dimensão cognitiva quanto afetiva, indivíduos que indicaram ser usuário, com maior nível de escolaridade e menor idade, apresentaram atitudes mais positivas em relação à Internet. Ou seja, expressaram menor dificuldade, maior utilidade e sentimentos mais positivos sobre o uso dessa tecnologia.
Por fim, outros estudos complementam o que foi evidenciado em termos de atitudes e gênero sem, necessariamente, utilizar-se de frameworks específicos. Li e Kirkup (2007) estudaram diferenças no uso e nas atitudes (utilidade, divertimento e estereótipos) em relação à Internet com base numa comparação cultural entre chineses e
92 ingleses, evidenciando que homens expressaram atitudes mais positivas nos dois contextos. Schumacher e Morahan-Martin (2001) investigaram o relacionamento entre experiência com computadores, habilidades e atitudes. Os autores evidenciaram que homens indicaram ter mais habilidades, experiência e conforto com relação ao uso da Internet. Já Durndell e Haag (2002), com intuito de estudar o uso da Internet com estudantes universitários na Romênia e adaptando uma escala de atitude em relação à computadores também verificaram que homens reportaram atitudes mais positivas em relação à Internet. Durndell e Haag (2002) também evidenciaram associação positiva entre intensidade de uso dessa tecnologia e atitudes em relação a ela.
3.1.4.2 Consequentes de atitudes em relação à Internet
Atitudes representam um dos principais fatores que ajudam a compreender o comportamento humano (AJZEN; FISHBEIN, 1977). Por isso, inerente aos estudos que se utilizam desse construto na revisão sistemática de literatura realizada, tem-se a perspectiva de verificação de sua influência sobre o uso da Internet, em geral, abordando o lado informacional dessa tecnologia.
Jackson et al. (2003), por exemplo, em estudo longitudinal no contexto norte- americano, estudou antecedentes e consequentes do uso doméstico da Internet (tempo
online, quantidade de uso diário, websites e mensagens de correio eletrônico enviadas)
em famílias de baixa renda com base em fatores atitudinais de utilidade, confiabilidade, isolamento, saúde e privacidade. Os autores evidenciaram que quanto piores as avaliações sobre os potenciais danos a crianças e para a saúde do indivíduo, menor foi o uso da Internet. Contudo, os participantes que tiveram percepção menos positiva em termos de privacidade e confiabilidade da informação disponível tiveram frequência de utilização maior, mesmo com controle de variáveis sociodemográficas, sugerindo um relacionamento mais complexo do que o esperado entre atitudes e uso da Internet. Concernente a esse tipo de evidência, os autores buscaram explicação com base no perfil dos participantes, que seriam indivíduos menos informados em relação a essa tecnologia e, portanto, teriam menor percepção geral sobre riscos em termos de privacidade e confiabilidade.
Considerando três estágios relativos ao caráter informacional da Internet (necessidade, busca e uso), Shih (2004) verificou que a percepção sobre a importância da informação (representando o contexto inicial de uso) seria capaz de influenciar positivamente avalições sobre utilidade, facilidade e sentimentos em relação à Internet
93 (contexto de busca por informações). Além disso, em conjunto, esses quatro fatores também contribuíram, no estágio de uso, para a percepção de desempenho dos indivíduos (profissionais de Taiwan), ou seja, influenciaram positivamente o sucesso e satisfação com relação ao desempenho no trabalho, o que ajudaria na tomada de decisão e resolução de problemas a partir das informações obtidas por meio da utilização da Internet.
Já Porter e Donthu (2006), considerando no mesmo modelo percepções sobre utilidade, facilidade e barreiras de acesso (custo) à Internet, verificaram, no contexto estadunidense que atitudes em relação à Internet (avaliação do indivíduo quanto ao aspecto positivo, de fazer sentido e de que as pessoas deveriam adotar essa tecnologia) influenciaram positivamente a percepção de frequência em relação ao uso pessoal expressadas pelos indivíduos. Uma particularidade desse estudo foi a observação de que as avaliações sobre utilidade e facilidade tiveram maior efeito sobre o aspecto afetivo do que de custo; idade contribuiu para a percepção de utilidade; e, esta última, em conjunto com nível de educação, influenciou a avaliação sobre facilidade de uso.
Por fim, o estudo sobre o impacto da Internet como canal de informação realizado por Castañeda, Rodriguez e Luque (2009) tomou por base três perspectivas de atitudes: em relação à Internet, a uma marca, em particular, e ao website correspondente a ela. Os autores evidenciaram que a decisão de acessar a página na Internet de uma determinada marca decorreu da atitude individual com relação à Internet de uma maneira geral (considerando a avaliação semântica entre bom e ruim; favorável e desfavorável; e positiva e negativa), ou seja, percebeu-se um efeito direto e positivo entre atitudes em relação a essa tecnologia e ao website.
Uma síntese do que foi apresentado sobre a temática de atitudes está contida no Apêndice B. Em conjunto, essas evidências ressaltam o papel das atitudes sobre diversos aspectos inerentes ao uso da Internet. Com isso em mente, e considerando o que foi evidenciado também na revisão sistemática sobre habilidades, apresentamos, no próximo tópico, proposições para realização do terceiro estudo específico desta tese, no intuito de avançarmos sobre o problema de pesquisa e argumento de tese proposto.