II. Experimental Part
III.2. Perspectives
III.2.1. Implicit Anger and Effort Intensity
As relações entre sociedade contemporânea, informação e tecnologia, abordadas na primeira parte desta dissertação, traçam os fundamentos teóricos básicos para o entendimento da relação entre cidade, política e Internet. Esta delimitação inicial demonstrou que a relação entre sociedade e tecnologia é uma relação de continuidade histórica; não existem rupturas mas sim o estabelecimento gradual de novos paradigmas. A sociedade da informação, ou era da informação é uma categorização que busca colocar o acento nas relações sociais, econômicas e políticas da sociedade contemporânea em sua relação com a informação e com a tecnologia.
Tecno-utopistas apostam nas tecnologias para a recuperação de uma sociabilidade perdida no processo de industrialização da sociedade moderna e acreditam que as tecnologias, per se, possuem uma força motriz capaz de mudar as relações sociais estabelecidas. Tecno- pessimistas acreditam que estas novas tecnologias tendem a aprofundar as discrepâncias criadas na sociedade moderna: a exclusão digital seria um reflexo perverso da exclusão social, e o individualismo seria a marca principal deste momento histórico, aprofundando as vontades individuais em contraste ao bem coletivo. Por fim, os tecno-realistas tendem a uma análise de continuidade histórica, reconhecendo as mudanças que os novos paradigmas vêm causando, reconhecendo seus problemas, e visualizando suas possibilidades futuras.
Neste panorama a informação é entendida como uma importante ferramenta de capacitação do cidadão para o exercício de suas atividades diárias, inclusive na mediação de suas relações com o Estado. A vida cotidiana é constantemente pautada pela relação social com a
informação; o homem necessita de informação para realizar praticamente todas as relações cotidianas que regem a vida, seja para decidir onde vai almoçar, ou para tomar decisões estratégicas em relação a investimentos futuros, o homem contemporâneo necessita de informação.
Nesse processo de intensificação do fluxo informacional o ambiente urbano vem sendo constantemente reestruturado. A relação das cidades com a informação e em especial com o espaço de fluxos vem reestruturando algumas práticas urbanas, possibilitando uma nova forma de vinculação entre o espaço físico e o espaço virtual. A cidade funciona a partir da informação que fornece a seus habitantes. São símbolos que mediam a vida urbana delimitando espaços públicos e privados. Os espaços físicos de uma cidade representam símbolos que carregam sentidos semânticos. Algumas construções, como igrejas, prédios públicos ou monumentos, são desenhados para exercer um papel simbólico perante a sociedade (MITCHELL, 2005). As representações virtuais do ciberespaço não são diferentes. Os espaços virtuais carregam sentidos semânticos próprios, que, muitas vezes, estão vinculados aos sentidos de sua contraparte física. São metáforas que remetem a aspectos do cotidiano. Um site de comércio eletrônico nos remete a grandes lojas de departamento ou a pequenas lojas de artigos especializados, dependendo da característica do site, assim como um site do governo eletrônico municipal nos remete à estrutura política de uma determinada cidade, a suas relações de abertura do estado democrático e de possibilidades participativas.
Esta parte do trabalho está dividida em quatro seções e estas em algumas subseções. Primeiro situar-se-á a questão da cidade e sua relação com o espaço de fluxos, categorizando esta nova forma de apresentação urbana; tentar-se-á demonstrar que a cidade contemporânea está intimamente ligada aos fluxos digitais de informação e comunicação, potencializando novas formas de interações entre as esferas sociais, em especial entre o cidadão e o Estado. É importante, em seguida, delimitar os conceitos de democracia e de deliberação política, para então analisar as possíveis alterações ocorridas na intercessão da vida política cotidiana com o espaço de fluxos, destacando, neste panorama, a importância da informação política para a vivência cívica do cidadão e o governo eletrônico como a representação virtual do Estado. Em seguida, realizaremos uma análise dos serviços públicos e as possíveis alterações quanto à sua disponibilização digital. Por fim, exporemos a importância de pensar estas alterações nas relações da sociedade urbana sem perder de foco a arquitetura do ambiente virtual, estimulando, desta
forma, um desenho interativo, informacionalmente rico, e democraticamente desenhado para estimular a participação política.
2.1 A cidade contemporânea: redes, lugares e fluxos
A cidade é, por natureza, um objeto de estudo complexo. Historiadores, arquitetos, economistas, sociólogos, e urbanistas têm se dedicado intensamente ao entendimento destas construções sociais. Contemporaneamente, a convergência dos espaços de lugares e dos espaços de fluxos vem alterando a conformação das cidades e atraindo pesquisadores de outros campos dos estudos humanos e sociais como da comunicação e da informação.
As cidades são construções sociais, são artefatos, e seu desenvolvimento, da urbe grega às cidades contemporâneas, está intimamente relacionado a dois fatores: a relação do Estado38 com a ordenação do espaço; e com o uso dado pelo cidadão ao espaço urbano, seja ele um espaço público ou privado.
O desenvolvimento das redes digitais de comunicação e informação, em especial da Internet, tem aberto novas possibilidades comunicacionais e informacionais para o desenvolvimento urbano. A cidade, vista como um espaço no qual os fluxos virtuais e os espaços locais são cada dia mais interdependentes (CASTELLS, 2002), passa a distribuir mercadorias incorpóreas, informações virtuais que têm um alto valor agregado na economia contemporânea.
A administração pública municipal passa a se preocupar com o fornecimento e regulação das infra-estruturas de comunicação e informação que se destacam como um importante fator competitivo nos mercados globais e também uma importante ferramenta para o exercício da política (JAMBEIRO, 2006), seja no oferecimento dos serviços públicos digitais ou na abertura do Estado para uma maior participação da sociedade civil (relações estado-cidadão) ou na reformulação das relações da burocracia estatal (relações estado-estado e estado-capital).
Rybczynski (1996), referindo-se à comparação entre a urbanização norte-americana e européia, inicia sua obra com uma pergunta: por que nossas cidades não são assim? Esta pergunta
38 Entendido aqui não como o Estado contemporâneo, mas como as diversas formas de organização política existente no desenvolvimento das sociedades
nos parece muito pertinente ao estudarmos a cidade contemporânea, em especial as relações desta cidade com o espaço de fluxos e de lugares. A resposta a esta pergunta vem no desenvolvimento da argumentação do autor de que a cidade é uma construção histórica, constantemente influenciada por fatores sociais, econômicos e políticos. Segundo ele (1996, p. 28-9) as cidades, como um reflexo do desenvolvimento social, “[...] são construídas não apenas por planejadores, mas também pelas idiossincráticas decisões de muitos cidadãos diferentes”. Nesta mesma linha, Benevolo (2005, p.9) afirma “[...] a cidade permanece uma criação histórica particular, ela não existiu sempre, mas teve um início num dado momento da evolução social [...]”. Essa é a concepção analítica que se adotou no desenvolvimento deste estudo: as relações econômicas, políticas e sociais influenciam diretamente na organização do espaço urbano, seja este um espaço de fluxos ou de lugares.
Para o entendimento da cidade contemporânea é importante perceber que esta configuração se dá por conta de um processo histórico de conformação das estruturas urbanas. Redes, lugares e fluxos não são características exclusivas das cidades contemporâneas, mas características fundamentais da estrutura urbana39, das cidades gregas aos dias de hoje.
2.1.1 As cidades
O desenvolvimento histórico e social das cidades demarcou momentos específicos que caracterizaram estes aglomerados como os conhecemos hoje: primeiramente foram locais seguros criados pelos povos nômades e coletores para que pudessem se estabelecer em determinados lugares e desenvolver as tecnologias de criação e plantação – inicialmente estes povos estabeleceram organizações mais primitivas, as aldeias40, para então se desenvolver
39 É importante destacar que o estudo aqui apresentado está baseado no desenvolvimento das cidades ocidentais. O oriente, com sua conformação política e social apresentou cidades com características diferenciadas que não serão foco deste estudo. Para mais informações acerca do desenvolvimento das cidades – inclusive das cidades orientais – ver a obra História da Cidade, de Leonardo Benevolo (2005).
40 Aldeias são aglomerações mais simples em sua estrutura física e social. Hoje o IBGE (http://www.ibge.gov.br/) define aldeia como a menor aglomeração de habitantes do território nacional, caracterizando-as simplesmente como: “localidade habitada por indígenas”. Benevolo (2005, p.16) vai mais adiante e classifica aldeia como “[...] um fragmento de natureza transformado segundo um projeto humano: compreende os terrenos cultivados para produzir, e não apenas para apropriar do alimento; o abrigo dos homens e dos animais domésticos; os depósitos de alimentos
caracterizando-se como cidades. Há cerca de 5.000 anos algumas aldeias se transformaram em cidades, os produtores passam a produzir um excedente a fim de manter uma população de especialistas (artesãos, mercadores, guerreiros e sacerdotes) que, em suas relações sociais, políticas e econômicas mais intrincadas que as encontradas nas aldeias, desenvolveram um estabelecimento mais complexo: a cidade.
O desenvolvimento das cidades sofreu um primeiro impacto tecnológico com o advento do ferro, do alfabeto e da moeda cunhada, com origem nas cidades Gregas. A cidade se complexifica não apenas em sua relação econômica, mas também política e social: a cidade principesca se transforma na polis aristocrática, ou democrática.
Rybczynski (1996) recorre ao historiador francês Fernand Braudel para sugerir três classificações para as cidades quanto a suas relações externas: as cidades abertas, as cidades fechadas e as cidades dominadas. As cidades gregas da antiguidade são classificadas como cidades abertas. Rybczynski (1996 p. 44) elucida as relações políticas e sociais deste modelo urbano quando afirma que “a linha que separava uma cidade de um país – e o cidadão de uma cidade do de um país – não era muito bem definida [...]”, desta forma, estas cidades não eram abertas apenas pela característica de não serem fisicamente cercadas, mas por possuírem relações sociais extremamente flexíveis quanto à caracterização de seus cidadãos. Benevolo (2005) afirma que as características da convivência civil nestas cidades se pautavam em quatro aspectos principais, dos quais se destacam dois: (1) a cidade é um todo único, onde não existem zonas fechadas e independentes; (2) o espaço da cidade se divide em três zonas: as áreas privadas ocupadas pelas casas de moradia, as áreas sagradas e as áreas públicas.
Percebe-se, já na estrutura das cidades gregas, a importância das relações entre espaços privados e espaços públicos e sua relação com o Estado. O Estado, como personificação do interesse da comunidade, era o administrador direto das áreas públicas, intervindo de forma indireta nas áreas sagradas e particulares. Existia uma dedicação quase integral do cidadão grego à vida pública, desta forma os espaços públicos ganhavam em vitalidade. O espaço público era um local de construção social e política. Como esclarece Benevolo (2005, p. 105) “[...] durante a maior parte do dia vive-se [nas cidades Gregas] ao ar livre. No espaço público ordenado e articulado segundo decisões tomadas em comum pela assembléia”.
produzidos para uma estação inteira ou para períodos mais longos; os utensílios para o cultivo, a criação, a defesa, a ornamentação e o culto”.
As cidades romanas também são caracterizadas como cidades abertas devido a suas relações políticas e sociais, especialmente pela sua descentralização das funções políticas características do final do império. A infra-estrutura tecnológica das cidades romanas trouxe grandes avanços ao desenvolvimento das cidades. Foram os romanos que desenvolveram as primeiras grandes redes de serviços públicos: estradas e pontes que interligaram as cidades do império; linhas fortificadas que protegiam seu território contra invasões inimigas; e redes de água e esgoto que possibilitaram um adensamento demográfico e uma reorganização do espaço urbano.
O Estado romano tinha uma característica de intervenção nos negócios públicos, tomando a responsabilidade de desenvolver as estradas e as redes de esgoto e água. Os espaços privados também se caracterizaram por um grande desenvolvimento social, em especial os negócios que envolviam o comércio e a troca de bens.
Outra inovação das cidades romanas, desta vez no âmbito político, foi o ajuste da democracia direta. Como o império crescia de forma vertiginosa não era mais possível que todos os cidadãos se reunissem para debater os assuntos da vida pública. Desta forma, foi estabelecido o modelo de democracia representativa no qual um conjunto de pessoas era eleito para representar a vontade do povo. O cidadão romano ainda se envolvia cotidianamente com os assuntos públicos, mas o poder de decisão estava nas mãos de representantes que eram eleitos de tempos em tempos pela assembléia de cidadãos.
Após a queda do império romano e a invasão das civilizações bárbaras a vida urbana perde intensidade. As cidades não possuem mais uma característica aberta que possibilita o trânsito de seus habitantes e o comércio entre elas; as cidades se encontram isoladas, fechadas em seus próprios sistemas. Esta conformação urbana ficou conhecida como cidade fechada.
As cidades européias medievais são exemplos clássicos de cidades fechadas. Os burgos eram cidades muradas, isoladas do mundo por barreiras físicas e políticas. Os muros que rodeavam as cidades separavam os burgueses (aqueles que habitavam dentro dos burgos) dos servos. A vida econômica e social do citadino era extremamente restrita. Os locais externos às cidades encontravam-se dominados por invasores, o que impossibilitava qualquer abertura econômica ou política nas relações entre as diversas cidades existentes.
Neste cenário forma-se uma nova vida econômica e civil. A cidade medieval perde em força econômica e política e o poder de influenciar as decisões é transferido para os
proprietários de terras; nascia aí o domínio da aristocracia. Como afirma Benevolo (2005, p.252) “ [...] nesta sociedade rural que forma a base política feudal, as cidades têm um lugar marginal: não funcionam mais como centros administrativos, e em mínima parte como centros de produção e de troca”. Essa relação de influência da aristocracia nas decisões que tangem os assuntos públicos das cidades é o que Braudel apud Rybczynski (1996) chama de cidade dominada.
Uma parte da população, formada principalmente por especialistas, necessitava da cidade para desenvolver suas atividades. Estes artesãos e mercadores começam a viver à margem da organização feudal e a acumular riquezas e influências. Nesta cidade que se desenvolvia às margens das muralhas dos burgos, a população de especialistas – ou a burguesia, como veio a ser posteriormente chamada – é maioria. Esta classe, que crescia de forma vertiginosa, pregava como princípios para o desenvolvimento urbano: a liberdade pessoal, a autonomia judiciária, administrativa e um sistema de taxas proporcionais à renda e destinadas a obras de utilidades públicas. A burguesia surge como um poder particular para então confrontar o poder dos príncipes e religiosos. Esta cidade medieval européia dominada agora pelo interesse da burguesia permanece com características de uma cidade fechada: suas políticas permanecem restritas aos interesses da população local (BENEVOLO, 2005).
Os espaços públicos e privados da cidade medieval não são espaços próximos como nas cidades abertas da antiguidade. Existe um espaço público comum, complexo e unitário que se espalha por toda a cidade no qual se apresentam todos os edifícios públicos e privados. Como afirma Benevolo
o espaço público da cidade tem uma estrutura complexa porque deve dar lugar a diversos poderes: o episcopado, o governo municipal, as ordens religiosas, as corporações. Assim, uma cidade bastante grande nunca tem um único centro: tem um centro religioso (com a catedral e o palácio episcopal), um centro civil (com o palácio municipal), um ou mais centros comerciais com as lojas e os palácios das associações mercantis (Supra, 2005, p. 269).
A tensão formada entre os interesses da burguesia e a manutenção do status requisitada pela aristocracia e os eclesiásticos dominantes fazem com que a cidade volte a ser um local privilegiado de práticas políticas. A burguesia torna-se uma fatia social que exerce uma influência crescente nas decisões destas cidades, pondo em cheque o domínio da aristocracia e da igreja. As forças políticas da cidade medieval estavam em constante atrito de interesses até que a burguesia toma o poder.
Após a disposição urbana no formato dos burgos medievais das cidades fechadas, a próxima grande revolução urbana se dá com a revolução industrial e a mudança do modo de desenvolvimento rural para o industrial. O industrialismo modificou a estrutura da população urbana. As cidades cresceram a níveis nunca antes imaginados, modificando a estrutura da população e aumentando o número de jovens devido à queda da mortalidade infantil. Existe um aumento nos bens de serviços e o aumento da população se liga ao aumento da produção para formar um circulo ascendente: um maior número de habitantes exige um oferecimento maior de serviços públicos que permite um aumento da população. Existe um franco desenvolvimento dos meios de transporte e comunicação, diminuindo distâncias e possibilitando um maior fluxo de mercadorias e pessoas. A popularização do automóvel e do serviço de transporte público faz com que não seja mais necessário morar perto do trabalho e as linhas de ferro e canais navegáveis encurtam distancias entre cidades e países (BENEVOLO, 2005). A cidade industrial do século XIX é mais parecida com a cidade fechada. Como afirma Rybczynski (1996) não existem muros nem portões, mas os limites entre cidade e país continuam bem delimitados.
O desenvolvimento industrial iluminou as cidades, possibilitando que as atividades humanas não ficassem mais restritas à luz do dia (MITCHELL, 2000); diminuiu-se a taxa de mortalidade e aumentou-se a quantidade de jovens no mercado de trabalho; aprimoraram-se os serviços públicos de transporte e saúde; e aumentou-se a mobilidade do homem com o desenvolvimento técnico das comunicações.
Percebe-se com esta análise histórica do desenvolvimento das cidades que as grandes modificações na estrutura urbana estão diretamente vinculadas a modificações no modo de desenvolvimento econômico das civilizações, assim como em sua organização política. A cidade como artefato humano de agregação social nasce devido a uma mudança econômica no modo de desenvolvimento: o homem deixa de ser um nômade coletor e passa a ser criador e agricultor. Mais tarde, Roma agrega características tecnológicas suficientes para fomentar o crescimento urbano a níveis muito maiores que os conhecidos nas antigas cidades gregas; esta mudança no paradigma social fez com que se alterasse a conformação do sistema político; a democracia deixa de ser um modelo no qual o cidadão age diretamente no fazer político para ser representado por um grupo de eleitos, criando as bases para a democracia representativa contemporânea. Por fim, a revolução industrial, estimulada pela classe burguesa, reconfigura as estruturas urbanas alterando substancialmente a organização social e política das sociedades urbanas. A contemporaneidade –
que passa por um momento de transição em seu modo de desenvolvimento – possibilita que as cidades tenham um novo redimensionamento, não em seu tamanho físico, como no caso das revoluções tecnológicas das cidades romanas ou da revolução industrial, mas de sua capacidade de armazenar, processar e distribuir informações. A cidade contemporânea passa a ser um local no qual o espaço de fluxos e de lugares passa a ser cada vez mais interdependente; a economia e a política indicam estar passando por alterações estruturais que os fazem mais adaptativos a este novo momento histórico, tendendo à descentralização de suas atividades.
2.1.2 A cidade contemporânea e a tecnologia digital: a interconectividade das redes de fluxos e de lugares
A cidade, como núcleo de organização social e política, é aqui estudada como uma criação humana que se adapta historicamente. Desta forma, a cidade contemporânea não pode ser vista como uma novidade radical, ou como uma ruptura das consolidadas características das cidades modernas, mas como um processo de adaptação, no qual o uso dado pelos cidadãos está alterando os espaços de lugares a partir dos espaços de fluxos (CASTELLS, 2002; FIRMINO, 2004a; HORAN, 2000; LEMOS, 2001). Estas alterações têm o potencial de afetar a vida cotidiana não apenas nas esferas sociais ou econômicas – como já é largamente observado –, mas também no fazer político.
Desde sua origem, a cidade sempre esteve ligada às relações sociais e econômicas de determinadas comunidades. Foram os interesses econômicos e sociais que fizeram com que as pessoas se juntassem num local específico para que pudessem produzir seus alimentos e criar seus animais, assim como, por estes mesmos motivos, especialistas se uniram a estes aglomerados, complexificando e ampliando as relações locais. O processo que ocorre na cidade contemporânea não é diferente. Hoje, as relações econômicas e sociais vêm sendo alteradas pela inclusão das TIC's como ferramentas de comunicação e informação, e em especial, como ferramentas de potencialização econômica numa sociedade vinculada à produção de informação como um produto gerador de riquezas.
Uma das características da cidade contemporânea é a velocidade de circulação. São