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Chapitre 3: Modélisation du réservoir de stockage de chaleur et des

3.1.3 Implémentation des modèle des conduites thermiques dans

De volta ao tema principal deste capítulo, Horton e McDougal (1998) classificam-no como uma forma de narrativa que tenta representar uma história fílmica prévia através de uma nova leitura. Em outras palavras, podemos inicialmente pensar em remakes como extruturas textuais retrabalhadas. Antes de avançarmos, vamos resolver o problema de taxonomia das palavras remake e adaptação.

Concordamos que um trabalho original pode ser adaptado tanto para a mesma plataforma quanto para outros formatos. Como exemplo, podemos pensar novamente em uma peça de teatro. Esta pode ganhar uma adaptação sempre que um grupo decidir encenar uma nova versão de um texto já existente. Ao mesmo tempo, este processo também é válido quando a adaptação acontece em diferentes plataformas. Neste caso, o texto teatral de Romeu e Julieta pode ser adaptado em formato de livro, de história em quadrinho, de ópera, de série para TV e, não menos comum, em formato de filme.

Já o termo remake dialoga igualmente com extruturas textuais que são retrabalhadas, mas associadas unicamente à sétima arte. Traduzido do inglês, remake significa refazer. A ideia de um filme já existente que é refeito. Não se encontra a mesma utilização da palavra para uma peça ou um livro. Uma peça ganha uma nova adaptação e não um remake.

Como vimos no começo deste capítulo, a ideia do que vem a ser um remake parece confundir parte do público e até da crítica. Ao pensarmos em O morro dos ventos uivantes, a versão lançada em 1998 não é um remake do filme homônimo de 1939. Por ser um trabalho cuja matriz é um texto literário, neste caso o romance de Emily Brontë, temos na obra de 1998 uma nova adaptação e não uma refilmagem do título de 1939. Vamos tentar clarear este caminho.

Concordamos então que o remake pode ser apontado quando um filme já existente, baseado em um roteiro original, ganha uma nova versão. Já a adaptação pode ser compreendida quando temos uma obra fílmica cuja origem vem de fora do mundo cinematográfico, como um livro ou um texto teatral. Neste caso, a aparente refilmagem será na verdade a segunda adaptação deste texto original.

Mesmo com estas classificações, torna-se bastante importante destacar como devemos tomar cuidado com a escolha das palavras para estas definições, uma vez que naturalmente vão existir casos especiais. Acreditamos que a excessão pode acontecer quando for explícito nos créditos do novo filme que o roteiro utilizado na nova versão é baseado não apenas no

livro ou na peça, mas também em um roteiro fílmico e possuir semelhanças com este. Assim, talvez seja possível pontuar a segunda obra como remake. Um exemplo do gênero horror responde como a produção Horror em Amityville, de 2005. Trata-se da segunda versão para o cinema do livro homônimo publicado por Jay Anson em 1977. Uma primeira adaptação foi feita em 1979 tendo gerado inclusive sequências. Pelo que foi visto até o momento, a versão de 2005 seria então uma nova adaptação do livro de 1977 e não um remake do filme de 1979. Mais uma observação detalhada nos créditos da película de 2005 traz a informação de que trata-se de uma obra ―baseada no roteiro de Sandor Stern e baseada no livro de Jay Anson‖28. Stern é o roteirista da versão para o cinema de 1979 e Anson é o escritor do livro. Ao compararmos os títulos de 1979 e 2015 também percebemos pontos bastantes semelhantes entre os dois filmes.

Já a produção O chamado, de 2002, é considerada um remake norte-americano da produção japonesa Ringu, de 1998. No entanto, o filme original é na verdade uma adaptação do livro homônimo escrito por Kôji Suzuki em 1991. Ao analisarmos os créditos da produção norte-americana, consta a informação de que o novo roteiro é assinado por Ehren Kruegs, mas ―baseado no romance ‗O Chamado‘, de Koji Suzuki e no filme ‗O Chamado‘, do The Ring/The Spiral Grupo de Produção‖29

. Além disso, os dois filmes também trazem muitas semelhanças entre os roteiros e que são diferentes do livro30.

Tanto os créditos de Horror em Amityville como em O Chamado trazem a ligação direta com os filmes originais. Os novos títulos também mostram semelhanças narrativas entre as películas. Com estes dados, assumimos que os filmes em questão podem sim responder como refilmagens. De qualquer forma, aqui é importante lembrar que chegamos a esta conclusão não através de uma análise única, mas sim pela soma dos elementos investigados. Mais uma vez, esta análise apenas nos mostra como o estudo de categorizações de remakes não deve ser engessado.

Ao seguirmos na compreensão e características do remake, vamos trazer de volta Neale (2000) quando ele afirma que algumas refilmagens são baseadas em fontes facilmente reconhecidas. No entanto, Neale nos alerta que em certos casos apenas o título é o elemento de união entre o original e o novo filme. Qual seria então o momento em que similaridade se

28

Based on screenplay by Sandor Stern and based on the book by Jay Anson. (Tradução feita pelo autor).

29 Based on the novel ‗The Ring‘, by Koji Suzuki and on the motion picture ‗The Ring‘, by The Ring/The Spiral

Production Group. (Tradução feita pelo autor).

30 No livro, Sadako é hermafrodita e pode sair de qualquer objeto que possa refletir uma imagem, como um

vidro. Em Ringu, Sadako é mulher e sai de televisões. Na refilmagem, Samara também é mostrada como mulher e sai apenas de televisões.

torna uma questão de influência? Vai existir sempre uma forma clara de identificar o remake? Por ser um termo capaz de abraçar muitas possibilidades, alguns autores tentam apontar definições mais diretas para auxiliar na identificação de um filme ser uma refilmagem ou não. Eberwein (1998), por exemplo, tenta listar de forma bastante categórica catorze tipos de refilmagens. São eles: filmes mudos regravados com som, películas sonoras refeitas pelo mesmo diretor e no mesmo país, trabalhos feitos por um diretor que conscientemente copiou os elementos de outros diretores, produções extrangeiras regravadas nos Estados Unidos, títulos com muitos remakes durante o período de transição do cinema mudo para o sonoro, filmes refeitos para serem exibidos na televisão, refilmagens que mudam questões culturais dos originais, remakes que mudam o gênero do personagem principal, títulos que trocam a raça dos personagens, remakes nos quais o mesmo ator interpreta o mesmo personagem, refilmagens de uma sequência, remakes paródicos ou pornográficos, películas coloridas de filmes originais em preto e branco e um trabalho no qual o diretor nega ter feito um remake.

Pela complexidade do tema, esta lista nos parece engessada e com pouco espaço para argumentação sobre um filme específico fazer parte ou não de um grupo de remakes. Este tipo de leitura nos soa como uma fórmula matemática e a temática aqui investigada não se encaixa neste tipo de análise. Verevis (2006) reconhece a dificuldade em categorizar refilmagens ao afirmar que este tipo de produto pode ampliar, ignorar, subverter ou transformar a obra original. Em outras palavras, nem toda refilmagem será facilmente reconhecida simplesmente por ser parecida com a obra original. E o diretor pode ter liberdade para fazer as alterações que julgar necessárias dentro da sua intencionalidade como realizador.

De forma sutil ou brusca, já compreendemos que a refilmagem precisa trazer algo novo para uma história já conhecida. Ao mesmo tempo, independente da opção escolhida pelos novos produtores, o remake provavelmente vai ter algum tipo de ligação com o filme previamente feito. Neste caso, esta ligação pode acontecer em diferentes níveis e nem sempre será clara. Para Verevis (2006), é possível pensar em três tipos de remakes. O primeiro seria o direto31. Este responde como produções que procuram deixar mínimas as diferenças em comparação com os originais possuindo elementos sintáticos e semânticos muito parecidos. Aqui é importante destacar o que Verevis quer dizer com estes dois elementos. Os sintáticos são os próprios títulos, roteiros, extruturas narrativas e característica dos personagens. Já os semânticos são os nomes de personagens, cenários e ação temporal.

Como exemplo de remake direto, podemos citar King Kong, de 2005. Aqui torna-se

31

necessário reforçar que o remake direto possui este nome pelas semelhanças entre os dois filmes, e não porque a refilmagem é uma cópia quase que totalmente idêntica ao original. Como exemplo de cópia, podemos apontar a versão dirigida por Gus Van Sant, em 1998, de Psicose, na qual ele decidiu refilmar a obra original de Alfred Hitchcock quadro por quadro, com os mesmos movimentos de câmera e fala por fala. Para Verevis (2006), este caso não representa um remake, mas sim uma réplica32.

Na segunda definição de Verevis (2006), existem os remakes disfarçados33. Estes fazem poucas alterações nos elementos sintáticos, mas mudam principalmente os pontos semânticos como nomes de personagens, gênero ou raça, questões culturais e temporais. Aqui, podemos citar a produção Aniversária macabro, de 1972, como sendo um remake disfarçado de A fonte da donzela, lançado em 1961.

A fonte da donzela é um filme do diretor sueco Ingmar Bergman. A trama se passa na Suécia do século XIV e tem uma família de fazendeiros como personagens principais. Herr Töre (Max Von Sydon) e Märeta Töre (Birgitta Valberg) são os proprietários da fazenda e pedem para a filha Karin Töre (Birgitta Pettersson), uma adolescente de quinze anos, levar velas para a igreja da região. No caminho da igreja, Karin é estuprada e assassinada por dois pastores de cabras. Quando a noite chega, ironicamente, os criminosos vão pedir comida e abrigo para os pais de Karin, que estranham a filha não ter voltado ainda. Os assassinos, sem imaginar, tentam vender uma peça de roupa de Karin para Märeta. O casal vai arquitetar uma vingança que termina com a morte dos dois assassinos. A fonte da donzela é um filme de drama.

Aniversário macabro foi dirigido pelo norte-americano Wes Craven. A trama se passa em uma área rural dos Estados Unidos do começo da década de 1970. Um casal está a passeio com a filha e uma amiga desta. As jovens decidem caminhar pelo campo quando são perseguidas por criminosos que as estupram e matam. Ao anoitecer, os bandidos vão pedir ajuda e abrigo na casa de uma de suas vítimas, justamente no dia em que uma das garotas faria aniversário. Após descobrirem o que realmente aconteceu com a sua filha, os pais começam a planejar uma terrível vingança contra os seus assassinos. Aniversário macabro é do gênero horror.

32 Claro que dentro de uma leitura mais detalhada, é possivel encontrar algumas diferenças que vão além do

elenco e do novo filme ser colorido enquanto o clássico era em preto e branco. A versão de 1998, por exemplo, vai trazer mais sangue nas cenas de assassinatos, além da inclusão e até mudanças em alguns diálogos assim como alguns planos e movimentos de câmera que não existem no original.

O filme de 1972 mantém alguns elementos sintáticos como a base do roteiro ao apresentar uma família cuja filha é estuprada e assassinada durante um passeio. Sem saber, os assassinos vão pedir abrigo na casa dos parentes da garota e os pais vão então arquitetar uma vingança contra eles. No entanto, praticamente todos os elementos semânticos são diferentes nos dois exemplos. Em Aniversário macabro, a ação se passa na década de 1970, temos uma família norte-amerciana classe média e a direção de Wes Craven traz elementos comuns ao gênero horror com cenas explícitas de violência. Já A fonte da donzela traz a ação para uma área rural sueca do século XIV. A família de protagonista é bastante religiosa e a direção de Bergman utiliza elementos comuns ao drama.

Uma curiosidade é que parece não existir por parte de Craven uma tentativa de aproximação com o texto original, visto que os títulos não são os mesmos34. O roteiro do filme de Bergman foi assinado por Ulla Isaksson. Esta informação não consta nos créditos de Aniversário macabro, que traz o nome de Wes Craven como roteirista. No entanto, na ficha do filme no Internet movie data base35, consta o nome de Isaksson como roteirista não creditado.

Ele (Craven) teve a idéia de refazer o filme de 1960 de Bergman, A fonte da

donzela, como Aniversário macabro, em 1972 - três anos antes de Woody

Allen, ter feito Amor e morte, uma espécie de pastiche baseado na obra de Bergman, entre outros grandes mestres europeus. Craven tirou de A fonte da

donzela a ideia de pessoas prometendo vingança pela violação e assassinato

de sua filha, mas em um estilo muito mais secularizado, ironizado e sensacionalista. (BRADSHAW, 2015).36

Um terceiro formato proposto por Verevis (2006) responde como não-remake37. Estes apresentam tantas diferenças nas questões semânticas e sintáticas entre original e a refilmagem que os exemplos desta categoria, mesmo alguns com os mesmos títulos, possuem mais em comum com os atributos narrativos do gênero ou do ciclo do qual fazem parte do que com a obra original. Verevis utiliza para exemplificar esta categoria os filmes Onze homens e um segredo, de 2001, e Uma saíde de mestre, de 2003. Ambos são remakes de filmes que possuem os mesmos títulos lançados em 1960 e 1969 respectivamente. No entanto, Verevis

34 O título original de Aniversário macabro é The last house on the left, que pode ser traduzido como A última

casa na esquerda.

35 Disponível em: <http://www.imdb.com/title/tt0068833/fullcredits?ref_=tt_ov_st_sm>. Acesso em: 14 jun.

2016.

36

Disponível em: <https://www.theguardian.com/film/filmblog/2015/aug/31/wes-craven-the-mainstream- horror-maestro-inspired-by-ingmar-bergman>. Acesso em: 14 jan. 2017.

nos alerta para o fato das novas produções dialogarem muito mais com características narrativas dos gêneros aos quais pertencem do que com os títulos originais. Para esta categoria, torna-se necessário pontuar o fato de muitos filmes trabalharem as suas tramas dentro de templates.

Além dos pontos destacados até o momento, acreditamos ser importante também investigar e procurar elementos que possam de alguma forma confirmar a relação existente entre original e refilmagem. Uma proposta para fortalecer esta definição que até o momento não foi apontada pelos autores estudados, mas que temos utilizado para aumentar a nossa coleta de dados, responde por investigar os créditos da refilmagem.

Vamos observara como alguns dos originais são apontados pelos remakes nos créditos. Evil dead, de 2013, por exemplo, traz a informaçãoa nos créditos finais que trata-se de um filme ―baseado no filme Evil Dead, escrito por Sam Raimi‖38

. Além de roteirista, Raimi é o diretor do título original, lançado em 1981. Ou seja, esta informação nos créditos já aponta a película de 2013 como claramente tendo relação com o original39.

Outro filme cujo crédito traz uma leitura clara de ligação com o original é Madrugada dos mortos, de 2004. Logo no começo da trama, ainda nos créditos de abertura, consta a informação de que a produção é ―baseada no roteiro de George Romero‖40. Além de diretor, Romero também é o roteirista da versão original41, lançada em 1978. Aqui existe uma segunda possibilidade de identificação visto que não é mencionado o título, mas sim o próprio roteiro e quem o escreveu.

Já os créditos de Sexta-feira 13, de 2009, por exemplo, trazem a informação de que trata-se de uma obra ―baseada nos personagens criados por Victor Miller‖42, roteirista do filme de 1980. Aqui já é possivel perceber uma terceira leitura por se tratar de uma obra baseada nos personagens criados pelo roteirista.

No entanto, precisamos ter cuidado com esta leitura visto que o mesmo tipo de informação ―baseado nos personagens criados por Victor Miller‖ está presente, por exemplo, nas sequências da franquia Sexta-feira 13. Devemos levar em consideração que continuações,

38 Based on the motion picture Evil dead, written by Sam Raimi. (Tradução feita pelo autor).

39 No entanto, uma curiosidade sobre a produção responde pelo Evil dead de 1981 ser na verdade uma adaptação

feita por Raimi de um curta escrito e dirigido por ele próprio em 1978 chamado Within the woods. Trata-se de um projeto de baixíssimo orçamento feito entre amigos cujo roteiro foi expandido para a versão do longa lançada três anos depois. Within the woods pode ser visto como um produto tão amador que não chegou a ser mencionado em nenhuma parte dos créditos de Evil dead.

40 Based on George Romero screenplay. (Tradução feita pelo autor). 41

A versão de 1978 de Dawn of the Dead teve o título no Brasil de Despertar dos Mortos.

assim como refilmagens, precisam obedecer aos direitos autorais das obras originais para existirem. Isto pode inclusive justificar o motivo das sequências trazerem estas informações em seus créditos e Sexta-feira 13 não se trata de um caso isolado. Aliens - o resgate, de 1986, é a sequência de Alien - o oitavo passageiro. Nos créditos de abertura de Aliens - o resgate consta a informação que o filme é ―baseado nos personagens criados por Dan O‘Bannon e Ronald Shusett‖43, roteiristas do primeiro filme. A mesma informação também aparece nos créditos de Alien 3, de 1992, e Alien – a ressurreição, de 1997.

Até o momento, podemos reconhecer o filme como refilmagem muito por elementos como título e semelhanças narrativas da história. A análise dos créditos pode ser útil, mas deve ser utilizada ao lado de uma pesquisa mais completa e não de forma isolada para apontar se o filme é ou não uma refilmagem.

3.1.2 A motivação por trás do remake

Como já vimos, algumas das primeiras refilmagens foram feitas ainda no século XIX. É possível que parte destas surgiu na maioria das vezes porque as cópias originais lançadas anteriormente já estavam gastas ou não sobreviveram ao ainda primário sistema de transporte, armazenamento e processo contínuo de exibição. Mas acreditamos que muito mais importante do que a qualidade da cópia, um dos principais elementos que justificava a refilmagem de uma obra estava presente na própria evolução tecnológica da sétima arte. Cada ano das duas primeiras décadas do cinema, por exemplo, trouxe importantes mudanças técnicas que influenciavam na questão estética dos filmes produzidos no período.

Ao acompanharmos uma leitura desta época, basta pensar que inicialmente as primeiras produções traziam filmes gravados com um único plano, ou seja, sem variação de ângulo por meio de uma câmera posicionada na frente do cenário e, consequentemente, da ação. Não demorou muito para que uma segunda câmera fosse utilizada permitindo uma variação de planos no filme gerando assim os primeiros multi-shot films44. Aqui a noção de plano é referente ao que enquadra a imagem como plano geral, médio e fechado.

Novas técnicas de iluminação, diferentes ângulos, movimentos de câmeras, cortes e efeitos de transições representaram parte das novidades tecnológicas das duas primeiras décadas do cinema. Vamos voltar a falar sobre este processo avolutivo no capítulo três, mas

43

Based on characters created by Dan O‘Bannon and Ronald Shusett. (Tradução feita pelo autor).