I. La projection plasma
I.1. La projection thermique
I.2.7. Impact et formation du dépôt
normativo
Para responder à QD2 - Existem relatos enquadráveis nos quadros referenciais da
orientação para o objectivo de aprendizagem, auto-liderança e compromisso organizacional (categorias a priori), nas narrativas dos pilotos aviadores de diferentes gerações da aviação militar portuguesa?, o presente capítulo tem como referencial teórico a articulação do modelo
conceptualizado no Estudo 2 com os cinco princípios propostos por McAdams e Pals (2006) para a compreensão da individualidade humana. Dito por outras palavras, e de forma respectiva, a articulação das três dimensões consideradas importantes para a compreensão do desempenho distintivo do piloto aviador da Força Aérea Portuguesa (i.e., orientação para o objectivo de aprendizagem, auto-liderança e compromisso organizacional afectivo e normativo), com o modelo integrativo de McAdams e Pals (2006), que advoga um esquema organizativo para compreender
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os diferentes aspectos do indivíduo. Um esquema alicerçado no estudo dos traços disposicionais (Princípio 2), adaptações características (Princípio 3) e narrativas integrativas de vida (Princípio 4), bem como no estabelecimento do que é comum a todos os indivíduos, i.e., à evolução e natureza humana (Princípio 1) e do efeito da cultura (Princípio 5).
Para a consecução deste propósito, a quarta leitura das 10 narrativas de história de vida destinou-se a avaliar se estas três categorias a priori (objectivo de aprendizagem, auto-liderança e compromisso organizacional) se faziam sentir nas narrativas dos entrevistados. E, em caso afirmativo, se a sua presença era transversal aos três coortes geracionais estudados (pilotos aviadores do passado, do presente e do futuro).
Orientação para o objectivo de aprendizagem. A propensão para perceber as falhas, os
erros e as dificuldades como oportunidades para desenvolver a competência pessoal numa dada área, e a tendência para persistir perante a adversidade (Brett & VandeWalle, 1999; Cron, Slocum, VandeWalle, & Fu, 2005; Curral & Marques-Quinteiro, 2009; Horowitz, 2010; VandeWalle, 1997), esteve presente em várias narrativas. Alguns exemplos ilustrativos, retirados das narrativas de entrevistados:
(i) PILAVPassado, no seguimento do relato pormenorizado de uma história pessoal
associada a várias privações e verdadeira ameaça à própria vida:
[…] esta experiência foi de facto a parte mais negra de toda a minha vida. Mas eu tive muita força...o que me salvou, amparou...foi a fé. Emociona-me, mas não fiquei com ódio no meu coração. A minha arma foi a minha fé […]”.
(ii) PILAVFuturo: (i) “[…] era aplicado, e os obstáculos que surgiam eram facilmente
transponíveis.”; (ii) “[Sempre tive] uma grande confiança naquilo que sinto que depende de mim, p. ex., [num curso de qualificação], embora tenha tido dificuldades, nunca pensei que não era para mim.”; (iii) “Gosto muito de uma frase de Fernando Pessoa...acho que é ‘põe tudo o que és, no mais pequeno que fizeres’, porque é importante […] a nossa dedicação.”; (iv) “[…] insisti [problema de saúde], e se não tivesse insistido, não tinha entrado.”; (v) “Tinha dificuldades, mas não vim para cá [AFA/FAP] sem ter a certeza que ia passar […] Podíamos apenas fazer a preparação física, […] pelo que dediquei-me ao site que tinha os testes e a tabela, e treinei.”; (vi) “Quando ponho qualquer coisa na cabeça, até isso se concretizar, vou estar sempre a lutar, [tenho muita] persistência e determinação. Acaba por ser o lado positivo da teimosia, e é por isso que estou aqui [na FAP].”
No fundo, um tipo de orientação alicerçada numa motivação para aprender, desenvolver e melhorar a competência individual, associada à crença de que o esforço que é desenvolvido para fazer frente à complexidade se repercute numa melhoria dos resultados obtidos (Brett & VandeWalle, 1999; Cron et al., 2005; Curral & Marques-Quinteiro, 2009; Horowitz, 2010; VandeWalle, 1997), conforme ilustrado nos seguintes fragmentos de entrevistados:
- PILAVPassado: (i) “Suei muito [...] para entrar para os Quadros […] era muito difícil … [tirocínio
muito exigente], mas, por outro lado, isso dava-me vontade para lutar.” (ii) “Uma pessoa tem que se esforçar, porque se pensa que a vida é feita de coisas fáceis, não dá.”;
- PILAVPresente: “[para concorrer a pilotagem na Academia] escolhi as disciplinas que eram mais
importantes…por exemplo, no 12.º ano fiz Matemática, Física e Química.[…] e comecei a tentar ver o que os pilotos faziam.”;
- PILAVFuturo: “[Pela robustez física] as pessoas diziam ‘não vais conseguir! Mas eu sempre lutei
imenso...aquele era o meu objectivo.[…] Tinha a minha convicção…e lutei contra tudo o que algumas pessoas à minha volta diziam, […] era o que eu queria.”.
Auto-liderança. A capacidade que uma pessoa tem para melhorar o seu próprio
desempenho (Neck & Houghton, 2006), influenciando positivamente a eficácia dos seus resultado (D’Intino et al., 2007; Houghton & Yoho, 2005). Dois exemplos ilustrativos, retirados das narrativas de entrevistados PILAVPassado:
E para chegar [i.e., para ultrapassar as dificuldades do curso, do tirocínio e da vida em geral] [...] uma pessoa tem que conhecer os seus pontos fracos, e se não sabe, então está mal...há que gerir as fraquezas pessoais e transformá-las em pontos fortes ou, então, colmatá-las com os pontos fortes.
[Valorizo] bom senso, sensatez e [ser um] exemplo. Eu vou justificar […sensatez] é uma pessoa que tem capacidade para decidir, para aplicar as regras, para pensar. O sensato […] tem conhecimento do que sabe e sobretudo do que não sabe.
Uma influência, ou uma auto-influência, realizada através de um conjunto de estratégias comportamentais, motivacionais e cognitivas, conforme ilustrado neste fragmento da narrativa de um entrevistado PILAVFuturo:
[As pessoas à minha volta diziam-me] ‘Tens que ter isto e aquilo’, ‘tens que ser isto e aquilo’...’não vais conseguir’, ‘não vais conseguir!’ […] e eu lutei em termos físicos, académicos, mentais. Não desisti com base em preconceitos… [entrar na Academia, ser oficial e piloto da Força Aérea] era mesmo o que eu queria.”
Analisam-se em seguida, e de forma individualizada, algumas estratégias e dimensões de auto-liderança:
- Fixação de objectivos desafiantes e específicos (D’Intino et al., 2007) como forma de ajustar o comportamento e maximizar a performance individual (Marques-Quinteiro, Curral, & Passos, 2010), por exemplo, ilustrados nos fragmentos de três entrevistados PILAVPresente: (i) “Geri
sempre a minha vida por objectivos...objectivos parcelares e atingíveis”; (ii) “As minhas decisões não são muito por impulsos. [Queria concorrer à Academia e, por isso] sempre fiz os meus estudos para ser piloto […] e comecei a ver o que os pilotos faziam”;
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[iii] Sempre tive o sonho de ser piloto ou cirurgião. No final, escolhi a Academia porque para ser piloto tinha que ser nessa altura, enquanto para ser cirurgião, podia ser mais tarde, em qualquer altura. [...] a decisão […] acabou por não ter sido muito difícil porque estabeleci logo aquele critério [do timing], entre fazer já e poder fazer mais tarde. - Criação de recompensas naturais, mediante o desenvolvimento de sentimentos de competência e de auto-determinação (D’Intino et al., 2007), ilustrados em certa medida pelo seguinte fragmento de um entrevistado PILAVFuturo:
Sempre tive uma boa dose de auto-confiança […] mas na parte específica do voo, [sobretudo] o voo de largada [os dias previstos estavam a chegar ao fim e não estava conseguir, só que], eu sabia que tinha que ser ali…e foi então que senti ‘eu vou ser capaz de fazer isto’, e a partir daí o voo melhorou significativamente.
- Desenvolvimento de padrões construtivos de pensamento (D’Intino et al., 2007), mediante verbalizações mentais que se constituem como um reforço da auto-eficácia (Marques- Quinteiro et al.; Williams, 1997), ou seja, a criação de um auto-diálogo positivo (Neck, 1996; Williams, 1997). Dois fragmentos ilustrativos de um entrevistado PILAVPassado, “[…] era muito difícil
[entrar em pilotagem/nos Quadros]…uma pessoa tinha que ir para o quarto, para a cama, e fazer muita reflexão, [até ao ponto de conseguir] dizer ‘eu tenho que chegar lá”, e de um entrevistado PILAVFuturo,
“Sinto que o curso […] foi bastante difícil, mas não me lembro de alguma vez sentir…ou pensar, que não era para mim.”
Compromisso organizacional. A ligação à Força Aérea dos 10 pilotos aviadores
entrevistados, traduzível, por exemplo, na decisão em permanecer na Instituição (Allen & Meyer, 1990; Herscovitch & Meyer, 2002; Meyer & Allen, 1991; Meyer et al., 2004), foi suportada, por um lado, pela própria antiguidade (Sousa, 2011), reflectida numa presença de mais de 25 anos na Instituição de vários destes Oficiais. Por outro lado, pelos resultados da análise de conteúdo das 10 autobiografias guiadas, como sejam os relatos de vivências de identificação com a Instituição, com a carreira militar e com as missões como piloto aviador. Apresentam-se, em seguida, alguns exemplos deste sentimento de elevado agrado em desenvolver uma carreira (ou em passar o resto da carreira) na FAP, elencados numa forma:
- Retrospectiva (PILAVPassado):
A principal decisão da minha vida, não foi a vinda para a Força Aérea...foi a passagem aos QP [Quadros Permanentes], [quando] cheguei à conclusão que queria mesmo ir para a Academia, porque isto era a vida [a carreira] que me interessava [i.e., depois de ter ingressado para a FAP como um meio de antecipar o SMO, para poder depois organizar a vida profissional e pessoal, e ter exercido, com elevado agrado funções como oficial piloto miliciano]. Portanto, essa é a grande decisão da minha vida, concorrer aos quadros e de que nunca me arrependi.
- Presente e prospectiva do curto/médio prazo (PILAVPresente): (i) e subjacente à
“ ‘Quem é que daqui quer ser CEMFA?’ E para os que não levantavam o braço dizia ‘podem ir embora’!”; (ii) “[…] em termos de topo, é ser CEMFA…por isso é que cá andamos...e estamos todos em pé de igualdade...é claro que depois, a decisão política […] é determinante.”; e
[iii] O sonho de futuro é conseguir em cada posição que tenho, levá-la a bom termo. Naturalmente que chefia…quando casei, disse à minha mulher que gostava de um dia ser Chefe [alusão, em modo informal, a CEMFA]. É natural na carreira. Profissionalmente, gostava de ter sucesso na carreira.
- Prospectiva do longo prazo (PILAVFuturo): (i) “Profissionalmente, gostava de ser CEMFA,
associado a uma carreira [...] diversificada e com muitas horas de voo.”; (ii) “Quando vim para a Academia, queria ser piloto. Mas sempre me atraiu muito a carreira militar. [...] quero desempenhar uma função de comando dentro da organização.”; e
[iii] Planos, expectativas e sonhos para o futuro…gostava de ser Comandante da FAP. Gostava que as pessoas vissem valor naquilo que eu fiz, […] poder olhar para trás, daqui a muito tempo […], e ver que a organização é melhor para aqueles que cá ficam. [Identifico- me e] acredito profundamente nas palavras de um General: ‘Não quero ser o tipo de pessoa que diz ‘no meu tempo é que era’. Não! Quero ser o tipo de pessoa que diz ‘agora é que é!’. É este o meu sonho.
- Mista, com o desejo e vínculo emocional (compromisso afectivo), em permanecer ligado à Força Aérea e ao seu Chefe máximo, a aparecer a par do dever moral (compromisso normativo):
Quando sair deste apoio que estou a dar ao CEMFA [identifica a função e exemplos de como o faz] a minha ideia para o futuro próximo é manter uma ligação com a Força Aérea, nesta colaboração gratuita que tenho vindo a dar. Manter-me aqui em actividade.
Dentro da QC, e em resposta à QD2, Existem relatos enquadráveis nos quadros
referenciais da orientação para o objectivo de aprendizagem, auto-liderança e compromisso organizacional (categorias a priori), nas narrativas dos pilotos aviadores de diferentes gerações da aviação militar portuguesa?, são várias as evidências alusivas, tanto implícita
como explicitamente. Sucintamente, algumas destas evidências relacionam-se com: (i) comportamentos para realizar, orientados pela propensão para perceber as dificuldades como oportunidades de crescimento, para persistir a despeito da complexidade e de alguns revezes, e para empreender esforços, a fim de elevar o sucesso dos resultados finais (i.e., orientação para o objectivo de aprendizagem); (ii) uso de estratégias comportamentais (por exemplo, de fixação de objectivos), motivacionais (por exemplo, de criação de recompensas naturais através da escolha selectiva dos aspectos a valorizar na função) e cognitivas (por exemplo, auto-diálogo) destinadas a (auto)influenciar positivamente a eficácia dos resultados individuais (i.e., auto-liderança); (iii) ligação afectiva e normativa dos Oficiais entrevistados face à Força Aérea, reflectida num misto de vontade (desejo) e de sentido de obrigação (dever moral) em permanecer na Instituição e em
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desenvolver uma carreira até, expectavelmente, ao topo (i.e., compromisso organizacional afectivo e normativo).