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I. La projection plasma

I.1.   La projection thermique

I.2.3.   Formation du jet plasma

A memória autobiográfica é um elemento com um significado fundamental para o self, as emoções e a experiência de ser pessoa19 (Conway & Pleydell-Pearce, 2000), revelando-se central

nos estudos sobre a construção narrativa do significado e da história de vida (McAdams, 2001). Corresponde a uma estrutura de memória responsável pela codificação, armazenamento e recuperação de informação relacionada com acontecimentos da vida real e experiências pessoais

18Tradução do inglês “selfhood”. 19Tradução do inglês “personhood”.

(memórias episódicas), sendo a partir desta informação (i.e., dos episódios que são efectivamente lembrados ou recuperados) que uma pessoa constrói e organiza a sua história de vida (McAdams, 2001). Constituindo um sub-conjunto do processamento narrativo (e, por conseguinte, do pensamento narrativo), as memórias autobiográficas permitem ligar os objectivos actuais de uma pessoa com o seu conhecimento autobiográfico, ou seja, com a parte da informação que foi (efectivamente) recuperada de entre a (totalidade) que havia sido recolhida nas narrativas autobiográficas (Singer & Blagov, 2004). Em termos de organização, a memória autobiográfica elenca um conhecimento distribuído por uma hierarquia com três níveis de especificidade (Conway & Pleydell-Pearce, 2000), a saber:

- Períodos de vida, que correspondem a alargadas unidades de tempo na vida de uma pessoa (por exemplo, a vivência de uma relação conjugal ou o desempenho de uma função profissional específica, associando-se a relatos do tipo “ao longo do meu casamento” ou “durante a época em que exerci funções como…”). O que McAdams (2001) designou por capítulos (por exemplo, “Planos, expectativas e sonhos para o futuro);

- Acontecimentos gerais, relacionados com unidades de tempo mais curtas, por comparação com os períodos de vida (por exemplo, “o dia do meu casamento” ou “as reuniões de trabalho intermináveis à data em que exerci funções como…”);

- Conhecimento específico de acontecimentos, relativo a imagens, factos e detalhes, e que corresponde aos episódios nucleares ou cenas da história de vida de McAdams (2001), como sejam o relato da experiência mais positiva e do ponto de viragem.

Uma ferramenta de excelência para o estudo das memórias autobiográficas da narrativa do self nos seus próprios termos, é a autobiografia guiada (ou entrevista autobiográfica guiada). De excelência porque minimiza a influência de terceiros (o autobiógrafo, no decurso do seu acto narrativo, pode, quanto muito, imaginar a presença do outro, o que se repercute num impacto menor ao que teria uma situação de efectiva interacção social), e porque permite produzir a narrativa ao ritmo do próprio narrador e com a profundidade de detalhe por este desejada (Watson, 2010).

A diferença entre a investigação autobiográfica e outros tipos de história pessoal (anedota, conto, parábola, conversa fútil, etc.) passa, fundamentalmente, pelo nível de organização que lhe subjaz e pela validade da informação obtida (Griffiths & MacLeod, 2008), para além da aceitação de que não existem respostas perfeitamente boas nas narrativas de vida e de que os narradores tendem a adaptar, de forma mais ou menos inconsciente, as suas respostas ao contexto, recorrendo, por exemplo, a mecanismos de defesa20 McAdams (1998).

20Entendidos como operações mentais que – a fim de evitar estados excessivos de ansiedade, de aumentar a auto-estima individual ou de

proteger a integração do self – permitem que pensamentos, impulsos e desejos inaceitáveis sejam mantidos fora do estado de consciência (McAdams, 1998).

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A fim de analisar os dados autobiográficos e detectar o funcionamento destas defesas, Alexander (1988, cit. por McAdams, 1998) propôs alguns indicadores, designadamente negação (o que é contraditado ou transformado no seu oposto), omissão (o que é evidenciado pela sua ausência), erro (o que parece ser um engano) e incompletude (o que parece não estar terminado). Frequência, associada ao que surge mais vezes, unicidade, relativa ao que é único ou fora do comum, e ênfase, repercutido no que é sublinhado, são outros indicadores igualmente propostos por Alexander (op. cit.) para o estudo dos dados autobiográficos.

Griffiths e MacLeod (2008), por seu lado, enfatizaram que a robustez da pesquisa autobiográfica passa por dar espaço ao leitor para avaliar a sua solidez, ou, dito por outras palavras, passa pelo investigador nortear a sua pesquisa pela procura de dois grandes princípios: veracidade e validade. Quer um quer outro, através do estabelecimento, preciso e sincero, de quais os factos (local, data, comportamento observável, etc.) presentes nas memórias que são recontadas (Griffiths & MacLeod, 2008). Ainda no tocante à validade, passa também por perceber qual a representatividade do que é relatado face a uma dada temática e a forma como a informação é representada (i.e., os julgamentos que subjazem à sua edição e ao seu enquadramento), entre outros aspectos (Griffiths & MacLeod, 2008).

Neste enquadramento, McAdams (1996), McAdams et al. (2004) e McAdams et al. (2006) propuseram as seguintes categorias para analisar as narrativas:

a. Tom emocional. Cada história tem um tom emocional característico, que varia desde uma extrema positividade (felicidade, alegria, optimismo – pensamento cómico) a uma extrema negatividade (desespero, medo, pessimismo – pensamento trágico).

b. Temas motivacionais. Codificáveis em termos de:

(1) Agência (“agency”), elencando motivações de afirmação, expansão (desenvolvimento) e controlo do self, i.e., procura de autodomínio, autocontrolo, realização e poder. Compreende quatro temáticas: realização/responsabilidade (“achievement/responsibility”), poder/impacto (“power/impact”), autodomínio (“self- mastery”) e estatuto/vitória (“status/victory”).

(2) Comunhão (“communion”), elencando motivações de amor, proximidade e pertença, i.e., procura de amor, intimidade (“intimacy”), cuidar e sentido de pertença a uma comunidade/cultura do colectivo. Compreende quatro temáticas: amor/amizade (“love/friendship”), diálogo (“dialogue”), cuidar/ajudar (“caring/help”) e unidade/união (“unity/togetherness”).

(3) Crescimento pessoal. Procedimento de codificação adicional, alicerçado na teoria da auto-determinação de Deci e Ryan (1991, cit. por McAdams et al., 2006), que varia desde o explícito desenvolvimento do self – reflectido, por exemplo, num report acerca de uma nova lição de vida, uma importante (auto)descoberta ou um aprofundar do (auto)conhecimento/insight – à ausência de evidências relativas a

qualquer tipo de crescimento pessoal. Tem como ponto intermédio relatos, mesmo que vagos e pouco qualificáveis, indiciadores de alguma forma de crescimento. c. Complexidade narrativa. Histórias simples contêm poucas personagens, enredos elementares e desfechos claros. Histórias complexas podem comportar um elevado número de personagens, enredos entrelaçados e com vários significados e desfechos ambíguos. Pode versar múltiplos pontos de vista (por exemplo, a assunção de vários papéis), motivações mistas (por exemplo, fazer algo movido por várias razões conflituantes), experiências emocionais complexas (por exemplo, misturar emoções opostas num dado momento) e aspectos contraditórios do self, e é codificável em termos de pensamento diferencial e integrativo. Diferencial, com respeito à percepção de diferentes dimensões e/ou ao reconhecimento de diferentes perspectivas na abordagem de uma dada questão, e integrativo referente ao estabelecimento de ligações conceptuais entre diferentes dimensões e/ou perspectivas (Baker-Brown et al., s/d).

O presente estudo, comparativo e associado a uma metodologia qualitativa de análise de conteúdo, procurou conhecer melhor os esquemas que os pilotos aviadores de três diferentes gerações – passado, porque em situação de reforma ou reserva; presente, com 16 a 31 anos de carreira; e futuro, com 9 a 15 anos de carreira – têm utilizado para dar sentido à sua experiência e história de vida. Ou, por outras palavras, contribuir para a caracterização do desempenho distintivo do oficial piloto aviador, tomando em consideração as diversidades e semelhanças nos seus esquemas organizativos. Neste âmbito, procurou-se responder à seguinte Questão Central (QC):

QC – Como é que o oficial piloto aviador de diferentes épocas da aviação (geração passada,

presente e futura) entendem a(s) sua(s) história(s) de vida, dão sentido às suas experiências e integram os elementos da sua vida numa unidade com propósito? Ou seja, como é construída e organizada a narrativa dos pilotos aviadores das gerações passada, presente e futura?

Uma QC operacionalizável em quatro Questões Derivadas (QD):

QD1 – Quais as temáticas principais (categorias emergentes) que melhor caracterizam

as narrativas dos pilotos aviadores de diferentes gerações da aviação militar portuguesa?

QD2 – Existem relatos enquadráveis nos quadros referenciais da orientação para o

objectivo de aprendizagem, auto-liderança e compromisso organizacional (categorias a priori), nas narrativas dos pilotos aviadores de diferentes gerações da aviação militar portuguesa?

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QD3 – Qual o tom emocional e o(s) tema(s) motivacional(ais) (categorias a priori) que

melhor caracterizam as narrativas dos pilotos aviadores de diferentes gerações da aviação militar portuguesa?

QD4 – Qual o tipo de complexidade narrativa, em termos de pensamento diferencial e/ou

integrativo (categoria a priori), que melhor caracteriza as narrativas dos pilotos aviadores de diferentes gerações da aviação militar portuguesa?

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