I. La projection plasma
I.4. Conclusion
Reflectir sobre os resultados dos quatro estudos que no seu conjunto constituem a actual investigação, pressupõe ter também presentes algumas considerações metodológicas repercutidas em eventuais limitações. Em concomitância, são descritas algumas das acções que foram desenvolvidas a fim de minorar os efeitos que poderiam resultar destas potenciais limitações e apresentadas propostas de trabalhos futuros.
No que respeita, especificamente, aos estudos de carácter mais quantitativo (Estudos 1, 2 e 3), impõem-se quatro considerações.
A primeira consideração prende-se com o facto das amostras aqui analisadas serem provenientes de um universo muito específico e único na realidade nacional, a Força Aérea Portuguesa. Um facto que inviabiliza generalizações dos resultados para os pilotos em geral (entenda-se, por exemplo, a aviação comercial ou outro tipo de aviação, como seja a desportiva, a agrícola, a de lazer, etc.). Assim, não obstante a presente investigação – ao envolver diferentes focos de análise e, de forma correspondente, mais do que uma amostra, ainda que da mesma realidade –, permitir uma maior abrangência na obtenção de uma compreensão mais enriquecida acerca do piloto aviador, é importante não esquecer que estes resultados alicerçam no voo militar, não devendo, por isso, ser estendidos a outros tipos de voo. Por outro lado, pese embora a realidade do ensino superior público universitário militar, a par do exercício de funções de comando e liderança inerentes à condição de oficial, não ser um exclusivo da Força Aérea, uma eventual generalização destes resultados a outros ramos das Forças Armadas poderá ser pouco prudente, uma vez que a componente de comando e liderança surgiu de forma indirecta, porque associada ao oficial piloto aviador. As amostras aqui estudadas são pois referentes a este universo (eventual
limitação), e não a outros ainda que relacionados com o voo, com a instrução superior militar e/ou
com o exercício de funções de comando e liderança. Estudos futuros deverão, por conseguinte, procurar replicar estes resultados com outras amostras, de forma a aumentar o seu potencial de generalização.
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A segunda consideração liga-se à importância de ter em mente que apesar ter sido utilizado um desenho quasi-longitudinal, que numa lógica desenvolvimentista elencou vários coortes (de alunos e de pilotos aviadores operacionais), a natureza não longitudinal dos dados impõe limitações ao nível das interpretações das relações entre as variáveis. Estudos futuros deverão, se possível, procurar replicar estes resultados mediante uma aplicação repetida das (mesmas) medidas aos (mesmos) respondentes, em dois ou três momentos diferentes, ou seja, um desenho longitudinal.
A terceira consideração reporta-se ao Modelo das Três Componentes (MTC) do Compromisso Organizacional, e subdivide-se em duas partes. Por um lado, face ao trabalho de meta-análise do compromisso desenvolvido por Maltin (2011) ou da análise de cluster/perfis latentes de Meyer et al (2013), que advoga o estudo desta matéria sob uma perspectiva multidimensional, que passa pela definição de perfis de compromisso. Por outro lado, face à advertência de uma franja de investigadores, como Solinger et al. (2008), de que pese embora o papel dominante do MTC nas investigações sobre o compromisso organizacional, este modelo, quando submetido a uma análise conceptual, falha o propósito de se qualificar como um modelo geral de compromisso organizacional, apresentando-se, pelo contrário, como um modelo específico para prever o turnover, sugerindo, então, que o seu uso fique restrito, ou limitado, a esta finalidade. Apesar desta posição não espelhar o consenso da comunidade científica, decidiu- se seguir uma abordagem cautelosa, balizando a discussão dos resultados ao teorizado em literatura percebida como sendo de referência. Estudos futuros deverão, se possível, envolver outras medidas da dimensão de compromisso organizacional e elencar o estudo de diferentes perfis (Maltin, 2011; Meyer et al., 2013).
A quarta e última consideração, decorre do facto de que sendo a maior parte dos dados recolhidos proveniente de questionários de auto-relato (uma única fonte de informação), as correlações poderem ser afectadas pelo método da variância comum (Podsakoff et al., 2003). Uma ilação questionada por alguns investigadores (caso de Spector, 2006), ao advogar a tendência da literatura para distorcer e sobrevalorizar esta questão. Isto porque, se este efeito introduzisse enviesamentos comuns nas variáveis, deveria ser possível encontrar um nível base (baseline) de correlações entre todas as variáveis, e a menos que o efeito fosse de tal modo fraco para ser tido como inócuo, tais correlações seriam facilmente detectáveis e reflectidas na literatura publicada (Spector, 2006). Considerando que esta não tem sido a realidade, o método da variância comum afigura-se uma espécie de “mito urbano” (Spector, 2006). Conquanto não existir consenso relativamente à presença do método da variância comum, optou-se por minimizar o eventual impacto desta variância comum, seguindo-se uma abordagem mais conservadora e conforme com recomendações de natureza procedimental e estatística de Podsakoff et al. (2003). Assim, ao nível procedimental, foram dadas garantias do anonimato e confidencialidade das respostas, bem como da inexistência de respostas certas ou erradas. Garantias dadas tanto por escrito, nas instruções
de preenchimento dos questionários, como oralmente, aquando da sua aplicação em registo face- a-face. Em termos estatísticos, foram realizadas análises factoriais confirmatórias para avaliar se os resultados eram, ou não, significativamente afectados pelo método da variância. Em concreto, foi realizado o teste de Harman proposto por Podsakoff et al. (2003), a fim de verificar se a bondade de ajustamento de um modelo (modelo A) em que todos as variáveis manifestas (itens) fossem carregadas num único factor, era superior à de um outro modelo (modelo B) em que os itens se relacionavam com as variáveis latentes conceptualmente definidas (modelos de medida). Uma superioridade que, a confirmar-se, seria indicadora de que os resultados encontrados estariam significativamente influenciados pelo método da variância comum. Na presente investigação, contudo, os resultados das análises confirmatórias indicaram o(s) modelo(s) B como aquele(s) que melhor se ajustava(m) aos dados, o que permitiu concluir que os resultados não estavam influenciados pelo método da variância comum (Podsakoff et al., 2003). Sucintamente, independentemente do método da variância comum poder fazer-se sentir ou tratar-se de um “mito urbano”, a abordagem mais conservadora aqui seguida – recomendações de natureza procedimental e estatística de Podsakoff et al. (2003) acima descritas –, concorreu fortemente para que este método não se constituísse como uma limitação da presente investigação. Neste âmbito,
estudos futuros deverão ser desenhados em conformidade com estas recomendações.
Específico ao Estudo 4, de índole mais qualitativa, levanta-se uma consideração associada ao uso da entrevista, em detrimento do registo escrito, como forma de recolher informação autobiográfica e de história de vida. Embora se tivessem reconhecido vantagens numa metodologia de recolha de informação sob a forma escrita – como por exemplo dar tempo para pensar sem estar face a pressões exteriores, e ser uma experiência privada, em que autor e audiência são um mesmo, ficando a coerência grandemente dependente da memória e imaginação do próprio, e não das expectativas sociais (Horrocks & Callahan, 2006) – a abordagem escolhida foi a entrevista. No processo da sua eleição foram fundamentalmente valorados os critérios da relação de confiança e da riqueza da informação obtida através do contacto face-a- face, linguagem não-verbal e, quando pertinente, da possibilidade de um on time aprofundamento de informação. Porque estes critérios mais valorados foram efectivamente respondidos pela entrevista, o recurso a esta metodologia como forma de recolher dados autobiográficos não levantou significativas limitações. Ainda assim, estudos futuros deverão, se possível e numa perspectiva de um enriquecimento ainda maior dos relatos obtidos, fazer um uso combinado destas duas metodologias.
Em resumo final, foram aqui elencadas algumas considerações que, embora não tenham
minorado de forma significativa as mais-valias do presente trabalho de doutoramento, deverão estar presentes nas conclusões e implicações retiradas dos estudos desenvolvidos, e ser alvo de
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apreciação em estudos futuros. Em concreto: (i) a especificidade das amostras delimitar as generalizações à população alvo desta investigação; (ii) o tipo de interpretações acerca das relações entre as variáveis circunscrever-se à natureza não-longitudinal dos dados; (iii) o leque de análises estatísticas desenvolvido estar contido não só pelo propósito da investigação, mas também pelo tamanho da amostra; (iv) os dados provenientes da análise da variável do compromisso organizacional estarem fundamentalmente balizados pelo quadro conceptual de Allen e Meyer (1990) e Meyer e Allen (1991); (v) a presença do método da variância comum, ainda que percebida como um mito urbano (por exemplo, por Spector, 2006), dever ser controlada à luz das recomendações de natureza procedimental e estatística de Podsakoff et al. (2003); (vi) o uso da entrevista autobiográfica, embora podendo ser complementada pelo relato escrito, não se dever fazer substituir por este último, uma vez que a informação recolhida no contacto directo (de face- a-face) constitui-se como um catalisador de um trabalho muito diferenciado e bastante elaborado.
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