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Dans le document La santé des élèves de 11 à 15 ans (Page 113-120)

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RECOMENTAÇÕES PARA INVESTIGAÇÃO FUTURA

8.1CONSIDERAÇÕES FINAIS

O microcrédito é reconhecido em todo o mundo como uma ferramenta com caraterísticas inovadoras e eficaz no combate à pobreza e à exclusão social. Devido ao grande sucesso que alcançou no Bangladesh, rapidamente se expandiu para outros países, tendo chegado a Portugal em 1998 através da ANDC, instituição responsável pela introdução microcrédito no nosso país e ao qual se tem dedicado em exclusivo. Neste sentido, decidiu-se realizar o estudo com recurso à base de dados e aos beneficiários do microcrédito apoiados pela ANDC, utilizando-se como método de recolha de informação complementar, um inquérito presencial, aplicado a 100% da população, pois considerou-se que este seria melhor método porque estávamos perante uma população pequena e era importante assegurar o maior número de respostas válidas.

O objetivo deste estudo é avaliar o impacto do microcrédito no rendimento monetário líquido das famílias beneficiárias na região de Trás-os-Montes e Alto Douro. A investigação realizada permite apresentar duas conclusões principais:

 Neste estudo foi comprovado que o microcrédito teve um impacto estatisticamente significativo no rendimento das famílias beneficiárias da região de Trás-os-Montes e Alto Douro. Pode-se então concluir, que o microcrédito nesta região, aos que tem chegado, tem sido um instrumento eficaz na luta contra a pobreza e a exclusão social;  Além do impacto sobre o rendimento monetário líquido, foram apresentados, objeto

apenas de um tratamento estatístico, impactos do microcrédito noutras dimensões da inclusão social. Demonstrou-se que, o microcrédito teve um impacto positivo na região de Trás-os-Montes e Alto Douro na componente aquisição de viatura e/ou aquisição/melhoramento de habitações próprias, na componente autoestima e motivação dos beneficiários e na componente melhoramento das suas habilitações literárias, apesar dos resultados apresentados neste último indicador estarem abaixo das expectativas. A existência de outros impactos provocados pelo microcrédito, vem reforçar aquilo que foi referido no parágrafo anterior relativamente ao microcrédito como medida eficaz no combate à pobreza e à exclusão social.

Na análise do impacto do microcrédito sobre o rendimento das famílias, a metodologia utilizada baseou-se num estudo econométrico, que evidenciou que o microcrédito tem um

86 impacto positivo no rendimento monetário líquido das famílias que já beneficiaram do programa há algum tempo. Para além desta conclusão, é possível afirmar que, este impacto é mais significativo nos beneficiários que na altura da apresentação do projeto de microcrédito tinham, pelo menos três anos de experiência profissional naquele ramo de atividade e que partiram inicialmente de uma situação de desemprego, sendo estes últimos, os principais alvos do microcrédito. Esperava-se também previamente que esse impacto fosse mais significativo nos beneficiários que na altura da apresentação do projeto de microcrédito, tivessem pelo menos o 12.º ano de escolaridade. Após a análise, esta teoria não se confirmou, contraditando o estudo realizado a nível nacional por Mendes (2007), no qual esta variável foi estatisticamente significativa com um nível de significância de 10%. Este acontecimento pode decorrer do facto de nesta região em específico, existirem muitos pequenos negócios apoiados pela ANDC ligados ao ramo da agricultura, em que o fator habilitações não assume uma grande preponderância para o sucesso do negócio. O fator saber-fazer assume nestes casos uma maior importância.

Uma última nota, é apenas para referir que o crédito concedido aos beneficiários da região de Trás-os-Montes e Alto Douro, gera acréscimos no rendimento muito significativos para o empresário, já tendo em conta o reembolso do empréstimo e dos respetivos juros. Assim sendo, os resultados dos indicadores estimados neste trabalho, permitem-nos pensar que os recursos afetos à arquitetura do microcrédito nesta região do país têm produzido resultados positivos e os custos têm sido superados pelos benefícios.

8.2LIMITAÇÕES

Relativamente às limitações, existiram algumas, mas que não colocaram em causa a realização e precisão deste estudo. Inicialmente estava previsto realizar este estudo utilizando apenas, uma metodologia com base numa análise da base de dados da ANDC. Como a informação disponível na base de dados era insuficiente, recorreu-se a um questionário presencial, por forma a ultrapassar esta limitação, o que encareceu bastante a realização do estudo. Na aplicação do questionário, estava previsto contactar 100% da população. Mais uma vez, por desatualização ou falta de informação no ficheiro contactos da base de dados, existiram 5 casos que não foi possível localizar.

Após a obtenção do empréstimo, é realizado pelos técnicos da ANDC um acompanhamento aos beneficiários do microcrédito durante o período do empréstimo, por forma a ajudá-los na implementação do negócio, que salvo raras exceções, ronda os 3 ou 4 anos. Grande parte dos

87 beneficiários que já não estavam nesta fase de acompanhamento, perderam por completo a ligação com a ANDC e por isso, foram muito difíceis de contactar.

8.3RECOMENDAÇÕES PARA INVESTIGAÇÃO FUTURA

No que diz respeito a recomendações para investigação futura, na análise estatística sobre o impacto do microcrédito noutras dimensões da inclusão social, verificou-se que 25% dos beneficiários inquiridos que já tinham aderido ao microcrédito há algum tempo, por forma a pertencerem ao grupo de tratamento, tinham desistido ou suspenso o seu negócio apoiado pelo projeto de microcrédito. Um promotor pode desistir ou suspender o seu negócio por razões muito diversas, como sejam a falta de rentabilidade do negócio, insuficiência de fundo maneio, questões familiares, surgimento de uma oportunidade de trabalho melhor, entre outras. A identificação das causas que levaram ao encerramento dos negócios é um fator relevante em termos de análise de impacto do microcrédito e poderá ser uma boa pista para uma nova investigação, por forma a identificar fatores de risco dos projetos, com o objetivo de contribuir para o melhoramento das fases preparação e análise dos projetos de negócio e desenvolver os serviços de acompanhamento.

Em termos académicos, até onde nos foi possível investigar, este foi o primeiro estudo regional realizado sobre o impacto do microcrédito no rendimento das famílias. Por diversas razões já apresentadas, a região de Trás os Montes e Alto Douro localizada no interior de Portugal foi a região escolhida para a realização deste estudo. Por forma a comparar dados, seria pertinente realizar um estudo desta natureza numa região com caraterísticas opostas, nomeadamente uma região do litoral de Portugal.

Este estudo foi realizado com base nos beneficiários de microcrédito apoiados pela ANDC, no entanto, como foi referido no capítulo 5 deste trabalho, atualmente em Portugal, existem outras instituições a promover o microcrédito. Daqui resulta uma última sugestão para investigações futuras, que passa pelo alargamento deste estudo a outras experiências de âmbito local e nacional, procurando enriquecer a análise do impacto do microcrédito no rendimento monetário líquido dos beneficiários.

Por fim, para além dos impactos provocados pelo microcrédito nos seus beneficiários apresentados neste estudo, existe a certeza de que existem muitos mais, alguns deles já apresentados noutros estudos e outros que ainda estão para ser descobertos, o que não deixa de ser uma boa pista para investigações futuras.

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