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Matos (2004) descreve que, a partir da Segunda Guerra Mundial, nos países mais desenvolvidos da Europa e nos Estados Unidos, o ritmo do crescimento das redes rodoviárias chegou ao seu auge. Nesse período o processo de ampliação da malha rodoviária de países em desenvolvimento, como o Brasil, estava apenas começando. Nos países em desenvolvimento, em função das restrições financeiras e crises econômicas, espera-se que o ritmo de crescimento da malha rodoviária apresente uma redução e o foco mude para as atividades de conservação e restauração.

De acordo com Fernandes Jr (2001), a administração pública encontra muitos problemas nos processos de gerencia de infraestrutura urbana em razão da falta de recursos. A inexistência de uma política para a gerência do sistema viário contribui para o desperdício de recursos financeiros, de equipamentos e mão de obra.

No Brasil, de acordo com a CNT (2017), houve uma redução dos investimentos públicos federais no setor de transportes, como pode ser visto na Figura 3. Isso evidencia ainda mais que devido as restrições econômicas, juntamente com as exigências dos órgãos financeiros internacionais quanto a rentabilidade dos

investimentos, há a necessidade de as administrações adotarem políticas voltadas para a manutenção e recuperação da rede existente. É nesse contexto que a gerência de pavimentos tem potencial para melhorar a rentabilidade dos investimentos nesse setor (MATOS, 2004).

Figura 3 - Investimentos públicos federais/PIB Fonte: CNT (2017)

Visconti (2000) ressalta que a adoção de um SGP por um órgão rodoviário pode trazer benefícios para os usuários e a população de uma forma geral, devido a uma aplicação mais eficiente dos recursos em obras rodoviárias.

Porém, Haas et al. (1994) explicam que a gerência de pavimentos não é uma atividade simples e requer uma abordagem organizada e sistemática. Em seu sentido mais amplo, a gerência de pavimentos inclui todas as atividades envolvidas no planejamento, programação, projeto, construção, manutenção e reabilitação do pavimento. Um SGP tem as ferramentas para fornecer uma metodologia organizada, contribuir positivamente para a tomada de decisões e na busca de estratégias ideais para manter o pavimento em condições aceitáveis em um período de tempo.

Fernandes Jr (2001) comenta que os Sistemas de Gerência de Pavimento tem potencial concreto para avançar de um esquema tradicional de manutenção para um sistema de manutenção planejada, onde sua atuação pode ir além da solução imediata dos problemas, visando um trabalho de prevenção que prolongue a vida útil do pavimento, garantindo padrões mínimos de serviço. Reforça que a gerência de

pavimentos começa com a coleta e análise dos dados, terminando apenas com a seleção das estratégias de manutenção e previsão orçamentária. Além disso, busca otimizar a alocação de recursos, prevendo a evolução da condição do pavimento e estimando os períodos e custos de manutenção e reabilitação. Consequentemente, traz um melhor retorno para os recursos investidos, oferecendo pavimentos mais seguros, econômicos e confortáveis aos usuários.

De acordo com a visão de Matos (2004), um SGP tem por principais objetivos: I. Definição das políticas de manutenção rodoviária;

II. Redução da deterioração da malha rodoviária; III. Redução dos custos de operação dos veículos;

IV. Desenvolvimento econômico através da redução dos custos no transporte rodoviário;

V. Definir uma base sólida para a alocação de recursos e otimização dos orçamentos de obras;

VI. Elaboração de programas de manutenção de longo prazo.

A partir desses objetivos, Matos (2004) ressalta a importância da implantação de um SGP para que as atividades relacionadas ao gerenciamento fiquem mais simples e eficazes.

Visconti (2000) exemplifica a sequência lógica das atividades que envolvem a estrutura geral de um SGP, como pode ser visto na Figura 4.

Figura 4 - Estrutura simplificada SGP Fonte: Visconti (2000)

De acordo com o Manual de Gerência de Pavimentos do DNIT (2011), na implementação de um SGP, a avaliação de pavimentos é uma das etapas mais importantes. Além de tratar do ponto de partida para as futuras decisões, essa atividade possibilita que sejam definidas as condições funcionais, estruturais e operacionais do pavimento.

Visconti (2000) afirma que o processo de avaliação periódica dos pavimentos consiste na obtenção de todos os dados e informações necessárias para que se possa alcançar os objetivos do SGP. Ressalta também que é a etapa mais difícil e importante de um sistema gerencial e que, de nada adiantará um modelo sofisticado para definição das prioridades de investimentos, se os dados de entrada para o modelo não forem confiáveis.

2.6.1 Estrutura de um SGP

Zanchetta (2017) explica que, convencionalmente, o processo de tomada de decisão em um SGP é dividido em nível de rede e nível de projeto. No nível de rede, através de análises, são definidos os trechos que receberão manutenção. Já no nível de projeto, são determinadas características técnicas do pavimento, como espessura e tipo de camada, por exemplo.

O Manual de Gerência de Pavimentos do DNIT (2011) explica que, para se obter a otimização do Sistema de Gerência de Pavimentos, é necessário que ocorra a perfeita integração entre os níveis de decisão, o que não uma tarefa fácil. Uma forma de se verificar a otimização e a eficácia do uso de um SGP pode ser feita através de uma análise da coerência dos resultados obtidos em nível de projeto com o planejamento em nível de rede.

Na Figura 5 é possível observar os níveis de um sistema de gerência de pavimentos e seus processos de forma simplificada.

Figura 5 - Níveis de gerência de um SGP Fonte: Adaptado de Haas et al. (1994)

2.6.1.1 Nível de Rede

Zanchetta (2017) comenta que as decisões tomadas em nível de rede levam em consideração um grande número de trechos, ou até mesmo uma rede viária inteira, e, por isso, deve-se levantar as características julgadas necessárias para tomar as decisões pertinentes. Para isso, deve-se ter pleno conhecimento dos recursos disponíveis, tanto financeiro, humano e equipamentos, para realizar qualquer intervenção caso seja necessário.

De acordo com o Manual de Gerência de Pavimentos do DNIT (2011), a gerência em nível de rede tem por objetivo indicar os trechos prioritários da malha rodoviária que devem ser objeto de investigação, de forma que os recursos públicos alocados para um determinado período tenham o melhor retorno econômico.

O SGP em nível de rede estuda uma grande área onde encontram-se muitas rodovias, buscando-se o conhecimento da malha como um todo. As atividades relacionadas a coleta de dados são de grande importância em um SGP, por serem fontes de embasamento das análises e das decisões de destinação de recursos. Desta forma as informações devem ser obtidas com agilidade e confiabilidade. Para muitos administradores, a coleta de dados é o componente mais representativo nos custos de um SGP e, por isso, cada vez mais busca-se a utilização de equipamentos

automatizados, que permitam a aquisição dos dados de forma mais rápida e com o mínimo de interferência no fluxo normal do tráfego (DNIT, 2011).

2.6.1.2 Nível de Projeto

O Manual de Gerência de Pavimentos (DNIT, 2011) descreve que a gerência em nível de projeto envolve atividades detalhadas do próprio projeto de dimensionamento e da execução de obras de um trecho específico.

Fernandes Jr (2001) explica que, na gerência em nível de projeto, ocorre a tomada das decisões técnicas para projetos específicos, ou seja, há um detalhamento nas atividades de projeto, construção, manutenção ou reabilitação para um determinado trecho de pavimento. Com isso, adota-se uma estratégia que deverá ser escolhida a partir da comparação de custos e benefícios com outras possíveis estratégias. Além disso, a gerência em nível de projeto permite uma análise completa e detalhada da programação das intervenções no pavimento e inclui um levantamento detalhado de defeitos, suas possíveis causas, métodos corretivos e custos envolvidos.

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