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Dans le document UNIBUS SPECIFICATION (Page 160-166)

A internet possui uma característica transformadora desde seu advento, uma vez que “o fato de qualquer um ser capaz de produzir conteúdo só é significativo se outros puderem desfrutá-lo. O PC transformou todas as pessoas em produtores e editores, mas foi a Internet que converteu todo o mundo em distribuidores” (ANDERSON, 2006, p.52). Dessa forma, estamos atingindo outros patamares no uso da Internet, principalmente pelo surgimento de novas audiências caracterizadas a partir da produção

de muitos-para-muitos, fenômeno esse denominado por Bowman e Willis (2003) como “prosumidor”, que é a junção das palavras produtor e consumidor.

Os autores ainda referem-se sobre o funcionamento dos veículos massivos e da internet, nesse sentido, eles dizem que o conteúdo broadcast filtra a informação e, posteriormente, publica. Já na internet, segundo os Bowman e Willis (2003), o processo é diferente, ou inverso, pois a informação é publicada e, posteriormente, filtrada. Sobre esse fenômeno, Silveira (2008 p.34) acredita que, a possibilidade de interação do usuário mantém “as atuais regras de funcionamento da internet, qualquer pessoa, coletivo ou empresa pode criar novas soluções e conteúdos que possibilitem a obtenção das atenções e a elevação da audiência que ultrapasse a obtida pelos grandes grupos”.

No entanto, Manovich (2004) diz não haver interação real entre o produtor da informação e o usuário, tendo em vista que o produtor desconhece a intenção do usuário. Em contrapartida, o usuário desconhece os interesses da informação. Contudo, partindo de outra perspectiva, o sociólogo inglês Andrew Keen (2007) argumenta que a colaboração dos interlocutores dilui a barreira entre o que é real e o que é ficção, tirando o foco da objetividade da informação. Segundo o autor, esse fato transforma a informação num culto ao amadorismo, o que acaba por,

dificultar a determinação da diferença entre o artista e o marketeiro (spin doctor43), entre a arte e propaganda, entre o amador e

especialista. O resultado? O declínio da qualidade e da credibilidade da informação que recebemos (KEEN, 2007, p.30-31).

Entretanto, Gillmor (2005) afirma que, quanto mais abertas forem as etapas de produção da informação, maior será o engajamento dos leitores e, portanto, a democratização do jornalismo também será maior. Contudo, há uma ambivalência nesse cenário. Entretanto, o espaço usual do jornalismo tradicional tem a possibilidade de tornar-se um lugar de diálogo aberto e público, além de conquistar visibilidade, uma vez que agregaria conteúdo informativo produzido por interagentes, embora editadas pelo jornalista. No entanto, o jornal tradicional sofreria uma ruptura, pois interagir ou interferir na opinião pública formatada por ele próprio - veículo broadcast, através de

43 Função criada nos Estados Unidos para denominar um especialista que busca apenas efeitos positivos

ou maior eficiência de mensagens políticas entre os jornalistas. Contudo, a crítica apresentada por Keen refere-se a popularização que o autor da informação pode ganhar independente de sua competência técnica para a produção da informação.

múltiplas informações, é um fator que pode gerar certo incômodo aos veículos massivos. Dessa forma, o jornalismo tradicional se vê diante de um impasse, principalmente tendo em vista que “as normas por que se regem as fontes, e não só os jornalistas, mudaram graças à possibilidade de toda a gente produzir notícias” (GILLMOR, 2005, p.55).

Essa nova possibilidade eleva o usuário a outro patamar, tendo em vista que, graças às novas ferramentas existe a possibilidade de produção e colaboração de conteúdos informacionais. Nesse sentido, Alex Primo (2002) criou o termo ‘interagente’ ao refletir sobre um sistema de comunicação que pertence tanto a receptores quanto a emissores e, que se equilibram por meio de coexistência. Segundo Primo (2002), como o interlocutor é envolvido no processo de produção técnica e informativa que é mediada por computadores, o uso do termo ‘interagente’ representa melhor esse fenômeno, pois, a denominação ‘usuário’, demonstra certa hierarquia nas ações colaborativas.

Outro termo empregado, porém de maneira diferente é o ‘ator-rede’ que difere em alguns pontos dos termos já tratados. Assim, a denominação ator-rede, também conhecida por Actor-Network Theory, foi desenvolvida por Michel Callon e Bruno Latour através dos princípios propostos por David Bloor no que tange imparcialidade e simetria. A teoria do ator-rede une humanos e não humanos em uma rede social constituída através de elementos da sociedade. Assim, “toda a inovação técnica coloca em funcionamento uma rede (humanos e não-humanos) implicando a sua identificação e compreensão” (NEVES, 2007, p. 730). Todavia, o termo a ser utilizado para essa pesquisa será o proposto por Alex Primo (2002), pois o interagente utiliza de recursos e estruturas já disponibilizadas para colaboração, tratando-se assim de uma análise de publicação de pessoas. Nesse sentido, para Vittadini (1995, p.151) toda interação deve envolver indivíduos,

[...] estar em um espaço-tempo cujo âmbito se estabelece por meio de um campo de ação comum em que sujeitos envolvidos estejam em contato uns aos outros [...]. A interação se realiza sobre uma base de regras e pode estabelecer trocas dependendo do contexto.

Lemos (1997, p.1) tem outra perspectiva acerca do fenômeno, para o autor,

[...] hoje tudo se vende como interativo; da publicidade aos fornos de microondas. Temos agora, ao nosso alcance, redes interativas como Internet, jogos eletrônicos interativos, televisões interativas, cinema

interativo. A noção de “interatividade” está diretamente ligada aos novos media digitais. O que compreendemos hoje por interatividade, nada mais é que uma nova forma de interação técnica, de cunho “eletrônico-digital”, diferente da interação “analógica” que caracterizou os media tradicionais.

Podemos perceber que essas alternativas podem fazer uso da interação em diversas esferas, como produção de notícia, apenas comentários sore a informação, etc. Contudo, o que todas essas interações possuem em comum é que todas são mediadas por computador.

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