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Hypertension

Dans le document ETMIS2009_Vol5_No3 (Page 51-55)

5 EFFETS DE LA TÉLÉSURVEILLANCE À DOMICILE

5.3 Maladies cardiovasculaires

5.3.2 Hypertension

2.6 PRÁTICAS INSTRUMENTAIS E AS QUESTÕES DE SAÚDE, QUALIDADE DE VIDA E EXERCÍCIOS FÍSICOS

Costa (2005) explica que o período atual, no qual as investigações da profissão musical começam a ser mais evidentes nos meios científicos, apresenta ainda dois desafios intrínsecos: a orientação específica relacionada à prática instrumental, a ser oportunizada aos alunos de música, e a capacitação dos docentes para este fim, possibilitando o exercício de papéis ativos em prol da saúde ocupacional.

A análise da evolução das definições de Ergonomia coloca em evidência algumas de suas características, que autorizam inferir sua importância para uma abordagem de qualidade de vida no trabalho preventiva. Nesse sentido, cabe destacar algumas características:

(a) o caráter multidisciplinar e aplicado, convocando outros saberes e profissionais para produção de conhecimento sobre um mesmo objeto;

(b) o foco no bem estar dos trabalhadores e na eficácia dos processos produtivos;

(c) a adaptação do contexto de trabalho a quem nele trabalha; (d) a transformação dos ambientes de trabalho, buscando conforto e prevenção de agravos à saúde dos trabalhadores. O mais importante, segundo Ferreira (2008), em uma análise e intervenção da Ergonomia da atividade é a interação entre os indivíduos e um determinado contexto de trabalho. Guérin et al. (2001) indicam que a atividade de trabalho e as condições nas quais é realizada tem múltiplas consequências para os trabalhadores, assim como para a produção e para os meios de trabalho. Para os trabalhadores as consequências envolvem a saúde e o estado funcional que podem limitar as possibilidades de evolução e suas competências e restringir a possível ampliação de sua experiência profissional. Essas consequências possuem decorrências sobre a vida social e econômica, sobre a formação e ao próprio emprego.

Segundo Ferreira (2008) a Ergonomia pode ser caracterizada como uma área científica e como uma ferramenta para atuar também na temática de qualidade de vida no trabalho. Pode-se dizer que a razão de ser da Ergonomia é compreender os problemas (contradições) que obstaculizam a interação (mediação) dos trabalhadores com o ambiente de trabalho, cuja perspectiva é promover o bem estar de quem trabalha e o alcance dos objetivos organizacionais. Tal horizonte também pode ser interpretado como uma busca pela qualidade de vida no trabalho.

No caso do esporte, já existe um consenso de que o conhecimento do corpo, estruturas musculares e sua manutenção se fazem indispensáveis. Os músicos usam seus músculos tanto quanto os esportistas, porém o nível de conhecimento das estruturas envolvidas, quando existente, é baixo e, ainda assim, limitado a poucas pessoas (MOURA; FONTE; FUKUJIMA, 2000).

Devido às várias possíveis disfunções neuromotoras a que os instrumentistas estão sujeitos, é necessário que os profissionais envolvidos na recuperação desses pacientes analisem as possibilidades terapêuticas e os diversos métodos de tratamento, de modo a utilizar os recursos mais apropriados a cada indivíduo (MOURA; FONTES; FUKUJIMA, 2000). Frank (2007) complementa ainda que médicos e terapeutas devem estar atentos para o fato de que todo o afastamento da atividade significa a perda da qualidade do desempenho. Porém, Blum (2003) afirma que nem sempre os médicos conseguem identificar as reais necessidades dos instrumentistas, visto que os problemas podem ser causados por deficiência técnica, musical ou problemas ergonômicos que fogem ao conhecimento médico.

Muitas vezes, as modificações nos acessórios, posturas, tempos em que se dedica a prática instrumental e modificações na técnica do instrumento são suficientes para melhoras dos sintomas (FRANK, 2007). Porém, muitas vezes, estas estratégias não são suficientes o que leva Toledo et al. (2004) a indicarem que exercícios terapêuticos poderiam ser estratégias para os problemas osteomusculares. Segundo Schlinger (2006) os indivíduos que incorporam as práticas no cotidiano são mais motivados e tendem a apresentar maior bem estar. Para Frank (2007) o tratamento utilizado deve possibilitar a retomada do instrumento o mais rápido possível, mas num nível que de modo algum comprometa a condição física.

Com relação à prática de exercícios físicos, o estudo de Teixeira et al. (2009a) encontrou que a maioria dos músicos (63,64%) realiza algum tipo de exercício físico como basquete, bicicleta, caminhada,

atletismo, judô e/ou musculação. Os principais fatores motivacionais apontados pelos músicos para as práticas física foram a busca pelo bem estar, melhoria da qualidade de vida e saúde, relaxamento e prazer. Destaca-se também que as atividades físicas desenvolvidas pelos profissionais não são realizadas de forma estruturada e com acompanhamento profissional e sim como forma de lazer e descontração. Na percepção da maior parte dos músicos as práticas físicas não estão associadas a um potencial efeito protetor para doenças ocupacionais e para uma melhoria da capacidade para o trabalho. Esse resultado é evidenciado pelo pequeno percentual de músicos que apresentaram o hábito de aquecimento e alongamento musculares antes e depois dos ensaios.

Para Pederiva e Galvão (2005) a atividade requer um bom condicionamento físico, alongamentos específicos e pausas sistemáticas. Moura, Fontes e Fukujima (2000) relacionaram atividades como facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP), Miofascioterapia, Método Feldenkrais, Rolfing, Iso-Stretching, Reeducação postural global (RPG), Hidroterapia, Técnica de Alexander e Maitland. Vieira (1996) estudou especificamente a Técnica de Alexander visando seus princípios e a aplicação na performance do violino. Frank (2007) indica as atividades de Qi-Gong, técnicas de relaxamento, esportes como natação e musculação.

O estudo de Andrade e Fonseca (2000) encontrou mais da metade dos instrumentistas sedentários (58%) e 79,3% sem nenhuma prática em trabalho corporal. As atividades realizadas pelos indivíduos ativos foram hatha yoga, anti-ginástica, técnica de Alexander. Mesmo com estas indicações, os autores afirmam que não houve constatação das influências da prática esportiva na ocorrência de desconforto físico e na interrupção da atividade instrumental. Porém, uma das soluções propostas pelos autores com vistas a utilização do corpo na performance dos instrumentos de corda estão associadas às práticas de relaxamento no momento de estudo com o instrumento.

A atitude de práticas físicas para as atividades laborais já é apontada por estudos como os de Martins e Duarte (2000); Martins (2005); Oliveira (2007); Resende et al., (2007); Santos, et al., (2007) Sampaio e Oliveira (2008). Porém, na profissão dos músicos estas questões ainda demandam maiores conscientizações dos reais benefícios assim como maiores estudos que evolvam esta temática. De forma geral, os estudos encontrados podem ser considerados como superficiais e apenas indicam a necessidade de manutenção de um estilo ativo. O

estudo Costa e Abrahão (2004) e Costa (2005) evidenciam a necessidade de uma preparação física devidamente orientada como uma medida preventiva individual eficaz que precisa ser somada a outras estratégias, como o aquecimento muscular, a execução de pausas regulares durante o estudo e a realização de alongamentos sistemáticos.

De forma geral, o conhecimento das possíveis lesões, o levantamento de estatísticas no meio musical brasileiro, a proposição de medidas de prevenção e o diagnóstico precoce das doenças são princípios básicos para o controle e para a diminuição das ocorrências (MOURA; FONTES; FUKUJIMA, 2000). Segundo Frank (2007) músicos saudáveis devem ser a regra, e não a exceção, no dia a dia artístico.

Em síntese, as questões associadas ao trabalho e a Ergonomia organizacional, cognitiva e física, indicadas pela Associação Internacional de Ergonomia, são importantes para o entendimento das queixas musculoesqueléticas e no que tange a profissão musical estas são fundamentais para estratégias de prevenção, controle e intervenção. Além disso, importantes também são as investigações associadas às condições de trabalho, capacidade para o trabalho, qualidade de vida, uso de medicamentos, indicações clínicas, prática de exercícios físicos e atividades preventivas para as práticas instrumentais. Assim, o presente estudo é configurado identificando as queixas musculoesqueléticas considerando o contexto de saúde e de trabalho dos instrumentistas de corda sob enfoque da Ergonomia organizacional, cognitiva e física.

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