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Une histoire de compromis

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1.3 Régulation des facteurs abiotiques dans les nids

1.3.2 Une histoire de compromis

Em Metafísica, Aristóteles reservou aprofundada análise acerca do que significa esse valor. Dada a importância de suas ideias para o desenvolvimento de um conceito de verdade juridicamente possível, havemos de nos deter com maior precisão à sua doutrina.

A partir de sua teoria da correspondência, o Estagirita intenta definir a Verdade sob os auspícios da lógica, ao enfatizar que dizer do que é que ele é, ou dizer do que não é que ele não é, é a verdade. Seria a verdade, então, a adequação de determinada sentença à realidade, o que exige a perfeita identidade entre a proposição afirmativa ou negativa de algo e a realidade por ela referida. A defesa de seu entendimento envolverá, ainda, os conceitos da não-contradição e terceiro excluído11. A verdade, para o filósofo, há, pois, de ser compreendida segundo um critério lógico, em que a linguagem ganha especial relevância (concepção semântica da verdade)12.

11 “Já dissemos o suficiente para mostrar: (1) que a mais indisputável de todas as crenças é a de que declarações

contraditórias não podem ser simultaneamente verídicas; (2) as consequências que advêm da asserção contrária a esta; e (3) por que certas pessoas sustentam tal opinião. Ora, como é impossível que asserções contraditórias sejam ao mesmo tempo verdadeiras da mesma coisa, é evidente que os contrários não podem coexistir no mesmo sujeito. Efetivamente, de dois contrários um é privação não menos que contrário - privação da natureza essencial; e privação é a negação de um predicado a um gênero determinado. Se, pois, é impossível que sejam verdadeiras a um tempo a afirmação e a negação, impossível também é a coexistência de contrários no mesmo sujeito, a menos que ambos lhe pertençam sob aspectos particulares, ou um sob um aspecto particular e o outro, absolutamente. Por outro lado, não pode haver um termo médio entre contraditórios, mas de um só sujeito ou devemos afirmar, ou negar qualquer predicado que seja. Isto é claro pela própria definição do verdadeiro e do falso. Falso é dizer que o que é, não é, ou que o que não é, é; verdadeiro é dizer que o que é, e o que não é, não é; e assim, quem afirma que uma coisa é, ou que não é, estará dizendo uma verdade ou uma falsidade; mas, se houvesse um termo médio, nem do que é se diria que é, nem do que não é, que não é. E mais: o termo médio entre os contraditórios o será ou à maneira do cinzento, intermediário entre o preto e o branco, ou do que nem é homem nem cavalo, entre este e aquele. (a) Se fosse da segunda espécie, não poderia mudar-se nos extremos (pois só há mudança do não bom para o bom, e vice-versa); na verdade, porém, quando existe um termo médio vemo-lo mudar-se nos extremos. Com efeito, não há mudança a não ser para os extremos e os seus intermediários. (b) Se houvesse um verdadeiro termo médio, também deveria haver uma mudança para o branco, que não proviesse do não branco; mas isso jamais se viu” (ARISTÓTELES, 1969, p. 106-108).

12 “Como vemos, todas essas doutrinas também estão sujeitas à objeção tantas vezes repetida: que elas destroem

a si mesmas. Efetivamente, quem diz que tudo é verdadeiro admite também como verdadeira a declaração contrária a essa, e, portanto, que a sua própria asserção não é verdadeira (uma vez que é negada pela asserção contrária), enquanto o que diz que tudo é falso assevera a falsidade do que ele próprio declara. E, se o primeiro executa a declaração contrária, dizendo que só ela não é verdadeira, enquanto o segundo ressalva a sua própria declaração como não sendo falsa, isso não impede que sejam forçados a postular a verdade ou falsidade de um

Explica, ainda, que as descrições serão falsas sempre que versarem sobre objetos não existentes, ou aplicadas a algo que não seja o seu objeto verdadeiro, asseverando que, em certo sentido, cada coisa tem uma única descrição, que é própria de sua essência, mas em outro sentido tem muitas, pois há alguma identidade entre a coisa em si e quando acompanhada de um atributo.

É possível, assim, descrever o objeto tanto pela definição que lhe é própria quanto pela definição que se atribui a outra coisa, sem que tal constitua uma falsidade: “oito pode ser descrito como um número duplo mediante o uso da definição de dois” (ARISTÓTELES, 1969, p. 139).

No livro IX de sua Metafísica, Aristóteles densifica seu entendimento no sentido de que a medida da verdade é o ser ou a coisa, e não o pensamento ou discurso: “Tu não és pálido pelo fato de pensarmos com acerto que o és, mas é por seres pálido que dizemos a verdade quando afirmamos isso” (ARISTÓTELES, 1969, p. 204).

número infinito de asserções, porquanto é verdadeiro o que afirma a verdade da proposição verídica, e assim por diante, indefinidamente.

(...) Deixemos o ser acidental, cuja natureza já está suficientemente determinada. Mas, como o que “é” no sentido de ser verdadeiro, ou “não é” no sentido de ser falso, depende de combinação e separação, e a verdade e a falsidade conjuntamente dependem da disposição de um par de juízos contraditórios (pois o juízo verdadeiro afirma quando sujeito e predicado realmente se combinam e nega quando eles se separam, enquanto o juízo falso tem a disposição oposta; como sucede pensarmos as coisas conjunta ou separadamente, é outra questão; por ''conjunta ou separadamente" entendo pensá-las de modo que não haja sucessão nos pensamentos, mas estes constituam uma unidade); com efeito, falsidade e verdade não se encontram nas coisas: não é que o bem seja verdadeiro ou o mau, falso em si mesmo - mas no pensamento; enquanto, no que tange aos conceitos simples e às essências, falsidade e verdade não existem sequer no pensamento; - assim sendo, devemos considerar mais tarde o que cumpre discutir com respeito ao que é ou não é neste sentido. Como, porém, a combinação e a separação se encontram no pensamento e não nas coisas, e o que é neste sentido constitui uma espécie de "ser" diferente das coisas que são no sentido pleno (pois que o pensamento agrega ou separa quer a essência do sujeito, quer o fato de possuir ele qualidade, quantidade ou algum ou outro atributo), devemos deixar de lado o que “é” acidentalmente e o que “é” no sentido de ser verdadeiro. Com efeito, a causa do primeiro é indeterminada, enquanto a do segundo é alguma afecção do pensamento, e ambas se relacionam ao restante gênero do que é, não indicando a existência de qualquer classe separada de ser. Deixemos, pois, as duas, e consideremos as causas e princípios do ser em si mesmo, enquanto ser” (ARISTÓTELES, 1969, p. 109 e 146).

O pensamento de Aristóteles mostra-se fundamental na jornada em busca da verdade. Foi ele capaz de caracterizar com propriedade o logos apofantikós, aquela espécie de discurso passível de ser verdadeiro ou falso, excluindo dessa seara aquelas falas significativas, como as preces, as ordens e os pedidos.

Como visto, a verdade há de ser investigada no cerne daqueles discursos que afirmem (katáfasis) ou neguem (apofansis) algo acerca do objeto do conhecimento, e será revelada se reunir e manter juntas (synthesis) ou dissociar e manter separadas (diairesis) coisas entre si relacionadas - pois o juízo verdadeiro afirma quando sujeito e predicado realmente se combinam e nega quando eles se separam, enquanto o juízo falso tem a disposição oposta.

A ideia corrente de que a verdade decorre da coincidência do enunciado com o objeto descrito - verdade por correspondência - é das maiores contribuições do pensamento aristotélico, já que esta concepção de verdade é o fundamento para as teorias que visam outorgar concretude ao característico aprioristicamente transcendental de tudo aquilo que é verdadeiro.

Pode-se, no entanto, afirmar que Aristóteles parte de um pressuposto realista para definir que a verdade depende da coerência entre o discurso e o objeto. Com efeito, é possível identificar em suas assertivas uma certa anterioridade da verdade do objeto em relação à verdade ou inverdade do enunciado a ele relativo, como se a verdade já latente na coisa apenas reclamasse ser dita.

Nesse ponto de sua tese, o sujeito assume uma postura passiva: a de narrar (ou descrever) a verdade que o objeto já manifesta, em clara oposição às ideias do idealismo-crítico moderno, em que o mesmo sujeito cognoscente se

posiciona diante da coisa a ser conhecida, julgando-a e, então, atribuindo-lhe verdade.

É exatamente o que os teóricos do conhecimento – desconhecidos por Aristóteles – fariam mais adiante, ao buscar estabelecer os meios através dos quais um juízo interno do ser cognoscente pode concordar com os dados perceptíveis difundidos pelo objeto cognoscível.

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