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2.2 Le Principe de Moindre Action [Lan86]

2.2.1 Un peu d’histoire [Bas10] [Mar06]

Retomando as discussões de Gersmehl (2008, p. 48), entendemos que estas se coadunam com nossa pesquisa, visto o autor mostrar em seu trabalho a importância de os professores incentivarem as crianças a pensar sobre a tarefa que estão executando, significando que uma prática docente pensada na perspectiva dos três pressupostos teóricos, citados anteriormente, contribuirá para o raciocínio espacial. Dessa forma,

Uma leitura do mapa qualificado parece envolver diferentes estruturas do cérebro, a fim de comparar os lugares, regiões, delimitar, descrever os padrões espaciais e transições, associações de reconhecimento espacial, identificar hierarquia, e assim por diante. Esse fato tem implicações para o currículo no desenvolvimento, material educativo e de avaliação dos alunos.

Assim, as ações desencadeadas com os professores indicaram a eles a importância da Geografia no currículo, desde a Educação Infantil e, a partir dessa análise, os professores compreenderam que também o planejamento das situações didáticas em Geografia poderia contribuir em suas aulas.

Incentivar a criança a pensar sobre o lugar em que vive é colocá-la em uma situação desafiadora que a leve a compreender o espaço geográfico, é possibilitar que ela pense e reflita sobre o entorno da escola, do bairro, da cidade, estabelecendo relações entre os fenômenos que ocorrem no lugar. Para isso, saber ler um mapa é de fundamental importância para que o raciocínio espacial das crianças seja desenvolvido e para que,

consequentemente, elas possam utilizar o mapa como linguagem, visando construir conhecimentos geográficos. Nesse sentido, o pensar faz parte de um processo didático ao qual se articula a alfabetização cartográfica, para que os alunos aprendam a ler mapas, para que haja o desenvolvimento do raciocínio espacial e para que eles possam aprender os conteúdos geográficos.

Do mesmo modo, observamos as contribuições trazidas por Raths (1977) e entendemos ser necessário recorrer às bases teóricas desse autor a respeito do desenvolvimento do pensamento da criança em sala de aula, a fim de que o professor possa entender a necessidade de fazer de sua aula de Geografia, ao ensinar o mapa ou por meio do mapa, um processo que agregue situação didática e raciocínio espacial, a partir de situações que levem os alunos a pensar o que estão estudando, por que estão fazendo isso e qual será a utilidade do conhecimento em questão para suas vidas.

Pensar sobre as atividades a serem desenvolvidas na escola passa, inevitavelmente, pelo crivo das necessidades da humanidade em seu percurso histórico. Nesse sentido, cada povo, em sua cultura, constrói e reproduz conhecimento, sendo que cada indivíduo carrega consigo sentimentos, gestos, informações, uma carga de saberes capazes de influenciar outras culturas. Na sociedade atual, cada grupo cultural, independente de seus saberes, faz parte de uma organização chamada escola e é nela que se dá a sistematização do conhecimento elaborado e pensado, que constitui parte do currículo escolar.

Percebe-se, mais que em qualquer outro lugar, que a escola é o local onde o pensamento deve ser estimulado para que os alunos possam, além de entender sua história em todo o seu processo de constituição, pensar sobre o conhecimento que lhe é apresentado como algo a ser aprendido. Aprender

requer, acima de qualquer coisa, querer e sentir necessidade de saber e, para isso, é necessário que os educandos sejam incitados a refletir sobre o que “devem” aprender.

De acordo com Raths (1977), alguns professores supõem que os alunos devem, em primeiro lugar, aprender os fatos e, depois, ser solicitados a pensar a respeito. Dessa forma, o ensino constrói-se como um processo de memorização, realizado através de exercícios sem nenhum fundamento, embasados na repetição incessante, até que os conteúdos ou fatos venham a ser decorados. Quando se solicita que o aluno escolha entre dois fatos, o maior ou o menor, ele logo apresenta sua resposta sem muito esforço, mas, se puder compará-los, analisá-los, descobrirá fatos de muita importância para uma decisão posterior. Ao pensar sobre qual fato é melhor ou pior, ele reflete a respeito e, consequentemente, produz conhecimento, ou seja, pensa sobre a resposta a ser elaborada. Pensar é propor-se a aprender, é perguntar-se sobre o que se está aprendendo e sobre o objetivo de aprender, o que implica, também, apresentar situações didáticas que relacionem, comparem, analisem, classifiquem e interpretem. Assim, a Geografia, por meio da leitura de mapas, pode contribuir no processo de ensino e aprendizagem da criança.

Nesse sentido, o pensamento deve ser estimulado em sala de aula, já que ele possibilita que a criança desenvolva senso crítico em benefício próprio e de sua coletividade. A escola é o lugar no qual se sistematiza o conhecimento pensado e elaborado cientificamente e no qual se consideram os saberes empíricos na possibilidade de romper os obstáculos nela encontrados. Dessa forma, o trabalho de Raths (1977) reforça a necessidade de se ensinar o

aluno a pensar sobre o que se desenvolve em sala de aula e de não simplesmente passar informações que eles devam passivamente receber.

Articular alfabetização cartográfica, raciocínio espacial e situação didática, a fim de que as crianças possam aprender a ler mapas e por eles estudar os conteúdos curriculares de Geografia em sala de aula, torna-se possível, se isso for feito através de situações didáticas, possibilitando à criança entender tanto a maneira como são elaborados os mapas e sua utilidade, como também que o que nele está representado corresponde a algum fenômeno que pode ser interpretado, se se souber ler o mapa. Para isso acontecer, o professor precisa utilizar a Didática como um processo de ensino onde ele e os alunos construam conhecimentos juntos. Assim, o docente deve elaborar situações didáticas para que os alunos pensem em como chegar a um conceito ou para que eles emitam sua opinião, mesmo que equivocada, pois o erro também faz parte da construção do conhecimento. Se assim for o ensino, a aprendizagem passa a ter significado para as crianças.