herdeiros, podem levar a reprodução do campesinato à crise, pelo excessivo fracionamento da terra (1997, p. 47).
O segundo elemento, a terra, é um fator essencial para a reprodução da condição camponesa e disso decorre a extrema importância dada a ela no discurso local, no qual se expressa a relação com ela em termos de uma troca respeitosa, o que constitui o mais importante dos mandamentos — ter amor pela terra. Esta não possui apenas valor monetário, mas valor moral, e ter acesso à terra é condição de liberdade diante dos “grandes”. Portanto, a relação sociedade-natureza nessa área é de troca e respeito, baseada na construção e na aplicação de um “saber” específico; nele, “ecologia e simbolismo não são, pois, dimensões separadas” (Woortmann e Woortmann 1997:132).
Diretamente relacionado à terra está o trabalho, terceiro elemento, outro valor essencial desse universo. O trabalho é uma categoria central, incluída em um campo moral que também contém a terra e, por isso, os mesmos valores aplicáveis a ela também o são ao trabalho, como as noções de troca e respeito, os saberes necessários à sua realização e à sua imprescindibilidade.
Além disso, o trabalho pressupõe a terra para a sua realização e é condição para que ela seja adquirida, já que é por meio do produto desse trabalho que a terra é comprada. Dessa forma, o trabalho é o elemento mediador “por natureza” nesse universo, visto como uma categoria moral essencial, pois permite a realização da condição camponesa de forma plena. Devido a isso, o mandamento considerado como segundo em ordem de importância diz respeito ao valor do trabalho, e todos os esforços devem ser revertidos para a compra da terra.
Os assentamentos se organizam de maneira diferenciada pelo país. A organização da forma de ocupação pode ser resultado de uma escolha coletiva dos grupos de assentados, bem como por meio de indicação dos movimentos sociais, entre outros. A análise destas formas de organização torna-se importante no sentido de se pensar a respeito dos caminhos e alternativas que são implantadas na luta pela terra. Porém, é preciso decifrar a produção agropecuária nos assentamentos e assim indicar estratégias que possam ampliar as possibilidades de permanência e reprodução destes trabalhadores no campo.
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Segundo Raffestin (1986) e Barel (1986), sobre o caráter simbólico dos elementos territoriais, onde o espaço geográfico e os elementos materiais e imateriais são referenciais de elaboração simbólica, cujo conteúdo varia conforme o contexto social e cultural. Nesse sentido, os territórios não são criações arbitrárias, mas construções elaboradas de acordo com um contexto social e cultural. Eles se compõem e decompõem conforme as posições dos atores sociais, vivenciadas na idéia de pertencimento ou de identificação com elementos culturais ou materiais. A identidade, nestas circunstâncias, orienta o comportamento dos atores sociais e dá sentido à mobilização.
A natureza das relações sociais, que levam à construção ou desconstrução dos territórios, é de afinidade e de alteridade. Isto é, a territorialidade é também uma relação de alteridade (Raffestin, 1986), é uma maneira de viver com os outros. Nas relações de alteridade, o Outro é tudo o exterior a ele mesmo. Os bens simbólicos e as percepções do espaço constituem-se em recursos através dos quais os atores sociais sustentam as diferenças, marcam a individualidade perante os outros. No simbolismo encontra-se a fronteira entre os mundos da identidade e da diversidade.
Em outros termos, as diferenças culturais utilizadas para assumir posições diante daqueles com que estão em processo de interação permanente implicam na construção de um conjunto de relações sociais e espaciais que conformam territórios. Para demarcar fronteiras sociais nas relações com outro ou o outro, e nas práticas cotidianas de inclusão e exclusão em territórios sociais são acionados os elementos identitários.
Melhor dizendo, as representações são manipuladas para justificar as ações, as ações modificam as representações e, nesta relação entre ações e representações do espaço e no espaço, constroem-se territórios. Daí a necessidade, assinalada por Diegues (1998), de analisar as representações que os sujeitos fazem de seu espaço, pois com base nelas eles agem. São representações diferenciadas, que significam entre outras que a percepção social do espaço não é feita somente das representações das limitações materiais ao funcionamento da economia, mas também de juízos de valor e de crenças.
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Examinar o território implica em examinar os dispositivos sociais que levam a que os atores sociais conheçam e sintam os limites de seus territórios e se reconheçam dentro deles. Quer dizer, o território denota um espaço que o indivíduo conhece, onde se reconhece e é reconhecido. Fato que, como assinala Tizon (1996), remete à noção de habitus de Bourdieu. De acordo com essa noção, as práticas, as representações e as classificações do espaço e dos atores sociais nele, utilizando tipologias, resultam de um processo de aprendizagem social. Cada um, segundo as origens sócio-espaciais, posição social, status familiar e idade, dispõe de um leque amplo de práticas e representações que marcam as relações com os lugares, com suas raízes, e os novos arranjos nos espaços freqüentados.
Em geral a territorialidade se constitui e se vive segundo estes imperativos sociais. Apenas se transforma em elemento consciente da ação coletiva quando há necessidade de marcar uma identidade social territorializada, uma vinculação ao lugar em que se manifestam as relações sociais. Quer dizer, o significado atribuído aos espaços praticados e representados somente se revela de maneira consciente em situações extremas, entre elas, quando se impõe a necessidade de se afirmar territorializado para existir ou se defender diante de uma estratégia considerada exógena. É frente à afirmação de um “nós” diante dos “outros” que o “meu” exprime uma ancoragem territorial.
Tendo em conta a relação dialética implícita na construção do território como espaço referido e referencial ao mesmo tempo a escolha dos elementos territoriais e as combinações são processos sociais. No exame das representações, selecionamos alguns dos elementos que conformam os territórios, observando as relações entre estes elementos (uns atuam sobre os outros, modificando-se reciprocamente) e o sentido que lhes é atribuído.
Inspirados em Barel (1986) ressaltamos que cada pessoa se habitua a mais de um território. É raro que um único território seja suficiente para assumir todas as dimensões da vida de um ator social. Há um multi-pertencimento territorial. Os territórios são distintos por definição e por princípio de construção, podem ser organizados hierarquicamente a partir de critérios diferentes, se tocam, se interpenetram em certos pontos, porque têm elementos comuns.
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Este multi-pertencimento cria um fenômeno de superposição territorial, que dificulta a possibilidade de delimitar com exatidão os limites. A esta análise subjaz o pressuposto de que o multi-pertencimento territorial se reflete socialmente em ambigüidades e contradições, próprias dos processos sociais e das transformações no campo contemporâneo. Por isso, enquanto os jovens do Ana Rosa, entender a importância da sua vida neste espaço, quando perguntados o que pensam sobre o futuro e o que sonham, como:
“posso morar aqui, pode não ser, vou deixar rolar...” (Junior, 16 anos).
“se um dia eu sair daqui, ter algum trabalho digno, ter melhor
condições pra ajudar a família aqui, tudo bem...” (Junior, 16 anos).
“eu quero seguir exemplos, por enquanto, o que me ocorre, eu quero
seguir os lotes, eu queria ser um técnico agrônomo...” (Cristiano, 22
anos).
“eu quero que aqui esteja diferente, eu estarei diferente, eu tenho um
sonho e quero que meu sonho se realize, eu quero ser jornalista, é assim, fazer entrevistas...” (Nina, 13 anos).
“sonho ser bióloga, trabalhar numa faculdade, ter uma boa casa e só!
(risos)” (Juba, 14 anos).
“sair daqui, sonho ter uma vida melhor” (Tripa, 17 anos).
Neste ambiente percebem-se confrontos entre os elementos simbólicos que geram tensões e conflitos nas relações sociais, sobretudo, conflitos identitários e geracionais. Ao mesmo passo em que o Assentamento é valorizado por ter sido um espaço de conquista dos pais, de ser um território ‘obrigatório’ de experiência e cotidiano enquanto ainda lá estiverem, é também visto como espaço transitório, mesmo que de forma subentendida, pois seus sonhos não se pautam em (re) construir o assentamento, mas viver a vida para além dos seus limites.
Por isso, afirma-se que as representações no espaço são construídas nos posicionamentos dos atores sociais na localidade fundamentados, principalmente em identidades construídas em torno da origem social, da religião, da família ou do parentesco. Percebe-se que, de um modo geral, as diferenças de origem social constituem um referencial simbólico utilizado para definir a classe de inserção na localidade. Deste modo, as diferenças de origem social (manifestas ao classificar as pessoas em duas categorias sociais: os “nascidos e criados” e os “de fora”). Na
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localidade, tornam-se um componente territorial. A partir da mesma pergunta, alguns dos jovens com origem familiar rural responderam:
“criar meus filhos aqui, com calma e tranqüilidade. Ensinar a eles a
andar com os pés no chão, como eu aprendi com os meus pais...”
(Teta, 18 anos).
“Eu acho aqui bom de viver, e quero sim ficar aqui, por enquanto só
vejo coisas boas, penso que na cidade eu não conseguiria dormir como aqui, ouvindo a coruja, eu gosto de bichos, queria criar galinhas e cabras (risos), será que pode?“ (Nina, 13 anos)
Quanto às representações do espaço, elas apontam para as diversas formas de se colocar diante do espaço, são construídas a partir da percepção do espaço, como unidade física, valorizado segundo o uso que se faz dela. Ou seja, na análise das representações nos deparamos com diferentes lógicas de relações que permeiam os usos dos espaços. Entre elas destacamos as relativas ao meio ambiente, à natureza, à produção e ao poder.
Estas representações remetem à reflexão acerca de como e com que propósito o assentamento é criado. Para isso, observa-se a visão a seguir, onde o assentamento é entendido como:
um espaço de ações coletivas. As ações coletivas são atividades desenvolvidas pelos camponeses assentados em que se expressam politicamente passando pela representação do interesse de classe. São ações motivadas, sobretudo, por uma identidade construída no processo de luta pela terra e apresentam conteúdo político\ideológico que passa pelas relações de poder da estrutura da sociedade (FABRINI, 2003, p. 9, grifo meu).
Resgatando a trajetória de luta pela terra e a conquista da cidadania vivenciada pelos assentados, Guimarães (2002) afirma que:
[...] na constituição de novas territorialidades, baseadas em laços de parentesco, amizade, vizinhança e, sobretudo, em formas de organização que lhes são próprias, os trabalhadores constituíram uma nova identidade no interior do assentamento, ancorada no pertencimento à localidade. As reflexões a respeito da consolidação das identidades territoriais contradizem as tendências que preconizam a globalização como um processo inexorável à homogeneização, que dilui as singularidades das culturas locais. No que se refere às relações societárias, podemos afirmar que houve um processo de aprendizagem de formas organizativas pelos sujeitos sociais envolvidos neste estudo. As práticas de luta pela terra e de constituição do novo território proporcionaram experiências
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de novas formas de participação e de sociabilidade entre os assentados da Nova Santo Inácio Ranchinho, possibilitando a abertura para concepções mais amplas de sociabilidade. (p. 148- 149)
Para demonstrar as contradições que se explicitam nos assentamentos, Romano (1994) entende tais espaços como sendo um campo de lutas, onde se materializam os conflitos. Para esse autor, a ausência de conflito é apenas um estado almejado que se concretizaria em situações particulares. Segundo Romano (1994),
Enfocar o assentamento enquanto campo permite positivamente visualizar o “conflito” – e não o “equilíbrio” – como o estado “natural” das relações sociais nos assentamentos. O “equilíbrio”, a ausência de conflitos pode vir a ser uma característica de um estado almejado, mais na concretude da trajetória dos assentamentos, seria um resultado particular, restrito e conjuntural. Por sua vez, considerar o conflito como o estado natural dos assentamentos implica uma reviravolta de fundamental importância no planejamento dos assentamentos. Pelo geral, quando existe, o planejamento dos assentamentos de reforma agrária ainda se conforma com base no princípio ordinário do “equilíbrio” – ou, na sua versão progressista, da idealização da “harmonia” da comunidade dos excluídos -, assumindo os conflitos um caráter conjuntural, ocasional, extraordinário. (p. 252)
No seu ponto de vista está em jogo a distância estabelecida entre situação almejada e situação vivenciada. Os conflitos, no ponto de vista do planejamento dos assentamentos, não são comuns, são pouco presentes. Segundo o autor, isto dificulta o próprio planejamento do Estado. Mas o desentendimento advindo dos embates no assentamento não é apenas produto das relações entre camponeses organizados e mediadores e gestores da Reforma Agrária. Os conflitos de que Romano (1994) fala, referem-se aos que permanecem no interior dos grupos, entre indivíduos. Desse modo, torna-se importante, segundo Romano (1994), “[...] criticar e enriquecer questões que articulam, por exemplo, poder, valores e conflito num patamar analítico, por intermédio do qual possamos refletir melhor uma nova, e esperada, fase do processo de reforma agrária.” (p. 258).
Segundo Oliveira (2006),
[...] o assentamento pode ser considerado, de certa forma, um espaço construído de fora, ou seja, o assentamento foi formado por vários grupos que chegaram e passaram a conviver e a se constituir a partir do acampamento e, posteriormente, do assentamento. São
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atores com trajetórias distintas, a não ser pelo fato de, em sua grande maioria, serem migrantes, e que nesse momento de suas vidas passam a viver num mesmo espaço, não só físico, mas também de relações sociais com características heterogêneas e individuais que, no assentamento, vão aflorar e contribuir para a construção de uma série de relações sociais. (p. 262)
Com isso, afirma-se como visto em Martins (2003), que existe um sujeito oculto, na Reforma Agrária, que não tem emergido nos discursos do Estado ou mesmo dos movimentos sociais de luta pela terra. Enfim, trata-se aqui do sujeito invisível desses processos sociais. O sujeito que é gestado no próprio processo da reforma e não o sujeito empírico que a precede. Isto é, o sujeito que não chega com nitidez à consciência do assentado e menos ainda do acampado, e que só se manifesta eventualmente quando a terra é objeto de transação. Um sujeito que os agentes de mediação da luta pela reforma agrária ignoram, pois se o reconhecessem poriam em risco a legitimidade e a difícil coerência de suas idéias e de sua ação. São os percalços da militância apoiada na doutrina superficial, improvisada e precária. (p. 10). Para tanto, é importante entender a partir dos seus relatos, sobre o que acham do assentamento no que diz respeito aos aspectos negativos:
“devido ao colégio, pegar o carro, chegar tarde em casa...” (Junior, 16 anos).
“lá na cidade a coisa é mais fácil, não tem nada igual de lá e aqui...
Eu acho bom aqui é as pessoas, o ônibus da escola, apesar da distância... ruim é que já está aparecendo drogas aqui, daqui a pouco aqui está que nem lá, isso não pode, eu acho ruim isso, mas fazer o que? A gente não pode embarcar nessa...” (Aline, 14 anos).
“estar isolado é muito ruim. A gente que tem criança e mãe doente
sofre! Fico pensando como melhorar isso... Acho que tem que trabalhar muito aqui, pra juntar dinheiro e ter algo mais que só a carroça” (Teta, 18 anos).
“eu sai de Terra Nova, onde nasci, e estou aqui... pode melhorar,
mas aqui a gente passa mais dificuldades” (Guegueu, 17 anos).
“tudo aqui é longe. A gente não pode sair porque não tem como
voltar, ai, passa um tempo lá fora, porque não agüenta” (Chori, 16
anos).
As suas opiniões de um lugar que em alguns aspectos, inviabiliza a sua permanência, são fundamentais. Por mais que as relações entre a família estabeleçam normas de reciprocidade e solidariedade, isto parece ser insuficiente,
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pois para além dos limites da família, o conflito que se refere a buscar algo melhor não se apóia apenas na visão do jovem inconformado, se apóia, sobretudo, em ser o assentamento como um espaço de poucas possibilidades e de inúmeras dificuldades.
Weisheimer (...) destaca a visão de “tempo liminar” proposto em (BHABHA, 1998), na perspectiva de escolhas entre os projetos profissionais de permanência ou saída da agricultura, o que demanda a “formação reflexiva da auto- identidade” (GIDDENS, 2002) por parte deles, em meio a crescente pluralidade e heterogeneidade das relações no território do assentamento, sobretudo nos âmbitos familiares e geracionais.
Para compreender a família camponesa deve-se levar em consideração as alterações sociais e os novos espaços sociais criados nos últimos anos, principalmente, os assentamentos de reforma agrária. É fundamental considerar as especificidades de sua sociabilidade e, ainda, entender, por exemplo, as relações de parentesco e de vizinhança, o projeto familiar, o processo de produção e o mercado. Ao partir desse pressuposto, é importante analisar o conjunto de forças sociais que se articulam e compõem o quadro de relações marcadas por conflitos, como dito pelos jovens:
“não temos chances, muitos aqui nem acreditam na gente... é difícil” (Cristiano, 22 anos).
“sonho ter uma vida melhor, algo que eu escolhi” (Guegueu, 17anos).
Sabe-se que, historicamente, no campo se compôs um cenário de relações familiares combinadas e / ou fortalecidas com o trabalho na terra, constituindo espaços de continuidades e (des) continuidades de antigos laços familiares e / ou de amizades, de manifestações culturais e / ou de sociabilidade. É possível afirmar ainda, que a identidade em construção retrata que a terra não pode ser comprada ou vendida, o que justifica a luta pela reforma agrária como um direito. Portanto, a permanência na terra possibilita a existência e a sobrevivência da família.
Porém, a reforma agrária traz a possibilidade concreta de estas famílias terem a terra (o lote) que não conseguiriam comprar. E esta se torna o lugar de reconstrução da vida e, por isso, é redimensionada conforme os componentes da
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memória camponesa de cada família. Isto é feito diante da experiência cotidiana entre os assentados, que apesar de terem acessado a terra, se vêem diante de um novo dilema: como dividir para a próxima geração? A constatação a partir da história das ocupações de terras demonstra que, a exclusão social transfere estes jovens não beneficiados pelos padrões sucessórios, tendo que deixar as famílias e buscar novos lotes.
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