Neste repertório, foram alocados documentos referentes à pessoa do negro Luís Chermont de Brito, que viveu na Vila/Cidade do Príncipe no decurso do século XIX.
A criação desse repertório não só possibilitará aos pesquisadores novas perspectivas sobre irmandades como também a figura negra no Seridó. Sobre o processo de formação dessas irmandades e de qual o papel do negro nesta, como também analisar a figura negra no contexto social.
O repertório construído neste trabalho possui seis documentos que abordaram os seguintes pontos sobre Chermont: o documento de petição da Irmandade dos Negros da Senhora do Rosário do ano de 1876, já analisado em trabalhos anteriores, porém de forma superficial. Levantamos a segunte indagação por qual motivo um negro vai ocupar o cargo de tesoureiro da Irmandade, se era um cargo para brancos o que motivou ser a pessoa de Luís Chermont de Brito o escolhido para esse cargo?
O segundo documento trata-se de outra petição ao Juis de Capelas, em que Chermont aparece solicitando autorização para fundação da Irmandade de Nossa Senhora dos Impossíveis, a partir desse documento levantamos o seguinte questionamento: qual o papel dessa irmandade para os negros ou qual a intenção da criação desta?
Na terceira abordagem trabalhamos com outra petição do ano de 1865 em que Chermont solicita autorização para a comercialização de aguardente em sua residencia, além de possuir esse pequeno comercio, tinha uma “botica” como consta no seu inventário a que trataremos mais adiante. Ao analisarmos esse documento levantamos a pegunta: como esse negro adquiriu esses ensinamentos para medicar?
O quarto documento faz menção à Chermont em dois momentos no Livro de Fábrica da antiga Freguesia da Gloriosa Senhora Santa Ana: despesas e receita. Na receita ele é pago por serviços prestados nas terras da freguesia, nas despesas é mencionado pelos serviços de alfaitaria das peças litúrgicas da Matriz. Além dos trabalhos exercidos à igreja, quais outras práticas Luís Chermont de Brito tinha nesse período analisado?
No quinto documento de análise, Chermont é cobrado por falta de pagamento referente à uma multa aplicada pelo procurador municipal, porém não deixa claro qual o proceder desta. E por último analisamos o seu inventário, este possui uma riqueza de detelhas e informações preciosas sobre Luís Chermont de Brito, como local de moradia, seus bens de um modo geral e quem foram os arrematadores de seus bens.
Ao analisarmos todos esses documentos pecebemos o quanto Luís Chermont de Brito se diferenciava dos demais negros, tanto pelo fato de ser músico, alfaite, homeopata, letrado, como consta do seu invetário quanto por ser dono de vários livros. Tanto a pecuária quanto os sehores: Joaquim Apolinar, Visitador Fernandes e o Pe. Brito Guerra foram fatores que proporcionaram as profissões de Chermont. As atividades pecuaristas permitiam aos negros, que eram utilizados como mão de obra, uma maior flexibilidade na relação entre senhor e escravo, assim esses indivíduos negros possuíam maior facilidade em adquirir sua “liberdade” (MACEDO 2003).
Um questionamento que essa pesquisa não consegiu responder, qual seria a ligação entre Luís Chermont de Brito de o Padre Francisco de Brito Gerra? Como esse negro adquiriu esse sobrenome de derivação francesa, se nesse período apenas os padres possuíam o contanto com outras línguas?
Nas vertentes historiográficas temos trabalhos que relatam indivíduos negros que assim como Luís Chermont de Brito, obtiveram um diferencial dos demais como o trabalho de José Reis: Domingos Sodré Um Sacerdote Africano na Bahia do século XIX. Sodré, assim como Chermont e Rosa Egípcia, Zé Ezelino, Chica da Silva, Caetana, Liberata, foram negros que experimentaram a escravidão e depois conseguiram superá-la. Tomando a trajetória de Domingos como fio condutor, e cotejando-a com outros perfis e experiências.
FONTES
Fundo da Comarca de Caicó (FCC). 1º Cartório Judiciário (1ºCJ). Diversos. Arrolamento e arrecadação de bens, 1879. Inventariado: Luis Chermont de Brito.
Fundo da Comarca de Caicó (FCC). 1º Cartório Judiciário (1ºCJ). Diversos. Petição, 1871. Requerido: Juiz Municipal Provedor de Capelas.
Fundo Joaquim Martiniano Neto (Madureira).
Fundo Antiga Câmara Municipal do Príncipe (FACMP). Petição, 1865. Solicitante: Luis Chermont de Brito.
Fundo Luciano Alves da Nóbrega.
Livro de Fábrica da antiga Freguesia da Gloriosa Senhora Santa Ana do Seridó, 1850 – 1868. Registros contábeis (receita e despesa) referentes ao século XIX em 6 de Janeiro de 1860, fl. 20 – 26.
Fundo Antiga Câmara Municipal do Príncipe (FACMP). Cobrança, 1874. Solicitante: Procurador da Câmara Municipal.
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APÊNDICE A
FICHA DE CATALOGAÇÃO
Nº de ordem Ano Folhas
Localização Suporte Forma Formato Gênero Espécie Tipo Técnica Resumo Palavras- chave Lugares mencionados Observações Local e data Pesquisador(a)
ANEXO A
AUTO DE DEMISSÃO DO TESOUREIRO DA IRMANDADE DOS NEGROS DO