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Groupes nominaux

Dans le document Académie d’Orléans – (Page 48-51)

Num estudo levado a cabo por Wykes et al (1997) em equipas de saúde mental que trabalham em residências comunitárias1, os resultados indicaram elevados níveis de burnout, resultantes dos agentes stressores. Estes níveis eram maiores do que os mencionados nos estudos publicados sobre profissionais de saúde mental em hospitais, mas são similares aos referidos em estudos mais recentes realizados em equipas de saúde mental e que prestam

1 Residências comunitárias são uma nova modalidade, criada para aliviar os serviços hospitalares, visando a

reabilitação e inserção na vida activa de doentes com determinadas perturbações mentais, nomeadamente, esquizofrénicos.

cuidados em residências comunitárias. Outro estudo realizado com o mesmo tipo de profissionais foi levado a cabo por Prosser e colaboradores (1996), no qual se demonstrou existirem elevados níveis de burnout em ambas as equipas: as que trabalham em hospitais e as que trabalham em residências comunitárias, sendo os níveis mais elevados nesta última. Wykes e colaboradores (1997) referem que tal como os factores associados com a organização do trabalho, existem outros factores de trabalho e não trabalho que afectam os níveis de stress. Estes factores têm sido descritos como sendo “exigências irritantes, frustrantes e desgastantes que num certo grau caracterizam as transacções do quotidiano com o meio ambiente” (Kanner et al., 1981, p.3). Incluem dificuldades financeiras, dificuldades nos relacionamentos íntimos, preocupações de saúde, dificuldades no trabalho, etc. Verificou- se que eram substancialmente melhores do que os acontecimentos de vida para predizer o bem-estar psicológico e dimensões de saúde mental (Chamberlain & Zilka, 1990, cit in Wykes et al., 1997). Em 1995, Corrigan e colaboradores haviam concluído no seu estudo que o burnout estava associado positivamente com a ansiedade, a frequência da doença e atitudes contraditórias no trabalho. Isto é, os membros da equipa que estavam em burnout eram mais prováveis de experienciar ansiedade prolongada e apresentavam-se frequentemente doentes. Eram também estes membros que identificavam mais deficiências no programa de tratamento existente, sendo da opinião que existiam grandes barreiras na implementação das inovações do tratamento que poderiam solucionar essas insuficiências. Verificou-se ainda uma correlação negativa entre o burnout e a satisfação sentida pelos membros da equipa relativamente ao suporte obtido por parte dos colegas.

No estudo de Wykes e colaboradores (1997) verificou-se que os níveis de exaustão emocional e despersonalização eram mais elevados nas equipas que prestam cuidados de saúde mental nas residências comunitárias, do que nos outros grupos de comparação (técnicos de saúde mental, enfermeiros da área de medicina e psiquiatria, enfermeiras da área de psiquiatria que trabalham em residências comunitárias). Mas as equipas também revelaram níveis mais elevados de realização pessoal do que os restantes grupos à excepção das enfermeiras que trabalhavam na área da psiquiatria em residências comunitárias. Outros estudos têm demonstrado que existe um aumento nos sintomas psicológicos e uma diminuição no desempenho profissional principalmente nos níveis mais elevados de burnout (Wykes et al, 1997). A proporção do pessoal das residências comunitárias que tinha elevados níveis de exaustão emocional era muito elevado (57%), comparativamente aos enfermeiros (9%) e assistentes sociais (20%). Contudo, o oposto era verdade para a realização pessoal, pois as equipas das residências comunitárias tinham valores mais elevados de realização pessoal. Contrariamente, à amostra estudada por Maslach e Jackson (1981) não foram observadas

diferenças no sexo nas três sub escalas do Maslach Burnout Inventory, mas as mulheres relataram mais factores stressantes no quotidiano do que os homens. Não houve relação significativa com a idade ou com o facto de ter o suporte social de uma relação íntima estável (Wykes et al, 1997).

Em conclusão, Wykes e colaboradores (1997) referem que o burnout se desenvolve seguindo a ocorrência de três situações: um período prolongado de stress no trabalho, quando as exigências do trabalho excedem os recursos do indivíduo e quando as estratégias de coping com o stress são desajustadas. O momento, as manifestações e consequências do burnout dependem quer do indivíduo quer do contexto onde o sujeito trabalha. Em cada profissão há pessoas que entram em burnout mais depressa do que outras. Em algumas profissões, por vezes, o burnout, ocorre pouco depois de começar a trabalhar, às vezes durante o primeiro ano (Pines & Aronson, 1989). Ao estudar as características das equipas que trabalham em contextos de saúde mental (e que estavam em burnout) Pines e Aronson (1989), constataram que quanto maior era o período de tempo em que já trabalhavam no campo da saúde mental, menos gostavam de trabalhar com pacientes, e cada vez mais evitavam o contacto directo com eles. Sentiam cada vez menos sucessos no seu trabalho e as atitudes em relação às doenças mentais eram cada vez menos humanas. Deixaram de procurar auto-realização no trabalho, os dias bons eram cada vez mais raros e o que ainda valia a pena no trabalho era o dinheiro e a segurança que este proporcionava.

Alguns autores defendem a ideia que quando os indivíduos se sentem ameaçados numa determinada dimensão, preferem comparar-se socialmente com outros que se pensa serem piores do que eles nessa mesma dimensão. Foi nesta linha de pensamento, que Buunk et al. (2001) estudaram as consequências afectivas da comparação social relacionada com o burnout, tendo constatado que o aumento dos níveis de burnout era acompanhado de respostas menos positivas quando se comparavam com o desempenho de outros melhores que eles.

Num outro estudo realizado com 55 profissionais de saúde mental (5 médicos, 42 enfermeiros, 5 psicólogos, 1 terapeuta ocupacional e 2 assistentes sociais) foram encontradas correlações entre o nível de burnout e as variáveis demográficas sexo, idade, pluri-emprego e tempo de função (Oliveira & Guerra, 2004). Relativamente ao sexo não foram verificadas diferenças significativas em relação ao burnout, mas na dimensão da despersonalização os homens apresentavam um valor superior ao das mulheres. Segundo Cordes e Dougher (1993 cit. in Marques-Teixeira, 2002) o papel do sexo nos processos de socialização leva a que as mulheres tendam a enfatizar os cuidados e a preocupação com os outros, apresentando então menos comportamentos de despersonalização do que os homens. No que diz respeito à variável idade, foi encontrada uma correlação negativa. Schawab e Iwanicki (1982), e também

Price e Spence (1994) afirmam que a idade está inversamente correlacionada com a exaustão emocional. Desta forma, também a correlação negativa entre a mesma e a exaustão emocional é perceptível, pois Lee e Ashford (1993) verificaram que são os mais jovens os mais susceptíveis à exaustão emocional, pois ainda não aprenderam a defender-se. A maturidade aparece com a idade e é o resultado de experiências de sucesso a par de experiências de grande stress (Correia, 1999). Oliveira e Guerra (2004), apesar de não terem obtido resultados significativos estatisticamente para a relação entre burnout e tempo de função, demonstraram que os resultados têm o sentido esperado e vão de encontro aos valores obtidos na variável idade. No estudo dirigido aos profissionais dos centros de atendimento a toxicodependentes, Correia (1997, 1999) verificou que quanto menor for a experiência, maior é a exaustão emocional e, que quanto maior for a experiência profissional maiores serão os níveis de despersonalização. Apesar de não significativa, Oliveira e Guerra (2004) encontraram uma correlação entre o burnout e o pluri-emprego, explicada por excesso de carga horária e no caso, trabalhos na mesma área da saúde, ou noutras áreas complicadas (ex.: oncologia) e, no ensino (outra área problemática para o burnout).

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