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Given the complexity of the issue at hand and important gaps in data to measure key elements of

Um adulto médio sabe os nomes de mais ou menos dez mil objetos, a maioria delas distinguidas pela forma. Quando reconhecemos a forma de um objeto, estamos agindo como autênticos geómetras, examinando a distribuição da matéria no espaço e descobrindo o correspondente mais próximo na memória. O geômetra mental tem que ser verdadeiramente preciso, pois uma criança de três anos pode olhar para biscoitos com forma de animais e dizer rapidamente os nomes da fauna exótica das suas silhuetas. Quando um objeto ou o observador se move, os contornos no esboço 2 ½-D mudam. Se a lembrança que você tem da forma – digamos, de uma mala – era uma cópia do esboço em 2 ½-D quando você a viu pela primeira vez, a versão após você se mover, não corresponderá mais a anterior. Sua lembrança da mala será de uma lâmina retangular e uma alça

horizontal na posição nas doze horas”, mas a alça que agora você vê não está horizontal e não está nas doze horas. Você ficaria perplexo, sem saber o que é aquilo.

Mas suponha que ao invés de usar um referencial retiniano, seu arquivo de memória usa um referencial alinhado com o próprio objeto. Sua lembrança seria “um lâmina retangular com uma alça paralela à borda da lâmina, na parte superior da lâmina, no topo do bloco”. A parte “da lâmina (bloco)” significa que você lembra as posições das partes relativas ao próprio objeto, sem relação com o campo visual. Então, quando você vê um objeto não identificado, seu sistema visual automaticamente alinharia um referencial tridimensional sobre ele, como fez com o bailado de quadrados e triângulos de Attenave. Agora quando você faz a correspondência entre o que está vendo e o que recorda, ambos coincidem, independentemente como a mala está orientada; então você reconhece sua bagagem (PINKER, 1999, p. 286).

Foi assim, resumidamente que Marr explicou o reconhecimento de formas. A idéia chave é que as lembranças de uma forma, não é uma cópia do esboço em 2 ½-D, é armazenada em um formato que difere desse esboço de dois modos. Primeiro, o sistema coordenado é centralizado no objeto – e não, como no esboço em 2 ½-D, no observador. Para reconhecer um objeto, o cérebro alinha um referencial sobre seus eixos de extensão e simetria e mede as posições e ângulos das partes neste referencial. Só então se faz a correspondência entre visão e lembrança. A segunda diferença é que quem faz a correspondência não compara visão e lembrança pixel por pixel, como se encaixasse uma pecinha de quebra-cabeça em um pedaço vazio. Se fizesse isso, as formas que teriam de encontrar correspondente ainda assim poderia não encontrar. Objetos reais apresentam afundamentos, oscilações e aparecem em diferentes estilos e modelos. Não há duas malas com dimensões idênticas; algumas têm cantos arredondados outros cantos vivos, algumas possuem alças grossas, outras têm alças finas. Portanto, a representação da forma a ser identificada não deveria ser um molde exato de

cada saliência e depressão, é preciso dar margem a uma certa imprecisão; embora as alças de xícaras distintas sejam sempre nas laterais, podem ser um pouco mais altas ou mais baixas conforme a xícara.

Em nenhuma outra situação a perícia visual é mais impressionante do que quando observamos uma cena natural, mas para avaliar essa perícia, é melhor começar com algo mais simples. Este é, na verdade o método da ciência: estudar o simples em primeiro lugar, depois o complexo. Neste espírito, vamos olhar primeiro uma figura simples, diante dos poderes construtivos da inteligência visual. Eis a ondulação.

Figura 2.14: Ondulação (Hoffman 2000, p. 2)

Esta figura é a imagem de um desenho numa superfície plana, bidimensional (2D). Podemos checar isso, tocando-a. Mas a figura parece ser uma figura nada plana. Podemos checar isso vendo a figura. Na verdade, ver a ondulação como uma figura plana é difícil visualizar.

A lógica nos diz que a ondulação não pode ser, plana e não plana, ao mesmo tempo. O problema é que nós, seres humanos, não vemos uma ondulação como algo plano. Isso talvez se possa explicar que nosso sistema visual além de fabricar ondulações, e atribui partes a ela. Neste caso em três partes: uma protuberância

no meio, uma onda circular em volta desta e outra onda circular na parte exterior. Para auxiliar nesta discussão foram desenhadas curvas ao longo das fronteiras destas partes. Será que as curvas tracejadas e não o sistema visual sejam, as verdadeiras culpadas por esta situação, e que sem as curvas tracejadas não veríamos as partes? Podemos verificar que isso não é assim. Observem, virem a figura, ou sua cabeça, de cabeça para baixo. Vemos as ondulações invertidas com novas partes: as curvas tracejadas estão agora em cristais de ondas e não, como antes nas cavidades entre as ondas. Virando a figura para a posição original, as partes são restauradas. E se virarmos a figura lentamente, podemos capta-la no ato de movimentar-se de um conjunto de partes para o outro. Logo, os responsáveis não são as curvas tracejadas, o uma vez que as partes que vemos na ondulação invertida nem sempre respeitam essas curvas. Terá seu sistema visual se descontrolado? Ele constrói engenhosamente uma ondulação no espaço, em seguida embeleza-a com partes mutáveis.

A ondulação é uma façanha impressionante do nosso poder de construção. As curvas que vemos na página e a superfície pregueada que vemos em 3D – tudo isso nós construímos. Nós também a organizamos em três partes concêntricas, que se assemelham a ondas aquáticas, os contornos tracejados nas fendas assinalam aproximadamente o lugar em que uma da parte acaba e a outra começa. Não somos um receptor passivo das partes, mas um criador ativo das partes. As três partes, que vemos, não seriam partes, se nós não as construíssemos. Na verdade, se virarmos a figura de cabeça para baixo, descobriremos que optamos por descartar essas três partes e construímos outras, diferentes delas. Podemos verificar que elas são, de fato, diferentes: observe que os contornos tracejados não estão mais em fendas entre as partes, mas nas cristas de novas partes onduladas que nós construímos. Ao virarmos a figura na posição de cabeça para cima, optamos novamente por construirmos as partes originais (HOFFMAN, 2000, p.79).