O controle mais eficaz do efeito visual encontra-se no entendimento de que existe uma ligação entre mensagem e significado. Os critérios sintáticos oferecidos pela psicologia da percepção e a familiaridade com o caráter e a pertinência dos elementos visuais essenciais proporcionam a todos os que buscam o alfabetismo visual uma base sólida para a tomada de decisões compositivas. Contudo, o controle crucial do significado visual encontra-se na função focalizadora das técnicas.
As técnicas visuais foram ordenadas em polaridades, não só para demonstrar e acentuar a gama de opções operativas possíveis na concepção e na interpretação de qualquer manifestação visual, mas também para expressar a enorme importância da técnica e do conceito de contraste em todos os meios de expressão visuais. Todo e qualquer conceito existe no contexto dessas polaridades. Seria possível entender o alto e o baixo, o doce e o amargo, o frio e o calor? O contraste de substâncias e a receptividade dos sentidos a esse mesmo contraste dramatizam o significado, através de formulações opostas. O princípio básico da ‘forma’ determina essa estreita relação entre unidades aperceptivas e distinções lógicas, que os antigos conheciam como ‘unidade de diversidade’. É assim que em seu ensaio “Abstraction in Sciencie end Abstraction in Art” Susanne Langer descreve a “articulação dos elementos estruturais de um todo dado”. No processo de articulação visual, o contraste é a força vital para a criação de um todo coerente. Em todas as artes o contraste é um poderoso instrumento de expressão, o meio para intensificar o significado, e, portanto, para simplificar a comunicação (DONDIS, 2000, P.108).
Embora, no rol das técnicas, a harmonia seja colocada como polaridade de contraste, é preciso enfatizar muito que a importância de ambos tem um significado mais profundo na tonalidade do processo visual. Representam um processo contínuo e extremamente ativo em nosso modo de ver os dados visuais, e, portanto, de compreender aquilo que vemos. O organismo humano parece buscar a harmonia, um estado de tranqüilidade e resolução. Há uma necessidade de organizar toda espécie de estímulos em totalidades racionais, como foi demonstrado pelos experimentos gestaltistas. Reduzir a tensão, racionalizar, explicar e resolver as confusões de coisas que parecem, todas, predominar entre as necessidades do homem. Só no contexto da conclusão lógica dessa indagação incessante e ativa é que o valor do contraste fica claro. Se a mente humana obtivesse tudo aquilo que busca tão avidamente em todos os processos de pensamento, o que seria dela? Chegaria a um estado de equilíbrio imponderável, estável e imóvel, ao repouso absoluto. O contraste é uma força de oposição, que,
desequilibra, choca, estimula e chama a atenção.Vemos muito mais do que precisamos ver, mas nunca nos damos por satisfeitos. Estabelecemos um contato com o mundo e suas complexidades através da visão, e recorremos aquilo que o poeta chama de “olho da mente” para pensar em termos visuais (DONDIS, 2000, p. 108-109).
O alfabetismo visual, a importância do significado do contraste começa no nível básico da visão ou da ausência desta, através da presença ou da ausência de luz. Por melhor que funcione o aparato fisiológico da visão, os olhos, o sistema nervoso, o cérebro por pior que o número de coisas que o meio ambiente nos ponha diante dos olhos, numa circunstância em que predomine o escuro absoluto, somos todos cegos. Neste sentido, a luz é a chave de nossa força vital. Em seu estado visual elementar, a luz é tonal, e vai do brilho, ou luminosidade, à obscuridade, através de uma série de etapas que podem ser descritas como constituídas por gradações muito sutis. No processo de ver, dependemos da observação da justaposição interatuante dessas gradações de tom para ver os objetos.
A luz cria padrões, e, uma vez identificados esses padrões intensificados esses padrões a informação obtida é armazenada no cérebro para ser utilizada em conhecimentos posteriores. Assim, os olhos e o processo de visão estendem-se em muitas direções, extrapolando o ato de ver e atingindo os domínios e as funções da inteligência. Todo o sistema nervoso interage com a visão, intensificando nossa capacidade de discernir. O tato, o paladar, audição e o olfato contribuem para essa compreensão do mundo que nos cerca e, às vezes, entrando em contradição com o que nos dizem nossos olhos. Mas, porém, de todos os nossos sentidos a visão é aquele de que mais dependemos, e o que sobre nós exerce um poder superior. E a visão funciona com mais eficácia quando os padrões que observamos se tornam visualmente mais claros através do contraste, transformando em estruturas coesas em um nível superior de significado (DONDIS, 2000, p.111).
Em seu livro Intelligent Eye, R. L. Gregory diz “nesse sentido, os ‘padrões’ são muito diferentes de ‘objetos’. Por padrões entendemos um certo conjunto de inputs que atinge o receptor no espaço ou no tempo”. Ver significa classificar os padrões, com o objetivo de compreendê-los ou reconhecê-los. Sua utilização habilidosa ajuda muito, a evitar confusões, tanto do designer quanto do observador. O ato de ver é um processo de discernimento e julgamento.
O contraste é um instrumento essencial da estratégia de controle dos efeitos visuais, e, conseqüentemente do significado. Mas o contraste é, ao mesmo tempo, um instrumento, uma técnica e um conceito. O contraste é o caminho fundamental para a clareza do conteúdo em arte e comunicação.
O principal objetivo de uma manifestação visual é a expressão, a transmissão de idéias, informações e sentimentos; para entendê-lo melhor, é preciso vê-lo em termos de expressão. Em seu ensaio “Expresion and Gestalt Theory”, que faz parte de uma compilação de textos intitulada Psicology and the visual Arts, Artheim define expressão como sendo a “contrapartida psicológica dos processos dinâmicos que resultam na organização dos estímulos perceptivos”. Em outras palavras, Dondis (2000, p.121) nos diz que “os meios de que o organismo humano se vale para decodificar, organizar e dar sentido à informação visual, na verdade a toda informação, podem prestar-se, com grande eficácia, à composição de uma mensagem a ser colocada diante de um público. Em suas ramificações psicológicas e fisiológicas, o processo de input informativo humano pode servir de modelo para o output informativo”.