A nível do produto final CIEC, podem-se distinguir conclusões de cariz global e conclusões específicas relativas a cada uma das suas componentes: laboratório e centro de ciência.
Assim, em relação às conclusões de cariz global do produto final CIEC (enquanto infra-estrutura não convencional de suporte à educação não-formal de ciências dentro de uma instituição escolar e ambiente integrado de formação) podem destacar-se as seguintes características:
(1) Estar alicerçado numa perspetiva integrada de educação em ciências. O CIEC é um centro que tem como finalidade promover a integração do ensino e da aprendizagem das ciências a diferentes níveis, nomeadamente: (i) a nível de estratégias e atividades de ensino e de aprendizagem; (ii) a nível dos diferentes contextos de aprendizagem: formal, não-formal e informal; (iii) a nível das diferentes áreas disciplinares (ex. história, geografia, língua materna, educação e expressão musical, físico motora, dramática); e (iv) a nível dos contextos locais.
Por outro lado, é também sua finalidade, em parceria com instituições de ensino superior, promover projetos de formação continuada, em particular de professores, no âmbito da educação integrada de ciências, assim como desenvolver, concomitantemente, projetos de investigação neste âmbito. Neste sentido, os docentes da escola de VNB tiveram formação específica de suporte a estas práticas e continuarão a dispor de acompanhamento da equipa do DE e CIDTFF da UA.
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(2) Estar integrado numa escola do 1º CEB. O facto de o CIEC fazer parte integrante da escola, concede-lhe um cariz e identidade particulares. Esta característica peculiar, exige novas formas de estar, tanto aos professores, como aos alunos desta escola. Dos professores da escola espera-se uma nova forma de organizar o ensino das ciências, integrando articuladamente as atividades de educação formal (ex. desenvolvidas no laboratório de ciências do CIEC) e as atividades de educação não-formal desenvolvidas no centro de ciência do CIEC. Esta integração exige o desenvolvimento de projetos de longa duração, dado não ocorrer em situações pontuais como acontece, por exemplo, durante as vistas de estudo a um determinado local. Aos alunos da escola é exigida uma implicação e participação ativas, quer no desenvolvimento das atividades propostas, quer na realização de propostas e desenvolvimento de projetos (ex. individuais, ou realizados em colaboração com outras crianças da escola ou do agrupamento, familiares) para serem expostos ou explorados pelos visitantes do centro de ciência CIEC.
(3) Ter uma infraestrutura de apoio ao ensino formal das ciências – o laboratório – concebido de raiz especificamente para o 1º CEB. A existência de um laboratório de ciências dirigido especificamente ao 1º CEB, apetrechado com os recursos e equipamentos necessários ao desenvolvimento de atividades práticas de ciências neste nível etário, poderá ser uma condição favorável ao aumento da motivação e implicação do corpo docente na implementação, regular e sistematizada, de atividades práticas de ciências com as crianças. A existência de infraestruturas, equipamentos e recursos de ciências apropriados para os primeiros anos de escolaridade é crucial, quando se preconiza que nestes níveis de escolaridade o ensino das ciências deve proporcionar, fundamentalmente, oportunidades diversificadas de realização de atividades práticas (Motz, Biehle & West, 2007; Osborne & Dillon, 2008; Rocard et al. 2007). São, no entanto, ainda escassas as orientações para planificação, organização e configuração de espaços desta natureza.
(4) Apresentar conteúdos emergentes do contexto local socioeconómico, histórico-geográfico e cultural. O facto dos conteúdos científicos do centro de ciência CIEC estarem ancorados nas realidades locais, confere-lhe uma vincada identidade própria. Desta forma, os módulos ou atividades visam a compreensão de conceitos e fenómenos científicos globais, mas a partir da realidade ou contexto local (ex. Rio Tejo, Barca, Castelo de Almourol, Paraquedismo e Arqueologia). Esta contextualização, proporciona aos visitantes locais a exploração de conceitos e fenómenos científicos e focados na sua própria terra e aos visitantes não locais, para além dessa exploração, dá-lhes ainda a possibilidade de conhecerem VNB e a sua história. A compreensão da coerência do conjunto dos conteúdos CIEC implica, também, um conhecimento e um “sentir do território”.
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No que respeita, em particular, ao produto final laboratório, destacam-se como características mais relevantes e ou inovadoras:
(1) A existência de armários temáticos. A existência de armários organizados em 10 grandes temáticas de ciências abordadas ao nível do 1º CEB é, certamente, um grande suporte para a implementação prática das atividades de ciências. Cada armário funciona como um kit didático “gigante”, onde se encontram todos os recursos básicos necessários à realização de atividades práticas sobre uma determinada temática do Estudo do Meio (componente das ciências físicas e naturais).
(2) A mobilidade do mobiliário, permitindo uma organização versátil do espaço em função do tipo de atividades que se pretendem desenvolver. Esta mobilidade permite também, transportar sempre que necessário, o mobiliário para outros espaços da escola.
(3) A existência de um armário-pia por grupo de trabalho. O facto de existir um armário-pia junto à mesa de cada grupo de trabalho permite um acesso facilitado à água evitando, assim, períodos de espera prolongados e constrangimentos na circulação dos alunos dentro do laboratório.
(4) A versatilidade do mobiliário (ex. bancos ajustáveis em altura, gaveta-estrado debaixo das bancadas) permite que o laboratório, apesar de ter como público privilegiado as crianças possa, também, ser usado, sempre que necessário, por jovens e adultos.
No que se refere, em particular, ao produto final centro de ciência CIEC, destacam-se como características mais relevantes e ou inovadoras:
(1) Contemplar diferentes dimensões de interatividade. Os módulos e atividades preconizadas visam uma interatividade a nível sensorial (hands-on), cognitivo (minds-on) e emocional (heart-on).
(2) Contemplar módulos multiusuários. O facto de existirem módulos compostos por vá-rios flancos ou estações permite que diferentes visitantes possam usar ou explorar em simultâneo o tema ou fenómeno subjacente aos mesmos.
(3) Contemplar vários tipos e níveis de exploração. Os módulos oferecem níveis distintos de exploração e interpretação para que cada visitante possa usá-los para aprofundar os seus conhecimentos conforme o seu desejo (ex. a existência de dispositivos adicionais para alterar uma dada variável e mostrar os correspondentes resultados; ter informação gráfica adicional, disponível em distintos formatos; ter profissionais a quem podem ser dirigidas questões). Destaca-se, em particular, a existência de módulos do tipo “open-ended”. Este tipo de módulo oferece possibilidades diferenciadas de resposta a partir da escolha do tipo de ação do visitante. Permite, assim, a personalização da experiência do visitante, atendendo às suas singularidades (ex. interesses e conhecimento prévio), proporcionando-lhe uma experiência definida, por si próprio, e promovendo a sua participação ativa e criativa.
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(4) Contemplar painéis gráficos com desafios e interações com a realidade local. No texto dos painéis gráficos inerentes aos módulos expositivos estabelecem-se relações com o contexto local, colocam-se desafios inerentes à exploração do módulo, de forma a envolver de forma ativa e prolongada os visitantes através do apelo constante ao questionamento e à experimentação. Utiliza-se uma linguagem simples e apelativa, sem contudo, pôr em causa a sua correção científica.
(5) Contemplar módulos que implicam baixos custos de manutenção. A sustentabilidade dos projetos desta natureza deve ser precavida logo na sua planificação. Assim, os módulos foram pensados para que a sua manutenção fosse acessível, tanto a nível técnico como financeiro. Por outro lado, é muito importante que a reparação dos módulos seja célere, para que a exposição esteja sempre a funcionar com o maior número de módulos possível. A diversidade de oferta e a qualidade da experiência a proporcionar aos visitantes deve ser sempre um objetivo a prosseguir.