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CHAPITRE 5.5. DEFINITIONS UTILES

5.5.2. GENIE

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), homologada no final do ano de 2017, é atualmente o documento oficial orientador do ensino de LI no Brasil que define a política linguística, na medida em que regulamenta a sua inserção no currículo escolar. A BNCC começou a ser construída em 2015, e, em 2018, iniciou-se um ciclo de debates nos estados e municípios para a construção dos currículos locais, com impacto também nos cursos de formação de professores, materiais didáticos e avaliações federais.

De acordo com a BNCC, a aprendizagem da LI precisa proporcionar aos estudantes o acesso a novos percursos de construção de conhecimento, para ampliar as possibilidades de interação e mobilidade, bem como o exercício da cidadania ativa, a vivência de “novas formas de engajamento e participação em um mundo social cada vez mais globalizado e plural” (BRASIL, 2017, p. 239). O caráter formativo da aprendizagem do idioma e sua função social e política confere à LI o status de língua franca.

A BNCC propõe o desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita e oralidade, por meio de 6 competências específicas para LI, articuladas com as competências de Linguagens e com as 10 competências gerais da Educação Básica, que podem ser utilizadas como referência na elaboração de currículos de outros idiomas, caso outros sistemas e redes optem em ofertá- los.

Figura 1: Competências específicas de Língua Inglesa para o Ensino Fundamental

Fonte: BRASIL (2017, p. 244)

No intuito de assegurar o desenvolvimento das competências específicas, a BNCC determina um conjunto de habilidades para cada ano, relacionando-as com os objetos de conhecimento do componente curricular. No entanto, é importante destacar que as habilidades “não descrevem ações ou condutas esperadas do professor, nem induzem à opção por abordagens e metodologias” (BRASIL, 2017, p. 30).

Os objetos do conhecimento, por sua vez, representam os conteúdos, conceitos e processos a serem desenvolvidos nas unidades temáticas ao longo dos anos escolares. As unidades temáticas organizam o ensino em cinco eixos relacionados às práticas de linguagem, articulando habilidades comunicativas, conhecimento sistêmico da língua e interdependência com a cultura. São eles:

1) Conforme a BNCC (2017), o eixo oralidade envolve práticas de compreensão (escuta) e produção (fala), de acomodação (resolução de conflitos) e de negociação e produção de sentidos em diferentes contextos discursivos, com diversos interlocutores. Assim, as práticas de linguagem oral partem do conhecimento prévio

dos estudantes de forma que estimulem a vivência e a reflexão sobre os usos da língua, momentos em que se articulam diferentes aspectos da linguagem verbal e não-verbal.

2) Já a proposição do eixo leitura refere-se às práticas de linguagem derivadas da interação do leitor com o texto escrito, à possibilidade de reflexão, construção de significados, bem como à compreensão e interpretação de gêneros textuais híbridos em diferentes suportes e esferas de circulação.

3) Por outro lado, as práticas de produção de textos propostas no eixo escrita compreendem a escrita como um processo mediado que se dá na interação entre os sujeitos e os conhecimentos prévios dos mesmos, e na concepção da escrita como prática social.

4) O eixo conhecimentos linguísticos abarca as práticas de uso, análise e reflexão sobre a língua, além de contextualizar e articular as práticas de oralidade, leitura e escrita.

5) E, o eixo dimensão intercultural insere-se na compreensão de que o respeito e valorização da diversidade são fundamentais no ensino de uma LE, pois implicam no entendimento das relações entre identidade, território e cultura.

Sobre tais peculiaridades, Rajagopalan (2003, p. 56) adverte que: “o conhecimento das políticas linguísticas é fator crucial para melhor entender, lidar e ensinar as línguas que fazem parte do nosso contexto.” Assim, compreender os elementos históricos, culturais e políticos que regulamentam o ensino de determinado idioma no currículo escolar torna-se essencial, como destaca Silva (2015, p. 55): “O currículo não está simplesmente envolvido com a transmissão de ‘fatos’ e conhecimentos ‘objetivos’”. O currículo é um lugar onde, ativamente, se produzem e se criam significados sociais.” De acordo com Sacristán e Gómes (1998, p. 25),

o termo currículo provém da palavra latina currere, que se refere à carreira, a um percurso que deve ser realizado e, por derivação, a sua representação ou apresentação. A escolaridade é um percurso para os alunos/as, e o currículo é seu recheio, seu conteúdo, o guia de seu progresso pela escolaridade.

Dessa forma, o currículo é um caminho que abarca os conteúdos de ensino, a ordem de sua distribuição e a organização do processo de ensino e aprendizagem. A finalidade do currículo, segundo Sacristán (1998) é balizar os projetos educacionais, a organização e o desenvolvimento do ensino pelo viés da reflexão prática nas escolas, com o intuito de atender as necessidades da comunidade escolar e contextualizar os interesses e perspectivas dessa comunidade e da sociedade.

No documento norteador “Orientações Educacionais Complementares – PCN+” (BRASIL, 2002), a aprendizagem de uma língua estrangeira deve ser compreendida como um processo que envolve obrigatoriamente a percepção de que se trata de um produto cultural complexo, e estabelece que essa aprendizagem,

iniciada no ensino fundamental, implica o cumprimento de etapas bem definidas que, no ensino médio, culminarão com o domínio de competências e habilidades que permitirão ao educando utilizar esse conhecimento em múltiplas esferas de sua vida pessoal, acadêmica e profissional. (BRASIL, 2002, p. 93)

Nessa perspectiva, o ensino de uma LI compreende a sala de aula como um espaço social, que cria significados, na medida em que amplia a percepção de mundo, tornando o sujeito-aluno autônomo e crítico, visando a emancipação (FREIRE, 1996).

Para Bakhtin (1997), todas as esferas da atividade humana, por mais variadas que sejam, estão sempre relacionadas com a utilização da língua, por isso a necessidade da discussão sobre o lugar da LI no currículo escolar em relação a outros saberes, bem como às suas finalidades, à sua histórica instabilidade nos currículos, à indefinição do seu status e, consequentemente, a pouca importância que lhe é dada no sistema escolar brasileiro. Sob esse viés, passamos a discutir as abordagens integradoras de ensino e aprendizagem de LE.

2.2 ABORDAGENS INTEGRADORAS DE ENSINO E DE APRENDIZAGEM DE LÍNGUA

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