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Generating An Updated Version OfThe Operating System

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STEP 11: Generating An Updated Version OfThe Operating System

É geralmente pressuposto que a teologia joanina tenha suas próprias características diferenciadas o suficiente para a distinguir de outras linhas do pensamento teológico corrente nas literaturas cristãs do I século da EC. Por causa da ligação habitual do pensamento joanino em um momento próximo da virada do I século, a literatura joanina é vista, geralmente, como a mais tardia desenvolvida no NT. No entanto, há de se advertir que é necessário irmos contra esta suposição, por vezes, demasiadamente aceita, de que essa literatura e tradição não tem raízes nas tradições cristãs mais antigas. É um equívoco supor que a tradição joanina seja um desenvolvimento a partir da teologia paulina, por exemplo, sem dar plena consideração à possibilidade de que ambos preservem uma corrente inicial de pensamento que se desenvolveu paralelamente e não, dependentemente.

É quase um axioma da tradição e literatura cristã primitiva que a doutrina acerca de Deus foi basicamente enraizada do judaísmo. O judaísmo no tempo de Jesus, havia exaltado a Deus em tão alta transcendência que os intermediários eram necessários para que Ele mantivesse contato com a humanidade. Esta exaltada noção de Deus tornou singular a revelação em Cristo de um Deus que é ao mesmo tempo inacessivelmente santo, mas condescendentemente misericordioso. Na tradição joanina, o aspecto mais íntimo do relacionamento de Deus com a

humanidade é trazido a um estágio de relacionamento bastante adiantado. A maneira que essa expressão de relacionamento com o divino se realiza é que procuraremos observar no decorrer da discussão a seguir (HILL, 2006, p. 205-206).

É sabido que para a literatura e tradição joanina, Jesus Cristo é a revelação definitiva de Deus, ou seja, a encarnação viva da divindade. Mas ainda que essa encarnação seja ponto crucial na tradição joanina, o Jesus joanino é ao mesmo tempo um ser fora da ordem natural, ou, com atributos que podemos relacionar com seres celestiais.

Poderíamos, portanto, afirmar que a Cristologia joanina é, também

angelomórfica?

Um olhar sobre o QE, nos revelará que a menção a figura do anjo são poucas e se resumem a quatro menções literalmente concebendo a ideia de anjo como um ser nos moldes da tradição judaica. São essas as passagens:

Jo1.51 – “E disse-lhe (a Natanael): – “Em verdade, em verdade vos digo: Vereis

o céu aberto, e os Anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.”

Jo 5.4 – “O Anjo do Senhor descia de tempos em tempos e agitava a água e o

primeiro, então, que aí entrasse, depois que a água fora agitada, ficava curado, qualquer que fosse a doença.”

Jo 12. 29 – “Ora, o povo que ali estava e ouvira (uma voz vinda do alto), dizia

que tinha sido um trovão. Outros diziam: Um Anjo falou-lhe. Jesus respondeu: “Esta voz não ressoou para mim, mas para vós.”

Jo 20.11 – Entretanto Maria (Madalena) conservava-se na parte de fora do

sepulcro, chorando. Enquanto chorava. inclinou-se para o sepulcro; e viu dois Anjos vestidos de branco, sentados no lugar onde o corpo de Jesus fora colocado, um à cabeceira e outro aos pés. Disseram-lhe então: “Mulher, por que choras?” Respondeu- lhes: “Levaram o meu Senhor e não sei onde o colocaram. “Dizendo isto, voltou-se e viu Jesus de pé.”

Como podemos observar, essas citações dizem respeito a crença convencional na concepção da tradição judaica: Um intermediário, por vezes mensageiro, entre a divindade e a humanidade. Esta é uma leitura tradicional. Mas a tradição joanina impõe um problema quanto a visão sobre a natureza humana e divina. Um dos

problemas mais complexo na tradição joanina é o seu dualismo que demonstra ser diferente daquele apresentado pelos sinóticos. O dualismo nos Evangelhos Sinóticos é basicamente horizontal: um contraste entre dois tempos - esta era e a era por vir. A tradição joanina apresenta um dualismo vertical: um contraste entre dois mundos - o mundo de cima e o mundo de baixo: Disse-lhes ele - Vós sois de baixo, eu sou de

cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo. (João 8.23). Os sinóticos

contrastam essa era com a era por vir, e sabemos, pela tradição paulina, que “este mundo” pode ser equivalente a “esta era” em um dualismo escatológico. Mas na tradição joanina, “este mundo” quase sempre está em contraste com o mundo acima. “Este mundo” é visto como mal e tem o “diabo” como seu governante (16.11), Jesus, para a tradição joanina, veio a ser a luz deste mundo (11. 9). A autoridade de sua missão não vem deste “mundo”, mas do mundo acima - de Deus (18.36). Quando sua missão estiver concluída, ele deve se afastar deste “mundo” (13. 1).

Esse dualismo aponta para realidades diferentes, na compreensão da tradição joanina, quanto à natureza humana e a natureza divina. Tal pensamento está em concernência com o pensamento gnóstico do qual a tradição joanina por muitas vezes foi associada. Nos parece de suma importância para a tradição joanina que para compreensão das “coisas celestiais” a/o discipula/o tenha uma natureza também celestial. Aqui, percebe-se um distanciamento entre o intermediador da tradição judaica e o “nascido do espírito” da tradição joanina. Ou seja, na tradição joanina o anjo não é mais o intermediador, mas é oferecida a oportunidade da/o seguidora/o de Jesus, assim como ele próprio, almejar a funcionalidade dos anjos. Portanto, o que nos parece é que Jesus é a primazia de uma metamorfose a se realizar no ser humano que a tradição joanina crê que também se realizará entre os seus: “Também para o Evangelho de João, a palavra do Jesus terreno é a voz do revelador do alto, que chama os homens a uma nova existência determinada pelo espírito”. (KOESTER, 2005, p. 197)

Possivelmente, por essa razão em diversas narrativas joanina Jesus é descrito com atributos que estão além da limitação humana e indica ser portador de uma natureza celestial. A própria missão de “Enviado do Pai” caracteriza Jesus como mensageiro

(ἄγγελος)

. A frase

πέμψαντί με

(aquele que me enviou) é encontrada 26 vezes no QE. Assim, o QE retrata a Cristo como um mensageiro. Mas, como Logos, na tradição joanina, ele é muito mais que um mensageiro. Ele mesmo é a

mensagem por excelência, “a mensagem que se fez carne”. E ainda, em algumas narrativas o Jesus joanino declara que “vem do alto” (Jo 3.31), se declara “o Filho do Homem” e que “veio para julgar” (Jo 5.27-30), anda sobre o mar em meio a ventania (Jo 6. 16-21) e, por fim, depois de ressurreto, foi capaz de adentrar em um cômodo com porta e janelas trancadas (Jo 20. 19-23).

Portanto, a resposta para a pergunta anteriormente aplicada: a Cristologia

joanina é, também angelomórfica? Podemos dizer que sim, no sentido de que a

apresentação feita pela tradição e literatura joanina sobre Jesus aponta para o “Enviado do Pai”, mensageiro

(ἄγγελος),

mas vai além, pois essa Mensagem se fez carne (Jo 1.14). O Jesus joanino assume uma natureza celestial que se opõem a natureza terrena, estando desde o princípio com Deus. E se faz ainda mais além ao colocar a promessa de Vida Eterna, de natureza celestial aos que “ouvem e creem” nesta mensagem (Jo 5.24).

Considerações Parciais

O que temos apresentado até então nos orienta no que tange a ideia de anjos e angelomorfias e que esses são partes integrais das narrativas religiosas da antiguidade. Nas religiões advindas da mesopotâmia, principalmente o zoroastrismo, vemos que a figura do anjo foi idealizada como sucessivas hostes de espíritos puros, com missões diferentes para criar o mundo e auxiliar os seres humanos. Em certos aspectos, na cultura religiosa persa esses espíritos puros têm funções similares ao que concebemos como anjos. Quanto a cultura religiosa grega conhecemos os chamados daemones. É possível dizer que os Daemones representam uma força primordial que regeu todos os elementos naturais presentes na criação, fazendo também com que o mundo dos humanos fosse permeado com o sobrenatural. Sendo que as suas funções eram, principalmente, fazer a intermediação entre os deuses e os seres humanos. Em ambas tradições, as representações iconográficas desses seres eram antropomórficas, como pudemos observar.

Amplamente em toda a literatura judaica, a figura do anjo é uma constante no Primeiro Testamento. A palavra hebraica para anjo, Mala’kh (

ךְ ַַ֧אְל ַמ (

, e os anjos nas primeiras fontes bíblicas fornecem informações características ou desempenham alguma função específica. Contudo, há de se ressaltar que o mesmo título é ocasionalmente aplicado aos agentes humanos da deidade, assim como, a figura do Anjo do Senhor em muitas ocasiões é reconhecido como o próprio Javé. Na apocalíptica judaica, nos deparamos com concepções peculiares quanto a natureza celestial. Daniel tem fortes afinidades com os apocalipses extra bíblicos, e assim apresenta muitos novos recursos em relação aos anjos. As revelações recebidas por Daniel são ou visões simbólicas, que um anjo interpreta (cap. 7.8), ou são reveladas na sua totalidade por um anjo (cap. 10 -12). Em I Enoque, livro de tradição apocalíptica, conta-se das relações físicas entre anjos e mulheres e a forte ligação com a natureza humana.

No Novo Testamento a compreensão da natureza dos anjos interpõe com a própria natureza de Jesus. Por vezes, o anjo é mensageiro como encontramos nos Evangelhos de Mateus e Lucas ao anunciar a gravidez de Maria ou tranquilizar José. Em outras narrativas, Jesus é descrito como possuidor de uma natureza angelical ou celestial. Assim também, nos é oferecido nas literaturas cristãs extra canônica.

Ainda que as narrativas sobre anjos no Evangelho de João não seja uma constante, essas adquirem relevância a partir da observação de que o papel dos anjos é diminuído em favor de Jesus. Dessa forma, o fenômeno da influência de anjos e seres celestiais em suas narrativas é atenuado, porém, mantido. Além disso, as características angélicas são sobrepostas a Jesus neste evangelho, sendo que, essas referências também são aplicadas a cristãos e cristãs posteriores como admitindo ser possível adquirirem a função de mensageiros angelicais. Essas alusões são referidas, mas não desenvolvidas, entretanto estão entrelaçadas com o conceito que defendemos de Cristomorfia, conforme veremos a partir do próximo capítulo.

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