PART I: STUDENT EVALUATION
1.1 G UIDANCE
O nível do mar está continuamente oscilando em resposta às forçantes astronômicas e meteorológicas (MARIOTTI & FRANCO, 2001). A costa sul brasileira é influenciada por ondas geradas no oceano Atlântico sul, onde ocorrem as interações entre a superfície oceânica e as massas de ar governadas pelos movimentos de ciclones associados às frentes frias e anticiclones, que se destacam da massa polar (TALJAARD, 1967).
Na ilha de Santa Catarina predomina regime de micro marés, com amplitude máxima de 1,4 m e regime semidiurno. Nas marés meteorológicas podem ser observadas as maiores variações do nível do
mar, devido à passagem de sistemas frontais ciclônicos, ou frentes frias, que são acompanhados de fortes tempestades vindas de sul e sudeste principalmente nos meses de outono e inverno (TRUCOLLO, 1998).
As forçantes meteorológicas na região sul-sudeste são mais facilmente sentidas com o nível do mar respondendo efetivamente à tensão do vento longitudinal à costa. Isto ocorre provavelmente devido a plataforma continental ser rasa e larga e a orientação da linha de costa ser a mesma dos ventos predominantes (TRUCOLLO, 1998).
A ondulação é gerada em alto mar e esta independe do vento local para atingir à praia, sendo a mais comum a ondulação provinda do sul. As vagas são geradas pelo vento local. Na região ocorre predomínio das vagas de leste.
Segundo Araújo et al. (2003), eventos de alta energia estão presentes o ano inteiro na ilha de Santa Catarina, sendo que as maiores ondulações ocorrem no inverno e as menores no verão. Estes autores verificaram também que na primavera ocorrem vagas oriundas de leste, no verão prevalece o equilíbrio entre vagas de leste e ondulações de sul, no outono dominam ondulações de sul embora ocorram escassamente vagas de leste e sul e no inverno predominam ondulações de sul e vagas oriundas de leste.
Romeu (2007) verificou que a direção média da inclinação batimétrica no entorno da ilha de Santa Catarina é de 15ºN. A direção de incidência de onda 105ºN (SE-E) é a normal em relação a essa inclinação batimétrica, enquanto que as direções 30ºN e 210ºN são as extremas. Segundo Araújo et al. (2003), ondas com direções menores que 30° em relação ao norte geográfico são raras, mas, quando acontecem, duram poucas horas, com pequena amplitude e períodos baixos. Em relação ao limite sul de incidência de ondas, os dados indicam a direção de 210° como suficiente, devido à orientação e à posição geográfica da costa sul brasileira, que possibilita a chegada de ondulações longínquas do Atlântico sul.
As condições de alta energia de onda observadas geralmente provêm de ondulações de sul/sudeste (S-SE), com períodos de pico acima de 11 s, gerando ondas maiores que 4 m em águas profundas. Tais condições podem ser encontradas em todas as estações do ano, associadas à passagem de frentes frias. Também há incidência de ondas de alta energia provenientes do quadrante E-NE, durante as chamadas “lestadas”, quando as ondas podem ultrapassar os 5 m de altura, geralmente com menor período de pico que as provenientes de S-SE.
Abreu de Castilhos (1995) observou que na praia da Armação as ondas dominantes provêm de nordeste com 20,5%, sudeste com 6% e
sul com 11% de freqüência. As ondas provenientes de leste apresentam freqüência de 8-10%. Esta autora observou que ondas provenientes de todas as direções apresentam cerca de 50-60% nas alturas significativas de até 2 m, sendo que o predomínio das ondulações é de nordeste e leste. Quanto ao período das ondulações indicaram que até 5 s estão associados principalmente às ondulações de nordeste e leste, enquanto períodos acima de 8 s estão relacionados às ondulações de sul e sudeste.
Segundo Torronteguy (2002), a praia do Morro das pedras apresentou a maior freqüência das ondas incidentes do leste, mas as maiores alturas de onda foram provenientes do quadrante sudeste. Quanto ao período de onda, a média foi de 9,43 s. Na praia do Campeche as ondulações incidentes de maior freqüência são do quadrante leste e sul. As maiores alturas de onda são oriundas do sul. O período das ondulações mostrou uma média de 9,18 a 9,41 s.
Na praia da Joaquina este autor observou o comportamento sazonal das ondas incidentes. A estação de menor energia de ondas foi o verão, apresentando 6,82% das ondas maiores que 1 m. A primavera e o verão foram as estações que apresentaram maior incidência do leste, com 37 e 44%. O período de maior energia de ondas foi o outono no qual apresentou 30% de ondas maiores que 1 m, sendo que o outono e o inverno tiveram a maior energia de onda associada aos quadrantes sul e sudeste. O período das ondulações variou entre 8,4 a 10 s.
Nas praias do Santinho e Pântano do Sul também foi observado o mesmo comportamento os eventos de alta energia, caracterizados por ondulações oriundas de sul/sudeste (OLIVEIRA, 2004 e PEIXOTO, 2005).
Miot da Silva (2006) verificou que na praia do Moçambique duas ondas incidem na costa com maior freqüência: ondas longas (de maior período) de sul-sudeste (170º) com altura que varia entre 1,2 e 1,7 m e período de 12 s, e ondas de período mais curto (7 s) originadas em leste- nordeste com altura média de 1,25 m. As primeiras representam as ondas de longo período, originadas distantes da costa (swell), enquanto as ondas mais curtas são geradas próximas à costa, por ventos locais (sea).
Ondas de maior altura são mais freqüentes durante o inverno, e as menores ondas são mais freqüentes durante o verão. Existe uma variação sazonal na direção das ondas. Geralmente, durante a primavera e o verão, podem ser observados os picos de freqüência das ondas swell e sea, mas durante o outono e o inverno, as ondas swell são as mais freqüentes.