Em The hunger games, Collins apresenta ao leitor um mundo em que um pequeno grupo de privilegiados controla a população de todo um país. Esse controle se dá de diferentes formas – divisão territorial, utilização da força e alienação da
população – para consolidar a ideia de que algumas pessoas são mais merecedoras que outras.
Investigando essas relações de privilégio e subordinação dentro do romance
The hunger games, Shaffer (2013, p. 96) destaca que “a desumanização é uma
técnica muito usada por opressores para atrair o populacho a apreciar o sofrimento alheio” e que as consequências dessa técnica em Panem, como na Alemanha nazista, constituem-se na experiência mais radical de desumanização no século XX. Contudo o autor não consegue identificar, em Panem, como se deu a construção da imagem dos distritenses em seres desumanos.
Na série de entrevistas de divulgação de seu livro, Collins aponta que se inspirou na Roma antiga para construir o universo de The hunger games. Os jogos seriam referência às arenas de gladiadores e o arco narrativo de Katniss foi inspirado em Spartacus, além da escolha de nomes dos personagens e de lugares que compõem o universo: Claudius, Caesar, Cinna, Panem e Capitol.
Analisando todo o processo histórico de controle do poder soberano sobre a vida e morte dos seus súditos até chegar no holocausto, Agamben (2002) encontra no direito romano uma figura que simboliza o domínio máximo do estado sobre determinados sujeitos, o homo sacer64: “não é lícito sacrificá-lo, mas, quem o mata
não será condenado por homicídio” (2002, p. 196); como consequência, essas pessoas viviam submetidas à certeza de que sua morte não teria relevância alguma para o estado.
Essa lógica repetiu-se nos campos de concentração, em que os judeus prisioneiros sabiam que a preservação ou não de suas vidas era insignificante para o estado nazista. Žižek (2003) faz uso desse conceito para explicar a lógica da exclusão no século XXI: os países do terceiro mundo, os imigrantes ilegais, os guetos e favelas das cidades contemporâneas, os “recipientes de ajuda humanitária” (ŽIŽEK, 2003, p. 116), etc. Em The hunger games, encontramos diferentes representações da figura do homo sacer: os jovens que participarão dos jogos são retirados da sociedade em que vivem e suas vidas postas à mercê do
64 “Homem sacro é, portanto, aquele que o povo julgou por um delito; e não é lícito sacrificá-lo, mas
quem o mata não será condenado por homicídio; na verdade, na primeira lei tribunícia se adverte que "se alguém matar aquele que por plebiscito é sacra, não será considerado homicida". Disso advém que um homem impuro costuma ser chamado sacro” (AGAMBEN, 2002, p. 196).
poder soberano – assim como os enviados para os campos de concentração, os distritenses são excluídos espacialmente e menosprezados ideologicamente.
Em situação similar aos judeus após a Lei de Nuremberg entrar em vigor na Alemanha, encontram-se os jovens distritenses no momento em que são sorteados para participar dos jogos. Eles são isolados fisicamente e juridicamente do resto da sociedade: são enviados para um prédio em que podem se comunicar apenas com sua equipe de preparação para os jogos e deixam de ser cidadãos comuns para virarem tributos. Eles se tornam sacer, são postos “para fora da jurisdição humana sem ultrapassar para a divina” (AGAMBEN, 2002, p. 89); podem ser mortos impunemente, suas vidas e seus corpos servem apenas como demonstração da força do poder soberano. Nessa situação, resta aos tributos apenas esperar o momento que vão para arena, quando “a morte insancionável que qualquer um pode cometer em relação a ele - não é classificável nem como sacrifício e nem como homicídio, nem como execução de uma condenação e nem como sacrilégio” (AGAMBEN, 2002, p. 89). Na preparação para os jogos, Peeta demonstra desconforto em relação a sua condição de tributo:
Only I keep wishing I could think of a way to . . . to show the Capitol they don’t own me. That I’m more than just a piece in their Games,” says Peeta. “But you’re not,” I say. “None of us are. That’s how the Games work.”65
(COLLINS, 2008, p. 142)
A resposta de Katniss demonstra resignação a sua condição. Ela entende que no momento em que viram tributos, os distritenses não têm mais uma vida própria; apenas servem ao poder soberano. Para Agamben (2002), a história do poder soberano no ocidente sempre foi baseada na busca pelo domínio da vida politicamente desqualificada, e quando o indivíduo recebe a condição de sacer, passa a viver uma “vida nua”, uma vida subordinada ao estado. Collins demonstra o sucesso de The Capitol quanto ao controle sobre a vida comum dos tributos, na relação de amizade entre Katniss e Peeta durante o treinamento: a cumplicidade e as desconfianças que Katniss tem em relação ao garoto são sempre afetadas pela tensão de um possível embate entre os jovens durante os jogos.
65 Tradução “- Só fico desejando que haja alguma maneira de... de mostrar à Capital que eles não
mandam em mim. Que sou mais do que somente uma peça nos Jogos deles. [Diz Peeta]
As relações entre poder soberano e homo sacer não são limitadas ao espaço dos campos de concentração. Elas se espalham na sociedade e fortalecem a formação do estado de exceção:
O estado de exceção, que era essencialmente uma suspensão temporal do ordenamento, torna-se agora uma nova e estável disposição espacial, na qual habita aquela vida nua que, em proporção crescente, não pode mais ser inscrita no ordenamento. O descolamento crescente entre o nascimento (a vida nua) e o Estado-nação e o fato novo da política a do nosso tempo, e aquilo que chamamos de campo é seu resíduo. (...) o campo como localização deslocante e a matriz oculta da política em que ainda vivemos, que devemos aprender a reconhecer através de todas as suas metamorfoses, nas zones d'attente de nossos aeroportos bem como em certas periferias de nossas cidades. (AGAMBEN, 2002, p. 182) Os resíduos do campo de que fala esse autor se espalham também em The
hunger games. O estado de exceção que ordena a organização social de Panem
tem seu grupo favorecido, the Capitol, e seu grupo desprivilegiado, os distritos. Podemos, então, considerar District 12 um campo e não só os jovens tributos, mas também todo indivíduo que lá habita pode ser considerado sacer. “O campo é, digamos, a estrutura em que o estado de exceção, em cuja possível decisão se baseia o poder soberano, é realizado normalmente” (AGAMBEN, 2002, p. 177). Assim é o distrito de Katniss: a ordem é excluir e menosprezar os que lá vivem, uma vez que seus habitantes não possuem importância política. Parafraseamos o conceito de Agamben neste tópico para relacionar a situação dos distritenses com os sacer da sociedade contemporânea.
Para Agamben, as vidas nuas surgem a partir do processo de exclusão das cidades, uma exclusão que começa na separação territorial e continua com a formação de grupos (bandos): “O bando é essencialmente o poder de remeter algo a si mesmo, ou seja, o poder de manter-se em relação com um irrelato pressuposto” (AGAMBEN, 2002, p. 116). A formação de vários bandos garante diferentes graus de relações de dominação e subordinação, havendo sempre a figura do soberano e a do homo sacer: “o homo sacer não é apenas horizontal, uma distinção entre dois grupos de pessoas, mas, cada vez mais, também a distinção vertical entre as duas formas (superpostas) como se pode tratar as mesmas pessoas” (ŽIŽEK, 2003). Barbosa (2017) aponta que o mapa de Panem possui uma organização centro x periferia em que os territórios mais próximos do centro são mais favorecidos, similar à lógica de segregação tanto da Roma clássica como também de muitas cidades contemporâneas.
Nesse sentido, Panem é um país em que todo o espaço é organizado a partir do isolamento: não se sabe o que aconteceu com o resto do mundo após os desastres ambientais que destruíram a América do Norte; logo, os indivíduos do país só sabem da sua existência. Além disso, o país tem sua sociedade organizada a partir do distanciamento em que não há comunicação entre os distritos para que assim a ideologia de the Capitol permaneça hegemônica.
Panem tem seu território dividido em the Capitol e doze distritos que têm a
função de abastecer o grande centro com os mais diferentes recursos. A maioria desses distritos extremamente pobre enquanto the Capitol é o único lugar de Panem que pode ser considerado rico. Para ilustrar a diferença de vidas entre os capitolinos e os distritenses, enquanto em The hunger games Katniss descreve que pessoas morrem de fome quase que diariamente em District 12, no segundo livro da trilogia (COLLINS, 2009a), a protagonista é obrigada a ir a uma festa em the Capitol em que há tanta comida que as pessoas depois de cheias tomam remédios para vomitar e comer ainda mais. Em toda festa não há preocupação nem discussão sobre a situação de cada distrito por parte dos capitolinos. Só quem aparentemente se choca com a situação é Katniss que viveu e conhece a pobre realidade de District
12.
Para evitar reações como a da protagonista e que o conhecimento das diferentes realidades pudesse sensibilizar os indivíduos e, em consequência, ameaçar a soberania de the Capitol, em Panem não há permissão para os sujeitos transitarem entre diferentes distritos, afastando assim a possibilidade de uma união entre todos os cidadãos do país. Descrevendo os objetivos de the Capitol quanto à manipulação do espaço em Panem, Barbosa aponta a intenção dos detentores do poder de construírem discursos que fortaleçam a ideologia soberana de the Capitol: O discurso que é imposto em relação aos distritos é simples: eles são dependentes da Capital, e por isso devem ser servis e obedientes, pois a qualquer sinal de rebeldia podem ser destruídos, como aconteceu com o Distrito 13 durante o levante. Já o discurso designado à Capital é de uma instituição forte, capaz de destruir aqueles que se voltam contra ela; mas, ao mesmo tempo, trata-se de uma instituição benevolente, que foi capaz de perdoar os outros distritos depois da revolta e continuar alimentando-os mediante a pequena barganha de obediência cega e do respeito à instituição dos Jogos Vorazes. (BARBOSA, 2017, p. 75)
Além da proibição do direito de ir e vir, the Capitol dividiu o território de Panem baseando-se “em duas vertentes: a política da boa vizinhança com os distritos mais próximos, e a política da fome com os mais distantes” (BARBOSA, 2017). Por isso
o grande centro fornece comida e recursos para District 1, District 2 e District 4 e permite que esses distritos treinem e preparem seus jovens para os jogos. Como consequência dessa prática, tem-se territórios mais valorizados de acordo com a sua proximidade e importância para os detentores do poder. Os distritos são divididos em dois grupos: Carreer districts e other districts66.
Essa gradação de importância dos distritos se repete dentro de District 12 em que a organização do espaço divide o território financeiramente: Merchant Section, região em que ficam os comerciantes, detentores do capital, e os representantes do poder; e the Seam, onde moram os mineiros e demais moradores do distrito. Apesar da pobreza estar presente em todos os bairros de District 12, a situação de the
Seam é miserável, gerando uma tensão entre os que têm pouco e os que não têm
nada. Se no discurso oficial de Panem todos os distritos carregam a mesma culpa por terem se rebelado contra sua capital e, por isso, todos os indivíduos são punidos de forma igual, a prática de the Capitol demonstra que há distritenses que “são mais iguais que outros” (ORWELL, 2007, p. 43).
Essas práticas contradizem o principal slogan dos jogos – “may the odds be
ever in your favour”67 (COLLINS, 2008, p. 20) – que busca a compreensão de que
the Capitol dá condições iguais para todos os distritenses que participam dos jogos
e de que o vencedor será determinado pelo mérito de cada participante e pela sua sorte. Na verdade, há um interesse dos governantes em que alguns distritos tenham mais sucesso e por isso os favorecem na preparação para os jogos.
Podemos, assim, acrescentar que há um terceiro discurso passado através da organização sócio-espacial de Panem. Esse discurso é voltado para the Carreer
districts assim como para as pessoas que moram nos bairros mais favorecidos de
cada distrito: há pessoas que, apesar de não serem tão privilegiadas quanto os capitolinos, são favorecidas por estarem em situação superior às que vivem na miséria; em troca, devem estar prontas para servirem ao grande centro e punir a menor demonstração de insatisfação de qualquer indivíduo, pois uma mudança da ordem pode resultar na perda de suas poucas garantias.
Assim como no mundo ocidental, em que as sociedades se formam cada vez mais segregadas e se afastam da democracia (CALDEIRA, 2000), em The hunger
games, Collins ressalta como a organização de territórios isolados ajudam a
66 Tradução: Distritos carreiristas e outros distritos
construção de um mundo desigual e totalitário. Essa segregação ratifica a ideia de que os indivíduos de the Capitol e dos Districts são totalmente diferentes: “cidades segregadas por muros e enclaves alimentam o sentimento de que grupos diferentes pertencem a universos separados” (CALDEIRA, 2000, p. 340).
Da mesma forma, a tecnologia desenvolvida em the Capitol serve somente a essa lógica: aprofundar a desigualdade em Panem. Não serve ao bem comum, mas apenas para fortalecer um grupo dominante em detrimento da exclusão dos que têm pouca ou nenhuma influência: “toda sociedade - mesmo a mais moderna - decide quais sejam os seus ‘homens sacros’” (AGAMBEN, 2002, p. 146). Assim, enquanto a tecnologia está à disposição do conforto e bem-estar dos capitolinos, o povo em District 12 não tem acesso às inovações tecnológicas daquele mundo.
Essa lógica dá suporte à ideia de que os capitolinos são de um grupo superior e desenvolvido, enquanto os distritenses são bárbaros e atrasados, como se os dois grupos não pertencessem à mesma civilização. Tal pensamento é reforçado pela mídia, quando os comentadores dos jogos não passam para o público o verdadeiro significado da demonstração silenciosa de discordância feita por District 12:
The commentators are not sure what to say about the crowd’s refusal to applaud. The silent salute. One says that District 12 has always been a bit backward but that local customs can be charming. As if on cue, Haymitch falls off the stage, and they groan comically.68 (COLLINS, 2008, p. 46)
Essa ridicularização só é possível porque os indivíduos de Panem não conhecem a cultura de District 12. Aproveitando-se dessa falta de entendimento,
the Capitol transforma essa separação espacial em separação ideológica. Com isso,
aprofunda o seu controle sobre os sujeitos, para fortalecer a ideia de que os capitolinos são humanos mais evoluídos e, por consequência, superiores. De forma semelhante, vê-se como a mídia cria visões de primeiro e terceiro mundos. Quando se fala do terceiro mundo se faz necessário apresentar pelo menos uma imagem negativa: miséria, violências, corrupção ou guerras, o que é dispensável quando se fala dos países desenvolvidos, mesmo que esses problemas se repitam. Essa construção é feita para distanciar mais ainda os indivíduos dentro do imaginário coletivo: “o verdadeiro horror acontece lá, não aqui” (ŽIŽEK, 2003, p. 30). Em The
68 Tradução: “Os comentaristas não têm muita certeza Um diz que o Distrito 12 sempre foi um pouco
atrasado, mas os costumes locais são até charmosos de vez em quando. Como se houvesse ensaiado, Haymitch desaba do palco, e eles resmungam de maneira cômica” (COLLINS, 2010b, p. 53).
hunger games essa construção ideológica facilita a justificativa dos assassinatos de
jovens distritenses ocorridos durante os jogos e a falta de sensibilização do povo em relação a essa crueldade.
Collins escolheu Effie Trinket e a equipe de preparação de Katniss – Flavius, Venia e Octavia – para demonstrar o sucesso dos governantes em estabelecer no imaginário dos capitolinos os sentimentos de egolatria e de desprezo aos distritenses. A autora critica essa forma de domínio ideológico, demonstrando a perturbação de Katniss quando Effie Trinket coloca seu distrito em uma posição inferior: “‘Katniss sacrificed herself for her sister. How you’ve both successfully struggled to overcome the barbarism of your district.’ Barbarism? That’s ironic coming from a woman helping to prepare us for slaughter”69. Influenciada pelo
discurso ideológico dominante de the Capitol, Effie é incapaz de perceber a selvageria que são os jogos. Para ela, as mortes ocorridas durante o evento não são em consequência de uma estratégia cruel de the Capitol; são, na verdade, reflexos da vida desumana que é levada nos distritos. Afinal, para ela, os jogos são um show de realidade em que os participantes mostram quem realmente são.
A autora volta a criticar a situação de inferioridade de cada distritense, sua situação homo sacer, quando demonstra os sentimentos superficiais que os espectadores dos jogos têm em relação aos participantes. Essa falsa empatia aparece principalmente durante as entrevistas em que o público demonstra estar impactado com a participação de uma menina de doze anos no meio de uma guerra sangrenta, se deleita com as respostas autênticas de Katniss durante a entrevista, se compadece da dor da jovem quando ela fala da irmã e se comove com o drama amoroso de Peeta (COLLINS, 2008, p. 126–132). As doações dos patrocinadores aos participantes, de acordo com as necessidades destes, também reproduz uma relação de falso apego entre capitolinos e distritenses. Toda essa identificação não passa da confirmação de superioridade dos capitolinos, uma vez que é mais uma demonstração de que a vida dos distritenses pode depender dos sentimentos dos espectadores.
Durante os jogos, os presentes aparecem para os participantes presos a paraquedas (COLLINS, 2008, p. 186), o que remete à imagem de pacotes de alimentos chegando em uma zona de guerra. Podemos considerar que essas
69 Tradução: “Katniss sacrificou a si mesma pela irmã. Como vocês dois lutaram com sucesso para
doações, assim como os poucos recursos que the Capitol fornece aos distritos para justificar sua superioridade, relacionam-se com a situação de exclusão em que se encontram os que vivem em situação de miséria e necessitam da ajuda de outros países ou de outras pessoas: “o Homo sacer de hoje é o objeto privilegiado da biopolítica humanitária: o que é privado da humanidade completa por ser sustentado com desprezo” (ŽIŽEK, 2003). Collins demonstra esse desprezo, novamente com a personagem Effie, quando esta vai se despedir de Katniss e Peeta, que estão a caminho da arena:
Effie takes both of us by the hand and, with actual tears in her eyes, wishes us well. Thanks us for being the best tributes it has ever been her privilege to sponsor. And then, because it’s Effie and she’s apparently required by law to say something awful, she adds “I wouldn’t be at all surprised if I finally get promoted to a decent district next year!”70 (COLLINS, 2008, p. 137)
O carinho que Effie demonstra em relação aos tributos é pequeno, quando comparado com seus anseios e objetivos profissionais. Para ela, Katniss e Peeta servem apenas como uma escada profissional. A acompanhante sente carinho pelos jovens mas sua carreira profissional é mais importante que a sobrevivência de qualquer distritense.
Assim como Effie, a torcida do público pela sobrevivência dos participantes é acompanhada do desprezo que os capitolinos têm pelos outros moradores de
Panem. A emoção e simpatia demonstradas nos eventos de preparação para os
jogos se repete quando o público reencontra Katniss e Peeta (COLLINS, 2008, p. 354). Da mesma forma acontece quando Katniss encontra seu time de preparação: Venia, Flavius, and Octavia engulf me, talking so quickly and ecstatically I can’t make out their words. The sentiment is clear though. They are truly thrilled to see me.71 (COLLINS, 2008, p. 346). Contudo, esse zelo em relação a Katniss é, na
verdade, fruto da necessidade de aparecer de cada membro da equipe, pois, para eles, o que importava não era o que acontecia nos jogos mas como os fatos do evento podiam modificar suas rotinas:
70 Tradução: “Effie segura nossas mãos e, com lágrimas sinceras nos olhos, nos deseja boa sorte.
Agradece por sermos os melhores tributos que ela jamais teve o privilégio de patrocinar. E, então, por ser Effie e porque, aparentemente, é obrigada pela lei a dizer algo desagradável, ela acrescenta: – Eu não ficaria nem um pouco surpresa se fosse promovida a um distrito decente ano que vem!” (COLLINS, 2010b, p. 152).
71Tradução: “Quando o elevador abre, Venia, Flavius e Octavia me abraçam, falando com tanta
rapidez e com tanto arrebatamento que mal consigo entender as palavras. Mas o sentimento é claro. Eles estão verdadeiramente emocionados por me ver” (COLLINS, 2010b, p. 375).