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2.2.2 French used in advertisements in English
Cândido et al. (2000) e Tomaél (2005) citam que as redes podem ser percebidas no aspecto formal (quando os relacionamentos entre os atores ocorrem devido à iniciativa organizacional) e informal (quando os relacionamentos acontecem e não são planejados); intraorganizacional (rede de pessoas, departamentos e setores específicos com relações de papéis e atribuições dos seus componentes; relações verticais e horizontais) e interorganizacional (relações com clientes, fornecedores, concorrentes, órgãos regulamentares, sindicatos).
Essas relações fornecem um panorama da organização como um sistema aberto com interações no ambiente interno e externo. E essas interações incentivam o desenvolvimento do pensamento sistêmico; ampliam o número de parceiros e cooperações; viabilizam interesses e projetos comuns, especialmente nas situações que exigem uma dimensão geográfica nacional, estrutural e financeira.
As redes funcionam como “condutores fundamentais de grande volume de pensamento inovador”, conforme Davenport & Prusak (2003). Para tanto, o fluxo da informação ou do
conhecimento por meio de redes requer interação social que promova confiança e reduza incertezas percebidas para promover novo conhecimento (Tomaél, 2005).
Para Rossetti et al. (2008) em referência a Katz (2000), a confiança é base para o trabalho em rede, e este se organiza mais em torno de processos de colaboração horizontais que verticais e as organizações devem identificar as principais razões que têm para trabalhar em rede e centrar-se nas atividades essenciais.
Segundo Lipnack & Stamps (1994) o propósito desempenha um papel absolutamente crucial na formação da rede, é uma forma de se estender do abstrato para o concreto e ser verdadeiramente útil. A discussão do propósito começa com a visão de longo prazo da organização, para traduzir os valores, visão, missão e estratégias em metas, tarefas e resultados com prazos e de forma clara. Assim, estabelece legitimidade e é a base para os acordos e as relações voluntárias que constituem a “vida profissional” da rede.
A teoria das organizações, segundo Cândido et.al. (2000), utiliza os conceitos de redes, tendo como premissa básica os conceitos de redes sociais. Para estes autores as redes são estruturadas a partir da definição dos papéis, atribuições e relações entre os seus atores, o que caracteriza o processo de estruturação e heterogeneização da rede.
Para Lopes & Moraes (2000) a abordagem da governança nas redes organizacionais significa entender as redes como um tipo de arranjo estrutural no qual uma organização central desenvolve relacionamentos com outros membros que podem ser independentes entre si em um sentido mais preciso, mas que, ao serem incorporados à rede, tornam-se, de certa forma, interdependentes. Nessa estrutura, cabe à central controlar e gerenciar os relacionamentos, exercendo o papel de integradora de membros distintos.
Esta abordagem vem ao encontro da idéia de que as redes pressupõem uma forma específica de organização dos atores, das atividades de gestão e de coordenação. O cenário de diversidade e heterogeneidade, de multiplicidade de capacitações que perpassa a conformação de uma rede evidencia a necessidade de um grande trabalho de articulação e coordenação como necessários para organizar, dirigir e orientar os trabalhos dos participantes (Negraes, 2002).
Marteleto (2001) em referência a Colonomos (1995), afirma que diferentemente das instituições, as redes não supõem necessariamente um centro hierárquico e uma organização vertical, sendo definidas pela multiplicidade quantitativa e qualitativa dos elos entre os seus diferentes membros, orientada por uma lógica associativa.
Para construir a rede, segundo Krebs & Holley (2002), os pequenos grupos devem ser bem orientados, é importante a presença de um líder que tome a responsabilidade, caso
contrário as conexões espontâneas entre os grupos emergem muito lentamente e a comunidade daí resultante tende a ser fraca e pouco produtiva.
Na rede tem-se espaço para o “fenômeno da multiliderança”, pois cada um pode ser líder em algum assunto de que goste, domine e seja capaz de propor iniciativas que sejam acolhidas voluntariamente por outros (Franco, 2008).
Negraes (2002) analisando redes técnico-científicas considera que a configuração verificada pressupõe a existência dos seguintes elementos que contribuem de formar sinérgica para sua caracterização:
Missão – confere aos nós/atores da rede o elemento de ligação e de coesão, que vincula cada elemento ao propósito conjunto e orienta todas as atividades.
Trabalho multidisciplinar e interdisciplinar – estimulado como parte da necessidade da própria evolução do conhecimento.
Heterogeneidade – diversidade institucional, a pluralidade de competências, multiplicidade de ferramentas, técnicas e habilidades científicas dos participantes procuram se organizar para produzir possíveis soluções para um problema comum. Descentralização – reforça o objetivo de ampliar as possibilidades de disseminação do
conhecimento para um maior número de pesquisadores habilitados a cumprir os objetivos estabelecidos.
Colaboração e aprendizado – pressupõe o compartilhamento do conhecimento internalizado em cada indivíduo, que seriam as suas competências científicas e as capacidades técnicas, contribuindo para o crescimento do todo.
Coordenação – necessários para organizar, dirigir e orientar os trabalhos dos participantes. Considerada um dos fatores imprescindíveis em uma rede de pesquisa formal.
Comunicação e informação – rede implica na comunicação entre atores, isso significa que é necessário a infraestrutura de comunicação adequada para assegurar o bom funcionamento.
Franco (2008), explorando a temática das redes sociais, destaca as seguintes características: conjunto de três ou mais pessoas conectadas entre si horizontalmente; adesão voluntária e autonomia do grupo; o convite é sempre feito a partir do propósito, que deve estar bem claro; há abundância de caminhos entre as pessoas; são ambientes de interação, pois se consolida e se desenha no momento em que se dá; não são ferramentas de publicação e interação (Orkut, Facebook, Twitter), mas as plataformas interativas podem ser boas
ferramentas de articulação e animação de redes (Ning, Noosfero, Elgg); deve ser usado para a empresa se desenvolver, para aumentar as suas condições de sustentabilidade.
Para Creech & Willard (2001) as redes de conhecimento requer: Uma atenção regular para ser eficaz.
Habilidades de gestão organizacional, bem como estrutura, planos de trabalho, prazos e entregas.
Um gerente que possa garantir que a rede está implementando seu plano de trabalho, monitorando as atividades em função dos objetivos.
Comunicações e estratégias de negociação são essenciais.
Meios que dê suporte às redes de conhecimento, como por exemplo: telefone, e-mail,
chat, videoconferência, extranet, software para comunidades virtuais.
Métodos de avaliação que não só avaliem as atividades individuais, mas também forneçam alguns meios para monitorar as alterações que tenha efetuado através de suas pesquisas e comunicações de trabalho.
As autoras apresentam sete princípios para o funcionamento de uma rede de conhecimento formal: (1) propósito direcionado; (2) redes de trabalho; (3) compromisso institucional e participação dos indivíduos e peritos; (4) fundamentadas nas experiências e não apenas por interesse; (5) intersetorial e inter-regional; (6) desenvolvimento e fortalecimento da capacidade de todos os membros; (7) redes de comunicações.
Büchel & Raub (2002) sugerem quatro principais fases de desenvolvimento das redes de conhecimento, conforme Figura 3.6.
Figura 3.6 – Quatro estágios de desenvolvimento da rede de conhecimento Fonte: Büchel & Raub (2002, p.591), tradução do autor.
Os autores identificaram nas pesquisas que o fator mais importante e o mais difícil de implementar estava no quarto estágio, demonstrar resultados tangíveis. Recomendam que para
facilitar seja interessante desde o início o gerente sensibilizar os seus membros para as questões de importância estratégica, torná-lo fácil para atender, apoiar as atividades e então alavancar seus resultados. Entretanto, focalizar neste fator, o controle pode não ser sempre necessário, uma vez que as redes são pelo menos parcialmente formadas com base na auto- seleção, apoio mútuo e intercâmbio multidirecional.
Segundo Fleury & Fleury (2001) a rede de conhecimento oferece espaço fundamental para que os conhecimentos e o know how adquiram status de competência, pois nela estes são comunicados e utilizados.
Para tratar os profissionais dentro e fora das fronteiras das organizações formais alguns pesquisadores dão mais ênfase à formação da comunidade de prática, que também recebem o nome de comunidade de aprendizagem, comunidade de conhecimento, comunidades de especialistas, comunidade de prática social, comunidade de saber (Moura, 2009; Rossetti et al., 2008). No próximo subitem, são tratados seus princípios norteadores.