Etude analytique de la fonction de ´ transfert d’une organisation
6.2 La fonction de transfert d’une organisation et ses projections
Depois de deixarmos claro o nosso zelo no desempenho burocrático e pragmático dos papeis inerentes ao nosso cargo enquanto Diretores de Turma, e para ilustrar o que foi dito acerca da importância do Diretor de Turma ,como alguém que está atento a tudo o que o rodeia relativamente à realidade dos seus alunos, optámos por relatar duas experiências que nos marcaram profundamente, como pessoas, como pais, como professores e, obviamente, como Diretor de Turma.
Enquanto Diretora de Turma, tivemos duas situações que nos marcaram bastante. A primeira refere-se a uma adolescente que, pelo seu dismorfismo físico, nos chamou à atenção. De forma discreta, e o mínimo possível intimista, acercámo-nos da aluna e, muito lentamente, conseguimos que fosse desabafando connosco, acabando por nos contar que padecia de um síndrome ( nada que, com os parcos conhecimentos acerca do assunto, não nos tivéssemos apercebido). A pare desta situação, no términos do século XX, a aluna apresentava evidentes sinais de uma assustadora falta de higiene , e um isolamento preocupante. Assim, aos poucos, conseguimos que a menina contasse a sua situação, desabafando que era fruto de uma relação incestuosa e que, por intimidação do pai/avô , jamais ousou contar a alguém, pois tirá-la-ia da escola. Perante uma realidade superlativamente hedionda, encaminhou-se a aluna para um psicólogo, então no Porto, e, mais tarde, após várias consultas com médicos de clínica geral e depois especialistas e exames, foi submetida a uma cirurgia ( corte parcial da língua, pois era de tal forma grande que não cabia na boca). Naturalmente, a família foi sendo abordada e informada, e no momento destes procedimentos cirúrgicos estavam absolutamente inteirados do assunto.
É óbvio que após a intervenção cirúrgica, a auto-estima da aluna alterou significativamente e, por conseguinte, o seu rendimento escolar também, o que constitui, para nós, uma felicidade ímpar. Hoje, volvidos quinze anos, continuamos a contactar com a, agora, adulta, cujo percurso de vida conseguiu que fosse normal, o que muito nos apraz.
O segundo caso, bastante mais recente, aconteceu com uma aluna, então com quinze anos, que no final do décimo ano, começou a questionar a sua sexualidade de uma forma nada pacífica.
Neste caso, foi a aluna que nos abordou a pedir ajuda, pois não tinha coragem de contar aos pais. Depois de várias conversas, na escola, fora da escola, em férias, pelo telefone, percebemos que não podíamos estar a desempenhar um papel que não era o nosso, e que , o que estava ao nosso alcance já havia sido feito , pelo que encaminhámo-la, com a anuência da aluna, para a psicóloga escolar, não sem antes termos várias conversas com os pais e algumas com os pais e a aluna, simultaneamente. Nada que a mãe já não tivesse suspeitado.
Assim, conciliando o nosso papel de professora/ Diretora de turma/ amiga, com o da mãe e o da psicóloga escolar , conseguiu-se que a aluna, sem pressão, de uma forma natural, espontânea e
pacífica tirasse as suas ilações. E, independentemente das suas orientações sexuais, fizemos-lhe perceber que estávamos do seu lado. O objectivo era tão simplesmente ajudá-la a conhecer-se e respeitar-se para ser respeitada. A aluna acabou por concluir que houve, da sua parte, uma deturpação de ideias e sentimentos, consequência do forte ascendente que uma colega exercia sobre a sua pessoa. Compreendeu que tinha passado por uma crise de identidade e uma crise existencial.
Assim, tudo se resolveu sem deixar sequelas a nível psicológico; as ideias ficaram esclarecidas na sua mente e a única mágoa que ficou foi, sendo uma brilhante aluna, desperdiçar tempo que não rentabilizou nos estudos e, por décimas, não ingressou em Medicina, o curso dos seus sonhos. Contudo, percebeu que, mais importante do que a Medicina, foi ter resolvida com lucidez e clareza uma questão que poderia arrastar-se por muitos mais anos e causar danos mais graves e irreversíveis.
2.8.1. Reflexão / Impactos no
Desenvolvimento profissional
Após a partilha de duas situações que consideramos marcantes enquanto Diretores de Turma, julgamos ser muito importante refletir sobre o impacto que tiveram no nosso desenvolvimento profissional, e até individual. Referiremos, também, as estratégias de que nos servimos para dar resposta às situações, as leituras que fizemos e os elementos de que nos socorremos, sem podermos olvidar que um dos casos se reporta há, sensivelmente, quinze anos.
Uma das características do Diretor de Turma elencada num dos pontos anteriores foi a capacidade e disponibilidade para a resolução dos problemas pessoais dos alunos. Sem dúvida que o seu desempenho é crucial para o desenvolvimento integral do aluno/adolescente, nomeadamente para o ajudar a compreender-se enquanto pessoa.
Reportando-nos ao segundo caso apresentado, apesar de ser um tema teoricamente abordado com "alguma" naturalidade quer nas escolas, quer na sociedade em geral, o desconhecimento direto implicou que tivéssemos que desenvolver competências de compreensão da aceitação da diferença e da promoção da aceitação dessa eventual diferença. O contacto com esta realidade menos vulgar implicou a busca de um conhecimento específico sobre a temática da sexualidade e do ato de ensinar os jovens a lidar com uma orientação sexual que se afasta do paradigma ainda vigente.
Assim, embora a intuição, a sensibilidade, a experiência de longos anos como docente e Diretor de Turma, em suma, o contacto com adolescentes, e o nosso papel de mãe nos ajudasse, um pouco, a lidar com a situação, fizemos algumas leituras que nos ofereceram um "background" sobre
a temática. Essas leituras, indiscutivelmente, foram cruciais, pelo suporte teórico que nos forneceram, mas também pela apresentação de alguns exemplos e respetivas estratégias para os ultrapassar, que acabaram por nos servir de suporte para a resolução da situação delicada com que nos confrontávamos. Optámos, também, pelo diálogo entre a adolescente, quer individualmente, quer, noutra fase, com os país; dentro e fora da escola; em período escolar e extra-escolar. Além disso, acercámo-nos da psicóloga escolar com o objetivo de orientar a adolescente, mas também para nos dar, tal como aos pais, indicações sobre a forma mais pacífica de atuar. Porém, apesar do papel fulcral da psicóloga, enquanto Diretor de Turma mantivemo-nos sempre presentes, porque este é um elemento de harmonia insubstituível, pelo que não se pode "colocar à margem" e delegar em outros elementos a resolução dos problemas. Por isso, mantivemo-nos como fio condutor entre todos os que se encontravam implicados nesta situação, até ao fim.
Situação análoga é o primeiro exemplo apresentado, ainda que fosse um caso com uma complexidade substancialmente superior, dado que as diferenças eram notórias e ultrapassavam os nossos conhecimentos.
Tratava-se de uma clara deficiência que interferia no desempenho educativo e no relacionamento social da adolescente. Tal situação implicou o estabelecimento de contactos com estudiosos da área, médicos, e ainda psicólogos. Depois das orientações que nos forneceram, pesquisámos bastante sobre esse síndrome de forma a conseguirmos obter alguns conhecimentos de modo a lidarmos com a situação e a ajudar a aluna a conviver da melhor forma possível com o facto. Desta forma, optámos por, numa primeira etapa, partilhar a situação com a, então, presidente do Conselho Executivo, a qual prontamente nos ajudou a encontrar uma psicóloga ( na época não existia na nossa escola) que nos deu orientações sobre o modo como lidar com a situação. Num segundo momento, através da referida psicóloga, a aluna foi encaminhada para um médico de clínica geral, que a direcionou para um especialista. Entretanto, os médicos davam-nos indicações sobre doença e a forma como deveríamos agir, quer com a adolescente, quer com os familiares. Após a cirurgia, a aluna voltou a ser acompanhada pela psicóloga, mantendo-nos orientados para que o processo decorresse da melhor forma.
Em suma, aprendemos a lidar e a gerir de forma eficiente com situações para as quais as Escolas de hoje, e concretamente o Diretor de Turma, ainda não estão suficientemente preparadas, apesar de, cada vez mais, ser um imperativo e se apostar em escola inclusivas.
As escolas dos nossos dias são denominadas de "escolas de massas",escolas massificadas, para todos, escolas que fomentam a inclusão, onde os alunos com Necessidades Educativas Especiais são integrados nas turmas. Assim, confrontados com tais situações e outras menos dramáticas, o Diretor de Turma tem de estar munido de ferramentas que lhe permitam ser eficaz e eficiente na abordagem das questões inerentes a todas as situações, e em particular a situações especiais.
Apesar de, na Escola de hoje, os Diretores de Turma terem apoios de técnicos do Ensino Especial e Psicólogo escolar, é a ele que lhe cabe, apoiados nesses elementos, resolver os problemas do Conselho de Turma, pelo que não se pode pôr à margem, alhear-se desses problemas, porque ele é o lider máximo de um Conselho de Turma e, à partida, está implicado em tudo o que lhe diga respeito.
Neste contexto, o nosso Agrupamento, no ano letivo 2013/2014, promoveu as IV Jornadas
Pedagógicas subordinadas ao tema Aprender Em Comunidade - Educação hoje...Que respostas?
,no sentido de formar o pessoal docente para melhor lidar com situações especiais, ou, pelo menos, a partir destas Jornadas tentar obter, autonomamente, mais conhecimentos neste âmbito.
Assim, situando-nos no plano da colaboração entre membros do Conselho de Turma , conseguimos construir um percurso de entreajuda, apoio e partilha, fruto do ambiente saudável que criámos; um ambiente onde o coletivo se sobrepôs ao individual.
Neste cargo de gestão intermédia, julgamos ter conseguido uma correta e adequada ligação entre os elementos do Conselho de Turma, entre os discentes, entre os técnicos especializados, entre a escola e a família, contribuindo, com sucesso para a consecução do PAPT, do PES e do PAA, elementos basilares da vida do nosso Agrupamento.
No que se prende com o tipo de liderança exercida, tendo por base os normativos legais, optámos por uma "liderança normativo-instrumental" (Day, 2001), conciliando a componente burocrática com a motivação do grupo para se atingirem os objetivos da turma, através de práticas que se revelaram adequadas aos alunos e ao contexto.
Porém, a "liderança facilitadora" (Blase & Andersen, 1995 in Flores, 2014) foi também um " modo vivendis" com bastante peso neste nosso cargo. Foi evidente a confiança entre os diversos elementos, a partilha de ideias, a tomada de decisões conjuntamente; soubemos ouvir os nossos pares, respeitámos e valorizámos as suas ideias e incentivámo-nos uns aos outros de modo a que conseguíssemos o melhor para os alunos, afinal o seu sucesso é o nosso.
III | SUPERVISÃO EM CONTEXTO
ESCOLAR
Enquadramento conceptual
"Quem nasceu para ensinar, nunca deve parar de aprender." "Os melhores estão sempre a aprender."
Anónimo