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3.1 Détection d’un centre NV dans le diamant massif

3.1.2 Fonction d’autocorrélation d’un centre NV unique

Buckminster Fuller (1895-1983) foi um engenheiro americano que se propôs a estudar o problema do deficit habitacional em seu país, e alguns aspectos de sua carreira permitem considerá-lo como sucessor legítimo dos engenheiros do século XIX. Embora estes não se tivessem ocupado do projeto da habitação, eles, assim como Fuller, não tentaram estabelecer nenhum elo entre as novas tecnologias e a história da arquitetura. Pragmático, sua casa

Dymaxion, de 1927, era uma verdadeira máquina de morar, em um sentido que Corbusier não

poderia ter imaginado (FIG. 23). Considerado por Pawley como o homem de maior visão do século, ele teria "influenciado os trabalhos que a ele se seguiram de modo mais incisivo que qualquer um dos pioneiros do movimento moderno, cujas influências e pensamentos já teriam sido varridos sob circunstâncias continuamente em mutação" (PAWLEY, 2001). Se, para Vittorio Lampugnani (1986, p. 76-83) a casa Dymaxion não tem grande valor artístico, é preciso notar que essa afirmação pode estar dizendo algo a respeito do seu autor, além de a respeito da casa. O autor dessa asserção tem uma determinada noção de valor artístico, para o qual a forma dessa casa não tem nada a acrescentar. Seus “pré-conceitos” estéticos não impedem que esse projeto, segundo Pawley, deixe de reverberar no posterior "uso sempre crescente de peças pré-fabricadas na construção civil, na falência da indústria de casas baseada em processos tradicionais, e no triunfo final da casa produzida em fábrica, que hoje detém praticamente a metade do mercado no Japão" (PAWLEY, op. cit.). Continuando a trilhar os passos de uma tradição de fenomenização ou dessacralização da forma, a casa

Dymaxion não poderia deixar de causar espanto entre os intelectuais de sua época, assim

como o trabalho das vanguardas modernas também incomodou o establishment de então. Com sua proposta de alargamento dos horizontes estéticos, a casa certamente não causaria hoje o espanto que causou na época, com sua aparência de objeto voador não-identificado. É preciso identificar o que faz dessa casa um passo adiante na evolução da forma-casa.

FIGURA 23- Casa Dymaxion. Projeto Buckminster Fuller.

FONTE- HENRY Ford Museum. R. Buckminster Fuller's Dymaxion house: banco de dados. Disponível em: <http://www.hfmgv.org/dymaxion>. Acesso em: 10 de abril de 2002.

No livro intitulado Teoria e Design na Segunda Era da Máquina Pawley identifica algumas outras tentativas de se abordar essa forma-casa a partir de processos totalmente industrializados, como a casa canadense Nissen, de 1916, que também propõe uma abordagem formal desvinculada de heranças simbólicas, e ainda outras, como a casa inglesa Arcon, de 1945, e a casa 2CV francesa, de 1949 (PAWLEY, 1990, p. 77-80). O sucesso comercial destas duas casas de lata deveu-se sobretudo ao fato de que não estavam desvinculadas de reverberações simbólicas do passado.

Importante também é observar o trabalho do grupo de arquitetos Archigram, elaborado entre 1961 e 1967. A efemeridade característica das casas descritas no parágrafo anterior atinge aqui um grau superlativo, em que a casa se torna móvel ao se desvincular do solo e poder ser transportada. As propostas elaboradas pelos integrantes desse grupo, juntamente com seu esperado fracasso comercial, abordam posturas até então não questionadas, relativas à relação entre a casa e o seu terreno. O projeto Cushicle, de 1966, apresenta um objeto que reinventa a casa, ao propor uma casa-vestimenta, móvel e escamoteável. Sem pretender julgar o grau em que tal objeto satisfaz uma pessoa que tem necessidade de uma casa, ele não deixa de se aprofundar na questão estética que envolve o conceito de habitação e também de sua forma. Segundo Pawley,

O grupo Archigram tentou saltar por cima dos ventos dominantes dos investidores da construção. Neste ato ele não apenas se opôs diretamente contra a indústria de construção permanente, que se utiliza de materiais pesados, como também se viu destituído do suporte do establishment arquitetural e seu sistema de valoração arquitetural baseado na arte e na história (PAWLEY, 1990, p. 88).

O fragmento acima pressupõe um conceito de arte cristalizado pela classe de arquitetos, em que qualquer tentativa de alargamento de horizontes no campo da criatividade é declarado como indesejável, no intuito de preservar um savoir-faire como sendo de domínio exclusivo. Assim como os arquitetos do século XIX menosprezaram as contribuições dos engenheiros de então à construção de novos rumos na pesquisa espacial, os arquitetos do Archigram foram menosprezados por uma classe de arquitetos que estava indissoluvelmente vinculada aos interesses do capital globalizado e que fomentava a manutenção do interesse pelas formas da história como instrumento para maximizar o lucro.

O trabalho de Greg Lynn (exemplificado na FIG. 24) pode ser também considerado dentro da perspectiva em que demandas de projeto e pesquisa sobre sistemas construtivos constituem suporte para a gênese da forma em arquitetura. Nessa abordagem do gesto criativo, que tem sua origem nos engenheiros do século XIX, a legitimação da forma é buscada através de soluções criativas e objetivas para um dado problema. Para a conformação desse tipo de solução, uma atenção maior é dada à possibilidade de os condicionantes objetivos trazerem a semente da resposta, e menor ao que o projetista deseja que ela se torne.

FIGURA 24- Projeto de Greg Lynn.

FONTE- GREG Lynn: banco de dados. Disponível em: <http://www.time.com/time/innovators/designers/profile_lynn.html>. Acesso em: 10 de outubro de 2001.

Propostas como as de Fuller, Archigram e Lynn só puderam surgir em contextos em que a compreensão do tempo por parte dos projetistas estava desvinculada da noção de progresso. Como diz Norberg-Schulz (1983, p. 228), "evolução cultural não significa

necessariamente que o mundo 'melhora' ou que os seres humanos sejam mais felizes, mas que aumentam as possibilidades de eleição".