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Z FILE CREATION AND MAINTENANCE

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PARAMETER WORKSHEET Purameter Group: I. Data Definition and Data Organization

4. Z FILE CREATION AND MAINTENANCE

Nesta categoria os entrevistados apresentam vantagens e desvantagens de termos uma base curricular de abrangência nacional e sua importância, além de apresentarem considerações pessoais.

Muitos dos entrevistados consideraram importante ter uma base curricular de abrangência nacional, e apresentaram adjetivos e expressões muito similares na justificativa da importância da BNCC, termos e ideias como por exemplo “padronizar o currículo”, “homogeneizar”, “ganho para o território nacional”, “falar a mesma língua no país inteiro”, “acabar com a discrepância curricular”, “ser comum a todo o território nacional”, “guia nacional”, “norte”, “fio condutor”, entre outros. Além da ideia, questionável, de que os alunos transferidos de escolas terão uma continuidade por igual na escola que o receberá. Esta última ideia parece não levar em consideração a autonomia do professor ao planejar e executar suas aulas em conformidade com o momento histórico e a realidade em que os alunos se encontram.

A BNCC é um ganho para o território nacional do Brasil. Há um tempo já se discute qual é o currículo mínimo que os alunos do Brasil deveriam aprender. Essas discussões vêm de longa data, mas nunca teve um movimento para que isso se concretizasse. Eu acho que há falha nisso tudo. É que como nós temos no Brasil um grande número de professores, pensando em território nacional, eles não se sentem parte disso, eles não se sentem consultados, eles não se sentem participantes disso tudo. E aí, tem a resistência. E com a resistência algumas práticas importantes elas ficam difíceis de se cumprir. (RDEB)

Quando se pensa numa base comum para o país todo, é superimportante isso, é superimportante que todos falem a mesma linguagem. Se a gente quer um país igualitário de norte a sul, com as mesmas condições, eu tenho que tentar oferecer essa equidade para eles, eu acho que isso a Base traz de bom, eu vejo isso como algo bacana da Base, esse olhar para todas as crianças do país com equidade. Desde a criancinha lá do Norte e Nordeste, sem condições, que vai para escola a pé e descalça, mas o olhar que vai ser oferecido para ela é o mesmo que vai ser oferecido para as crianças daqui da nossa região, que é uma das mais ricas da América Latina, que as crianças vão de carro, vão com os pais. É oferecer

para elas essas mesmas condições... condições nas funções didáticas, no intelecto, para que todos tenham condições de serem críticos, que desenvolvam o funcionamento crítico igual. Não é porque ela está lá andando descalço, que ela não tem a capacidade de ter o mesmo intelecto que uma criança que está aqui. Isso é o que eu acho que traz de mais importante na Base, o que eu vejo de importante na base. (RDEA)

Então, eu penso que a BNCC é necessária, por que a gente já recebeu alunos de outros estados, às vezes de escola particular e realmente às vezes havia discrepância curricular, principalmente em matemática. Então ter uma única referência nacional é importante tanto para particular, pública, municipal e entre as federações. Ah, eu penso que ela é importante sim, como eu disse, para padronizar o currículo. É difícil você imaginar o que está sendo trabalhado. (C3)

Seria homogeneizar os conteúdos, todos serem trabalhados a nível nacional, eu acho isso importante. Eu já cheguei a ver pesquisas de que o Nordeste não cumpre esse currículo, lugares que é mais forte, mais fraco. Já peguei alunos que vieram do Nordeste, muitos que os pais faziam safra, e a hora que chega aqui em São Paulo, precisa ver como que eles estavam defasados. (MA1)

A vantagem é que vão estar todos com o currículo igual. Foi o que eu falei, vai estar todo mundo preparado igual, vão estar todos no mesmo nível para concorrer a uma faculdade, concurso. Não vai haver aquela coisa “eu estudo em escola particular tenho mais vantagens”. (LP1)

Eu acho que é importante para que os professores trabalhem numa mesma língua, para que eles consigam colocar o ensino como um só, não ter essa desigualdade nem de professor, por exemplo “a minha matéria é mais importante que a sua matéria”, isso tem muito em escolas, infelizmente. Eu acho que a importância é isso, não sei se vai funcionar porque a gente sabe que, como tudo, no papel é muito lindo, só que vai para realidade e acontece várias coisas, mas eu acho importante para isso, para os professores falarem a mesma língua. Eu vejo vantagem, que todas as escolas estariam no mesmo nível. Eu não vejo desvantagem, porque estando no mesmo nível, os alunos vão estar, por exemplo, na mesma disciplina. Claro, às vezes tem alguma escola ou outra que está um pouco atrasada, dependendo da maneira como é a sala, como que são os alunos. Mas

eu vejo como? O aluno sai de uma escola, vai para outra, ele não vai estar em desigualdade com aquela outra escola que ele chegou, porque ele vai estar no mesmo nível, na verdade deveria estar no mesmo nível que os outros alunos da outra escola que ele estava. (CN3)

Eu acho que é a unificação. Olha, o país tem um projeto, você entendeu? Vamos unificar isso aí. Então eu acho que a BNCC se aplicar direitinho como eles querem e bem planejado vai ser um espetáculo. Não vai ser já a mudança, sabe? Mas teria que ser... Então o Brasil inteiro com um tipo de ensino unificado. (LP3)

Eu acho que a maior vantagem é conscientizar o professor que precisa ser feito uma mudança. Então, por exemplo, o uso da informática há muitos anos isso já é discutido, e agora está bem claro. Sempre foram colocadas essas discussões, mas agora está como uma proposta mesmo. (MUDEA)

Esses depoimentos vão de encontro ao que defendemos na fundamentação teórica do presente estudo, um currículo plural, heterogêneo, equitativo, diverso e dinâmico. O fato de termos uma mesma base curricular para todas as escolas não garante que a aprendizagem será a mesma em todos os locais, nem mesmo na mesma sala de aula, isso pode ser entendido levando-se em conta a não neutralidade de cada aluno, de cada família, de cada professor, escola, comunidade, cidade, estado, entre outras instâncias. As diferenças culturais interferem no desenvolvimento curricular e escolar como um todo.

Deve-se ter presente, seja qual for a opção curricular que em cada caso se adote, que todos esses componentes culturais transformados em conteúdos do currículo oferecem desiguais oportunidades de conexão entre a experiência escolar e a extraescolar nos alunos procedentes de diferentes meios sociais. (GIMENO SACRISTÁN, 2017, p. 61)

Desse modo, a BNCC não dá garantia de equidade, nem ao menos de igualdade em oportunidade, embora alerte que “os sistemas e redes de ensino e as instituições escolares devem se planejar com um claro foco na equidade, que pressupõe reconhecer que as necessidades dos estudantes são diferentes (BRASIL, 2018, p. 15).

Se dentro de uma mesma sala de aula o nível dos alunos não é o mesmo, as aprendizagens não são as mesmas, fica inimaginável um país inteiro, diverso como o

Brasil, estar nivelado por meio de um documento único que prescreve os mínimos curriculares. Se as condições que uma criança de classe média tem para chegar até a escola não são as mesmas de uma criança da periferia, então o capital cultural também é diferente, os interesses também o são.

Essa diversidade regional também emergiu nas considerações dos entrevistados como um dificultador da implementação igualitária da Base.

Nós temos um documento onde vai compor os objetos de conhecimentos definidos únicos para região de Norte a Sul, com liberdade da gente colocar especificidade de cada região, uma parte tanto sociocultural e até mesmo socioeconômica de cada região, a gente sabe que tem uma diversidade muito grande no país todo então, isso eu creio que a base vai determinar. (RDEA)

Essa afirmação nos leva à ideia de currículos plurais. E tomando a Base como reguladora dos mínimos, entendemos também que as especificidades de cada região devam aparecer nos currículos regionais e/ou locais, como orienta o CP.

O Estado de São Paulo é constituído por uma população representativa de diversas regiões do país. Tal especificidade evidencia a necessidade de se considerar a diversidade cultural no momento da construção do Currículo Paulista. Como previsto na LDB, os municípios têm autonomia para definir as políticas públicas que viabilizem a oferta e o acesso a um atendimento de qualidade, de forma a respeitar o contexto social, histórico e cultural em que estão inseridos. (São Paulo, 2019, p. 50-51)

Entretanto, as habilidades e os objetos de conhecimentos postos na BNCC estão ipsis litteris no CP. O que nos leva a questionar sobre o espaço no CP para as características próprias do estado de São Paulo; e ainda, como os outros estados inserirão suas particularidades nos currículos regionais.

A gente está usando um currículo que ainda aqui, cidade onde nós estamos, pelos nossos índices, a gente consegue atender esse currículo, porém se você pegar outras regiões do Brasil, a gente sabe que aquilo ali é totalmente inviável e que nunca vai ser feito, nunca vai ser atingido, porque são salas multisseriadas, são bem diferentes, o contexto e a situação em todos os sentidos, das escolas e tudo mais. (C1)

Então o que você fala no seu estado da Bahia, com todo respeito, é diferente do Rio Grande do Sul, eu entendo que você possa e deva

ter para nortear um currículo base, matemática, português, e tudo mais, mas tem que ter algumas adaptações regionais, eu não vejo isso. (C2)

Não sei, e não acredito. Porque como eu disse das diferenças regionais. Vamos fazer de CA por exemplo, todas as escolas são iguais? Não. Uma cidade relativamente pequena, mas com realidades diferentes. Zona leste, sem qualquer preconceito, mas é diferente daqui da zona sul. E2 e a escola X, duas escolas que têm ensino médio e fundamental, sem qualquer preconceito, são regiões diferentes, com populações diferentes, não haverá diferença no ensino das escolas? Sim. O que dizer de cidades e de estados? Então eu não sei se houve essa preocupação. (C2)

Quando você fica mudando muito uma coisa, é porque o antigo não está funcionando direito, é difícil dizer, a não ser experimentar, como esse caderno que trabalhávamos e depois de alguns anos podemos avaliar melhor, você só pode avaliar alguma coisa na prática, não dá para avaliar sem você trabalhar, no caso com esse novo currículo, eu acho que a ideia é unificar o currículo do país todo, eles defendiam tanto uma currículo regional e hoje eles já estão pensando ao contrário, afinal de contas, para eles o que é o certo? O que é o bom? Você trabalhar com o regional ou com uma coisa uniforme? ” Eu acho que não é bom trabalhar com uniforme, uma coisa só para todo mundo, tem que ser diferenciado. (MA2) Existem temas que não conseguimos abordar com nossos alunos aqui e, existem temas que precisamos trabalhar com eles que são da vivência deles, então fica muito distante da realidade na qual eles vivem. (LP2)

Foram apontadas também as desvantagens da BNCC, como as orientações didáticas e pedagógicas para trabalhar os objetos de conhecimento e ter maior chance de desenvolver as habilidades necessária para o alcance das competências.

Mas também tivemos retrocesso, principalmente se a gente comparar a Base com os Parâmetros Curriculares Nacionais. O que os Parâmetros trouxeram para gente? Além dos objetivos de aprendizagem, eles trouxeram também indicações didáticas, pedagógicas, coisa que a Base não traz, principalmente com relação às pesquisas, com algumas unidades temáticas. “Como a criança

aprende determinada unidades temáticas? Qual a melhor forma de ensino? O que as pesquisas apontam que a criança aprende mais e melhor com relação à pesquisa desse determinado tema? ” Então isso também me incomoda na Base, porque fica muito solto. Então eu acho que se a Base, além de trazer os objetos de conhecimento essenciais, deveria ter trazido também algumas questões didáticas de cada conteúdo abordado, de cada objeto de conhecimento abordado, acho que isso faltou. A desvantagem da BNCC eu já te falei, que ela não traz indicações didáticas, isso é um dificultador (RDEA)

Outros temas também foram considerados como desvantagens, como por exemplo a imposição da Base, as desigualdades entre as regiões brasileiras, a transição com os alunos que estão no meio do processo educativo, a estrutura e os investimentos em casa escola e a falta de formação continuada para os professores. Como ilustradas nas falas que seguem.

A gente enxerga ser tudo igual, perfeito, porém a desvantagem é que não vai funcionar, eu acho que nesse primeiro momento do jeito que está sendo imposto não vai funcionar. Eu acho que a desvantagem é essa, vai complicar muito. Eu acho que essa desigualdade que a gente tem hoje não vai conseguir atingir todo mundo do jeito que deveria, eu acredito que vai continuar assim: umas regiões vão ter esse currículo e outras não, não tem como. (C1)

E a desvantagem está sendo essa transição, de você pegar o aluno que já está no percurso... para quem está chegando agora, para o aluno que está no 6º ano, que vai estar no 7º, ano que vem, pra essas crianças não vai fazer diferença se você vai trabalhar o currículo do começo ao fim. Mas para quem está no meio do processo, quem está no 7º, 8º e 9º ano, por exemplo, que é nosso caso, eu acho que ele deixa de ter alguns conteúdos importantes para o vestibulinho, para ele competir com outras particulares, para os meus competirem com particulares também. Então eu tenho aluno que não teve física. Ele teria agora, mas foi substituído, então essa transição está sendo desvantagem, a forma como está acontecendo. (C2)

A desvantagem... vão ser as escolas que não têm estruturas corretas para isso, porque têm escolas que ganham verbas a mais, outras menos, e essas com verbas menores não vão conseguir se adaptar. (LP1)

É o que eu falei, não podemos desconsiderar o regionalismo, desconsiderar as diferenças que existem entre um estado e outro, estou falando sobre a minha opinião, o que eu ouvi falar sobre a BNCC. (MA2)

E desvantagens não tenho conhecimento dela, pode gerar confusão, e aí uma má aplicação disso na escola, pode ser interpretado simplesmente como um papel ou uma informação a mais, ou continuar do jeito que está... mascarando como as coisas estão acontecendo. E aí, nós não temos uma significativa aprendizagem do aluno pensando nessa mudança como melhoria. (MA3)

As desvantagens... vão pegar muita gente mal preparada. Você sabe disso. Vai pegar muita gente que não quer mudar. Resistência à mudança. Os alunos que estão acostumados a esse tipo de paternalismo, tudo ajuda, eles vão ter que sair, e eles gostam de sair da zona de conforto. Mas que vai ter uma resistência, vai. (LP3)

A formação docente foi a característica mais presente no momento em que os entrevistados deixaram suas considerações e suas preocupações acerca da BNCC. Muitos deles não se sentem preparados por não terem a formação, estudo, que desejariam para conhecer o documento da Base. Quanto a espaço para deixarem suas considerações, os termos mais frequentes estão relacionados com a formação continuada dos professores: conhecer o documento, estudo, orientação, capacitação, atualização e formação de professor.

As minhas considerações gerais eu acho que são para que os professores principalmente, mas todos devem conhecer, conheçam o documento, estudem o documento para que possam participar dessa escuta ativa que ainda virá em relação ao ensino médio, porque essa chamada da rede é relevante e a gente não pode se omitir nesse momento. (RDEB)

Eu acho que a divulgação dela... deveria ter sido bem mais divulgada, bem mais estudada, que nós deveríamos sim ter tido muito mais

orientações, muito mais acesso à essa BNCC, a esse plano todo, acho que faltou isso mesmo, a gente ter esse acesso, poder dar mais opinião, poder falar o que realmente a gente pensa, poder ajudar na hora de fazer, falar “não, isso aqui é legal, isso não é, isso é viável, isso não é”. Acho que seria mais isso mesmo. (C1)

Essas reuniões de ATPC, por exemplo, eu acho que elas devem ser direcionadas para estudo mesmo. Toda mudança é importante, a educação precisa de um “chacoalhão”, o aluno precisa de um “chacoalhão”, alguns professores precisam entender da real importância e valorizar aquilo que eles são dentro de sala de aula, da importância que tem tanto um professor de primeiro ao quinto, do que cuida do pequeno, nós do ensino fundamental, médio, professores da graduação, de pós, eu acho que tem que entender o valor e valorizar seu aluno também. Você não pode esquecer que tem esse lado da empatia também. Se você não tiver empatia, hoje você não dá aula. Então eu acho que a BNCC vai dar um chacoalhão em todo mundo. A gente, às vezes, está acomodado um pouco naquela situação cronológica, e ela vai dar um pouco desse ânimo, se ela for bem trabalhada, se o professor for preparado, e o aluno também conscientizado que a mudança é importante, que ele precisa disso também. Tem que preparar esse professor, tem que dar capacitações, tem que fazer ele trocar experiência, informação, e tirar as dúvidas que ele tenha com relação a isso, que independe do tempo que você está no magistério, as coisas mudam muito, a gente está aberta à mudança. O professor que não estiver aberto à mudança, ele está perdido, mas a gente precisa do preparo, eu acho que isso é importante. (CN1)

Eu acho que ela é um documento onde todos que estão dentro da secretária do estado de São Paulo, independente do seu cargo hierárquico, administrativo ou não, devem estudar, primeiramente. Acho que eles devem conhecer muito bem, saber diferenciar a BNCC do currículo, do projeto pedagógico, estar bem claro para cada um o que é a BNCC, o que é o currículo que a escola vai adotar, o que é o projeto pedagógico, ter bem nítido os parâmetros que você tem que pensar, que você vai analisar a partir da BNCC para a elaboração dos outros documentos vigentes daquela escola, então a partir do momento que você estuda a BNCC, você a conhece a fundo, você consegue ter ferramentas e propriedades para trabalhar ou formar um currículo, formar um projeto pedagógico

que seja eficaz, não que só fique no papel, que seja utópico, que nada daquilo vai ocorrer. (MA3)

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