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Nos séculos XIX e XX, os principais critérios que definiam as áreas mínimas habitacionais a serem ocupadas em metrópoles em expansão, baseavam-se principalmente em preocupações higienistas. Estas preocupações ganharam um novo rumo de discussão aquando do II CIAM, onde se procurou sistematizar o que seria o mínimo aceitável para uma família viver, abordando não só o espaço físico da habitação, como também as relações do mobiliário, modo de vida, racionaliza-

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ção da produção e uso do espaço . Com isto, procurou-se apresentar diversas configurações internas das habitações com propostas inovadoras de organização espacial através da utilização de divisórias leves, painéis deslizantes e mobiliário dobrável e multifuncional.

Um contributo decisivo para definir estas características provém dos estudos conduzidos nos finais dos anos vinte do século XX pelos arquitectos soviéticos, entre os quais Alexander Kle-

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in .

Os estudos de Alexander Klein contribuíram em muito na procura da definição de um método objectivo de avaliação dos problemas funcionais e económicos das habitações mínimas. O seu método, desenvolvido ao longo de anos e publicado em 1928, baseava-se essencialmente em três operações: exame preliminar mediante um questionário, redução dos projectos a uma

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mesma escala e método gráfico . Este era um ponto de partida para a redução do padrão de habitação, de modo a alcançar uma concepção de habitação mais articulada que tivesse em conta as relações complexas que se desenvolvem no seu interior e exterior. Desta forma, pretendia mostrar que a diminuição da área interna deveria estar vinculada a uma maior oferta de espaços

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colectivos e/ou públicos .

Este tipo de investigação racionalista desenvolvido por Klein, precedeu os manuais que ofereciam uma classificação sistemática dos vários tipos de edificação, funções, esquemas distributivos e dimensões e características dos instrumentos complementares. Um dos exemplos de grande sucesso desse tipo de manuais foi lançado por Ernst Neufert em 1936, com o título origi- nal Bauentwurfslehre que, desde então, tem sido reeditado e publicado em vários países e amplamente difundido nas faculdades de arquitectura.

O aspecto dimensional das habitações, era assim uma das muitas questões a serem consi- deradas sobre a qualidade habitacional, sem esquecer a classe social e o momento histórico que

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Ver capítulo 3.2.1, II CIAM: Unidade mínima de habitação, p.73. 39

AAVV. Projectar a cidade moderna. Presença, Lisboa 1987.

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O questionário composto por uma série de dados dimensionais e de questões relativas às habitações examinadas, levaria a uma pontuação que permitiria estabelecer a primeira avaliação comparativa sobre a eficácia da habitação. A redução dos projectos à mesma escala consistia numa confrontação de diversas soluções em planta com o mesmo número de camas e relativamente homogéneas, segundo parâmetros dimensionais que incidem sobre o esquema distributivo. O método gráfico, por sua vez, permitiria verificar para cada planta da unidade os seguintes aspectos: relação das circulações e disposição das zonas de passagem, concentração das superfícies livres de mobiliário, analogias geométricas e relações entre os elementos que compõem a planta.

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ROSSARI, A. Los estudios de Alexander Klein y el movimiento racionalista. Gustavo Gili, Barcelona 1980.

39. Estudo de tipologias para alojamento mínimo de A. klein.

3.2.3- Padrão dimensional mínimo de Alexander Klein

Nos séculos XIX e XX, os principais critérios que definiam as áreas mínimas habitacionais a serem ocupadas em metrópoles em expansão, baseavam-se principalmente em preocupações higienistas. Estas preocupações ganharam um novo rumo de discussão aquando do II CIAM, onde se procurou sistematizar o que seria o mínimo aceitável para uma família viver, abordando não só o espaço físico da habitação, como também as relações do mobiliário, modo de vida, racionaliza-

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ção da produção e uso do espaço . Com isto, procurou-se apresentar diversas configurações internas das habitações com propostas inovadoras de organização espacial através da utilização de divisórias leves, painéis deslizantes e mobiliário dobrável e multifuncional.

Um contributo decisivo para definir estas características provém dos estudos conduzidos nos finais dos anos vinte do século XX pelos arquitectos soviéticos, entre os quais Alexander Kle-

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in .

Os estudos de Alexander Klein contribuíram em muito na procura da definição de um método objectivo de avaliação dos problemas funcionais e económicos das habitações mínimas. O seu método, desenvolvido ao longo de anos e publicado em 1928, baseava-se essencialmente em três operações: exame preliminar mediante um questionário, redução dos projectos a uma

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mesma escala e método gráfico . Este era um ponto de partida para a redução do padrão de habitação, de modo a alcançar uma concepção de habitação mais articulada que tivesse em conta as relações complexas que se desenvolvem no seu interior e exterior. Desta forma, pretendia mostrar que a diminuição da área interna deveria estar vinculada a uma maior oferta de espaços

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colectivos e/ou públicos .

Este tipo de investigação racionalista desenvolvido por Klein, precedeu os manuais que ofereciam uma classificação sistemática dos vários tipos de edificação, funções, esquemas distributivos e dimensões e características dos instrumentos complementares. Um dos exemplos de grande sucesso desse tipo de manuais foi lançado por Ernst Neufert em 1936, com o título origi- nal Bauentwurfslehre que, desde então, tem sido reeditado e publicado em vários países e amplamente difundido nas faculdades de arquitectura.

O aspecto dimensional das habitações, era assim uma das muitas questões a serem consi- deradas sobre a qualidade habitacional, sem esquecer a classe social e o momento histórico que

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Ver capítulo 3.2.1, II CIAM: Unidade mínima de habitação, p.73. 39

AAVV. Projectar a cidade moderna. Presença, Lisboa 1987.

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O questionário composto por uma série de dados dimensionais e de questões relativas às habitações examinadas, levaria a uma pontuação que permitiria estabelecer a primeira avaliação comparativa sobre a eficácia da habitação. A redução dos projectos à mesma escala consistia numa confrontação de diversas soluções em planta com o mesmo número de camas e relativamente homogéneas, segundo parâmetros dimensionais que incidem sobre o esquema distributivo. O método gráfico, por sua vez, permitiria verificar para cada planta da unidade os seguintes aspectos: relação das circulações e disposição das zonas de passagem, concentração das superfícies livres de mobiliário, analogias geométricas e relações entre os elementos que compõem a planta.

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ROSSARI, A. Los estudios de Alexander Klein y el movimiento racionalista. Gustavo Gili, Barcelona 1980.

40. Comparação das plantas de dois alojamentos, um tradicional e um moderno de A. klein.

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se vivia. Desta forma, a habitação deveria ser concebida de forma a relacionar-se activamente com as condições de vida e necessidades culturais da sua época, satisfazendo inclusive as neces- sárias exigências de máxima economia e simplicidade. Neste sentido, Klein lembra que quando a situação económica exige uma redução de área, isto não significa necessariamente uma redução na qualidade das condições habitacionais. No entanto, para se realizar tal redução mantendo uma boa qualidade na moradia são exigidas profundas modificações no modo de projectar a habitação:

O conceito de "habitação mínima" deve entranhar uma profunda modificação, tanto qualitativa como quantitativa, de cada uma das peculiaridades da habitação, de modo a que o seu funcionamento se situe a um nível exequível para a economia fami- liar... sem que isto suponha uma deterioração das condições de vida, tanto físicas como espirituais, dos seus moradores .42

Os estudos de Alexander Klein podem servir como uma metodologia orientativa no senti- do de fazer as pesquisas arquitectónicas vincularem a redução de área ao desenvolvimento de determinadas funções, tanto no interior da unidade como no seu exterior, garantindo ao mesmo tempo a quantidade mínima de espaços e serviços ligados à habitação.

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KLEIN, A. Vivienda mínima:1906-1957. Gustavo Gili, Barcelona 1980.

40. Comparação das plantas de dois alojamentos, um tradicional e um moderno de A. klein.

se vivia. Desta forma, a habitação deveria ser concebida de forma a relacionar-se activamente com as condições de vida e necessidades culturais da sua época, satisfazendo inclusive as neces- sárias exigências de máxima economia e simplicidade. Neste sentido, Klein lembra que quando a situação económica exige uma redução de área, isto não significa necessariamente uma redução na qualidade das condições habitacionais. No entanto, para se realizar tal redução mantendo uma boa qualidade na moradia são exigidas profundas modificações no modo de projectar a habitação:

O conceito de "habitação mínima" deve entranhar uma profunda modificação, tanto qualitativa como quantitativa, de cada uma das peculiaridades da habitação, de modo a que o seu funcionamento se situe a um nível exequível para a economia fami- liar... sem que isto suponha uma deterioração das condições de vida, tanto físicas como espirituais, dos seus moradores .42

Os estudos de Alexander Klein podem servir como uma metodologia orientativa no senti- do de fazer as pesquisas arquitectónicas vincularem a redução de área ao desenvolvimento de determinadas funções, tanto no interior da unidade como no seu exterior, garantindo ao mesmo tempo a quantidade mínima de espaços e serviços ligados à habitação.

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